I'll Take The Breath Out Of You
2 Hóspede Indesejada
Notas iniciais
Boa Leitura!
Mary Russel: Indiana Rose Evans
— Quem é você?
Perguntou Sherlock para a mulher que se encontrava de costas para nós dois no meio da sala. Os longos cabelos loiros da garota se moveram sutilmente balançando os cachos ao ouvir a pergunta. — Eu exijo que você se identifique.Ela se virou com um sorriso. — Ora, mas se não é o grande detetive consultor Sherlock Holmes.Um óculos delicado adornava perfeitamente o rosto de uma menina, sim, uma menina e não de uma mulher. Ela usava um terno feminino — composto por uma saia e uma camisa social na cor roxa — por cima deste um sobretudo e um salto não muito alto. Era óbvio quem ela estava tentando imitar ali. A menina desviou os olhos fitando os próprios pés por um breve segundo antes de voltar seu olhar para nós.— Gostou da minha fantasia? — Perguntou tirando os óculos e pousando-os na mesa ali perto. — Me inspirei em você. Sherlock não deu o braço a torcer e voltou a perguntar:— Quem é você?A insistência de meu amigo fez a garota revirar os olhos, mas por fim ela suspirou e deu de ombros ao sentar-se na mesa onde outrora jogará seus óculos. — Meu nome é Russell, Mary Russell, e agora você é meu tutor. Sherlock ficou em silêncio, eu fiquei em silêncio, creio que tudo que acontecia do lado de fora daquele apartamento ficou em total estado de submissão, de calmaria. Sabia que se não fosse a seriedade nas feições daquela jovem, o detetive ao meu lado já teria dado risada, bem, pelo menos era o que eu faria. — Ah, claro. Então pegue seu caderno e anote isso: Eu nunca, sob nenhuma circunstância, seria o tutor de alguém, muito menos uma garota que nem você. — Sherlock! Alertei-o, esperando que ele não começasse a deduzi-la.— E que tipo de garota eu sou? Olhei para ela com pena. Era agora. Eu esperei a enxurrada de palavras deixar a boca de meu amigo, entretanto, para minha completa surpresa, ele não precisou falar muito. — Você é só uma garota solitária, tola e depressiva que acha que vai me fazer engolir essa história, mas não vou e sabe por quê? Não sou idiota.Mary deixou seu olhar cair para o chão parecendo angustiada. Senti-me culpado de imediato e pensei como poderia remediar a situação agora, porém para minha total surpresa, a garota levantou a cabeça e gargalhou.— Ah, Holmes, desce desse pedestal porque você nem é isso tudo e aceite seu novo cargo.Fiquei surpreso ao ver ele ficará um pouco desconcertado pelas palavras dela tanto quanto eu. — Não.— Por quê não? — Porque você está mentindo. — Como pode ter tanta certeza? — Eu simplesmente sei. — Jura?A voz dela trazia o repto e conhecendo o homem ao meu lado, ele certamente o aceitaria.— Mas é claro que sim, afinal, quem me atribuiria tamanha responsabilidade? Por favor, garota, ninguém seria tão burro. — Puxa, então seu irmão é um baita de um mentecapto. E os seus pais são retardados.Ele cerrou os olhos ao olha-la.— O quê? Ela sorriu vitoriosa.— Estou em posse de uma carta que comprova a veracidade em minhas palavras, e acredito que além de constatar que o que digo é verdade, também poderá ver a linda assinatura do seu irmão nela.Comunicou ela puxando a tal carta perfeitamente fechada com o selo inconfundível do governo Britânico do bolso de seu sobretudo. Ouvi Sherlock bufar ao agarrar e abrir a mesma, e em seguida, vi seu rosto se contorcer em descrença e algo que eu só vira uma vez: medo, ou eu deveria dizer pânico. Porém no mesmo momento em que aquela emoção surgiu em seu rosto, logo foi substituída por uma que eu conhecia bem: Raiva. Sherlock jogou a carta no chão e em menos de um segundo já se encontrava com o celular na mão; não precisava ser nenhum gênio para saber quem estaria do outro lado da linha. Foi a vez de Mary Russell bufar ao descer da mesa para recuperar a carta — que fora amassada pelo detetive em cólera — e voltar a sentar-se sobre a mesa parecendo despreocupada diante da fúria de seu tutor.— Mycroft! Que história é essa? — Uma pequena pausa. — Ora, mas não se faça de idiota, você sabe muito bem do que estou falando. Quem diabos é essa menina e o que ela está fazendo aqui? — Eu tenho um nome.Cantarolou Mary.— Que seja! — Respondeu Sherlock — O que ela está fazendo aqui? — Ele parou para escutar parecendo ficar cada vez mais irritado. — E porque mamãe e papai não se assumem este fardo. — Ele parou mais uma vez. — Mas por quê eu? — Outra pausa, mais curta. — O quê? Como isso é possível? — Ele parou para escutar novamente e aquilo pareceu ser o suficiente. — Tá, tudo bem. Ele desligou parecendo um pouco mais controlado. — Então? Perguntou ela com um sorriso. Sherlock não a olhou, algo que parecia um rosnado subiu por sua garganta e ele falou entredentes.— O seu quarto fica lá em cima. Mary Russell riu radiante ao agarrar sua mala — que permanecera despercebida ao lado da cadeira de Sherlock até o momento — e sair em disparada escada acima. Acompanhei a menina desaparecer antes de voltar-me para meu amigo.
— Então? Repeti a pergunta da garota. — Tirando as roupas pretas, diria que ela está de luto? — E ela está? — Aparentemente. Perdeu os pais e o irmão em um acidente de carro no qual ela também estava, acordou no hospital órfã, mas os pais deixaram a guarda para os meus. O problema é que os meus pais já estão velhos demais para dar conta de uma garota de quatorze anos. A lei é clara: Na falta de condições do casal escolhido para receber a criança/adolescente, a guarda/tutela passará para o próximo parente da família que tenha condições para tal. — Seria Mycroft, não? Ele fez bico. — Checaram. O trabalho dele exige atenção total e ele não teria tempo de cuidar de uma criança. O conselho acha que ele não tem tempo nem para coçar o nariz.— Bem, fale que você também não tem tempo. — Eu inventei o meu trabalho, John, nem salário tenho. Para o conselho, eu sou desempregado. — Então por que deixariam uma criança sob sua tutela se está "desempregado"? O bico de Sherlock se transformou em uma careta profunda. — Herança familiar. — Ele bufou. — Nunca quis tanto ser um idiota falido. Pensei a respeito. Sherlock dando uma de pai... Essa menina corria perigo. — Renuncie, diga que não quer. Ele se jogou no sofá como uma criança emburrada. — A tutela é um cargo irrenunciável, somente se escusando dele as pessoas que se encaixarem em um dos motivos levantados em... um artigo que não me lembro do Código Civil, mas que vou ter que ler e ver se tem algo em que não me encaixo. — Bem, mas se ela não ficar com você, com que vai ficar? — Não sei e não me importo. Mycroft disse que vão me dar um mês, querem ver se sou um tutor "a altura". — Bem, mas tutela obrigatória é só por dois anos, Sherlock. — O que quer dizer? — Quero dizer que talvez você pudesse... você sabe...— Atura-la por dois anos? Nem pensar. — Você me aturou por mais.— Eu não precisava limpar sua bunda. Revirei os olhos.— Acho que ela é grandinha o suficiente para fazer isso sozinha também, não acha? — Você entendeu o que eu quis dizer. Rebateu irritado. Suspirei e fui me sentar ao seu lado no sofá, ficamos em silêncio por um determinado momento até que decidi perguntar.— Sabe trocar fraldas?— Não vou ficar de babá, John. Já terei de lidar com uma menina, imagine duas.
Notas finais
Espero que tenham gostado. Comentários são sempre bem vindos, obrigada.
VickSaturn
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