If You Say So
1 Zumbis de Açúcar
Notas iniciais
Zumbis de Açúcar
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Sam
Sam tinha um sério problema para dormir. Por mais que agora o motivo fosse outro, sua dificuldade apenas mudou do lado mau, para o bom. Ela tinha uma pequena impressão de que todos os seus amigos eram felizes, de que todos viviam em outro mundo enquanto ela estava em uma ilha isolada, e não como no filme “Náufrago”, porque o carinha lá tinha o Wilson.
Ela se sentia sozinha e incompreendida até o dia em que sua mãe a chantageou sobre a mesada para poder carrega-la para uma festa infantil do condomínio. Tinha a alternativa de ficar em casa, porém fica sem o dinheiro para comprar a continuação de sua saga favorita, “O Amor” era uma questão indiscutível.
A festa mais parecia um deposito de crianças loucas que mais pareciam um bando de zumbis ultrarrápidos correndo atrás de açúcar no lugar de cérebros. Os poucos adolescentes que tinha na festa, estavam ocupados demais com suas vidinhas alegres para perceber sua presença e se fazerem de educados e chama-la para bater um papo.
Não que Sam se importasse, mas algumas vezes fazia falta alguém pra papear nesses momentos de solidão imposta pela sociedade infantil monopolizadora dos doces e salgadinhos.
Ao concluir esse pensamento um garoto com cabelos castanhos desgrenhados, e olhos verdes que faiscavam alegria apareceu na frente da mesa m que Sam estava morbidamente sentada, e lhe ofereceu uma barrinha de caramelo.
A garota primeiro ficou sem reação, mas o olhar um tanto intimidador do recém chegado ao seu mundo, lhe deixará um pouco instigada.
—Não vai aceitar o meu pedido de desculpas?
Pedido de desculpas? Sam passou um milésimo de segundo raciocinando sobre o que seu companheiro de festa infantil de crianças zumbis estava falando.
—Pedido de desculpas? — Indagou Samantha um pouco desconfortável com toda a situação.
O “intruso desgrenhado com um sorriso fofo, pode-se notar depois de um tempo” continuou segurando a barrinha de caramelo em sua direção, puxou uma das cadeiras de baixo da mesa e se sentou, despojadamente, e Sam se certificou mais uma vez que ele não fora convidado para o chá dos zumbis pré-maturos.
—Sim. Acho que como você sou o único aqui que vê essas crianças com realmente são; Zumbis caçadores de doces. Manipuladores.
Samantha relaxou o maxilar e encarou o invasor mais uma vez, ele sorriu e ela o acompanhou, se perguntando se era possível um completo desconhecido saber seus pensamentos sobre zumbis infantis.
–Essas crianças são o futuro, e um flashback do passado, de todos. Mas me diz, posso saber o nome do invasor da minha pequena barreira contra crianças loucas?
–Sou Charlie, mas pode me chamar de antigo Criança Louca, se preferir, ou ex zumbi comedor de açúcar.
Os dois se entreolharam entre as risadas, e ambos sabiam que algo nascia ali, algo diferente, único.
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Charlie
Charlie passava a maior parte do tempo de sua pequena vida lendo. Tudo se resumia a leitura. Não que o mundo fosse totalmente irritante e tedioso, o que é verdade em sua humilde opinião, mas por gosto mesmo.
Se perder em Nárnia, lançar feitiços em Hogwarts, ser um vampiro, uma criança, adulto, um rei, um plebeu. Buscar as aventuras que lhe faltavam na vida, talvez para suprir uma necessidade em seu interior. Sempre achou melhor não pensar no porque, apenas lia. E era feliz assim, o que importava.
Seus pais tinham morrido quando tinha sete anos. Estavam voltando do cinema foram assistir Procurando Nemo, quando seu pai perdeu controle do carro ao se virar parar ver o porquê Charlie estava chorando. Medo do tubarão.
Os anos se passaram e Charlie foi criado pela vó um senhorinha miúda com os olhos mais miúdos ainda que cheirava a talco e flores. Sua fonte de alegria e aconchego.
Sua vida que antes era resumida em leitura, hoje se resumia em mais uma coisa. Noites acordado ao telefone com Ela. A garota qual havia compartilhado seus pensamentos sobre Crianças zumbis monopolizadoras de açúcar.
Seus olhos brilhavam quando ela aparecia na esquina de seu quarteirão. Aqueles cabelos cacheados caindo sobre o ombro, o batom vermelho nos lábios, e o sorriso sincero para todos pelo caminho.
Sua blusa com detalhes de renda no decote, e sua calça jeans rasgada, com uma flor desenhada no bolso direito. Feita à caneta a qual ela sempre fazia questão de retocar.
Sam veio caminhando lentamente até chegar ao destino, seu olhar alegre e contagiante fez com que Charlie sorrisse pela primeira vez aquele dia. Os dois foram ao encontro um do outro, se abraçaram e em seguida ele a segurou pelo queixo e lhe deu um beijo macio nos lábios, ficou parado por um instante, apenas para sentir os lábios alheios, levemente mais quente que os seus. Prosseguiu com o beijo, e o intensificou, ela sorriu durante os movimentos, se afastou selando os lábios alheios.
— Isso tudo é saudade Ex Zumbi?
—Poderia dizer que sim, mas é apenas mais uma necessidade sexual, física do meu corpo.
Samantha revirou os olhos, o que a deixava ainda mais linda. Como quando se apaga a luz, e não se lembra como tudo era antes da escuridão, apenas em como está tudo bem, e lindo quando a luz é acesa novamente.
—E seu complexo? Está evoluindo pokémon?
—Meu complexo está nitidamente balanceado, essa semana já consegui quinhentas gramas, de pura gordura saturada e nada saudável.
–Ai sim hein. Não quero ninguém bancando uma de Lia aqui. Não sei se conseguiria satisfazer minhas necessidades físicas masculinas com uma zumbi desnutrida.
Lia é uma personagem do livro “Garotas de Vidro” livro esse que Charlie não tinha um critica completa sobre, apenas que uma menina completamente frustrada com sua vidinha monótona, resolve virar modelo de esqueleto cientifico, e não tem uma alma inteligente o suficiente para perceber isso durante todo o livro, além das pessoas que dizem se importar, mas só querem saber de cuidar de seu próprio nariz.
Aliás, um livro bastante original e concreto para Charlie, porque não muito longe daquela folha de papel amarelo, ele bem que conhecia algumas pessoas que só se importavam com si mesmas. Ele as denominava Monopolizadores.
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