I'll Never Let You Go
11 Now Can I Stay?
Notas iniciais
Blaine correu até o seu quarto e arrumou uma mala com seus pertences mais importantes. Pegou roupas e mais roupas, alguns livros e algumas coisas que não queria deixar para trás. Pegou sua mochila da escola e colocou dentro seus livros, cadernos e outros materiais. Separou tudo que era necessário e trocou de roupa uma última vez, olhando em seguida para seu quarto e sabendo que nunca mais voltaria para aquele lugar.
Saiu do seu quarto, desceu as escadas e nem olhou para seus pais, apenas disse que amava Cooper e saiu dali. Pegou um dinheiro que estava guardado em sua mochila e chamou um táxi para que ele pudesse ir até o apartamento de Kurt. Mandou uma mensagem para o celular do castanho e disse que estava indo para lá e o mesmo disse apenas que estaria o esperando.
O táxi não demorou muito para completar seu percurso e rapidamente Blaine já estava no elevador do prédio de Kurt. Quando saiu do mesmo, viu Kurt parado já na porta e quando o castanho o enxergou, abriu os braços à espera de um abraço. Nem se preocupou com o fato de o moreno estar com uma mala ao seu lado, apenas se preocupou em saber se ele estava ou não bem.
— Entra, meu amor. – Disse Kurt, ajudando Blaine com a mala e fechando a porta quando os dois entraram. – Quer me contar o que houve?
— Discuti com meu pai e ele me botou para fora de casa. – Confessou o moreno, sentando-se no sofá com Kurt. – Eu sou um filho horrível.
— Deite-se aqui no meu colo. – Pediu Kurt, vendo Blaine escorar a cabeça em suas pernas. Kurt aproveitou e passou a acariciar a cabeça do moreno. – Você não é um filho horrível. Seu pai que não foi capaz de te aceitar e isso não é culpa sua.
— É sim. Eu não deveria gostar de homens, deveria ser normal.
— Você é normal, meu amor. Você é normal. O que não é normal é esse preconceito dele. Se você não fosse normal e estivesse fazendo algo errado, seu irmão também te julgaria. Mas não, ele não julga. Pelo contrário, ele te apoia e sabe o motivo? Ele quer te ver feliz. – Kurt dizia tranquilamente enquanto afagava os cabelos do moreno. – Sabe... eu perdi meus pais muito cedo e fui adotado, como eu já te contei, e eu sofri muito nas mãos daquele homem que se dizia meu pai, mas mesmo assim eu tinha uma ponta de esperança em minha vida. Eu queria tanto que você também tivesse.
— Esperança de que? A vida já me provou que dias melhores não virão. – Blaine disse já chorando.
— Tem certeza? Você está aqui comigo agora. Isso não é bom?
— Sim, é ótimo estar com você. Mas olha as coisas que eu precisei fazer para ficar com você. Isso é o horrível. – Blaine se agarrou às pernas de Kurt como se estivesse agarrando um travesseiro e começou a chorar de uma maneira desesperadora. – Eu te amo tanto, mas ao mesmo tempo eu sinto que isso é tão errado.
— Então não pense que é errado. Você se arrepende de estar comigo? – Kurt continuava calmo, mesmo que por dentro estivesse aflito.
— Eu me arrependo de ter nascido. – Blaine levantou a cabeça e encarou Kurt. – Mas já que eu nasci... você é a única coisa que eu não me arrependo.
— Me sinto melhor. – Kurt sorriu e acariciou o rosto de Blaine. – E eu quero que você se sinta melhor também. Já sei... quer que eu faça um bolo?
— Pode ser de maçã? – Blaine ainda estava com lágrimas nos olhos. – Eu gosto de bolo de maçã.
— Pode ser do que você quiser. – Kurt disse sorrindo. – Pode ficar aí e assistir televisão enquanto eu preparo o bolo.
Kurt ligou a televisão e viu Blaine parecer uma criança enquanto assistia aos desenhos animados que passavam em certo canal. O castanho andou até a cozinha de seu apartamento e começou a preparar o bolo de maçã que Blaine queria.
Separou todos os ingredientes e recipientes. Mexeu aqui, mexeu ali e logo o bolo já estava no forno. Decidiu que faria a calda quando o bolo já estivesse pronto e voltou para a sala para olhar televisão com Blaine. Sentou ao lado do moreno e o puxou para que ficassem abraçados enquanto assistiam aos desenhos.
Kurt estava feliz de ter Blaine consigo, mas ao mesmo tempo conseguia sentir a dor do moreno de ter sido expulso de casa. A vida do castanho não havia sido fácil, mas a vida de Blaine também não tinha sido. Os dois tinham problemas com suas famílias e os dois encontraram um no outro uma maneira de melhor e conseguir serem felizes. Mas ainda assim era complicado, como tudo na vida.
Blaine se sentia seguro nos braços de Kurt. Era como se o mundo fosse um lugar melhor. Com Kurt ele podia simplesmente ser ele mesmo, sem medo das consequências de ser quem é. Ele nunca seria aceito por seus pais, mas pelo menos ele tinha alguém que o amava e que estava disposto a ficar com ele independentemente do que fosse acontecer.
O tempo do bolo ficar pronto se passou sem que os meninos percebessem e Kurt levantou do sofá com dificuldade de deixar o moreno sozinho e voltou para a cozinha para fazer a calda do bolo. Quando a calda estava pronta, Kurt resolveu fazer algo melhor ainda para agradar Blaine e escreveu com a calda cremosa em cima do bolo, sorrindo em seguida por conta de sua ideia. Mal podia esperar para ver a reação do moreno.
— B... o bolo está pronto. Vem comer! – Kurt ouviu um resmungo em resposta e supôs que aquilo fosse um “sim”. – Se você reclamar eu vou pegar o pedaço maior para mim.
— Já estou aqui. – Kurt riu com a maneira sapeca que o moreno apareceu na cozinha.
— Senta aí que eu vou pegar algo para cortar o bolo. – Avisou o castanho, com um sorriso malandro no rosto.
— Kurt... o que isso significa? – Blaine perguntou e Kurt o olhou de maneira inocente.
— Isso o que?
— O que está escrito... – Blaine estava com as bochechas coradas.
— O que tem? – Kurt continuava se fazendo, adorando ver a timidez de Blaine.
Blaine nem respondeu, apenas se aproximou mais de Kurt e o beijou carinhosamente, o puxando pela nuca para mais perto de si. Kurt o encarou quando eles desgrudaram seus lábios um do outro, ainda que permanecessem bem próximos.
— Sim. – Respondeu o moreno.
— Sim o que? – Kurt já tinha entendido, mas queria provocar mais um pouco.
— Eu aceito namorar com você, K. Eu aceito! – Blaine disse e mais uma beijou o, agora, namorado.
Kurt tinha escrito no bolo a pergunta “B, você aceita namorar comigo?” e agora se encontrava imensamente feliz por seu pedido ter sido aceito.
O castanho pegou uma espátula e serviu a ele e a Blaine o bolo. Já tinha passado do horário do almoço e Kurt tinha decidido que faria comida apenas no jantar e que faria algo especial para os dois, afinal agora eram um casal de verdade.
— Que bolo delicioso! – Exclamou Blaine, fazendo Kurt rir. – É o melhor bolo do mundo. Você é o melhor do mundo... namorado.
— Você que é o melhor, meu amor. E eu te amo justamente por você ser exatamente como é.
Blaine sorriu para o namorado e viu o mesmo com calda do bolo até quase na bochecha e não se aguentou, precisou se aproximar dele e passar sua língua onde estava sujo, arrancando uma risada do castanho.
Os dois trocaram um olhar tão intenso que fez o corpo dos dois se arrepiar. Se sentiam completos por terem um ao outro, queriam apenas eternizar a relação deles e passar o resto de suas vidas juntos.
Será que era pedir demais? Blaine tinha dito que nunca deixaria Kurt partir, agora essa promessa era justamente ao contrário.
Blaine estava ali e permaneceria ali. Kurt nunca o deixaria ir embora.
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