I'll Never Let You Go

3 I Hate Everything Except You


Notas iniciais
CHEGUEI PARA A OITAVA ATUALIZAÇÃO DA NOITE ♥ Espero que goste *---* P.S.: Perdoem qualquer erro que encontrarem.

— B-Blaine… – Kurt tentou falar, mas se perdeu no meio do caminho. – Uma hora eu terei que ir embora.

— Você não pode ir embora. – Blaine disse triste. – Você é a única pessoa que liga para mim, não posso deixar que também vá embora.

— Tenho certeza que não sou o único que liga para você. – Kurt tentou falar, mas Blaine foi mais rápido e se trancou no banheiro. – Blaine, por favor, não me ignora. Eu só quero ajudar, você sabe disso.

— Não queria ir embora? Então vá. Eu não ligo.

Blaine poderia parecer forte, mas, se ele visse Kurt ir embora, ele com certeza sofreria. O castanho havia chegado para fazer seu mundo virar de ponta cabeça. O Hummel era o único que parecia realmente ligar para o que Blaine sentia e doeria demais nele perder o único que se importava.

Mais tarde naquele dia, Blaine saiu de dentro do banheiro deformado de tanto chorar e Kurt percebeu. Blaine passou a ignorar o castanho em todos os momentos.

Durante o jantar, o pai de Blaine perguntava sobre como havia sido o dia dele, mas ele respondia com pequenas palavras e não falava mais nada.

[...]

No dia seguinte, Blaine foi para a escola com a cara emburrada, discutiu com Quinn e quase terminou com ela. Sentou sozinho no almoço e ficou pensando em Kurt. Por que o castanho não saía de sua cabeça? Ele queria entender, queria se entender.

Ele só sabia que Kurt não deixava seus pensamentos por nenhum segundo. Seu coração batia mais forte só de pensar nisso. Ele nem sabia mais o que pensar de si mesmo.

Quando chegou em casa, um silêncio ensurdecedor dominava a moradia. Ele subiu para seu quarto e sentiu que ia morrer. Ele estava sentindo uma dor forte demais no coração, ele estava confuso. Tinham grandes chances de ele estar sentindo o que não deveria por quem não deveria e só de pensar em tudo que sofreria se seguisse com isso, preferia morrer.

Foi até o banheiro e pensou em fazer algo que nunca havia feito antes. Ele pegou um barbeador e tirou a lâmina dele.

— Eu não posso gostar de Kurt desse jeito. – Blaine começou a derrubar algumas lágrimas. – Meu pai me mata se isso acontecer.

E, entre lágrimas, ele passou a lâmina pelo seu pulso esquerdo uma vez, seguida de outra, e mais outra, e outra. Ele nem sentia mais dor, estava praticamente anestesiado. Pegou a lâmina com a outra mão e fez o mesmo que já tinha feito, mas no outro pulso.

Como esconderia aquilo? Não sabia, nem se preocupava. Ele só queria que tudo acabasse; que sua vida acabasse.

Sentiu-se zonzo, tinha perdido uma quantidade considerável de sangue. Jogou a lâmina fora e lavou seus braços, sentindo uma ardência maior ainda. Seus cortes não paravam de jorrar sangue, então resolveu tomar um banho.

Ele não conseguia parar de chorar enquanto a água caía, derrubando junto suas lágrimas. Ele queria que aquela água lavasse não só seus pulsos, mas também sua alma e todas as suas mágoas.

Ao sair do banho, andou até seu quarto e colocou uma roupa confortável, com direito a um moletom largo nos braços, que tampava seus cortes. Não se sentia orgulhoso de ter feito aquilo, se sentia fraco.

Desceu para a cozinha e pegou um copo de suco. Encontrou Kurt lendo no pequeno corredor e foi até a rua, sentando-se no banco branco que havia ali. Ele estava tomando seu suco e observando as pessoas passarem na rua. Todos pareciam tão cheios de vida, mas ao mesmo tempo tão deprimidos. Todo mundo tinha milhares de problemas, alguns apenas aprendiam a viver com eles. Blaine queria também ser assim.

Kurt sentou-se ao lado de Blaine e tentou puxar uma conversa, mas foi ignorado. Tentou sentar mais próximo de Blaine, mas o moreno recuou.

— O que você quer, Kurt? Fazer eu me apegar mais ainda para depois ir embora sem nem pensar?

Blaine saiu irritado e entrou em casa, foi para seu quarto, se trancou e lá ficou pelo resto do dia.

No jantar quase não falava, quase que como na noite anterior. Após ajudar sua mãe com a louça, Blaine subiu as escadas para voltar ao seu quarto, mas foi puxado por Kurt para dentro do quarto de hóspedes, sentiu uma queimação em seus cortes, mas tentou evitar de demonstrar. O castanho trancou a porta e se virou para o moreno, cruzando seus braços.

— O que você está fazendo é injusto, sabia? Você está agindo como se eu fosse ir embora e te abandonar. – Blaine abaixou a cabeça ao ouvir aquilo. – Nos conhecemos há pouco tempo, mas eu já disse que quero te ajudar. Não vou ir embora e esquecer da sua existência.

— Mas é isso que as pessoas normalmente fazem. Eles sempre vão embora e me deixam sozinho. Eu tenho companhia na escola e ao mesmo tempo estou sozinho. – Blaine disse com a voz completamente triste e um pouco falhada. – Ontem eu tomei coragem e sentei com o pessoal do coral, então eu fui repreendido pela minha namorada. Eu sempre sou repreendido por fazer o que me faz feliz. Nunca vou esquecer de quando eu apanhei do meu pai por dizer que achei um menino bonito...

— Você o que? – Kurt perguntou preocupado. Ele tinha escutado direito?

— Estávamos olhando um filme e eu disse que até eu casaria com o personagem principal, porque ele era bonito. Meu pai me deu uma surra e me botou de castigo. – Blaine nunca tinha dito aquilo para ninguém e estava o fazendo bem confessar.

— Você é gay?

— Não... eu não sei. – Blaine novamente abaixou a cabeça e então tornou a olhar para Kurt. – Você também não vai me crucificar por isso, vai?

— Claro que não, Blaine. Eu nunca faria isso. Eu quero que você seja o que você realmente é. Quero que você viva no mundo, não que se esconda dele. – Kurt sentou na cama e Blaine fez o mesmo. – Eu vou te contar uma coisa, ok? Uma coisa que eu nunca contei para ninguém. Estou confiando em você para que isso fique apenas entre nós dois.

— Vai ficar. – Prometeu o moreno.

— Ok. – Kurt respirou fundo e soltou um suspiro. – Quando eu tinha meus quatro anos de idade meus pais morreram em um acidente de carro. Eu fui adotado por um casal bem jovem, que dizia muito querer um filho. Até os meus oito anos vivíamos uma vida normal, então tudo começou a dar errado. A empresa do meu pai adotivo faliu e ele começou a beber feito louco. Minha mãe adotiva não estava nem aí para mim e me deixava fazer o que bem entendesse dentro de casa, era capaz de nem ligar caso eu me suicidasse. Quando fiz meus nove anos, todo o terror da minha vida começou. Comecei a ser abusado quase todas as noites pelo meu pai adotivo e eu contava para a esposa dele, mas ela não estava nem aí, até assistia e ria da situação.

— Meu Deus, Kurt. E eu aqui recamando de uns problemas à toa. – Blaine falou, se sentindo culpado.

— Não, Blaine. Isso não são problemas à toa, tudo começa com uma pequena coisa. Nenhum problema é pior ou melhor que o outro. Tudo são problemas e sofremos da mesma maneira.

— O que aconteceu depois? – Perguntou curioso, queria saber o restante da história.

— Isso durou até meus dezesseis anos, então eu fugi de casa. – Kurt olhava firmemente para Blaine. – Eu tinha algumas roupas dentro da minha mala, não tinha para onde ir, apenas fui embora. Não tinha amigos na escola, então não tinha onde ficar. Normalmente eu dormia nas estações de trem, sempre em diferentes pontos e quando alguém me perguntava o que tinha acontecido eu apenas dizia que estava esperando por alguém. Eu consegui um emprego com meus dezessete anos, eu entregava os jornais de algumas ruas, mas precisei pedir demissão por entregar justamente na rua onde eu antigamente morava. Com meus dezoito anos eu arrumei outro emprego, mas quase tive que me prostituir para permanecer lá, então me demiti. Pouco tempo depois eu já estava em outro emprego, mas fui demitido por não ser bom o suficiente. Meu último emprego durou até alguns meses atrás, mas para você ver a minha sorte, novamente fui demitido, dessa vez por causa da minha sexualidade.

— Isso quer dizer que você... – Blaine deixou a frase no ar e Kurt assentiu.

— Eu não reagi a um assalto para estar machucado como estou. – Kurt fez uma breve pausa. – Eles me bateram com o intuito de me matar pelo simples fato de que eu sou gay.

— Eu... eu sinto muito, Kurt. – Blaine novamente tinha seus olhos cheios de lágrimas.

— Eles pensavam que isso ia me fazer gostar de mulheres. – Kurt riu sem graça. – Eu continuo sendo gay e sou orgulho de ser quem eu sou. É justamente isso que eu quero que você seja.

— Gay? – Kurt riu com a colocação de Blaine.

— Não. Orgulho de ser quem você é. Apenas isso. Eu quero que você seja feliz. – Blaine levantou o braço para secar as próprias lágrimas e foi então que Kurt percebeu algo errado e puxou o braço do moreno, puxando também o moletom. – Por que você fez isso?

— Eu faço tudo para agradar as pessoas e esqueço de agradar a mim mesmo. Eu não aguento mais fazer tudo pelos outros e deixar de ser feliz. – Blaine se abraçou em Kurt e começou a chorar. – Eu odeio tudo. Eu odeio todo mundo. Quer dizer, eu não odeio você. Você é a única pessoa que eu não consigo odiar e acho que não conseguiria mesmo que quisesse. – Blaine levantou a cabeça e encarou Kurt. – É por isso que eu não quero que você vá embora. Eu podia ter me matado, eu não faria falta para ninguém, mas aí eu percebi uma coisa importante.

— O que você percebeu? – Kurt perguntou enquanto tirava um cacho que estava quase no olho de Blaine.

— Se eu morresse, ninguém sentiria minha falta, mas eu sentiria saudade de você.

Notas finais
Gente, eu dei a louca enquanto escrevia, ficou um pouco triste, não? Ainda vai melhorar, eu prometo ♥ Me deixem saber o que vocês acharam, bjo ♥