I'll Never Let You Go
2 Friendship
Notas iniciais
— Eu me chamo Kurt.— O garoto disse com certa dificuldade. – E você?
— Filho, eu preciso voltar para o trabalho e preciso levar sua mãe para o dela, então você pode cuidar um pouco de Kurt? Ele tem alguns cortes que precisam de curativos. – Pediu Henry, o pai de Blaine.
O Anderson mais novo assentiu e deu um beijo de tchau em seus pais, que logo saíram com um pequeno sorriso no rosto.
— Eu sou o Blaine. – Disse o moreno, esticando a mão para Kurt. – Eu vou pegar as coisas para fazer os curativos em você.
— Obrigado. – Agradeceu o Hummel.
Blaine subiu as escadas correndo, colocou uma camiseta e pegou o kit de primeiros socorros que tinha em seu banheiro. Ele desceu novamente as escadas e encontrou Kurt caído no chão.
O desespero tomou conta do moreno e ele saiu correndo, atirando o kit de qualquer jeito no chão. Ele sacudiu Kurt, deu leves tapinhas em seu rosto, mas nada adiantava.
Ele foi até a cozinha e pegou um copo d’água, voltando para sala e colocando um pouco do líquido na boca de Kurt. Pouco tempo depois o castanho abriu os olhos lentamente. Blaine o pegou em seus braços e o ajudou a ir até o sofá.
— Eu te colocaria em uma cama que é mais confortável, mas todos os quartos são lá em cima. – Blaine se explicou e Kurt apenas sorriu.
— Você e sua família nunca me viram antes e me deixaram ficar por aqui, isso é mais do que eu poderia pedir. Eu estou bem por aqui. – Afirmou Kurt.
— E você pode ficar aqui o tempo que precisar. – Avisou o moreno, sorrindo em seguida.
Blaine pegou do chão o kit e pegou um líquido para passar nos cortes de Kurt. Ele passou lentamente e, em seguida, já colocou um curativo. Ele passou o mesmo líquido pelos hematomas, para poder evitar que ficassem piores.
— Bateram tanto assim em você? – Blaine perguntou e Kurt assentiu.
— Me bateram com as mãos e deixaram hematomas, bateram com um pedaço de ferro e deixaram cortes, me chutaram e acho que por isso eu desmaiei, porque eu não estava conseguindo respirar direito. Tentaram me matar mesmo, tentaram me estrangular e aí seu pai chegou. – Kurt quase começou a chorar por se lembrar de tudo aquilo.
— E-eu... eu sinto muito, Kurt. – Kurt apenas sorriu para ele, que continuou a passar o remédio pelos machucados do castanho. – Você está com fome? Eu posso preparar algo para você comer.
— Blaine, eu não quero incomodar. Não se preocupe com isso. – Blaine apenas ignorou e foi até a cozinha.
Ele não iria fazer algo grandioso, pois não sabia fazer muitas coisas. Mas ele sabia fazer bolo e, por mais que talvez demorasse para ficar pronto, poderia ficar bom. O moreno foi pegando todos os ingredientes e foi jogando tudo dentro do pote para misturar. Ele se sujou um pouco de farinha e quase derrubou os ovos, mas no final tudo deu certo, até porque ele fez tudo enquanto cantarolava alegremente uma música qualquer e, para ele, tudo se resolvia com música.
— Você precisa de ajuda? – Kurt chegou na cozinha e se agarrou à parede. Ele se sentia fraco.
— Não, mas pelo visto você precisa. – Blaine foi até Kurt e o encaminhou para uma cadeira de volta da bancada. – Por que não ficou lá no sofá?
— Eu ouvi você cantando e quis ouvir mais de perto. Sua voz é linda. – Comentou Kurt, fazendo Blaine corar.
— Não é sempre que eu tenho um motivo para cantar. Eu queria fazer parte do coral da escola, mas todos me zoariam, inclusive minha namorada.
— Você namora, uh? Se ela gosta mesmo de você, tem que aprovar sua alegria. – Blaine sorriu fraco. – Não acha?
— Eu sou cobrado por todos o tempo inteiro, eu preciso seguir o caminho certo sempre. É complicado. – Blaine se virou para a pia e começou a lavar a bagunça enquanto esperava o bolo ficar pronto.
— E seus pais? O que eles acham disso? – Kurt se debruçou sobre a bancada e ficou olhando Blaine lavar a louça.
— Minha mãe apoia qualquer coisa que me dê dinheiro e meu pai quer que eu seja advogado como ele. Eu não quero ser advogado, mas tenho medo de falar isso para ele. – Blaine largou forte uma travessa, que quase se quebrou. – Eu tenho medo de tudo, inclusive de mim mesmo. Acho que esse é o meu problema.
Um silêncio se instalou entre os dois. Blaine continuou a lavar a louça, logo botando para secar. Kurt se aproximou e parou do lado dele.
— Eu também era assim. – Comentou ele. – Mas isso é algo no qual precisamos trabalhar lentamente. Não podemos querer que as coisas simplesmente mudem do dia para a noite, Blaine. Um dia você vai conseguir se entender melhor e vai conseguir expor isso para as pessoas em sua volta. Tenho certeza que quando esse dia chegar todos vão te entender.
Blaine olhou admirado para Kurt. Aquilo fazia sentido.
[...]
No dia seguinte, Blaine se levantou mais alegre. Ele tomou seu banho cantarolando, se arrumou – e se encheu de perfume –, colocou sua melhor roupa, pegou sua mochila e desceu as escadas. Ultimamente ele tinha preguiça de passar gel no cabelo e deixava seus cachos de qualquer jeito, mas naquele dia ele resolveu se arrumar da melhor maneira possível.
Na cozinha ele encontrou sua mãe fazendo panquecas e seu pai lendo o jornal. Sua mãe, Pam, pediu para ele chamar seu irmão e Kurt para o café da manhã. Novamente ele subiu as escadas, entrou no quarto e sacudiu o irmão.
— Bee, me deixa dormir. – Pediu Cooper, como sempre fazia e Blaine riu, tirando todas as cobertas de cima dele. – Eu te odeio!
Gritou quando Blaine saiu do quarto e então o moreno rebateu:
— Eu sei, Coop. Eu também te amo. – O moreno desceu as escadas e foi até a sala onde Kurt estava, soprando lentamente o ouvido dele para que ele acordasse tranquilamente. – Bom dia! O café da manhã está na mesa.
— Bom dia, Blaine. – Disse bocejando e coçando os olhos. – Você dormiu bem? Parece mais animado do que ontem.
— Dormi muito bem e você? – Perguntou observando Kurt levantar.
— Não durmo tão tranquilamente assim há anos. – Respondeu Kurt, sorrindo enquanto andava com Blaine até a cozinha.
Os cinco tomaram o café da manhã tranquilamente, depois Cooper levou Blaine para a escola e Henry levou Pam para o trabalho, deixando a casa só para Kurt. Eles realmente acreditavam no potencial do castanho para deixarem o mesmo sozinho na casa.
Todos na escola repararam que Blaine estava mais alegre. Mas algo estava diferente. No almoço ele não sentou com os atletas e Quinn, ele sentou com o clube do coral.
— Eu... eu posso sentar com... com vocês? – Ele perguntou acanhado, não queria ser enxotado dali.
— Sempre é bom ter alguém novo por aqui. – Disse uma das integrantes. – Eu me chamo Santana.
— Blaine Anderson, venha aqui agora! – Gritou Quinn, fazendo Blaine revirar os olhos.
Ele supostamente deveria continuar ali e não obedecer Quinn, já que ele não queria obedecê-la. Mas é claro que ele fez o que lhe foi mandado. Era o certo, não?
Ele nem teve tempo de dizer tchau para o pessoal do coral, ele simplesmente foi arrancado de lá e foi se sentar com os atletas.
[...]
— Você está bem? Você simplesmente me ignorou quando chegou e veio direto para cá. – Kurt disse ao entrar no quarto de Blaine, havia sido difícil para o castanho subir todos os degraus da escada, mas ele conseguiu.
O moreno não possuía expressão alguma, ele simplesmente estava sentado em sua cama, olhando para um ponto fixo em sua frente. Um ponto que não significava nada. Kurt sentou-se ao seu lado e, antes que ele pudesse dizer mais alguma coisa, Blaine se jogou em seus braços e começou a chorar.
— O que houve? – Perguntou Kurt, abraçando Blaine com toda força que tinha e, quanto mais forte ele segurava o moreno, mais o mesmo parecia chorar. – Por favor, fica calmo.
— Eu odeio minha vida. Eu odeio mina escola. Eu me odeio. Eu odeio tudo. – Desabafou ele. – Eu não sou feliz. Eu tenho que ser o filho perfeito para poder agradar os meus pais, eu preciso ser um bom namorado para agradar Quinn, eu preciso não encher muito a paciência para agradar Cooper, eu preciso ser a melhor pessoa do mundo para poder agradar. Você foi a primeira pessoa que chegou na minha vida e tentou me entender sem antes me julgar e, eu aposto que se fosse qualquer outra pessoa que me visse desse jeito, diria que isso é coisa de adolescente, mas você não. Você veio aqui e perguntou o que tinha acontecido.
— Ora, somos amigos agora, não somos? – Blaine assentiu. – Então, ué. Você me ajudou, agora eu te ajudo. Só espero que não esqueça de mim quando eu for embora.
— Eu não vou precisar esquecer. – Blaine se levantou e encarou Kurt.
— Por que não? – Perguntou confuso.
— Porque eu nunca vou deixar você ir embora.
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