Iluminados
3 Capítulo 3
Notas iniciais
— O que você está fazendo aqui? — exclamei, mais irritada que surpresa.
— É bom vê-la também, minha cara e doce princesa. – respondeu Loren enquanto se curvava em uma reverência.
Como aquele garoto me irritava. Ele surgiu de trás de uma árvore, vindo de não sei onde. O que ele estava fazendo ali? E por que justo ele?
— Estava nos seguindo?– perguntou Natten, claramente mais irritado que eu.
— Não eu não estava. Eu vim de encontro a vocês. – respondeu Loren, mostrando que também não estava muito satisfeito por estar em um ambiente com Natten.
Deixe-me esclarecer algo: Natten e Loren se odiavam. Eles não se gostam desde pequenos. Viviam brigando, e isso nunca mudou muito. O motivo desse ódio? Não sei, nunca soube ao certo.
— E poderia dizer-nos o porquê de você vir ao nosso encontro? – perguntou Natt, com um tom de voz que era mais de desafio que de pergunta.
— Porque o rei me pediu. – respondeu Loren, no mesmo tom.
— Espera. Meu pai? Ele pediu para você vir aqui? Por quê? – dessa vez eu fiz as perguntas.
— Bom, claramente, ele não confia que esse maguinho seja o suficiente para escoltá-la até o monte Quios. – respondeu-me Loren, da forma mais arrogante possível.
— Como se um rico mimado bastasse. – retrucou Natten, revirando os olhos.
— Ora, seu…
— Chega! — meti-me entre os dois, antes que as coisas ficassem pior. — Não briguem, por favor. Olhem, eu posso cuidar de mim, mas sinto que estou mais segura com os dois aqui. – e eu realmente sentia.
— Já que a princesa pediu, não vou expressar minha raiva de um jeito que eu gostaria muito. – disse Loren, virando-se de costas e arrebitando mais ainda o nariz.
— Como queira. — disse Natt, virando-se também.
— Ótimo. Quem está com fome? – perguntei, porque estava faminta!
Depois de conseguir alguns ingredientes, estávamos comendo um delicioso ensopado com carne de coelho. Quando estava quase terminando meu segundo prato, decidi perguntar a Loren algo que estava me intrigando:
— Loren, tenho que lhe perguntar: como nos achou? E por que concordou em me escoltar até Quios?
— Achar vocês foi fácil. Seu pai escreveu uma carta e mandou que entregassem em Riverflower, onde eu estava hospedado com meus pais. Na carta, estava escrito que se eu viesse em direção ao castelo pela floresta encontraria vocês. Como não estavam muito longe da trilha, vi os seus cavalos. Agora, concordei em vir porque, primeiro: não se nega um pedido do rei; segundo: tenho negócios a tratar em Quios. — ele respondeu.
Queria perguntar também o porquê das roupas simples, mas achei que a resposta seria meio óbvia. Só era estranho, já que na maioria das vezes tinha visto ele em roupas chamativas e caras. Até que ele ficava mais bonito assim, com só uma camiseta branca, um colete e uma capa por cima. Não que Loren fosse feio, pelo contrário. Ele tinha cabelos loiros, curtos e olhos cor de mel, que ficavam quase que dourados em ambientes com muita claridade. Tinha feições um tanto quanto delicadas, mas não tão delicadas a ponto de serem quase femininas. Ele era bonito e com aquelas roupas simples, ficava encantador.
Muitas das filhas de lordes de todo o reino desejavam se casar com Loren, não somente por causa de sua beleza, mas também porque ele era o filho do lorde mais rico de todo o reino. Suas riquezas só não eram maiores que as do próprio rei. Eu adoraria ver a cara dessas meninas se vissem ele vestido daquele jeito, parecendo um camponês.
Devo ter ficado encarando-o tempo de mais, pois em dado momento, Loren olhou para mim, franzindo a testa e perguntou:
— Está tudo bem princesa? Tem algo no meu rosto?
— Ah, não! Não tem nada! Só estava pensando algo, desculpe. — falei, envergonhada.
— Sabe lutar? — perguntou Natten, repentinamente. — Sabe usar alguma arma?
As perguntas eram boas. Nunca tinha visto Loren usar uma espada, ou qualquer outra arma.
— Tenho três adagas comigo, duas nas bainhas presas ao cinto e outra dentro da bota. Pratiquei luta com adagas desde os nove anos. Isso lhe responde? — disse Loren.
— Mostre-me. — pediu Natt.
Loren levantou-se, tirou a capa, de modo que agora era possível ver o cinto com uma bainha presa de cada lado, ambas guardando uma adaga. Da maneira que estavam guardadas, era possível saber que, caso precisasse, Loren poderia sacá-las em questão de segundos.
— Pronto. Gostaria que eu mostre como eu as uso? — perguntou Loren com um sorriso malicioso.
— Não será necessário. — respondo Natt.
— Onde está o seu cavalo? Não o vejo. — perguntei, procurando por um cavalo que não fosse Osbourn ou Ziron.
Loren assoviou então, e uma linda égua branca com pontilhados pretos por todo corpo apareceu.
— Esta é Shadow, minha égua. Ela é treinada para não ficar à vista e só responder quando ouvir meu assobio.
— Ela é linda. — falei, maravilhada com o belo animal.
— Alguma outra pergunta? — disse Loren.
Eu e Natten nos olhamos e, silenciosamente, chegamos a uma conclusão: aquele garoto era um mistério. Eu achava que conhecia Loren, mas, pelo visto, estava enganada. Perguntas a respeito dele começaram a invadir minha mente, perguntas que eu nunca tinha feito antes. Quem era ele?
— Vamos indo, quero chegar à vila antes de anoitecer. — Natten, então assoviou e Mesha, seu cão, apareceu, abanando o rabo.
Chegamos a Riverflower quando estava escurecendo. Fomos à pousada da vila e lá, jantamos e fomos dormir. Assim que deitei na cama, adormeci, esperando que ninguém invadisse meu quarto naquela noite.
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