Notas iniciais
Opaaaaa, eu tô de volta!!! Sentiram minha falta? Espero que sim. Preparem os corações, porque o capítulo tá... tá revelador e eu acho que vocês vão tentar descobrir a onde eu moro pra vir aqui em casa me matar, mas eu peço que reconsiderem, porque eu ainda tenho que terminar essa fic. Enfim, escrevi demais e vocês querem ler então... Boa Leitura!

Capítulo 14 – Transparência

(...) John

O silencio que se estabeleceu na sala de 221B, Baker Street, naquele exato momento, a revelação foi sublime. O que saiu da boca de Sherlock Holmes era tão surpreendente que nem consegui chegar até minha cadeira para me sentar. Desabei no chão ao lado da porta devido ao choque provocado pela novidade. Eu desconfiava, mas uma coisa era eu, Mycroft e minha esposa fantasiarmos a respeito, outra era ouvir aquilo sair da boca do detetive frio e solitário.

— O quê?

— Não me faça repetir isso, John. Eu sei que você me ouviu.

— Tem certeza?

— Quantas vezes eu já estive errado em minha vida, John?

— Eu não sei o que dizer...

— Ah, é claro que sabe, eu consigo ouvir suas perguntas daqui.

Isso era verdade. Mas eu ainda estava tão confuso que precisava de um momento para rearranjar as perguntas de forma que fizessem sentido quando saíssem de minha boca. A primeira não pareceu surpreendê-lo.

— Como descobriu?

— Comecei a avaliar minha relação com Russell ontem à noite depois que a coloquei na cama.

— A colocou na cama?

— Não pense besteiras, homem.

— Não pensei.

Pensei sim.

— “Ontem à noite, levei Russell para patinar no Canary Wharf. Ela parecia abatida depois do pesadelo que teve pela madrugada e eu, por algum motivo, não aguentei vê-la daquela forma. Ela tem um brilho exuberante quando está feliz e eu queria aquele brilho; eu queria o que um pesadelo conseguiu tirar em uma noite”.

“Devia ter visto John. Sob as luzes, no gelo, a risada dela mesmo quando caia no chão... Eu ainda consigo ouvir a risada dela, é como se ecoasse na minha cabeça. E quando voltamos, sentamos naquele sofá e assistimos porcarias naquela TV até ela deitar no meu colo e adormecer. Eu nunca apreciei tanto a fisionomia ou a companhia de uma mulher”.

“De acordo com a ciência, leva apenas quatro minutos para você decidir se gosta de alguém ou não e se apaixonar leva menos de um segundo. Achei que era apenas baboseira de minha mente, mas depois que comecei a analisar tudo. A necessidade que eu tenho de mantê-la por perto está ficando insuportável, mas nada se compara ao o que a ausência dela me causa”.

“Acontece, John, que apaixonar-se é muito parecido com se drogar com uma dose de cocaína, pois os dois afetam o cérebro de uma forma semelhante e provocam a mesma sensação de euforia. Eu estava me preparando para vê-la ir embora de novo e já estava sentindo os sinais de sua abstinência.”

“Eu já estava sentindo o cansaço, a irritabilidade, a ansiedade, o pouco de prazer que eu tinha nas pequenas coisas escapando por entre meus dedos, a falta de sono, estava ficando louco para ser bem honesto. Então, respondendo a sua primeira e também última pergunta: não, eu não armei isso, mas estaria mentindo se dissesse que não estou satisfeito com o efeito dessa carta.”

Terminou ele.

— Não vai poder contar com as ameaças de um vilão para sempre, Sherlock.

— Sei disso. — ele moveu a cabeça levemente — Estou com sede.

Ignorei a última informação sem nexo algum enquanto o seguia para a cozinha.

— Então foi realmente Moriarty quem mandou essa carta?

— Moriarty está morto.

— Então quem mandou?

Vi Sherlock se abaixar ligeiramente e pegar algo de um dos armários. Fiquei surpreso ao notar que era uma garrafa de conhaque. Ele suspirou ao abrir a mesma.

— Eu não faço a mínima ideia, mas com toda certeza trabalha para ele e está querendo terminar o que Moriarty começou.

— O que tem nessa carta?

Ele me fitou incerto por um segundo, porém cedeu em seguida.

— Traga a carta aqui. — Fui até a sala pegando a carta que Russell havia deixado no sofá e voltei à cozinha. — Leia.

Dei uma boa olhada na carta.

— Não consigo.

— O que vê?

— Parecem equações de potenciação e a de baixo, apenas letras.

— Eu e Russel nos comunicamos por dois anos por mensagens, mas como eu sabia que meu querido irmão costuma grampear e interceptar tudo o que acontece no meu celular, decidi que precisávamos nos comunicar por códigos. — Ele pegou um copo grande, abriu o conhaque e se serviu. — Eu te ofereceria, mas hoje estou com uma enorme vontade de beber. — Comentou tomando um grande gole em seguida. — O que você acha que são equações são, na verdade, um código muito simples. Tão simples que chega a ser ridículo. As letras são o código de César, um tipo de cifra de substituição em que cada letra do texto ou frase é substituída por outra.

— Sim, mas...

— Não terminei ainda. — Ele bebeu o resto do conhaque no copo em um único gole fazendo uma careta. — No telefone, o teclado tem números e letras. O número maior representa a tecla: um, dois, três até o nono; o numero pequeno acima do maior indica a letra usada. Apenas dois números do teclado possuem quatro letras, o número sete e o nove. No sete ficam: p, q, r, s; numero nove: w, x, y, z.

— Então esse é código “indecifrável” que você e a Russell usaram? Seu irmão é mesmo um idiota.

Soltei sem pensar. Assim que notei meu erro, olhei para Sherlock, mas ele não parecia bravo.

— Acha mesmo que eu não sabia que você havia recebido uma mensagem do meu irmão? Você relaciona as mensagens dele com problemas e também não consegue esconder sua expressão quando recebe uma. Eu perguntaria sobre o que conversaram naquela noite, porém já está claro qual foi o assunto.

— Ele estava desconfiado.

— A respeito de?

— Russell.

Ele bufou.

— Imaginei, ele não é cego.

Ele voltou a encher seu copo mais uma vez.

— Mas você ainda não me disse o que está escrito na carta.

Ele pegou a carta de minhas mãos, pousou-a na mesa e apontou.

— “Eu/ vou/ pegar/ ela, Sherlock”.

M

Assenti.

— Mas e o resto?

Ele riu.

— Isso é o post scriptum, ou como geralmente vemos nas cartas, o famoso P.S.

— E o que diz?

— É a continuação do jogo dele.

— Não entendo.

— Moriarty disse que me devia. O que seria um suicídio para alguém que não teme algo tão comum como a morte, John? Eu não temo a morte. Cair para a morte nunca foi o plano.

— Ele queria que você apaixonasse.

— De fato: “To fall in love”. Ele pode cumprir sua promessa. — Ele sorveu o resto do conhaque contido no copo e então apontou para a carta. — “P.S.: Agora eu posso queimar seu coração”. Agora ele me deve um coração partido.

Ficamos em silêncio. Então o plano de Moriarty era fazer Sherlock Holmes cair aos pés de uma mulher. Mas como ele podia ter tanta certeza de que esse plano teria dado certo? Como ele havia descoberto Russell? Bem, isso ficaria para mais tarde.

— E o que você vai fazer?

— Não há nada para ser feito. Se essa pessoa está seguindo os passos de Moriarty e vai agir como ele, devemos apenas esperar seu próximo movimento.

— Não estou falando do Moriarty.

— Não?

— Russell.

Ele olhou para os lados claramente confuso e desconfortável com a situação.

— O que tem ela?

— Você precisa falar com ela.

— Sobre?

Reuni toda minha paciência naquele momento. Ele sabia exatamente a onde eu queria chegar, só não queria falar a respeito.

— Bem, primeiro eu sugiro que se desculpe por ter sido tão duro com ela e, depois, eu sugiro que diga como se sente. Sei que não vai ser fácil contar, mas isso faz parte da vida.

Ele assentiu.

— Sim, tudo bem.

— Sério?

— Mas é claro que não, não seja idiota! Eu nunca faria isso.

— Por que não?

Ele balançou a cabeça me olhando-me com os olhos semicerrados.

— Porque isso não sou eu. Eu estou no meio de uma guerra, John. Uma guerra onde Russell não está a salvo comigo e também não está segura longe de mim.

— Não é como se ela não soubesse que estar ao seu lado é perigoso, Sherlock. Ela sabe muito bem disso e nunca teve medo.

— Não cabe a ela decidir.

— Você sabe que sim. A decisão tem que ser dela, não pode simplesmente fazer com que ela goste de você e depois colocar ela de lado como aquela sua... Aquela sua caveira.

— Esse não é o plano.

— E qual é o seu plano?

— Eu vou resolver esse assunto o mais rápido possível para que Russell volte para Oxford, e, assim que ela completar dezoito anos, eu lhe cederei sua herança e sua emancipação integral para que ela faça o que bem entender.

— O quê?

— Você não está surdo, está?

— Não sei qual a finalidade desta conversa.

— Bem, você é meu amigo.

— E...?

— E eu preciso que me ensine como esquecer isso.

— Isso o quê, Sherlock? Do que está falando?

— Ela... Ela é como um tipo diferente de vírus que se impregnou no meu palácio mental e eu tenho a impressão de que não vou conseguir remove-la sozinho. Eu acho que, com sua ajuda, eu posso arranjar um jeito mais fácil de fazer isso.

— Deixe-me ver se eu entendi: você quer passar uma borracha nela?

Ele não podia fazer isso e eu não ia permitir que ele tentasse.

— Não nela, no sentimento.

Ele reformulou.

— E se ela também gostar de você? Já pensou nisso?

Ele revirou os olhos.

— Estou começando a me arrepender de ter te contado. Eu devia saber que pedir a ajuda de um romântico não daria certo.

— Pensou. Você pensou, gostou, e agora está apavorado. Está louco para fugir disso, mas agora você me deu o motivo perfeito.

— Motivo perfeito para quê?

— Para fazer o contrário. Não vou te ajudar a esquecê-la; vou acorrentar ela no seu cérebro.

— Você não faria isso.

— Dúvida?

— Achei que fosse meu amigo.

— E eu estou fazendo o que um amigo faria: estou impedindo que, daqui alguns anos, você tenha de comparecer a outro casamento em que, desta vez, você terá o desprazer de levar Russell até o altar e a ver dizendo “sim” a outro homem.

Murmurei abrindo a porta.

— A onde você vai?

— Vou conversar com ela e acalma-la. Torcer pra você já não ter estragado muito as coisas.

Porque estava na hora de ter “a conversa” com Russell.

(...) Russell

Eu não tinha certeza quanto tempo havia se passado. Eu sei que fechei os olhos, mas não dormi. Eu também estava ciente de tudo. Eu ouvi Sherlock bater a porta e alguns minutos depois ou mais, a porta se abriu e eu ouvi alguém subir pelas escadas e bater na minha porta.

— Vai embora, Sherlock!

— Sou eu... John.

Murmurei um “entre” e afundei minha cabeça no travesseiro.

— Eu não vou pedir desculpas.

Disse quando o ouvi fechar a porta.

— Não disse para pedir.

— Não preciso ser reconfortada também.

— Entendo.

Ele ficou em silêncio e eu comecei a me arrepender de ter sido rude com ele. Bufei sentando-me na cama.

— Desculpe, não foi minha intenção responder você desta forma.

Ele sorriu.

— Sei disso.

— É que eu estou tão...

— Irritada?

Ele tentou ajudar.

— Na verdade, eu tô querendo arrebentar ele.

Ele riu sentando-se na ponta da cama.

— Normal, eu também tenho vontade de fazer isso de vez em quando. Ele não escreveu aquilo, Russ. Se tem uma coisa com a qual ele não brinca é Moriarty.

Suspirei e assenti. Eu já me sentia um tanto culpada por ter acusado Sherlock. John pareceu hesitar.

— Qual o problema?

Ele respirou fundo.

— Ele só fez isso porque se importa com você e está preocupado.

— Eu sei, mas eu ainda não entendo. Antes Moriarty também estava atrás de mim e ele não fez esse escarcéu todo. Ele tentou me impedir, é claro, mas nunca... Fez isso.

Ele sorriu e passou a mão em minha cabeça em um carinho fraternal.

— Eu preciso te contar uma coisa, porém Sherlock não pode saber disso.

Encarei-o desconfiada. Ele havia despertado minha curiosidade.

— O que é?

— Depois que eu te contar, eu preciso que faça uma coisa.

— Do que precisa?

— Mas eu já te digo que isso vai exigir muito da sua paciência. Bem, isso se você aceitar. Preciso que mantenha sua mente aberta, acha que consegue fazer isso?

Eu sentia que ele estava escondendo alguma coisa, porém embora ainda estivesse incerta, assenti.

— Sim.

(...) Sherlock Holmes

John não voltou, praticamente correu para fora de Baker Street depois que conversou com Russell e admito que, não saber o que ele tinha dito a ela naquele quarto, me deixava cada vez mais aflito. A aflição era tão grande que dissipava meu tédio que, em horas como aquela, costumava aparecer para atormentar meu cérebro.

O dia se foi, a noite chegou e a madrugada situou-se na sala quando ela finalmente apareceu. Russell se encostou ao batente da porta de braços cruzados, um sorriso singelo no rosto, vestida em uma camisa que obviamente pertencerá a seu pai e lhe vestia como uma camisola. Da minha poltrona, onde eu estava sentado, conseguia ver o que aquilo significava. Era um pedido de desculpas.

— Então?

Perguntei.

— Você seria louco se tivesse feito isso.

— Sim.

— Por quê?

— Porque você me mataria.

Ela riu, mas balançou a cabeça negando.

— Eu não seria capaz de mata-lo, Sherlock.

— Uh, pense novamente.

Ela se aproximou e eu engoli em seco. Senti o cheiro inconfundível de chocolate, talvez porque ela gostasse de lavar seus cabelos com shampoo de cacau ou talvez porque essa fosse sua fragrância natural dela. Eu achei que ela sentaria no chão aos pés de minha poltrona, entretanto, ela fez algo que me espantou. Sentando-se no braço de minha poltrona e pousando os pés em minha perna, mais precisamente em minha coxa, ela disse.

— Você mesmo disse eu sou ruim em ser má. — Ela de ombros. — Acho que estava certo.

Limpei minha garganta e mantive meus olhos presos à lareira acesa.

— Russell, a poltrona de John está vazia.

— Sim, você notou?

— O quê?

— O pronome possessivo na frase. É a poltrona do John, não minha.

— Tenho certeza de que, na ausência dele, você pode usa-la.

— Sim, mas eu não quero usa-la.

— Sente-se naquela poltrona, Russell.

— Por quê?

— Porque sim.

— Estou te incomodando?

— Não.

— Então qual é o problema? Eu acho que já deixamos as “formalidades” para trás não acha? Amizade também é intimidade, Sherlock.

— Mas eu...

— Você está sentindo dor na coxa? Porque, se for isso, eu posso te ajudar e fazer uma boa massagem. Minha mãe sempre disse que eu tinha mãos divinas...

Continuou ela esticando as mãos para alcançar minha coxa, contudo, antes que ela pudesse toca-la, segurei suas mãos. O toque de seus pés haviam sido o suficiente para acordar meu corpo e faze-lo reagir, algo que não passou despercebido aos olhos dela.

— Saia daqui, agora!

Praticamente rosnei afastando suas mãos, saindo da poltrona e marchando para o sofá onde me sentei tentando colocar distância entre nós dois. Ao olha-la, notei seu sorriso.

— Deixa eu te contar um segredo, Sherlock: Você também não consegue mentir para mim.

— É o que você acha?

— Bem, de agora em diante, se você tentar, saiba que eu vou descobrir. E acredite, eu vou fazer de tudo para conseguir o que eu quero.

— E o que você quer?

— Você.

Notas finais
Epa, pera, calma! Não me matem ainda! Beleza, mas eu espero que tenham gostado, se tiver algum erro, por favor, me avisem, pois meu abjetivo é tornar a leitura de vocês mais agradável. E foi esse o capítulo de hoje. Muitos beijos, abraços e até o próximo capítulo. VickSaturn P.S.: Pras taradas de plantão, fica a dica: o momento tá chegandooooo!!!