(...) Sherlock Holmes

Um beijo de boa noite. Existem vários tipos de beijos, mas quando você consegue distinguir um do outro? Começou com um leve encontrar de lábios. O primeiro foi gasolina, o segundo um fósforo e o terceiro ateou fogo em nós dois. Lembro-me claramente de respirar fundo antes de entrar nas chamas altamente perigosas que ela emanava, também me lembro de relaxar, de ouvir um suspiro de puro deleite. Éramos química básica, uma mistura homogênea que, apesar de simples, era essencial. Não havia mistério.

Eu a ouvi ofegar quando suas costas bateram levemente na porta de meu quarto. Travei achando que poderia tê-la machucado, porém ela apenas riu e ajeitou os óculos. Sorri. Havia algo em Mary Russell que simplesmente me fazia esquecer tudo.

— Você...?

Eu comecei. Eu não saberia dizer aonde iríamos parar se continuássemos.

— Sim.

A convicção em sua voz era clara, ainda sim, precisava de uma segunda confirmação, talvez não por ela, por mim.

— Tem certeza?

Ela assentiu.

— Tenho certeza que quero você. — Russell respirou fundo. — Sherlock?

— Sim?

— Suas pupilas estão dilatadas.

Assenti.

— As suas também.

Dois elementos instáveis que precisavam um do outro para se normalizar. Russell passou os braços por meu pescoço, puxando-me para mais um beijo ao mesmo tempo em que eu a puxava para entrar em meu quarto.

(...) Russell

Não estávamos com pressa, apenas um pouco ávidos para sentir um ao outro. O robe e a camisa de Sherlock foram as primeiras peças a serem retiradas do quebra-cabeça. Ele também tinha cicatrizes, mas as dele me pareciam tão sutis comparadas as minhas. Suspirei levando minhas mãos ao peito dele.

— Eu quis te tocar naquela noite.

Ele sabia exatamente do que eu estava falando. A primeira vez em que o vi apenas de toalha.

— Eu quis te tocar no navio. — O senti acariciar minha cintura. — Para alguém que tinha se divorciado dos sentimentos, ali estava eu, sentindo meu corpo me trair mais uma vez. — Ele tirou meus óculos e os colocou em cima do criado-mudo. — Deite.

— Sim, capitão.

Sherlock sorriu. Embrenhei-me por debaixo dos lençóis para manter meu corpo aquecido mesmo sendo desnecessário, pois eu não sentia frio algum. Na verdade, sentia-me um tanto febril. Sherlock tirou seus sapatos caros junto com as meias e depois, lentamente, se livrou de suas calças.

— Pressa?

— Não, apenas me livrando do que possa me impedir ou desacelerar.

Ele finalmente se juntou a mim, colando nossos corpos e nossos lábios novamente. Suas mãos estavam geladas e me causaram arrepios mesmo por cima da camiseta, o senti subir uma hesitante de minha cintura e parar no caminho, mas eu queria mais e ele certamente também. Peguei sua mão e puxei-a para cobrir meu seio; ouvi Sherlock grunhir. Aquele som foi como um choque que desceu por meu estômago e se alojou em minha intimidade. Ele se colocou em cima de mim e, por algum motivo, abracei sua cintura com minhas pernas trazendo-o para mais perto e conseguindo assim sentir seu desejo também. Ofeguei quando o senti roçar sua intimidade contra minha coxa. De repente, Sherlock soltou meus lábios e simplesmente parou, sua respiração ofegante batia em meu pescoço.

— Sherlock?

— Só um segundo.

Eu assenti levando uma de minhas mãos aos seus cachos para brincar com eles. Quando ele finalmente me olhou, perguntei.

— Está tudo bem?

— Sim, só faz um bom tempo. — O que ele disse era uma grande confirmação de que aquela não seria a primeira vez dele, entretanto, não me senti incomodada. Não importava se eu era a número sete ou dezessete, o que importava era que ele era com quem eu queria estar naquele momento. Senti as mãos dele em minhas coxas, mais precisamente na barra da camiseta. — Isso precisa sair.

Contestou ele fazendo-me rir baixo. Logo, as mãos dele subiram, levando a camisa junto e alastrando fogo por minha pele onde ele tocava minimamente. Sherlock já havia visto minhas cicatrizes, mas nunca as havia tocado; ele sentiu quando travei e, como muitas vezes antes, Sherlock não precisava que eu lhe dissesse qual era o problema, ele sabia.

— Nunca se envergonhe delas, Russ. Eu as admiro. Elas me lembram de que você não é apenas uma sobrevivente, mas que também é uma mulher forte e elas são um lembrete constante dos eventos que te trouxeram até mim. — Eu nunca procurei o cara perfeito, nem o momento perfeito, entretanto, eu achei o que precisava: o homem que faria com que eu me sentisse perfeita, que transformaria uma noite qualquer em uma noite perfeita e isso seria o suficiente para torná-lo o parceiro ideal. Fui tomada por uma emoção tão grande que eu não seria capaz de explicar em palavras. Estendi uma de minhas mãos em sua direção, Sherlock a pegou e, depois de depositar um beijo na mesma, puxou-me para que eu me sentasse com ele. Seus olhos, sempre tão penetrantes e atentos, me contemplaram como quem aprecia uma obra de arte.

— Você é linda, Mary Russell.

E então ele estendeu suas mãos para acariciar minhas cicatrizes, amando as partes de mim que eu menos gostava. Beijei-o fervorosamente visando nunca, jamais, deixá-lo escapar por entre meus dedos ao mesmo tempo em que sentia os dele no elástico de minha calcinha.

(...) Sherlock Holmes

Pela primeira vez em muito tempo, minha mente não estava em nenhum outro lugar. Apenas ali. Junto a ela, com ela... Por ela. Poderia dizer que ela era a heroína perfeita para acalmar os pensamentos constantes e ininterruptos que me atormentavam se não houvesse algum caso em que aplicá-los.

Mary Russell era extraordinária e eu precisava tê-la para mim. Eu sabia que isso era uma necessidade primária básica, humana e que outrora eu teria rotulado como dispensável, porém agora, com ela ali, aquela necessidade parecia algo primordial.

Brinquei com o elástico da calcinha de Russell, a única peça que ainda lhe vestia ao mesmo tempo em que a beijava enfrentando um pequeno dilema: tirar agora ou depois? Eu queria tocá-la, desesperadamente. Em meio à dúvida, meu corpo resolveu o problema por mim. Minha mão encontrou a intimidade de Russell por cima do pano da calcinha que já se encontrava ligeiramente úmida. Russell soltou meus lábios e mordeu os dela como que para impedir o som de sair.

— Deixe sair, Russ.

Ela soltou um som doce escapar e aquilo foi um estimulante natural, afrodisíaco para meu corpo que me mandou um recado doloroso até o meio de minhas pernas onde aquela parte de minha anatomia pedia por atenção. Ignorei inclinando-me para capturar os lábios de Russell novamente. Talvez agora eu estivesse com um pouco de pressa. Empurrei-a de leve fazendo ela se deitar novamente e deixei seus lábios para descer os meus por seu corpo. Desci por sua garganta deixando que meu corpo marcar o dela de qualquer forma. Suguei suavemente a pele de seu seio recebendo um suspiro alto em troca, em seguida, mordi o mesmo lugar e lambi. Era extremamente satisfatório sentir seu corpo tremer e suspirar diante de meus toques. Dei a mesma atenção ao outro seio sentindo-me ainda mais exultante ao ouvi-la praguejar levemente. Fui mais longe mordiscando meu caminho até seu umbigo, acariciando-a com a ponta dos dedos para lhe causar arrepios.

— Sherlock.

— Hm?

— Preciso te contar uma coisa antes de prosseguirmos.

Apoiei-me em meus braços e fitei-a, esperando.

— Diga, Russ.

— No acidente de carro em que meus pais, meu irmão e eu estávamos eu sai viva, porém isso também me deixou sequelas além das cicatrizes. Minha pélvis foi esmagada no acidente e embora eu tenha me recuperado muito bem desta lesão, creio que não possa gerar filhos, bem, pelo menos, foi o que o médico deu a entender. Eu sei que você não odeia crianças, mas também não é fã delas, também imagino que a informação não valha de nada, contudo, apenas achei que fosse certo que você soubesse de tudo sobre mim, inclusive isso. E o fato óbvio de você ser meu primeiro.

Sorri.

— Eu guardava drogas no fogão.

Ela riu.

— Nunca queimou por acidente?

— Cheguei bem perto uma vez, mas me lembrei no último segundo. Foi por pouco.

Russell balançou a cabeça.

— Eu te amo, Sherlock Holmes.

Pensei ter sentido uma pilastra de meu palácio mental ser destruída e, por exatos três segundos, achei que aquela estrutura que eu levei parte da minha vida para construir cairia sem nenhum esforço, sem nenhuma resistência. E sabe qual é a parte mais surpreendente disso? Eu não me importei nem um pouco. Mas Russell não destruiu nada. Ela não estava ali para me mudar, ou para me transformar em algo que eu não podia ser. Ela me queria daquele modo: imperfeito. Meu palácio ganhou um novo pilar de sustentação. Russell o construiu; ela somente adicionou, nunca subtraiu.

(...) Russell

— Eu te amo, Mary Russell.

Respirei aliviada. Naquele momento, achei que eu tinha ido com muita sede ao pote. Realmente pensei que ele não conseguiria lidar. Porém Sherlock Holmes sempre responde, sempre tem a palavra final. Ele voltou a trilhar aqueles beijos alucinantes em minha pele, devastando-me aos poucos, arrancando suspiros, arrepios e minha última peça de roupa.

Se eu achava que sabia o que era prazer entes, agora eu tinha certeza que não sabia de nada, pois quando ele me tocou lá, eu senti o que Ronnie insistia em chamar de sensação sublime. Um som parecido com um ofegar se entalou em minha garganta e se desprendeu como um gemido alto.

— Sher... Oh, não pare.

E ele não parou. Na verdade, aquele pedido só o instigou a continuar. Aqueles movimentos produzidos por sua língua, por Deus, eu estava ficando louca. Minha intimidade pulsava, meu coração palpitava, meu corpo tremia e por fim, depois de algum tempo, em uma onda de prazer excruciante, meu corpo pareceu receber uma descarga elétrica tão grande que me paralisou. Minha consciência, que com toda certeza foi mandada para o outro lado do hemisfério, voltou lentamente e eu relaxei afundando na cama um tanto ofegante.

— Você fica linda a mercê dos prazeres promovidos por esse abismo de paixão, Russ.

Sorri.

— Um abismo realmente profundo.

— Muito.

Sherlock afagou minha bochecha carinhosamente esperando minha respiração se normalizar.

— Eu estou pronta.

Sussurrei olhando em seus olhos de cores indefinidas . Azul, verde, cinza e um milhão de tons entre essas três, elas mudavam com a mesma frequência do tempo. Sherlock se livrou de sua última peça de roupa jogando-a no chão e me beijou.

— Essa parte pode ser desagradável para você.

— Você pode me recompensar mais tarde.

Dei espaço para ele, abrindo minhas pernas para que ele pudesse se acomodar e posicionar entre elas. Eu pude senti-lo. Respirei fundo, talvez agora eu estivesse um pouco nervosa.

Como quem arranca um esparadrapo da pele, Sherlock entrou em mim sem nenhum aviso. Engasguei com meu próprio grito e cravei minhas unhas no travesseiro. De fato, senti como se ele tivesse me rasgado em duas. Eu já tinha ouvido muitas coisas a respeito deste momento, mas achei que a maioria fosse exagero. Nesse momento, eu ainda charamingava um pouco e Sherlock me confortava.

— O pior já passou, Russ.

Sim, passou. A dor também diminuiu aos poucos e Sherlock fez questão de esperar. Trocamos algumas carícias e beijos no processo e quando achei que estava pronta, decidi, porém, fazer um pequeno teste comprimindo levemente as paredes de minha intimidade. Sherlock tremeu e um grunhido deixou seus lábios.

— Por Deus, mulher. Avise antes de fazer uma coisa dessas.

Eu ri.

— Está tudo bem, Holmes. Pode se mover agora.

Ele podia me levar ao céu quantas vezes quisesse naquela noite. Os beijos que trocamos, nossos corpos se tocando, ambos compartilhando um prazer só nosso. Trocamos muito mais que fluidos corporais com toda certeza. Sherlock Holmes nunca fora frio por que não sabia nada sobre sentimentos, na verdade, era completamente o oposto. Sherlock sabia demais sobre sentimentos e o que eles eram capaz de causar no ser humano. Más experiências o fizeram tentar dar um fim a elas, porém cá estávamos, saboreando vários ao mesmo tempo. Abraceio-o ternamente, meus quadris pareceram ganhar vida própria ao se moverem de encontro ao dele arrancando de nós dois sons de plena satisfação. Minhas mãos estavam divididas entre seus cachos sedosos e seus ombros fortes. Senti aquela pressão tão convidativa descer por meu corpo e chegar até meu ventre, minha feminilidade pulsou ao redor do membro dele consequentemente compelindo Sherlock a aumentar a velocidade.

— Sherlo...?

Ele soava tão incoerente quanto eu sem conseguir realmente formar uma frase que fizesse sentido. Porém eu entendi quando senti sua mão encontrar meu centro e seus dedos me estimulando novamente sem parar suas investidas contra mim. Meu corpo formigou, tremeu violentamente e mais uma vez explodi. Dessa vez algo veio a minha mente... Uma luz, que de tão brilhante, me cegou momentaneamente.

Ainda que estivesse em outro mundo, ouvi Sherlock gemer em meu ouvido, senti seu corpo se paralisar sobre o meu e vibrar, então senti sua essência me preencher. Ele desabou ao meu lado tão ofegante quanto eu.

Parecia que eu estava vendo tudo pela primeira vez, tudo parecia mais claro, radiante. Senti uma pequena necessidade de repetir a dose quando finalmente juntei as pernas. O prazer ainda estava ali.

— No que está pensando?

Eu precisava saber.

— Para ser honesto, absolutamente nada.

— Não precisa agradecer.

Brinquei. Sherlock riu e me estendeu a mão puxando-me para ele. Deitei minha cabeça em seu peito.

— Eu te machuquei?

— Doeu é claro, mas não posso reclamar quando já espero que possamos repetir esse momento.

Ele acariciou meus cabelos.

— Bem, agora vou precisar de um pouco de tempo, se é que me entende.

Ah sim, havia me esquecido daquele detalhe.

— Acho que não precisamos ter pressa.

— Não mesmo.

Sim, eu poderia esperar. Mudei minha linha de pensamentos para uma outra coisa que seria mais que bem-vinda naquele momento. Bocejei.

— Eu poderia dormir por uma semana.

Sherlock riu.

— Um idéia em comum, Russell.* Descanse querida, amanhã teremos um dia cheio de experimentos para efetuar.

E eu ficaria feliz em ajudar. Poderíamos acabar explodindo Baker Street na manhã seguinte, apenas teríamos que nos policiar para não arruinar o papel de parede da Sra. Hudson.

Notas finais
*Uma frase muito usada nos pastiches de Laurie R. King. Quando Sherlock concordava com alguma ideia de Mary ele usava a frase: "a capital idea, Russell." Geralmente usava durante os casos para dar "crédito" as palavras dela que, por ser mulher, não era muito valorizada ainda. Eu espero que vocês tenham gostado, nao dei uma geral no capítulo, mas prometo dar uma olhada melhor depois. Beijos e até o próximo capítulo. VickSaturn