I'll Never Let You Go
6 First Kiss
Notas iniciais
Uma semana se passou desde que Blaine decidiu ignorar a existência de Kurt dentro da própria casa. Ele via o castanho e via que o mesmo tentava puxar conversa, mas sempre o ignorava e saía de perto, até o deixava falando sozinho. Não sabia que doeria tanto ouvir o que ouviu naquela manhã de segunda-feira. Não estava preparado. Ele desceu as escadas e viu Kurt conversando com seus pais.
— Você tem certeza que já vai embora? – Henry reforçou a pergunta pela vigésima vez.
— Sim, eu... – Kurt olhou para o lado e viu Blaine os observando. Ele engoliu em seco, viu um olhar perdido ao olhar para o moreno. Ele estava triste, mas não iria admitir, Blaine era orgulhoso demais para isso. – Eu já consegui arrumar um bom emprego em uma revista aqui da cidade, só não sei ainda onde irei morar, mas não se preocupe, eu consigo me virar sozinho... já tirei muito proveito da hospitalidade.
— Você disse que não ia me abandonar. Você é como todos os outros amigos que eu já tive, que vão embora sem nem dizer adeus. Pensei que você fosse diferente e fosse pelo menos falar para mim antes de comunicar aos outros. Novamente eu pensei errado. – Blaine disse um pouco irritado, entristecendo Kurt.
O castanho já tinha se recuperado fazia uns dias. Ele já não estava ferido, nem com medo de sair novamente na rua, ele só não tinha arrumado um lugar para ficar e sentia que não poderia mais ficar ali, porque ficar perto de Blaine só fazia tudo piorar. Ele queria ajudar o moreno, mas como faria isso se o mesmo apenas o ignorava nos últimos dias? Ele nunca quis magoar o moreno, só não queria ser apressado, dizer o que sentia e ver Blaine passar a ignorá-lo. Precisava saber o que o moreno sentia em primeiro lugar.
— Blaine, não é isso, eu ia te contar, mas você tem ignorado minha existência nos últimos dias... eu sou seu amigo e me preocupo com você, não pense o contrário. – Kurt tentou dizer e tentou também se aproximar de Blaine, mas o moreno recuou.
— Eu vou para a escola. – Foi a única coisa que Blaine disse, antes de sair de casa e bater a porta com força.
— Ele se apegou mesmo a você. – Pam disse um pouco triste. – Ele vai sentir sua falta.
— Mas eu não vou perder o contato, ele só precisa entender que não posso ficar aqui para sempre. Não vou deixar a distância separar nossa amizade. – Afirmou o castanho. – Depois eu vou até a escola dele e o acompanho de volta, assim podemos conversar melhor.
— Leve um guarda-chuva, está quase chovendo. – Disse a mulher, fazendo Kurt rir.
— E quanto ao lugar para você ficar, vou falar com um amigo corretor que tenho e ver se ele consegue encontrar uma casa ou apartamento para você, pode ser? – Perguntou Henry.
— Mas é claro. Muito obrigado, Senhor Anderson.
Os pais de Blaine saíram para trabalhar e Blaine entrou de volta na casa, dizendo que não ia coisa nenhuma para a escola, que queria ficar em casa, enfornado em seu quarto. Kurt não discutiu ou algo do tipo, porque sabia que não ia adiantar de nada. Kurt avisou para Blaine que daria uma saída e o moreno nem respondeu nada.
Quando o castanho voltou para a casa já era perto das sete e meia, hora que a mãe de Blaine estava servindo o jantar. Entrou em casa e viu vários balões espalhados pelo corredor. Chegou na sala de jantar e viu Blaine, Henry e Pam com chapéus de aniversário e um bolo na mesa, com duas velas, formando o número vinte e dois em cima do bolo.
— C-como descobriram? – Kurt perguntou com lágrimas nos olhos. Não comemorava seu aniversário há muitos anos, não esperava isso de pessoas que conhecia há tão pouco tempo.
— Roubei sua carteira enquanto você dormia. – Confessou Blaine. – Isso foi logo que você veio para cá, eu queria descobrir quem era a pessoa que estava na minha casa.
— E ele nos disse e resolvemos fazer uma surpresinha para você. É pouco, mas é de coração. – Pam disse e abraçou o castanho.
— É mais do que eu mereço, com certeza. Muito obrigado. – Agradeceu o castanho.
— Mas isso não é nada, o jantar está quase pronto já. O bolo era só para você chegar e ver, porque só vai comer depois de jantar. – Blaine olhou desapontado para seu pai, parecia uma criança ao ver aquele bolo. – Mas é uma criança mesmo, filho. – Riu Henry.
— Isso é para você. – Pam entregou uma caixa para Kurt, que a abraçou com força, agradecendo pelo presente.
Ele abriu a caixa e logo percebeu do que se tratava. Era um celular. O seu havia estragado quando apanhou, mas os pais de Blaine acham que o celular dele foi roubado. Provavelmente por isso o deram um novo. Ele agradeceu novamente e recebeu do pai de Blaine uma chave. Mal pôde acreditar. Aquilo não era a chave de um carro, era a chave de um apartamento.
— Oh, eu não posso aceitar. – Kurt disse, entregando a chave de volta para ele. – Isso já é demais.
— Não, não é. Você tem sido um bom amigo para Blaine. Meu filho disse que você merecia esse presente. Eu já estava procurando por isso antes de você dizer que ia embora, sinta-se à vontade para ir lá. É nesse endereço. – Henry deu um cartão para ele, contendo todo o endereço. – Mas você ainda não pode ir, porque Blaine mandou decorar todo o apartamento e ele só ficará pronto no sábado.
Kurt apenas olhou na direção de Blaine, que sorriu tímido. O moreno sabia que uma hora ou outra Kurt iria embora, por isso o apartamento de Kurt era tão perto de sua casa, assim poderia visita-lo. Ele passou a semana ignorando Kurt, mas não foi apenas por causa do que tinha acontecido, mas porque queria ter certeza de que a surpresa daria certo.
O moreno se aproximou de Kurt enquanto seus pais arrumavam a mesa e o deu uma caixinha de veludo preta, um pouco comprida.
— Eu comprei isso para você... eu espero que goste. – Blaine disse tímido.
— Uma chave? – Perguntou Kurt, ao ver o colar que continha um pingente de chave. – O que ela abre?
— Meu coração. – Pensou o moreno, corando em seguida. – Ela não abre nada, eu só achei bonita.
— Obrigado, B... – Kurt não se aguentou e abraçou o moreno, sorrindo em seguida. Parecia que eles finalmente estavam se acertando.
O jantar passou tranquilamente, foi mais do que agradável e Kurt se sentiu enormemente feliz por ter pessoas tão boas ao seu lado, que até cantaram parabéns para ele. Ele sabia que os pais de Blaine eram preconceituosos e sabia que o expulsariam se soubessem que ele é gay, mas em um momento tão agradável quanto aquele, ele até se esquecia dessas coisas.
Após o jantar todos comeram bolo e depois os pais de Blaine foram para a sala assistir televisão, enquanto Blaine foi fazer a lição de casa para o dia seguinte. Kurt andou lentamente até o quarto de Blaine e viu a porta entre aberta. Ouviu o moreno falando sozinho e resolveu o espiar, mesmo sabendo que não deveria fazer aquilo. Kurt já estava com o colar que havia ganho de Blaine e se surpreendeu por finalmente perceber onde aquela chave se encaixava: Blaine estava usando um colar com um coração que tinha uma fechadura e murmurava para si mesmo:
— Eu não deveria ter me apaixonado por ele, ele não me quer... droga... – Blaine deu um chute fraco na sua cômoda e Kurt tratou de sair logo dali.
Naquela noite, Kurt não dormiu, ficou apenas pensando em milhões de coisas. Ele também estava se apaixonando por Blaine, mas não deveria. Ele é seis anos mais velho que o moreno e os pais do mesmo nunca aceitariam aquilo. Tudo pioraria agora que ele iria embora daquela casa. Estava tudo dando errado.
No dia seguinte ele resolveu buscar Blaine na escola, a pé, é claro. Quando estavam quase em frente de casa, começaram a discutir.
— Você vai continuar me pressionando? Eu já disse que é errado isso, Kurt. Eu não sinto nada por você, que droga. – Blaine reclamou e bem na hora começou a chover. O moreno foi andando em direção a mais perto da casa e Kurt foi de atrás.
— Para de ser tão teimoso, Blaine. – Kurt puxou o moreno pelo braço e simplesmente o puxou para um beijo.
Blaine correspondeu na hora, resolvendo finalmente se entregar àquele sentimento que tanto estava tentando reprimir nos últimos dias. Era um beijo calmo, com sentimento. Era algo que ambos os meninos queriam e, mais que isso, não queriam que acabasse.
O Anderson botou suas mãos na nuca de Kurt, que estava com as mãos nos cabelos agora encharcados do moreno. Finalmente separaram seus lábios após alguns segundos e ficaram se encarando.
Kurt iria finalmente falar alguma coisa, mas Blaine não permitiu, simplesmente se esticou e novamente capturou os lábios do castanho. Não queria mais soltá-lo, queria ficar ali para sempre.
Parecia que seu coração estava inteiro novamente e agora pertencia completamente a Kurt.
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