I'll Never Let You Go
5 I Don’t Know What I’m Feeling
Notas iniciais
Blaine acordou-se confortável, em uma cama confortável, não no sofá onde tinha dormido. E claramente não estava mais escorado em Kurt e sim em um travesseiro fofo. Olhou no relógio que ficava em seu criado-mudo: era nove e meia da manhã, ou seja, ele tinha dormido mais do que esperava.
Levantou e calçou seu chinelo de inverno, foi até o banheiro e fez sua higiene matinal, depois colocou um casaco e desceu as escadas, mas, antes disso, passou pelo quarto dos pais e viu que não estavam por ali; Cooper também não estava em seu quarto.
Ao descer as escadas, pôde sentir um delicioso cheiro vindo da cozinha. Andou até o local e viu Kurt terminando de arrumar a mesa. Ele não conseguiu evitar de sorrir feito um idiota ao ver que o amigo tinha feito waffles. Era o melhor café da manhã pelo qual poderia esperar.
— Bom dia. – Disse Blaine, assustando Kurt. – Tudo bem?
— Bom dia, dorminhoco. – Brincou o castanho, largando o prato de waffles em frente ao moreno. – Eu estou bem. E você? Dormiu bem?
— Dormi sim. – Afirmou ele, logo atacando a comida com um brilho nos olhos.
— Sua mãe disse que ela e seu pai só voltam na segunda-feira e disse também que você pode ficar em casa hoje se quiser.
— Quem é ela e o que ela fez com a minha mãe? – Brincou o moreno, rindo. Mas Kurt não partilhava da mesma alegria. – Aconteceu alguma coisa?
— Acho que é bom mesmo que você fique em casa. Precisamos conversar.
Aquelas eram as palavras que Blaine tanto temia ouvir. Não importava quem as pronunciasse, elas sempre pareciam aterrorizantes. Normalmente quando sua mãe dizia aquilo, alguma represália vinha junto; quando seu pai as emitia, era junto a um castigo sem motivo; já quando Cooper as pronunciava, era porque algo muito sério mesmo havia acontecido.
— C-conversar? – Questionou nervoso. – S-sobre o que?
— Você. – Foi a única coisa que Kurt disse e um breve silêncio se seguiu. – Toma o seu café, depois conversamos. Não precisa ficar tão nervoso, não vou matar você.
Blaine se encolheu todo ao ouvir aquilo e sentir o toque da mão de Kurt em seu ombro. Algo fez seu coração doer, apertar, parecia nem estar mais habitando seu peito. Ele nem queria pensar que, mesmo que Kurt tivesse dito que o assunto era ele, o castanho viesse a dizer que iria embora.
Ele não pode ir embora agora, há tantas coisas que ainda quero dizer a ele, pensou o moreno, tentando voltar a comer, mas algo havia tirado o seu apetite. O moreno se sentia confuso, seus pensamentos borbulhavam e se misturavam. Eram tantos novos sentimentos o invadindo, aquilo não era fácil de se lidar.
Ele terminou seu café da manhã sem vontade alguma e viu Kurt se dirigir para a sala, dizendo que o esperaria lá. Blaine estava tão nervoso, mesmo sem entender o real motivo, que demorou o máximo que conseguiu para arrumar a mesa e lavar, secar e guardar a louça.
Foi em passos curtos até a sala e sentou no sofá com certa distância de Kurt. Ele estava tremendo. Estava assustado de pensar que Kurt poderia agora dizer que iria embora. Ou pior, que não queria mais ser seu amigo. Perder o Hummel agora seria pior do que perder a própria vida.
— Você está tremendo? – Kurt perguntou, puxando a mão de Blaine para si, a acariciando em seguida. – Fica calmo, B. Até parece que eu vou colocar sua cabeça na guilhotina.
Blaine se sentiu tão confortável com aquele gesto de Kurt, que sentiu que poderia começar a chorar a qualquer momento. Kurt era com certeza um amigo que ele nunca teve antes. Era a pessoa que mais aparentava se preocupar e a que mais cuidava do moreno e o mesmo não permitiria que nada separasse os dois. Nem os sentimentos confusos que faziam seu coração acelerar, muito menos os sonhos que andava tendo com seu amigo. Nada disso iria atrapalhar a amizade deles.
— Você não pode ir embora... – Blaine possuía lágrimas nos olhos ao proferir aquelas palavras, o que partiu o coração de Kurt, mesmo não sendo sobre aquilo que ele falaria.
— Blaine, eu não... eu não vou embora. Não ainda. Você ainda vai ter que me aguentar por mais um tempo. – Sorriu o castanho, colocando um cacho para trás da orelha de Blaine, que o olhou surpreso. O Hummel só não sabia dizer se era uma surpresa por seu ato ou por suas palavras. – Já disse que o que quero falar e sobre você.
— Então fala logo, você está me deixando muito nervoso. – Confessou o moreno, sem soltar sua mão da de Kurt.
— Tem alguma chance de você estar gostando de mim? – Kurt foi direto ao ponto, embora soubesse que deveria ter agido mais lentamente, usando mais perguntas para saber o que realmente queria.
— Mas o que está dizendo? É claro que eu gosto de você.
— Você não me entendeu. – Kurt sentou-se de frente para Blaine no sofá. – Não o tipo gostar de me querer como seu amigo. Eu quero saber se existe a possibilidade de você estar se apaixonando por mim...
— O QUE? – Blaine levantou assustado. Seu coração estava batendo mais forte e mais rápido que o normal. – Não acredito que você está mesmo insinuando que eu esteja apaixonado por outro homem. Isso é errado.
— Se acha isso errado, então por que é meu amigo? Caso não tenha escutado, eu já te disse que eu gosto de homens. – Kurt também levantou, se arrependendo de ter iniciado aquela conversa. Ele só queria o bem de Blaine, sabia que era necessário tudo aquilo, mas não queria ver o amigo daquela maneira.
— Quem você beija ou faz qualquer outra coisa, não é da minha conta. – Blaine baixou o tom de sua voz. – Mas quanto a mim, vou continuar achando isso errado e nunca vou fazer isso.
— B... – Kurt tentou se aproximar, com sua voz amena, mas Blaine recuou. Logo não tinha mais para onde Blaine fugir e ele acabou ficando prensado contra a parede. – Você sabe que pode confiar em mim. Nada do que você vier a me dizer sairá de mim. Qualquer segredo que compartilharmos um com o outro ficará apenas entre nós.
Blaine deu um passo e Kurt pensou que o moreno fosse fugir e se trancar em seu quarto, como qualquer outro adolescente faria. Mas não. O moreno puxou Kurt, mergulho seu rosto na curva do pescoço do maior e começou a se desmanchar em lágrimas.
Kurt o abraçava com a mesma intensidade enquanto afagava seus cabelos. Não muito facilmente, ele puxou o moreno para o sofá e os dois sentaram, mas permaneceram abraçados.
— Eu estou muito confuso. Eu não sei o que está acontecendo comigo. – Confessou o moreno, olhando nos olhos de Kurt. – Eu estou ficando maluco com tantos pensamentos, não sei o que fazer. Não sei nem responder a sua pergunta, porque eu realmente não sei o que está acontecendo.
— Obrigado por se abrir comigo. – Agradeceu o castanho. – Eu só queria saber, porque não sei se posso retribuir o mesmo sentimento...
— ENTÃO POR QUE DIABOS VOCÊ QUERIA SABER? PARA SAIR CORRENDO E CONTAR TUDO PARA O MEU PAI? – Blaine se alterou até demais. Não pensou que doeria tanto ouvir aquelas palavras, principalmente porque estava confuso sobre o que sentia por Kurt e ouvir aquilo havia lhe dado um banho de água fria.
— Eu nunca faria isso. Que tipo de pessoa você acha que eu sou? – Perguntou um pouco irritado, novamente levantando do sofá.
— Eu não sei, eu só sei que você não é diferente das outras pessoas. Por que queria saber sobre o que eu sinto? E se eu dissesse que sou apaixonado por você, o que você faria? Isso é ridículo. – Reclamou ele, ainda gritando, mas não tanto.
— Eu só queria ajudar você a entender seus sentimentos, só isso, eu entendo v... – Kurt foi bruscamente interrompido.
— Me entende? Você não entende porra nenhuma. – Cuspiu as palavras. – Ajudar a entender quais sentimentos? Aqueles que você acabou de esnobar? Aqueles que eu nem falei sobre e você já disse que não podia corresponder? – Blaine ignorou a presença de Kurt e foi até a escada, mas antes se virou para o castanho e lhe disse: – Quer saber de uma coisa? Vai se foder no quinto dos infernos ou em qualquer outro lugar que você queira, eu não ligo mais. Eu cansei.
Blaine subiu as escadas tentando evitar de começar a chorar, pois não queria mostrar sua fraqueza. Ao chegar em seu quarto, se atirou na cama e abraçou o travesseiro, se permitindo chorar tudo que tivesse vontade. Ele não podia mais negar para si mesmo o que estava mais do que óbvio para ele.
Mesmo que estivesse confuso, era evidente que sentia.
Ele estava completamente apaixonado por Kurt Hummel e seu coração havia acabado de ser partido.
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