I'll Never Let You Go
7 I'm Confuse
Notas iniciais
Quando novamente se separaram que Blaine começou a perceber o que tinha feito. Seu pai lhe mataria. Aquilo era errado. Ele não deveria ter beijado outro homem, era imoral, repugnante, nojento, completamente errado. Não, ele não podia ter feito aquilo. Aquilo só prejudicaria a reputação da sua família e ele seria expulso de casa.
— Eu não acredito que você me agarrou desse jeito. Seu pervertido. – Blaine disse irritado, fazendo o queixo de Kurt cair.
O moreno foi andando para dentro de sua casa e Kurt foi de atrás, logo o prendendo contra a primeira parede que encontrou. Eles estavam molhando todo o chão da casa, mas pouco se importavam, principalmente Kurt, que iria tirar aquela história a limpo e era agora.
— Você é louco, não é? Ficou todo irritadinho quando eu disse que talvez não pudesse sentir as mesmas coisas que você, então quando eu finalmente provo que sinto, você faz isso? – Kurt disse, quase gritando, por mais que tentasse manter a calma. Agradecia por estarem sozinhos na casa.
— Você que é um pervertido e me agarrou. – Kurt riu fraco com aquela acusação. Era ridículo.
— Você correspondeu, você me beijou.
— Você... você... você me seduziu. – Blaine disse todo atrapalhado. Não queria magoar Kurt, mas sua amizade com sua família vinha em primeiro lugar.
— Então eu tenho um bom efeito sobre você, não? Porque para você se sentir atraído por mim, com tão pouco esforço meu, eu só posso ser muito irresistível. – Kurt praticamente sussurrou no ouvido de Blaine, levando um soco em seu rosto em seguida.
— Me desculpa, Kurt, eu não... eu não queria fazer isso, me perdoa. – Blaine se desesperou quando percebeu o que tinha feito e reprimiu uma vontade enorme de chorar.
— Você percebe o que você está fazendo, Blaine? – Kurt encarou seriamente o moreno. – Você sabe tudo o que sente, sabe o quanto sentir essas coisas o faz bem e fica se reprimindo para não magoar seus pais. Eles deveriam se sentir envergonhados de exigir a sua infelicidade, porque é praticamente só isso que eles fazem.
— Não fala da minha família. Eles estão certos.
— Não, eles não estão. Blaine, não precisa me responder, mas responda para si mesmo: vale a pena ser um outro alguém, um alguém que eles considerem como o filho perfeito, e ficar se magoando desse jeito? Você até cortar os pulsos já cortou, imagina o que não vai ser capaz de fazer caso eles ameassem te expulsar de casa.
Blaine simplesmente ignorou o que Kurt disse e foi para o seu quarto, logo se desmanchando em lágrimas. O que afinal estava acontecendo com ele?
*NARRADO POR BLAINE*
Onde eu estou com a cabeça? Tudo que eu consigo pensar é em Kurt, mas, ao mesmo tempo em que penso nele, penso na desgraça de pessoa que eu sou. Eu sou uma desonra para minha família, não deveria nem ter sido dado a eles. Eu só faço besteira, não deveria ter permitido que Kurt me beijasse.
E o pior de tudo, é que eu gostei daquele beijo. E pior ainda, se é que é possível, eu quero mais, quero muito mais do que apenas os beijos dele. Eu quero ele para mim, quero chamar ele de namorado, quero ele ao meu lado para sempre.
Droga, eu estou apaixonado. Por um homem. O que as pessoas na minha escola vão dizer? Eu nunca mais sentei com os atletas, mas nem o pessoal do coral vai me aceitar mais. Ninguém vai me aceitar. E o que Cooper vai dizer? Provavelmente vai começar a fazer piadas homofóbicas e vai rir da minha cara.
O que minha mãe vai dizer sobre isso? Vai dizer que o próprio filho é uma aberração. E o meu pai, então? Eles vão dizer que eu não deveria ter nascido, vão dizer que eu deveria morrer, que eu preciso ser tratado.
E realmente preciso, isso não é normal, não é. Eu não posso ser assim. Mas eu sou assim e quero ser assim... mas eu não posso. Eu não posso gostar de meninos, mas eu gosto. O que eu faço com a minha vida?
Eu bati em Kurt quando o que eu realmente queria era beijá-lo, arrastá-lo até minha cama e ficar deitado abraçado nele. Eu daria tudo para fazer isso.
Mas meu pai me expulsaria de casa e nunca mais iria falar comigo. Eu odeio minha vida. Mas eu amo ele. Amo? Será que eu o amo? Não, é muito cedo para isso. Tudo seria tão mais fácil se eu tivesse simplesmente seguido meu namoro chato e entediante com Quinn.
Eu preciso me desculpar com ele, mas será que ele perdoaria? Eu bati nele, eu o feri. Eu não queria ter machucado ele, não, nunca quis...
*NARRADO POR AUTORA*
Blaine continuou a tentar se entender em seu quarto, enquanto Kurt estava no quarto de hóspedes tentando pensar em uma maneira de ajudar Blaine, por mais difícil que fosse, ele ainda queria ajudar.
Na hora do jantar, os pais de Blaine falavam animados sobre diversos assuntos, até que tocaram no que não deveriam.
— E como vai a Quinn, filho? Você nunca mais trouxe ela aqui. – Perguntou Pam, o que deixou Blaine um pouco irritado e Kurt percebeu.
— Verdade. Ela é uma nora excelente, não vejo a hora de ver vocês dois casando e tendo...
— Nós terminamos. – Blaine cortou seu pai, que ficou um pouco sem jeito.
— Nossa, por que? Vocês pareciam tão felizes.
— Eu nunca fui feliz com ela. Isso era o que vocês enxergavam, mas não era a realidade. – Blaine se perguntou mentalmente como tinha tido coragem para rebater uma frase de sua mãe, mas voltou a comer, perdendo ligeiramente o apetite.
— Já não basta o curso ridículo que quer fazer na faculdade, coisa que não vou permitir, ainda por cima termina com uma garota linda daquelas? Daqui a pouco vai começar a beijar meninos também. – Henry disse incomodado e Kurt sentiu que era agora que a bomba iria explodir.
— E por que eu tenho que ser o culpado do término? – Blaine levantou da mesa irritado. Até Cooper se assustou. – E sobre beijar meninos? Por que isso seria tão ruim? Quinn só se preocupava com ela mesma. Até as unhas dela eram mais importantes do que eu. Ela só namorava comigo por dois motivos: eu dava as respostas das provas para ela e eu não me importava com o fato de que ela me traía. E eu só namorava com ela para mostrar para vocês, porque vocês queriam isso, eu nunca quis.
— Mas que desaforos são esses que você está dizendo? – Henry também levantou irritado. – O que tudo isso quer dizer? Que você não gosta de mulheres, é isso?
— Henry, se acalme... – Pediu Pam.
— Não, pai, não é isso que significa. Mas só me responde: você deixaria de me amar se fosse esse o caso?
— Você deixaria de ser o meu filho se você fizesse isso. – Henry disse sem nem pensar.
— Então me perdoa por não ser mais o seu filho. – Blaine soltou as palavras e saiu irritado.
O clima na mesa ficou ainda pior depois disso, mas Cooper não deixou que a situação piorasse, era de seu irmão que estavam falando.
— Pai, Blaine tem só dezesseis anos, pode estar confuso, não faça uma guerra por conta disso. – Pediu o filho mais velho.
— Você está defendendo ele? – Henry perguntou um pouco irritado.
— Eu sou gay. – Kurt disse, fazendo o Anderson mais velho o olhar sem expressão alguma. – Eu não fui assaltado. Eu apanhei pelo fato de ser gay. Por isso vim parar aqui. Ninguém roubou meu celular, ele quebrou ao cair quando os caras me pegaram.
— Quero você fora dessa casa amanhã. – Foi a única coisa que Henry disse.
— Eu vou, mas saiba que seu filho está fazendo de tudo para ser o filho que vocês tanto querem e está deixando de ser o que realmente é apenas para agradá-los. Ele se acha uma aberração por não ser o primogênito perfeito... e viu como as coisas são, Sr. Anderson? Eu sabia que você não teria me ajudado se eu tivesse dito desde o início sobre minha sexualidade... – Kurt também se levantou. – Você vai perder e muito se fizer aquilo que eu sei que você pretende fazer, ainda mais depois do que ele disse antes de sair da mesa.
Kurt também se retirou e foi para o quarto de hóspedes. Cooper também foi para seu quarto e por último, os pais de Blaine. Já era passado da uma hora da manhã quando Blaine ainda escutava seus pais e Cooper discutindo. Cooper o defendendo e seus pais o menosprezando.
O moreno se levantou e andou até o quarto de Kurt, abriu a porta sem bater e entrou, viu que o castanho também estava acordado e sentou ao seu lado.
— Como você está? – Perguntou o castanho, olhando Blaine, que estava chorando. – Vem cá, deita aqui comigo.
Blaine não conseguia nem raciocinar, ele apenas tirou seu chinelo e deitou ao lado de Kurt, deitando de lado e o olhando, começando a chorar mais ainda.
— Me perdoa, Kurt, eu não deveria ter te batido naquela hora. Desculpa. – Blaine soluçava de tanto chorar e Kurt secava suas lágrimas.
— Shhhh, esquece isso. – Kurt disse baixo, acariciando o rosto de Blaine. – Isso nem foi o que mais me machucou.
— Então foi o que?
— Você me chamou de pervertido e disse que eu te agarrei. – Kurt disse um pouco triste. – Mas parou de doer no momento que vi a coragem que você teve no jantar.
— E agora eu vou ser expulso.
— Se isso acontecer, você vem morar comigo. – Kurt disse determinado. – E eu vou devolver a chave do apartamento para o seu pai, não preciso do dinheiro dele. Eu vou conseguir um lugar para ficar e você pode ficar comigo, não importa onde eu esteja.
— Eu não queria causar problemas para você, o apartamento é seu... eu mesmo paguei... – Confessou o moreno. – Quando meus avós morreram eles deixaram a herança deles para mim, porque queriam que eu tivesse um futuro brilhante. Deixaram uma parte para Coop também. Eu peguei o dinheiro e disse para o meu pai comprar o apartamento.
— Eu não acredito que você fez isso. – Kurt disse mais do que surpreso. – Não deveria ter gasto o seu dinheiro comigo.
— Dane-se aquele dinheiro. Eu queria deixar você feliz, embora não quisesse te ver indo embora.
— Obrigado. E eu já disse, não vou deixar a distância nos separar. – Kurt se assustou ao ver que Blaine se esticou e tocou levemente seus lábios.
— Já disse que nunca vou te deixar ir embora da minha vida. Isso é uma promessa.
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