Iluminados
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Natten era meu melhor e talvez único amigo. Ele era um aprendiz de mago e, quando era menor, passava alguns dias no castelo enquanto seu mestre ia para missões a pedido de meu pai, já que Natten era órfão e, por causa da idade, não podia ficar sozinho na cabana em que morava com o mestre. Ele era a única pessoa da minha idade dentro do castelo, fora as vezes em que Loren e seus pais vinham nos visitar.
Acordei de manhã com meu pai batendo à porta, dizendo para eu preparar-me. Visto um vestido verde escuro o mais rápido possível, e coloco por cima a minha capa longa com capuz. Pego o meu arco e aljava, e saio. Meu pai, que ficou esperando no corredor, guia-me até o pátio central enquanto diz as últimas coisas que preciso saber.
— Aqui está um mapa para como chegar ao monte Quios. Há duas vilas no caminho e, enquanto não chegarem a alguma delas, acampem na floresta de noite. Procurem viajar sempre de dia. Racionem a bebida e a comida e, caso precisem, cacem. – disse ele, enquanto entregava para mim o mapa.
Quando chegamos ao pátio central, minha mãe me aguardava com uma trouxa junto de Osbourn que já estava selado e pronto para partir. Minha mãe, após me entregar a trouxa, despede-se de mim, esforçando-se para não chorar.
— Filha... boa sorte. Que os deuses da luz estejam sempre zelando por ti.
— Mãe... – não consegui dizer mais nada. Minha garganta estava trancada.
— Não precisa dizer nada! – respondeu ela me abraçando e beijando a minha testa. – Voltaremos a nos ver, mas, por enquanto, adeus.
Fiquei quieta. Com o rosto afundado no peito dela, abracei-a forte, sentindo seu calor uma última vez antes de partir. O rei se aproximou e quando soltei minha mãe, foi a vez dele de abraçar-me forte. Quando me soltou do abraço, olhou-me e disse:
— Muito bem. Deve partir agora, minha filha. Natten está esperando no portão. Lembre-se do que eu lhe falei. Agora vá! Adeus.
— Adeus, pai.
Senti que uma lágrima começava a brotar, porém a segurei. Com um rápido movimento, saltei para o lombo de Osbourn e o voltei na direção do portão do castelo. Já podia ver que Natten, montado em seu cavalo Ziron, esperava-me junto com Mesha, seu fiel cachorro. O cão de pequeno porte, orelhas de abano e pelos brancos com manchas pretas, estava sentado na sela na frente de Natten, que o segurava para que não caísse. Mesha latiu quando me viu.
— Olá Mesha! Oi Nat. – falei com um sorriso, procurando esconder o medo e a tristeza que sentia por estar deixando minha casa.
— Olá Kyla. Pronta para partir? – perguntou ele, com um sorriso capaz de fazer qualquer menina derreter.
Acho que devo mencionar que Natten era considerado, por muitas garotas, um cara bonito. Tinha cabelos castanhos escuros e olhos azuis claros, como o céu em um dia de verão. Tinha os traços do rosto marcantes, a boca pequena, mas com lábios nem muito grossos, nem muito finos. Era magro e tinha altura mediana, sendo uns dez centímetros mais alto que eu. Muitas garotas gostariam de tê-lo como namorado.
— Sim. Com um pouco de medo. – respondi.
— Ei! Não precisa ter medo! Essa viagem com certeza será emocionante! – ele retrucou, ainda com aquele sorriso que me deixava com uma sensação estranha na barriga.
— Acho que isso não me deixou mais confortável. Entretanto, é uma boa maneira de encarar isso tudo. Vamos logo.
— A senhorita primeiro!
— Ha, ha... muito engraçado.
Então, comigo indo à frente, deixamos o castelo. Quando já estávamos longe do castelo a ponto de eu não vê-lo mais, já era tarde e ficamos com fome. Decidimos parar para o almoço em uma clareira perto da trilha. Foi quando percebi que alguém nos seguia.
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