I'll Take The Breath Out Of You
3 Ponha-se em Seu Lugar
Notas iniciais
Boa Leitura!!!
Como de costume, eu, John Watson e meu amigo, Sherlock Holmes, já tínhamos mais um caso à resolver. Teríamos saído sem hesitar pela porta, porém tive de lembrá-lo sobre uma certa hospede que agora estava sob seus cuidados.
— Vamos às regras.Mary arqueou a sobrancelha para as palavras de Sherlock.— Regras? Ela repetiu devagar. — Sim, enquanto não conseguir me livrar de você, haverá regras aqui. — Tá, tudo bem. — Primeira regra: não me irrite. — Nossa, já começou com uma difícil. Comentou irônica e eu quase gargalhei.— Segunda regra: não toque em nada meu. — Mary riu e levantou as mãos que estavam em cima da mesa da cozinha acima da cabeça fazendo Sherlock revirar os olhos. — Você entendeu o que eu disse, não é possível que eu não tenha sido claro o suficiente. Não fui claro o suficiente, John?Limpei minha garganta como desculpa para evitar que uma risada escapasse por meus lábios e respondi meu amigo que havia virado o corpo ligeiramente para me olhar. — Sim, cristalino. Ele voltou a encarar a garota que sorria doce e abertamente para ele. Ela não parecia nem um pouco incomodada pela grosseria do detetive. — Terceira regra: não faça bagunça. — Mary assentiu — Quarta: se houver alguma emergência, e que seja uma emergência séria, você irá me ligar primeiro. Quinta re...Ela o interrompeu.— Deixe-me adivinhar: Não bote fogo na casa. Sherlock a encarou.— Não era bem o que eu ia dizer, mas é bom saber que você sabe que não pode fazer isso. Muito bem, a Sra. Hudson vai vir olhar você de vez em quando e eu devo estar de volta lá pelas oito. Alguma dúvida? — Mary assentiu fazendo meu amigo suspirar. — Pergunte.— Você pode comprar chocolate? — Essa é sua pergunta? — Dizem que você não é muito de ouvir então decidi pedir enquanto você ainda me dá atenção. — Quem disse? Ela deu de ombros.— Gênios tendem a ouvir a si mesmos e os outros simplesmente se tornam idiotas por discordarem ou atrapalha-los. Vou tentar não te atrapalhar; não posso prometer não discordar, mas vou tentar manter meus pensamentos para mim mesma. De acordo? Russell estendeu uma das mãos em direção a Sherlock para selar aquele acordo. Meu amigo, mesmo desconfiado, cautelosamente estendeu a mão para apertar a pequena mão dela e ali ficou. Devo admitir que vi algo ali no rosto dele, como se tivesse sentido algo maior do que curiosidade sobre ela, eu só não sabia dizer o que era. Ainda. — Até mais, Sherlock. Até mais, tio John. Despedi-me com um aceno antes de seguir o detetive escada abaixo até um táxi. Ali, no conforto do banco quente e aconchegante, meu amigo advertiu-me.— Precisamos ficar de olho nela.— Por quê? Parece-me uma ótima menina. — Sim, parece. Mas não se deixe enganar, John. — O que quer dizer? — Ela é uma sociopata. Eu o encarei pasmo. Ela, uma garota tão nova e tão doce, que foi capaz de ignorar as primeiras de muitas indelicadezas desse homem ao meu lado, uma sociopata? Preferi o silêncio durante o trajeto.(...) Naquela noite, ao voltarmos para Baker Street, Sherlock ainda pensava em como se livrar da intrusa que se instalara em seu apartamento. Eu pensava em dar uma olhada na garota de vez em quando para que ela não corresse o risco de ser negligenciada pelo seu tutor descuidado.Não tinha comentado nada a respeito do que o mesmo me revelará no carro, porém aquilo se fincou em minha mente como comida entre os dentes.Com certeza ela não era só uma menina comum de quatorze anos, era mais, muito mais. Mas ela realmente poderia ser alguém... como ele? Eu não saberia responder. Mary estava deitada, completamente à vontade no sofá quando chegamos, ela ouvia música e digitava algo em seu celular atentamente. Sherlock pareceu ignora-la. — Olá, Mary. Cumprimentei-a. A garota me olhou e deu um sorriso ao tirar os fones de ouvido. — Oi, tio John. Não havia me incomodado pela nova denominação imposta por ela a meu respeito. Na verdade, sempre quis ser tio, mas Harry nunca demonstrou interesse em se tornar mãe, então, esqueci o assunto. Sorri para ela.— E como foi seu dia? Perguntei ao me sentar ao seu lado após ela se sentar. — Foi calmo. Sra. Hudson me fez espaguete; estava uma delícia. Nós conversamos um pouco, ela é bem legal. Ela me lembra a mamãe um pouco. — Ela sorriu singela. — Sempre amorosa.Assenti, Sherlock estava errado, pensei. Estava tarde e eu precisava ir para casa, entretanto, notei que precisava ir ao banheiro antes de ir. Com um suspiro, levantei-me pedindo licença para ir até lá. Sai para o corredor ao terminar somente para me esconder atrás do batente da cozinha o mais silenciosamente possível ao ouvir a conversa ali.— Você não me engana.Ouvi o profundo tom de Sherlock dizer. — Não é minha intenção enganá-lo. — Mentira.Ouvi a garota bufar. — Sherlock, só quero te provar o que você ainda não notou, álias, me surpreende que não tenha notado hoje de manhã. — Provar o quê? — Que você não é mais o centro, eu sou. — O que quer dizer? — Quero dizer que não sou seus pais, você não pode me ignorar como os ignora; não sou seu irmão para você me procurar só quando precisa de algo; nem Molly Hooper, não pode me seduzir ou utilizar outros métodos idiotas para me convencer a fazer o que você quer porque eu não vou ceder; não sou Sally Donovan, não vou ficar te importunando; não sou Philip Anderson, não sou sua fã; também não sou Greg Lestrade para ficar priorizando suas convicções; não sou Sra. Hudson, pois assim como ela também não sou sua empregada. — Vi ela se aproximar dele. — Eu não sou John para ficar aturando suas crises; não sou Irene Adler, não tenho a miníma vontade de te derrotar. E por último, mas não menos importante, não sou Moriarty. Eu não sou sua inimiga, não me trate como se eu fosse.
Minha boca foi ao chão ao ouvir aquilo tudo. — E quem você é então? — Descubra. Afinal, você é ou não é o que dizem que é? — Depende, de quem ouviu e o que você ouviu? — Boatos são triviais, Sr. Holmes. Seu nome é só um nome, me mostre quem você verdadeiramente é para que tire minhas próprias conclusões e só então lhe darei esta informação. — É assim? Diga-me com quem andas e direi quem tu és? Ela fez um barulho zombador. — Ah, se fosse esse o caso... Você anda com John a muito tempo e o que isso diz a seu respeito? Nada. — Acho que não entendi. — Então entenda isso: Não sou como ninguém que você já tenha conhecido. Não vou jogar jogar seu jogo, Sherlock.— Tem medo de perder? Ela riu.— Não, apenas acho uma grande perda de tempo.Talvez fosse a hora de aparecer. Voltei cautelosamente ate a porta do banheiro abrindo-a e depois fechando-a audivelmente antes de caminhar até a sala. Peguei meu casaco que havia deixado em minha cadeira ao entrar e tentei não sorrir ao notar meu amigo ligeiramente tenso na sua.— Tudo bem, preciso ir agora. Até amanhã, Sherlock. — Olhei para Mary que encontrava-se no sofá novamente como se nem houvesse saído de lá. — Até amanhã, Mary. Sherlock apenas me olhou, Mary abriu um sorriso brilhante. — Até amanhã, tio John.
Notas finais
Espero que tenham gostado, até o próximo capítulo.
VickSaturn
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