Notas iniciais
Mais uma, então? Sim e falta uma ainda e aí eu juro que vou parar - por enquanto.
Mas hoje além dessa outra fic, tem uma atualização de uma fic em andamento *---*
Espero que gostem ♥

Hoje é apenas outro dia. Um outro dia em que eu vivo uma mentira. Eu sou o tipo de pessoa que não se encaixa em nada, mesmo estando encaixado em tudo. Tudo está errado, mesmo estando certo. Tudo está triste, mesmo que pareça feliz.

Todos os dias eu faço as mesmas coisas, todos os dias eu sofro pelos mesmos motivos e todos os dias eu sou obrigado a fingir que não sou quem eu sou porque, na verdade, eu não sei quem ou o que eu sou.

Eu só sei coisas irrelevantes. Eu sei que eu me chamo Blaine, eu sei que eu tenho dezesseis anos, eu sei que eu tenho uma namorada chamada Quinn e ela é muito bonita. Eu sei o caminho até a escola. Eu sei que todas as manhãs eu preciso levantar e ir para a escola.

Mas será que isso realmente importa? Será que isso não é apenas uma rotina comum e sem graça que nem deveria pertencer a mim?

Hoje é apenas mais um dia desses. Um dia onde eu levantei cedo, me arrumei para a escola, tomei café da manhã com meus pais e meu irmão, peguei uma carona com meu pai e vim para a escola.

Eu tive algumas aulas chatas, fiz um teste onde tirei A+ e agora estou almoçando. Minha namorada está sentada no meu colo, assim como a namorada de todos os atletas da escola. Eu não sou atleta nem nada, mas sou namorado de uma líder de torcida, então eu tenho permissão para sentar ali.

Mas eu nunca quis isso. Eu queria fazer parte do coral, mas o bullying que eu sofri foi tanto, que eu pensei que fosse morrer de tanto chorar. Não bullying por parte de quem é do coral, mas sim dos outros. Todos os outros.

Eu estou aqui sentado, ouço a conversa animada deles, ouço eles falando mal de outras pessoas e eu só consigo pensar que eu não queria estar aqui. Eu preferia estar em qualquer lugar do que aqui.

Tudo andava em perfeita harmonia, mas ultimamente tudo está estranho. Eu não reconheço mais a mim mesmo.

Quando o sinal pôde ser escutado, todos nos levantamos e começamos a ir em direção às próximas aulas. Eu passei ao lado da sala do coral e vi que eles estavam lá, sorrindo e conversando animadamente e tudo que eu queria era entrar ali e fazer parte do grupo. Talvez eu apenas seja muito medroso.

Quinn sorriu para mim, me beijou e foi para a sala dela, enquanto eu andei para a minha aula de inglês.

Eu não consegui prestar atenção naquela aula, eu estava mais preocupado em rabiscar meu caderno, escrevendo qualquer coisa que parecesse mais importante do que o mundo. Mais importante do que a minha existência.

Não entenda isso errado, eu não sou uma pessoa depressiva. Eu sou feliz, eu tenho uma boa família, tenho “amigos”, tenho alguém que se importa comigo e eu gosto de estudar. Eu só sinto que eu não me encaixo em nada disso. Eu sinto que essa não é a minha realidade ou, pelo menos, não era para ser.

Quando o sinal do final das aulas tocou, depois de inglês e literatura, eu me senti a pessoa mais feliz do mundo. Eu finalmente poderia ir embora.

Meu pai normalmente me buscava, mas assim que eu saí da escola eu recebi uma mensagem dele, dizendo que houve um imprevisto e ele não poderia me buscar. Ele pediu para que eu tivesse cuidado na rua e fosse a pé. A escola não era tão longe de casa, eu só ia de carro porque era o caminho para o trabalho do meu pai.

Coloquei meus fones de ouvido e botei uma música qualquer, a qual fui cantando até chegar em casa. Minha mãe estava sozinha, a cumprimentei e fui para o meu quarto. Eu não sei o motivo, mas eu queria muito ficar sozinho.

Me atirei na minha cama após atirar minha mochila em um canto qualquer e ali eu fiquei, até ouvir um grito afoito de minha mãe e o barulho da porta de casa sendo aberta.

Nem pensei, apenas saí correndo do meu quarto, sem camisa mesmo – já que eu a tinha tirado para deitar. Desci as escadas o mais rápido que consegui e dei de cara com meu pai segurando um menino todo machucado em seus braços.

Ele tinha cortes no rosto, machucados pelo pescoço e suas roupas estavam rasgadas. Ele estava uma tremenda bagunça.

— O que houve? – Foi a única coisa que eu consegui perguntar. Algo naquele rapaz me fez perder a fala, eu só não entendi porque isso aconteceu.

— Ele reagiu a um assalto e eu o encontrei atirado no meio da estrada. – Explicou meu pai. Eu apenas assenti.

Os olhos daquele rapaz estavam muito vidrados em mim e eu acabei me abraçando por estar um pouco envergonhado.

— Qual o seu nome? – Eu perguntei. Eu não sei por qual motivo eu queria saber o nome dele, eu só senti que precisava saber.

— Eu me chamo Kurt.

Notas finais
E foi isso... o que acharam? Me deixem saber ♥ Bjo ♥