Notas iniciais
Boa Leitura!!! P.S.: Conversamos lá em baixo? Beleza!

— O mercado negro aborda muitas outras áreas além do tráfico humano. O sexual e o de drogas são os mais comuns é claro, mas tem o de órgãos, armas químicas, obras de arte e por aí vai.

Murmurou Mary quando Lestrade lhe entregou um copo de água. Ele, assim como eu, pareceu preocupado com o fato de ela não ter ido para o hospital. Assim que todos tomaram um café da manhã reforçado carinhosamente feito pela Sra. Hudson, rumamos para Scotland Yard para ver o sequestrador.

— De fato, preciso interroga-lo para saber exatamente qual era o objetivo. Ele poderia estar querendo vender os órgãos das meninas.

— Eu acho desnecessário, Sherlock. Quero dizer, ele não está pra conversa, nem mesmo sabemos onde está Ashley porque ele não abriu a boca.

— Oh, não se preocupe com isso.

— Sabe onde ela está?

— Não, mas ele dirá a onde ela está.

Lestrade o fitou desconfiado antes de nos deixar a sós no corredor enquanto que eu desviei o olhar. Eu tinha alguma ideia do que poderia acontecer. Sherlock olhou Mary de soslaio ao lado dele.

— Pronta?

— Sim.

Ela o olhou como quem diz “não vou sair correndo amedrontada”.

— Só estava checando.

— Viver com você é perigoso, Holmes.

— Gosta disso?

Ela riu.

— Você sabe que sim!

Ele sorriu satisfeito ao abrir a porta da sala para ela.

— Você primeiro.

Ela devolveu o sorriso.

— Obrigada.

Estanquei no lugar estarrecido pela conversa dos dois até ouvir Sherlock me apressando. Mary sentou-se na cadeira e pousou as mãos sobre a mesa a sua frente. Prostrei-me atrás dela juntamente com Sherlock analisando o homem sentado diante dela. Ele era jovem, talvez tivesse uns vinte pra trinta e poucos anos, seus cabelos escuros contrastavam perfeitamente com seus olhos e roupas desgrenhadas. Ele carregava uma expressão zombeteira para mim e Sherlock, porém olhava para Russell de uma forma um tanto atrevida.

— Eu sugiro que pare de encara-la como um pedaço de picanha bem passada antes que eu arranque seus olhos e os frite para que você possa comê-los.

Minha cabeça virou instantaneamente para Sherlock. “Que diabos...?”, pensei. Aquela reação me fez pensar em Mycroft. Será que ele sabia que Mary Russell estava, aparentemente, reprogramando a maquina de desvendar crimes? Será que ela estava desmontando o grande detetive Sherlock Holmes? O homem o encarou com desdém.

— Não vou abrir minha boca.

— Ah, você vai.

— E o que te faz pensar isso?

— Nós vamos jogar um jogo. — Ele se sentou na beirada mesa com um sorriso e apontou para Mary. — Está vendo ela? Ela vai fazer a policial malvada e eu vou fazer o policial bonzinho. Vou te fazer três perguntas e você só vai ter uma chance de me responder cada uma e, se eu não gostar das suas respostas, você vai ter que lidar com ela. Vamos começar: Onde está Ashley?

— Alguém tem chiclete?

Brincou ele.

— Por que a levou?

— Preciso ir ao banheiro.

— Pra quem você trabalha?

— Quem sabe a policial malvada não pode me ajudar a abaixar as calças?

Sherlock suspirou se afastando.

— Ele é tudo seu Russell.

Ela se levantou indo mais longe que Sherlock e parando praticamente ao lado dele. Eu devo comentar aqui, que não tinha ideia do que estava prestes a acontecer e, por isso, fui pego completamente desprevenido quando Mary sacou um revólver de seu casaco, abriu o tambor tirando todas as balas e recolocando apenas uma de volta. O cara riu.

— Vai me ameaçar?

— Não, ameaças não levam a nada.

Comentou despreocupadamente ao girar o tambor, ajustar e engatilhar a arma.

— Então o que vai fazer?

Ela apontou a arma para as calças dele.

— Uma bala em um tambor que cabem seis. Você tem cinco chances para me dar às três respostas se não atiro nisso que você leva entre as pernas, se bem que, eu nem sei em que posição à bala esta, então, se eu fosse você, falava agora.

— Você não teria coragem.

A arma emitiu um clique quando Russell apertou o gatilho arrancando um grito assustado do sujeito.

— Quer testar?

— Eu não sei de nada!

Berrou ele. Ela voltou a apertar o gatilho arrancando outro grito dele.

— De novo?

Porém, antes que ela pudesse repetir novamente o gesto, ele a impediu.

— Tá bom, eu falo! A garota está num galpão a umas dez quadras da casa dela. — Mary desengatilhou a arma. O homem respirou antes de continuar. — Eu a peguei porque me contataram para isso.

Ela assentiu.

— Isso é óbvio. Quero que me conte tudo.

Ele engoliu em seco.

— Eu era segurança no Bar City Garden. Há um ano, fui demitido e a grana que eu tinha evaporou como água em muito pouco tempo. Um dia, ao tentar recuperar meu emprego, um dos clientes que frequentava o bar regularmente e que me viu ser jogado pra fora do lugar, me ofereceu esse emprego. Eu soube que era encrenca, mas ele me ofereceu um ótimo negocio.

— Explique.

— O nome dele era Julius. Ele me disse que o chefe dele sempre precisa de gente nova e eu descobri que era porque a maioria era presa. Mas ele disse que tudo seria simples se eu não ficasse fazendo muitas perguntas, era só seguir o sistema.

— Qual sistema?

— Eu receberia um nome e endereço de onde pegar cada garota durante a semana. Cinco dias, cinco garotas. Eu as manteria no galpão para entrega-las somente no fim da semana para o Henrique no cais de Londres.

— Sabe para onde ele as leva?

—Para a Aurora.

— Aurora?

— É um navio.

— Sabe para onde esse navio as leva?

— Elas não saem de lá, moça. Afinal, quem desconfiaria de um prostibulo em alto mar? Eu certamente não. Henrique diz que é um bordel para velhos ricos que gostam de uma carne mais fresca que a deles, apesar de que, de vez em quando, até aparecem uns caras jovens.

— Quem é o chefe?

— Isso eu não sei, eu juro!

Alegou apavorado fitando a arma nas mãos dela.

— Acha que Henrique sabe?

— Acho que não. Ele disse que o cara só o paga pra trazer os velhos e as garotas até o navio.

— Sabe como funciona?

— Sei que o bordel funciona todas as noites. Eu levo as garotas todos os sábados lá pelas cinco da matina.

— Por que sábado?

— Poucos trabalham no sábado, não tem muito transito e isso significa poucas chances de alguém as ouvir berrando do caminhão. Eu as drogo, mas tudo é uma questão de precaução, quero dizer, elas ainda podem acordar de qualquer maneira.

— A que horas podemos encontrar Henrique no cais?

Ele fez uma careta, porém Russell moveu de leve a mão que segurava a arma.

— Por volta das seis e meia.

(...)

Russell jogou seu casaco no sofá gargalhando de rir juntamente com Sherlock.

— A cara dele foi a melhor!

Sherlock desabotoou o casaco de seu paletó como que para aliviar a pressão do mesmo para que pudesse respirar e não “morrer” de tanto rir. Encostei-me a porta, de braços cruzados, com cara de poucos amigos ao observar os dois.

— Muito bom Russ, aposto que também estaria com medo no lugar dele.

Ela gargalhou.

— Mentiroso.

— Você entregou uma arma na mão de uma garota de dezesseis anos.

Comentei em estupor.

— Não, John. Eu entreguei uma arma na mão de uma mulher de dezesseis anos.

— Não entendi a distinção.

Murmurei sarcástico.

— Há uma grade diferença entre mulheres e garotas de dezesseis anos, John. Russell, como você mesmo disse uma vez, é uma mulher e como a mulher inteligente que ela é, sabia exatamente que não poderia manter nenhuma bala na arma.

— O quê?

Murmurei confuso.

— Foi um blefe, John. Não havia balas no tambor do revólver.

— Não, isso é impossível, eu a vi colocar uma bala.

— Ilusão de ótica, tudo não passou de um truque de mágica.

Sherlock piscou para mim ao sentar ao lado de Russell no sofá e, em um gesto um tanto intimo, a meu ver, pousar o braço no encosto do sofá por detrás dos ombros dela. Revi a cena toda diante dos meus olhos, tentando capturar o momento em que Mary poderia ter retirado à única bala que achei que estivesse dentro da arma durante todo interrogatório. Ainda não achava possível, mas não discutiria agora. Eu precisava ir para casa e descansar para encontrar Mycroft mais tarde.

— Tudo bem, eu preciso ir.

— Imaginei.

Murmurou ele.

— Até mais, tio John.

— Até mais.

(...) Russell

Coitado do tio John. Realmente, sempre via, mas não observava. Recostei-me confortavelmente no sofá com um suspiro. Por algum motivo que desafiava a natureza, e mesmo tendo descansado mais que John e Sherlock, eu estava cansada. Mentalmente acabada. Estava a ponto de cochilar sentada quando o senti deitar em meu colo. Meus olhos se abriram num rompante.

—Ruim?

Perguntou ele me encarando. Apresei-me em negar levando minhas mãos aos cabelos dele exatamente como havia feito na vez anterior e comecei a massagear seu couro cabeludo. Ele relaxou.

— Russ?

— Sim?

— Quando você volta para Oxford?

— Volto dois dias depois do natal, mas retorno para encher seu saco no ano novo.

— Tem planos para esta noite?

— Não, Holmes. Por quê?

— Gostaria de te levar em um passeio de barco.

Ele sorriu sugestivamente arrancando uma pequena risada de mim.

— Adoraria passear de barco com você.

— Mas será apenas você e eu. Tudo bem?

— Claro. — Fiz uma pequena pausa. — Acho que tenho um vestido de ursinhos.

— Ficará perfeito.

— Acredito que sim.

O silencio se instalou na sala por poucos segundos.

— Russell?

Sussurrou ele.

— Holmes?

— Importa-se se eu tirar um cochilo?

Eu sorri.

— Nem um pouco, Holmes. Durma, você parece cansado.

E em poucos segundos o detetive ressoava em meu colo.

Notas finais
Eu sei que tá pequeno, mas o capitulo contém informações importantes para ligar o próximo. Enfim, há uns dias, alguém me achou no Tumblr e pediu para que eu fizesse um tipo de Ask para responder as dúvidas sobre a personagem Mary Russell e estou inclinada a acatar esse pedido. Eu tenho o Tumblr, caso queiram me perguntar em anonimo, e o Twitter, quem quiser pode me achar nos dois pelo mesmo nome: @VickSaturn. Podem perguntar qualquer coisa e, quando digo qualquer coisa, quero dizer qualquer coisa mesmo! Bem, foi isso. Até o próximo capítulo, beijos, VickSaturn