Iluminados

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Primeiro capítulo! Uau... que nervosismo...

Chovendo, desmonto meu cavalo perto dos estábulos. Fiz uma boa caçada, agora só tenho que entregar para as cozinheiras os dois coelhos que consegui.

— Até amanhã Osbourn!– despeço-me do meu cavalo. Ele relincha em troca, sacudindo a cabeça. Tenho-o desde que era um potro. Seus pelos são negros, assim como a crina e a cauda. Ele tem uma pequena mancha branca no focinho e divertidos olhos castanhos.

Depois de sair dos estábulos e chegar à cozinha do castelo completamente encharcada, vou tomar um banho.

Ah! Que falta de educação! Já ia esquecendo de me apresentar. Meu nome é Kyla, princesa do reino de Arkon. Meu reino é a capital do meu país, Konam. Aqui, a magia reina. Clãs de magos e magas praticam a magia e mantêm a ordem e o equilíbrio no reino entre a luz e a escuridão. No meu reino há dois clãs: o clã dos iluminados que praticam a magia "boa", voltada para a luz, digamos assim. E tem o clã das sombras, que praticam a magia negra.

O clã das sombras fora banido do reino pelo meu pai, assim que eu nasci. Isso faz dezesseis anos já que essa é a minha idade. Eles foram banidos porque, no dia do meu nascimento, os magos sombrios, como os chamam, queriam me matar. Foi previsto pelo clã dos iluminados que a próxima criança nascida no castelo, filha do rei Soran e da rainha Hyna, derrotaria o clã das sombras e, assim, o reino viveria séculos de glória, quando ele ou ela completasse dezesseis anos. Por um infeliz acidente, eu sou essa criança. E agora, com a idade da profecia, uma enorme responsabilidade caía sobre mim.

Penteei meus cabelos castanhos e fiz duas tranças pequenas de cada lado e as prendi em uma só atrás, por cima do resto do cabelo que eu deixei solto. Do outro lado da porta de meu quarto, ouço minha mãe me chamar:

— Filha! Posso entrar? – pergunta ela.

— Pode! – grito em resposta.

— Querida, só queria te lembrar para colocar um vestido bem bonito, afinal, lorde Renno, junto com sua esposa e seu filho, irão jantar esta noite conosco. E sê gentil com o filho do lorde!

Droga. Tinha-me esquecido que aquele mimado e idiota do Loren ia jantar hoje aqui, pois nossos pais tinham "assuntos" a tratar. "Aposto que Renno vai pedir mais dinheiro para meu pai", pensei aborrecida. Sabia que era isso. Sempre era! E enquanto o lorde tentava convencer meu pai a emprestar mais dinheiro para comprar mais sementes para as terras, o filho besta dele ia ficar tentando me paquerar para ver se conseguia uma futura noiva. Eu sou princesa, sei caçar e era a heroína de todo um reino! Não tinha tempo, nem cabeça para casamento! No entanto, o que aconteceu em seguida eu nunca teria imaginado.

***

Estava examinando as roupas em meu armário e praguejando baixinho contra Loren, quando, de repente, ouço a janela batendo, o que era esquisito já que não me lembro de tê-la aberto. Olho para trás e a janela está fechada. Estranho. Com o canto do olho, avisto um vulto à minha direita, perto da minha penteadeira. Viro minha cabeça naquela direção, assustada, mas não vejo nada.

Começo a procurar pelo quarto qualquer sinal de movimento. Pego meu arco e minha aljava e sinto-me mais segura com eles na mão. Coloco a aljava nas costas, pego uma flecha e preparo o arco.

Novamente, com o canto do olho, vejo o vulto, só que agora à minha esquerda e, sem pensar, atiro ali, um tiro certeiro que acerta o braço dele. Um homem encapuzado com uma capa preta, grita e solta uma adaga no chão.

Meu pai, de repente, entra no quarto com violência. Ele vê o homem e fica assustado, mas não por muito tempo. Os olhos verdes agora brilhavam de raiva. Soran avançou no quarto e agarrou o intruso pela capa que usava, e o levantou no ar, a ponto de ficarem cara a cara.

— Quem és tu!? O que estavas tentando fazer com a minha filha!? – perguntou o rei, gritando.

— Fazendo o que deve ser feito! – o homem respondeu, cuspindo as palavras.

— Tu és do clã das sombras, não és? Não és!? – berrou meu pai.

— Sou! E um seguidor muito fiel de Polyum! – falou o homem.

Ao ouvir esse nome, meu pai surtou. Jogou o homem contra meu armário, fazendo com que ele batesse a cabeça muito forte e desmaiasse.

— Querida! Precisamos tirar Kyla daqui! – falou meu pai, preocupado, para minha mãe que acabara de entrar no quarto e olhava a cena com espanto.

— Pai, como assim me tirar daqui? Para onde pretendem levar-me? – perguntei sem entender nada.

— Depois lhe explicarei Kyla. Mas por hora, vai dormir essa noite com a tua mãe enquanto eu resolvo umas coisas. Quero que fiquem com a porta trancada. E ponha vigias em cada perímetro deste castelo! – ordenou aos guardas que estavam perto.

— Sim, senhor!

— Filha, leva teu arco e a aljava. Prepara-te para arrumar algumas coisas para viagem. Irás amanhã, bem cedo.

— Mas...

— Kyla, explicaremos-lhe melhor tudo amanhã de manhã. – disse minha mãe com ternura.

Fomos eu e ela para os aposentos de meus pais. Levei meu arco e aljava cheia de flechas, e coloquei aos pés da cama. Depois de eu ter me deitado. Minha mãe trancou as portas que davam acesso ao quarto pelo corredor, e a porta de vidro dentro do quarto que dava acesso a sacada. Sentei na cama e, olhando para minhã mãe, perguntei:

— Mãe, o que está acontecendo?

Ela me olhou com um olhar que se misturava a carinho e pena.

— Filha... sabes quem é Polyum? – perguntou ela.

— Não é o líder do clã das sombras? – respondi. Não me lembro quem havia me dito isso, mas deve ter sido Natten, meu melhor amigo.

— Sim. É ele. – disse ela, muito séria.– Quando Polyum recebeu a notícia sobre a profecia que poderia destruir todo o seu clã, ele decidiu vir matar-me, pois, na época, eu já estava grávida de ti. Ele invadiu o reino e veio para o castelo. Teu pai e Polyum lutaram, mágica contra espada e escudo. Naquela hora, eu estava escondida em um dos aposentos do castelo. Quando Soran derrotou o senhor sombrio, ele foi banido, porém jurou que voltaria, mais forte e que matar-te-ia quando chegasse a hora. Agora, pareceu que chegou.

Depois de um tempo , meu pai entrou no quarto.

— Kyla, prepara-te. Amanhã de manhã, bem cedo, tu deves ir embora do castelo. Pega Osbourn e espera Natten na saída. Já mandei alguém ir entregar uma mensagem para ele. Daqui, vocês devem ir até o monte Quios, encontrar-se com Drímaco, o líder dos iluminados.

Depois disso, fomos todos dormir, mas, é claro, não tive nenhum sonho bom naquela noite.

Notas finais
A título de curiosidade: - Pode causar estranhamento, mas o verbo "sê" é o modo imperativo da segunda pessoa no imperativo do verbo ser (sê tu).