Notas iniciais
Boa Leitura!!!

(...) Russell

— O... O quê?
Gaguejei. Não sabia exatamente o que estava sentindo ali, mas era algo entre a surpresa e a confusão. De um momento para o outro, a expressão seria de Holmes caiu e ele começou a rir.
— Nossa. — Ele estava ofegante pelo esforço em manter a risada baixa. — Você devia ter visto a sua cara. Foi melhor que a do John quando eu disse a ele que não podia desativar a bomba terrorista do carro do metro debaixo do Parlamento Britânico.
—... Carro?
Sussurrei ainda em choque.
— Uma coisa que aprendi em um caso em particular. Não são vagões, são carros. — Ele pareceu se perder em pensamentos por alguns segundos. — Não faço ideia de por que não apaguei isso do meu palácio mental.
Por algum motivo que nem eu mesma entendi, decidi mencionar alguém que o acompanhou naquele caso no auge de minha indignação para com Holmes.
— Provavelmente porque a adorada Molly estava lá.
O sarcasmo em minha voz trouxe seus olhos para meu rosto. Agora ele estava confuso.
— Não.
Disse ele que, em sua confusão, alongou a penúltima vogal da palavra. Mudei de assunto.
— Acha mesmo que podem mesmo nos ouvir?
— Se falarmos baixo não.
— Por isso o chuveiro.
— É só uma precaução.
— O que faremos agora?
— Bem, precisamos fazer parecer verdade. Que estamos fazendo algo.
— Isso é óbvio, Holmes, mas como?
Ele olhou o banheiro por um instante. O que chamou a atenção do detetive foi uma pilha de toalhas em um suporte ao lado da pia.
— Tive uma ideia, mas você vai ter que confiar em mim.
Aquilo era sinônimo de: a coisa vai ficar feia. “Ah, essa não!”, foi a frase formulada em meu cérebro, contudo, não a verbalizei. Eu já havia chegado até aqui, não ia voltar agora. Não podia ser algo tão ruim assim podia? Ele agarrou uma das enormes toalhas. Levantei-me da borda da banheira parando na frente dele.
— Eu confio em você. Qual é a ideia?
Ele parou por um segundo, ainda analisando a situação como se pudesse achar outra solução.
— Tire a roupa e encha a banheira. Não entre nela.
Sim, podia ficar pior, porém não discuti apenas engoli a vergonha, porém quando cheguei ao zíper, senti as mãos dele substituindo as minhas para abrir o vestido nem nenhuma cerimonia. Quase me engasguei com meu próprio ar.
Eu não fiquei assim por muito tempo. Assim que me viu livre do vestido, Holmes apressou-se em me cobrir com a enorme toalha. Prendi meu suspiro aliviado na garganta para que não notasse meu desconforto, porém ele nem me olhava mais.
Ele parecia ocupado demais com seu telefone. Parei para olhar seu rosto concentrado pelo espelho que se estendia em sua frente. Estava completamente distraído e esse momento se prolongou até a banheira se encher por completo.
— O que tanto faz nesse telefone?
Perguntei depois de certo tempo sentando-me a beira da banheira. Sherlock me fitou, seus olhos pareciam inquietos.
— Ah, eu... — Então ele passou seus olhos de relance e logo se perderam novamente como se estivesse evitando me olhar. — Eu estou pesquisando.
— O quê?
— Quanto tempo, em média, dura uma atividade sexual.
— Você não sabe?
Eu não o estava acusando de não saber, estava surpresa.
— Não é o tipo de coisa que eu guardaria no meu palácio mental.
Parei para pensar. Será que Sherlock Holmes era, de fato, virgem? Depois pensei no quanto ele era, de certa forma, curioso. Curioso o suficiente para redigir “experimentos”. Não que eu já tivesse experimentado algo, mas a Universidade era o momento para isso e Holmes já havia passado por essa fase na vida. Ele já havia participado de experimentos sexuais? Lembrei o que Mycroft havia me dito sobre Irene Adler quando eu ainda tinha apenas quatorze anos.
— Ela mexeu com ele de alguma forma.
— Ele a desejava?
Ele pareceu surpreso por minha pergunta.
— Não. Ela era inteligente, mas Sherlock não gosta de enigmas de impossível resolução. Se ele não pode montar o quebra-cabeça e não pode mostra-lo a ninguém para provar que consegue monta-lo, qual é a graça?
— Então ele só quer mostrar que é inteligente? Se gabar?
— Não, também serve para acalmar seu cérebro. Isso, em parte, é culpa minha. Eu devia tê-lo ensinado, devia ter dito a ele como controlar isso, mas eu fiz tudo errado. Temo que, se ele não se ocupar com esses mistérios, enigmas, crimes ou qualquer outra coisa, ele enlouqueça. Essa é a última coisa que nós... Que eu quero que aconteça com ele.
— E por quê?
Ele deu um sorriso fraco.
— Meu irmão não é um herói, Srta. Russell, muito menos um criminoso, mas ele poderia ser um se quisesse e, se ele estivesse disposto, seria o pior tipo de criminoso que o mundo enfrentaria.
— E por que está me contando tudo isso?
— Você não precisa que eu te diga o porquê.
Eu sorri ironicamente.
— E por quê?
— Por que você é inteligente e, eventualmente, vai descobrir por si só.
Pisquei, meus olhos focalizaram Sherlock que ainda parecia ocupado tentando arranjar uma resposta para sua dúvida. A pergunta borbulhou através de minha garganta e saiu por entre meus lábios sem meu consentimento.
— Sherlock, você é virgem?
Como se ele tivesse ouvido um grito de socorro, imediatamente ele me olhou. Não sabia identificar sua expressão corretamente: algo entre o ultraje e a surpresa? Talvez eu tivesse sido direta demais.
— Que tipo de pergunta é essa?
Dei de ombros. “É isso que você ganha por não filtrar seus pensamentos antes de compartilha-los, Russell”, repreendi-me mentalmente.
— É uma pergunta.
— Desnecessária essa pergunta. — Voltei a dar de ombros entendendo aquilo como um “esse assunto morre aqui”, porém, minha pergunta pareceu abrir a boca de Sherlock. — O que te faz pensar isso?
Fitei-o de lado.
— Bem, nada... É só que... Isso depende do casal.
Ele me encarou desconfiado, levantando as sobrancelhas em um questionamento mudo.
— Universidade? — Simplesmente assenti. — Sua amiga? Ro... Rosseta?
— Verônica.
— Achei que começasse com um R.
— Ela gosta de ser chamada de Ronnie.
— Por que Ronnie?
— Porque ela não curte Vera.
— Foi ela?
— Mais ou menos.
— Só ela?
— Não. — Acho que ele entendeu que eu não diria mais nada. Eu era virgem, mas também era curiosa em relação ao meu corpo, assim como a maioria das garotas da minha idade. Não era crime pesquisar, muito menos explorar esse assunto, mas aquilo parecia ser um pouco intimo demais para nos dois. Mais intimo do que já estava. — Enfim, qual é o próximo passo desse seu plano?
Ele fez um sinal que pedia silêncio.
— Vamos deixar que eles ouçam o quanto estamos nos divertindo.
Sussurrou antes de desligar o chuveiro dar play em algo em seu celular.

(...) Sherlock Holmes

Eu já havia visto muitas mulheres nuas ao longo de minha vida. Irene Adler havia sido uma delas, mas sua abordagem para chamar minha atenção fora chocante e não excitante. O computador de John também não era livre de pornografia. E foi por esse motivo que me surpreendi pelo fato de uma garota seminua, coberta apenas por uma toalha, mexer comigo.
Apesar de ter me afastado fisicamente do prazer carnal ou do sentimento que poderia me levar a pratica-lo, contudo, eu ainda era um homem e ainda podia apreciar certas coisas. Mas também admito que, naquele banheiro em alto mar, estava apreciando coisas que não deveria.
Sentir desejo é algo natural do ser humano. Como um animal, como qualquer outro mamífero, isso é e sempre será uma necessidade tanto química quanto biológica. Mas não era algo que fazia parte do meu dia-a-dia. Nunca precisei lutar comigo mesmo mentalmente para evitar reagir ao desejo, mas agora eu lutava contra algo extremamente fora do comum.
Eu conseguia sentir o pulsar de meu coração em meus ouvidos. Sob muita pressão, isso seria algo normal; agora, nem um pouco. Eu, que sempre comparei meu cérebro a um computador, podia sentir como se ele tivesse me avisando que havia algo errado.
Algo que meu corpo não reconheceu a principio, contudo, assim que ele identificou o “problema”, não lutou contra. Amaldiçoei-me por minha ideia umas boas sete vezes assim que notei que meu corpo havia escolhido o pior momento em toda minha vida para sentir algo incontrolável por uma mulher.
Depois fiquei curioso e não poderia me culpar por aquilo. Em minhas pesquisas sobre o sexo, nunca realmente montei um experimento baseado no que acontecia antes do ato em si: a atração. Eu estava eufórico para encontrar algo que me relaxasse, que relaxasse meu cérebro nem que fosse por um curto período de tempo, mas tudo foi por água abaixo quando notei que minhas “cobaias” queriam mais que um simples encontro casual.
Meu experimento parou antes mesmo de começar. Sim, eu só procurava companhias pensando em experimentar o sexo e somente isso sem me importar se eu sentia alguma atração pela pessoa ou não. Mas agora, era exatamente nisso em que eu estava pensando.
Olhar para o celular por um longo tempo não ia adiantar de nada e não ia me ajudar a disfarçar. De fato, Russell acabou ficando incomodada pela minha aparente falta de atenção acabando por fazer uma pergunta demasiadamente intima. Em seguida, questionei-me se aquilo realmente era tão intimo, porque, cá estava eu, juntamente com uma moça de 16 anos, seminua, em um bordel marítimo... Imaginei o que John diria se soubesse disso.
“Que ótimo tutor você é, Sherlock.”
Ouvi sua voz em minha mente e controlei-me para não revirar os olhos. Ele provavelmente teria me socado.
— Enfim, qual é o próximo passo desse seu plano?
— Vamos deixar que eles ouçam o quanto estamos nos divertindo.
Pedi por seu silêncio, desliguei o chuveiro e apertei o play em meu celular. Era um áudio um tanto indecente de um casal em meio ao coito que tocava alto o suficiente para ser ouvido no quarto e que muito provavelmente enganaria a todos.
Sentei-me ao lado de Russell a beira da banheira esperando. Russell era a criatura do sexo feminino que mais me chamou a atenção ao longo dos anos. Ela tinha muitas qualidades que eu admirava. Era possível que eu sentisse atração por ela? Sim, era possível, mas não era certo e eu não seria Sherlock Holmes se cedesse a esse tipo de coisa. Eu precisava me afastar disso. Era a opção mais sensata.
— Russell, agora é a hora.
Ela me olhou, como sempre me prestando sua total e completa atenção.
— O que preciso fazer?
Tirei minha camisa, a calça e baguncei meu cabelo.
— Assim que eu parar o áudio, eu vou leva-la para o quarto. Tudo o que você precisa fazer é fingir que está dormindo, na verdade, se quiser dormir um pouco, eu recomendo. — Depois que ela assentiu mostrando que havia entendido, peguei uma toalha e a passei por minha cintura. Olhei para Russell encontrando seus olhos em mim. — Algum problema?
Ela balançou a cabeça.
— Não.
— Muito bem, pronta? — Ela assentiu. Parei o áudio. Esperei alguns segundos antes de me aproximar de Russell e pega-la no colo. Ela se aconchegou a mim e fechou os olhos. — Pode dormir querida, te acordo na hora de ir embora.
Disse ao entrar no quarto. Coloquei seu corpo sobre a cama e me deitei ao seu lado esperando que, quando fossemos embora mais tarde — depois deste nosso breve cochilo —, o que havia acabado de acontecer entre nós não nos fizesse agir como dois estranhos um com o outro. Sua presença é importante, Russell.

(...) John

— Está sentindo isso?
— O quê?
Perguntei.
— Eles estão... Diferentes.
Comentou minha esposa olhando para Sherlock e Russell respectivamente. Russell e Sherlock riam — extremamente alto — de algo que Molly havia acabado de falar e tinha mais uma coisa, Russel tinha seu braço enlaçado ao de Sherlock. Mesmo de longe, sentado no sofá com minha esposa e minha filha, eu tinha que admitir que Mary estava certa: tinha algo de diferente ali.
— Acho que eles se divertiram sem você ontem.
Sussurrou ela antes de bebericar seu champanhe. Não respondi, não poderia responder. Na verdade, aquilo me parecia perfeito.
— Vou falar com ele.
— Oh sim, preciso falar com Molly, chame-a para mim sim?
— Pode deixar.
Aproximei-me deles com um sorriso.
— Como estão as coisas aqui?
— Vão bem.
— Ah Molly, Mary quer falar com você.
Ela assentiu indo em direção ao sofá.
— E aí, tio John?
Russell cumprimentou-me animadamente fazendo seus cabelos, que estavam completamente cacheados, balançarem.
— Olá Russell, como vai seu terceiro natal?
— Diferente do Hanukkah.
Ela comentou com um sorriso.
— Sim, talvez devêssemos comemora-lo um ano para honrar sua presença.
Disse Sherlock piscando para ela.
— Bem, eu ainda tenho a Chanukiyá da minha mãe.
Afirmou Russell.
—Chanu... O quê?
Perguntei.
—É um candelabro de nove braços usado para celebrar a data. O Hanukkah é comemorado por oito dias. Na primeira noite, o maior braço do candelabro é aceso juntamente com uma vela. A cada noite que se passa acrescenta-se e se acende mais uma vela e, no oitavo e último dia, todo candelabro estará aceso.
— Isso é interessante.
— Por isso o Hanukkah é conhecido como “a festa das luzes”.
— Acha que ele poderia ser professor de teologia?
Brinquei com Russell.
— Ah claro, com toda certeza.
Respondeu-me rindo.
— Há–há, vocês são hilários.
Comentou Sherlock.
— Está na hora dos presentes!
Ouvimos a Sra. Hudson falar. E é aqui, meus caros, que eu vi a prova de uma mudança. Eu testemunho que vi William Sherlock Scott Holmes ir até a mesa de centro, abrir uma gaveta, tirar uma pequena caixa da mesma e, em seguida, o vi entregar o presente a Mary Russell.
Era surpreendente porque Sherlock Holmes não dava presentes. Ele achava que o natal era apenas uma data imposta por comerciantes para conseguir arrancar dinheiro da população por meio da religião. Era surpreendente porque Sherlock Holmes estava dando um presente a alguém, ponto. E eu não era o único encarando.
— Sherlock, você deu um presente a Russell.
Murmurei estupefato. Ele me olhou e então para a sala.
— Sim, por quê? Qual o problema?
Ele perguntou obviamente confuso com a reação de todos.
— Só para ela?
Perguntei.
— Sim. Afinal, esse não é o propósito de tudo? Dar um presente a alguém?
— Sim, mas geralmente se dá presente a todos.
Ele revirou os olhos.
— Que tradição ridícula. Se for para agir como um “Papai Noel” então só se deve dar presentes a quem merece. Aliás, eu não gastei nada com o presente.
Russell parecia tão surpresa quanto nós. Estava muda de surpresa e não parecia saber o que fazer com o presente que Sherlock acabará de entregar em suas mãos.
— Não vai abrir?
Perguntou ele.
— Ah sim, claro. — Ela abriu a pequena caixa. Aproximei-me mais para ver o que era. Era um colar* de aparência delicada feito de prata ladeado de pequenas pérolas. — Holmes, é lindo!
Ele sorriu parando ao lado dela. Russel pegou o colar com suas mãos passando os dedos por ele.
— Pertenceu a minha avó. Consegue abri-lo?
Os dedos de Russell procuraram por um fecho, porém, talvez pela surpresa ou por estar emocionalmente lisonjeada, ela não conseguiu abri-lo. Finalmente, quando Sherlock percebeu isso, ele não suspirou irritado, muito menos mostrou impaciência, na verdade, ele deu uma pequena risada e levou seus dedos ao fecho do colar abrindo-o. Estava vazio, não havia nenhuma foto dentro.
— O que tem dentro?
Lestrade fez a pergunta que a maioria queria saber.
— Nada. — Respondeu Holmes. — Antigamente tinha uma foto de meu pai e do marido de minha avó. Ela deixou em testamento para meu pai que foi seu único filho. Meu pai tentou dá-lo a minha mãe, mas ela não gostou muito, então, há pouco tempo, ele me enviou e disse algo sobre dar um destino melhor a essa herança de família. Então pensei: há melhor destino que nas mãos de Mary Russell?
Ambos se fitaram profundamente.
— Obrigada, muito obrigada mesmo, Holmes. É perfeito.
Ela agradeceu colocando o colar. Ao voltar para a atmosfera da sala, os dois ficaram desconfortáveis diante de tantos olhares.
— Muito bem, agora que todos já trocaram os presentes, podem ir embora. A festa acabou, é meia noite e eu quero dormir.
Falou Sherlock.
— Circulando.
Falou Lestrade, que ficou obscurecido em seu canto até aquele momento. Aquela foi nosso toque de recolher.

(...)

Não voltei até o dia de Russell ir embora. Talvez eu esteja me apressando, mas deixo as partes em branco desta história para Russell e Sherlock contarem, mas o que sei é que... No dia em que Russell devia voltar a Oxford, foi dia em que Sherlock Holmes teve a maior de todas epifanias de sua vida.
E por quê? Russell já se despedia da Sra. Hudson quando cheguei a Baker Street naquela manhã. Talvez só estivesse me esperando, pois eu havia mandado uma mensagem a Sherlock pedindo para que ela me esperasse para que eu tivesse a chance de me despedir.
— Tio John! Ainda bem, achei que só teria a chance de vê-lo novamente no Ano Novo.
— Não é minha culpa se sua Universidade tem umas datas estranhas.
— Sim. Como um dos meus professores disse “o conhecimento não descansa”.
— Diga a ele que o crime também não.
Murmurou Sherlock ao se aproximar. Russell riu.
— Ele ainda está tentando te fazer ficar não é mesmo?
— Sempre.
Respondeu ele.
— Esse é Sherlock Holmes, nunca desiste.
O carro — cedido por Mycroft Holmes — que a levaria para Oxford parou rente à calçada. Ela estava pronta para partir quando o carteiro chegou à porta de Baker Street. Nem prestamos atenção nele, pois ela estava focada na moça que estava de partida. O homem deixou as cartas na mão da Sra. Hudson e saiu da mesma forma que apareceu: despercebido.
— Sherlock! — chamou a Sra. Hudson correndo em nossa direção balançando uma carta na direção dele. — Sherlock, esta é sua!
Sherlock pegou a mesma e a abriu. Seu rosto perdeu a cor, ele estava completamente pálido.
— Sherlock, qual o problema?
Ele não prestava mais atenção em mim. Ele olhou para o prédio a nossa frente, então ao redor. Ele não deixou de olhar para os lados ao pegar Russell pelo braço e arrasta-la de volta ao apartamento.
— Sherlock, o que está fazendo? Eu preciso ir embora!
Ele a arrastou mesmo sob seus protestos escada acima, largando-a no sofá. Ela bufou irritada.
— Mas qual é o seu problema, Sherlock?
— John, tranque a porta.
A voz dele não possuía o mínimo traço de emoção, não havia nada ali, apenas o tom seco.
— Sherlock, o que aconteceu?
Ele não a respondeu, parecia estar focado em fechar as cortinas.
— Mas que droga, Sherlock, o que é que te fez agir feito um idiota?
Sherlock jogou a carta na direção de Russell. Cansado daquele jogo, perguntei.
— De quem é a carta, Russell?
Eu não precisava saber do conteúdo da carta, o nome do remetente foi o suficiente.
— Moriarty.

Notas finais
*No livro The Beekeeper's Apprentice de Laurie R. King, Holmes dá à Russell um broche e não um colar. Optei pelo colar porque... Não sei, só quis um colar mesmo kkkk. Gente, que loucura né? Eu pretendia postar segunda, mas surgiu imprevisto atrás de imprevisto e não deu. Peço perdão por ter demorado. Se houver erros, peço desculpas e prometo que irei conserta-los assim mque puder. Por enquanto, é o que tem pra hoje. Beijos enormes e até o próximo capítulo. VickSaturn