I'll Never Let You Go
10 Can I Stay Here With You?
Notas iniciais
— Bee... – Cooper entrou no quarto do irmão, chamando pelo mesmo, que estava encolhido na cama. – Te trouxe uns biscoitos que comprei no caminho para casa.
Blaine ignorou o pacote que o irmão trazia e se grudou nele, o abraçando e começando a chorar sem parar. Era um choro desesperado, doloroso até. Odiava ser tão frágil, mas seu coração nunca havia doído tanto quanto agora. Ele não conseguia controlar suas lágrimas, não quando aquela dor parecia não ter data para ir embora.
— Fica calmo, Bee. Vai ficar tudo bem! – O Anderson mais velho abraçava Blaine de uma maneira protetora. Doía nele ver o irmão daquele jeito. – Tem algo que eu possa fazer por você para que você se sinta melhor?
— Eu preciso ver ele, Coop. Eu não aguento mais. Já se passaram três meses e eu simplesmente não consigo parar de pensar nele. Não consigo. – Blaine pedia desesperadamente, algo que chegou a assustar seu irmão.
— Mas eu sempre venho aqui e te deixo falar com ele pelo celular e... – Blaine o interrompeu.
— Sei disso e te agradeço com minha vida, mas não é o suficiente, Coop. Eu preciso dele mais do que preciso respirar. Eu não aguento mais essa dor, não aguento mais meu pai me olhando como se eu tivesse uma doença. O pior é ver que nossa mãe não consegue nem negar o desgosto que sente por ter um filho como eu. Eu não quero mais viver nessa casa, eu não quero mais viver de jeito nenhum e eu sei que ele é o único que vai ser capaz de me fazer mudar de ideia. – Cooper então puxou Blaine novamente para seus braços e o apertou firmemente, o prometendo que o levaria até Kurt durante a madrugada.
Quando a madrugada chegou, Blaine tinha uma mochila nas costas. Ele e Cooper saíram sem fazer um sequer ruído e o mais velho deixou o irmão na frente do prédio de Kurt, dizendo que ficaria em casa para tentar apaziguar a situação de Henry e Pam acordarem com o filho “desaparecido”.
O coração de Blaine estava acelerado, o moreno estava nervoso. Fazia três meses que não via Kurt, três meses que não abraçava o seu amor, não o tocava, não sentia o seu perfume. Era uma verdadeira tortura sua vida atualmente e ele não aguentava mais.
O moreno entrou no prédio e falou com o porteiro, que permitiu que ele entrasse depois de muito o moreno insistir. Ele subiu pelo elevador até o andar de Kurt, andando até a porta do mesmo em seguida. Sabia que estava tarde para uma visita, afinal era quase uma hora da manhã, mas ele precisava ver aqueles olhos azuis de novo.
Tocou a campainha duas vezes direto e resolveu aguardar. Seus olhos ainda estavam vermelhos e na volta estava um pouco inchado. Passos puderam ser ouvidos do lado de fora e, quando Kurt abriu a porta, Blaine sentiu-se desabar. Como era bom ver o seu amor depois de tanto tempo.
Blaine não perdeu tempo, ele simplesmente se atirou nos braços de Kurt, que o abraçou apertadamente, o puxando para dentro do apartamento e fechando a porta. Andaram até o sofá e Kurt permaneceu abraçando Blaine, que já estava chorando novamente de maneira desesperada. Aquele choro estava preocupando Kurt, mas ele preferiu ficar em silêncio e apenas tentar acalmar o moreno.
— O que houve, meu amor? – Kurt perguntou, se separando do moreno e secando suas lágrimas. – O que te traz aqui em uma hora dessas? Não me diga que você fugiu de casa...
— Fugi. – Admitiu o moreno. – Cooper me ajudou, ele me trouxe para cá. Me perdoa por aparecer aqui do nada, mas é que eu não aguento mais. Eu não consigo mais aguentar um segundo sequer naquela casa.
— Oh, você veio até aqui para ficar aqui? – Kurt parecia chocado.
— Eu posso ficar aqui com você? Eu prometo que não vou dar trabalho. Eu ainda tenho um dinheiro guardado que eu posso pedir para o Coop pegar, posso te ajudar, prometo que não vou te atrapalhar, eu só não aguento mais aquela casa, por favor.
— Meu amor, o que eu mais quero é ter você todos os dias dormindo e acordando ao meu lado, mas eu não posso permitir que você fique aqui. Você tem dezesseis anos, eu tenho vinte e dois. Seu pai é advogado, você deveria saber que se ele me denunciar eu vou preso. – Kurt viu um desespero se formar no olhar de Blaine ao mesmo tempo que mais lágrimas vieram, então ele novamente abraçou o moreno, o apertando firmemente contra si. – Eu prometo que daremos um jeito nisso, B. Eu queria que tudo fosse mais fácil, mas eu não posso mudar as regras da vida, ainda que muitas vezes elas sejam tão cruéis conosco.
— Posso pelo menos dormir aqui com você?
— Mas não precisa nem pedir duas vezes. – O Hummel disse de maneira calma, mais uma vez secando as lágrimas do moreno. – Eu senti tanto a sua falta, meu amor.
— Eu também senti a sua. Mais do que tudo. – Admitiu o moreno, se esticando e juntando seus lábios nos de Kurt, que aceitou o beijo e o aprofundou. – Eu te amo, K.
— Eu também te amo, B. – Kurt sorriu para Blaine. – Você trouxe uma roupa para dormir nessa mochila?
— Trouxe. – Blaine disse cabisbaixo. Queria ficar ali, mas entendia o lado de Kurt também.
Os dois andaram até o quarto de Kurt, um quarto que o castanho fez questão de dizer que era dos dois aquele quarto e que o moreno era o único que Kurt queria deitando com ele naquela cama. Ele pensou que aquilo animaria Blaine pelo menos um pouco e até animou, mas logo o moreno já estava triste novamente.
Blaine vestiu uma roupa confortável para dormir e deitou-se com Kurt, sendo abraçado por ele em seguida. Ele demorou para dormir, chorou a maior parte da noite enquanto ouvia Kurt cantarolar uma música para tentar acalmá-lo.
Na manhã do dia seguinte, Kurt e Blaine se despediram com beijos e mais beijos após um delicioso café da manhã. Doeu no Hummel ver Blaine partir, mas sabia que as consequências de que morassem juntos seria muito pior do que aquela despedida, então preferiu fazer o moreno ir embora.
Blaine chegou em casa quase dez horas da manhã. Era sábado, seus pais estariam em casa. Seria o sábado de suas folgas. Blaine estava ferrado, isso sim.
Chegou já ouvindo uma discussão sem igual. Não sabia dizer quem gritava mais alto, se era Cooper ou Henry. Abriu a porta lentamente e foi ouvindo a conversa.
— O que você tem na cabeça para ajudar ele a fugir? Seu irresponsável! – Gritou Henry.
— Se você não estivesse fazendo o que está, ele não teria motivos para querer fugir! – Argumentou Cooper.
— Ele não tem culpa de nada. Ele só estava sendo o único que se preocupa comigo. – Blaine disse, se aproximando de sua família. – E ele tem razão, eu só fugi porque tive motivos para isso. Eu preferia ficar aqui, mas não pude, então...
— Você sabe que essa é a sua casa. É óbvio que você pode ficar aqui. – Henry disse incrédulo.
— Eu estou praticamente preso dentro da minha própria casa, pai. Eu tenho dezesseis anos e estou preso dentro do meu próprio quarto por algo que simplesmente nem é minha culpa.
— É claro que é! – Henry novamente levantou a voz.
— Eu não tenho culpa de ser a porra de um viado, sabia? – Blaine também se alterou. – Pois é sei que é exatamente assim que você me enxerga, mas eu não sou só isso.
— Olha a maneira que você fala! Eu sou seu pai. – O Anderson mais velho parecia não acreditar que estava vendo seu filho falando daquele jeito.
— E você acha que eu ainda me importo com o fato de você ser meu pai? – Blaine riu fraco. – Por muito tempo eu fui infeliz para garantir que você ficasse bem, mas de nada isso adiantou, pois foi só eu dar um pequeno deslize para você passar a me odiar. Eu não posso dizer que não me machuca a maneira que você me trata, porque machuca, mas eu estou cansado disso.
— Onde você foi?
— Ver Kurt. Não é óbvio? – Blaine disse irônico. – E não me venha com um discurso, eu já estou de volta a prisão... quer dizer, casa.
— Vai embora dessa casa! – Henry gritou, assustando Cooper e Pam.
— Meu querido, não faça isso. – Pediu Pam.
— Você ainda tem coragem de chamar esse monstro de “meu querido”? – Cooper perguntou incrédulo. – Vocês dois não têm coração.
— Está mesmo me expulsando? – Perguntou Blaine, de braços cruzados.
— Estou sim. Algum problema contra isso? – Perguntou o pai de Blaine, também cruzando os braços.
— Problema nenhum. Obrigado por fazer o favor de me livrar dessa casa e de você!
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