Im Just A Fallen Angel...
6 My home is your home....
Saíra do mosteiro, me sinto ainda mais perdido mas...indiferente. Se me perdesse nesta cidade não faria diferença nenhuma, minha mente já estava mais perdida do que uma gota de sangue num balde de vinho...
- Então, Alex, o que achou da casa?- perguntou aquele loiro com um sorriso gentil e irritante no rosto.
Eu dei uma passada de olhos sobre aquele cômodo pois eu ainda nem havia me lembrado de o apreciar, paredes brancas, móveis em tom claro...aquele lugar emanava tanta bondade que me dava vontade de vomitar...
Olhei para o rapaz para voltar a analisá-lo, ele olhava para mim e não se sentiu ameaçado pelo meu olhar frio, os seus olhos estavam semi-fechados em um sorriso inocente que até então eu só havia visto em crianças. Ele me irritava...
- Vai responder ainda hoje? Ahah!- perguntou rindo.
- Hm. Você também mora aqui? — parei para analisar um estranho objeto sobre a mesa.
- Sim, moro, mas não se preocupe que eu passo a maior parte do tempo fora de casa, estudando e trabalhando Nem vai dar por mim! — ele coçou a cabeça com um sorriso meio torto vendo que sua pergunta tinha sido jogada fora.
Seus olhos pousaram sobre o objeto que eu observava.
- Isso é uma fruteira que minha mãe mandou para mim. Bonita né? — seu sorriso se tornou mais sereno e menos intenso.
- Tem alguma utilidade? —
- Uh...é onde se guarda fruta (?) — seus olhos começavam a se arregalar com um certo tom de espanto.
- Fruta?...- mas que vocábulo estranho seria aquele?
- Meu Deus! Alex! Você nem se lembra o que é uma fruta?? — perguntou pasmado me olhando de alto a baixo.
- Não me lembro de tal coisa.- dei a volta por ele e peguei minha sacola que eu deixara sobre o sofá.
- Há quanto tempo você tem amnésia? — ele me seguiu.
- (Amnésia...haha) Era suposto eu me lembrar? — segui corredor adentro.
- O Padre disse que você apareceu no jardim do mosteiro, incosciente no chão como se tivesse caído do céu! — ele me seguia inquieto como uma criança curiosa e me mostrou o quarto onde eu ia ficar.
Era totalmente diferente do quarto do mosteiro...a cama era bem maior, era mais mobilado e era bem mais aconchegante. No entanto me senti um intruso, como se não fosse suposto eu estar ali.
Mas, no final das contas, nem naquele mundo eu deveria estar.
- Eu até poderia dizer que você pulou de um avião, mas naquela área eles passam muito alto e, sem páraquedas (e sem roupa) você não teria sobrevivido.- dizia ele com a mão no queixo, tentando justificar a minha situação.
- Bom, eu tinha machucados graves, não tinha?- perguntei com um certo tom de deboche, só para ver o que o loiro ia responder.
- Mas não da queda! As madres disseram que seus ferimentos eram de cortes e pancadas. Será que você é um anjo??- perguntou.
- Sim, eu sou um anjo.-
- Ahahaha! — riu, tomando minha resposta como sendo irônica.- Eu conheço a pessoa ideal para te ajudar e se exatamente onde está neste exato momento!
Pousei a sacola sobre a cama.
- E o que quer que eu faça?-
-...- ele ficou sem resposta, olhando para o lado.
- ...?-
- Ok, ok. Só tire as lentes e eu vou levar você para essa pessoa, vou ter que passar por lá mesmo.- suspirou e respondeu.
- Não uso lentes.- é, eu já sabia o que eram.
Ele olhou para mim sem saber o que dizer, era quase possível ver reticências sobre sua cabeça.
-Se não quiser tirar, pronto. Ao menos tente esconder com o cabelo.- ele afastou uma parte do meu cabelo, que havia crescido um pouco, com um tapa.
- Vamos rápido que eu já estou atrasado!- ele riu enquanto fazia movimentos estranhos com os braços e saiu disparado do quarto até a saída da casa, eu segui-o, porém não tão apressado. Eu ainda não tinha muita noção do tempo.
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