If You Say So
10 Temporada de Amor
Notas iniciais
— Então eu estava deitado na cama e vi Finn sorrindo enquanto segurava uma bola de futebol. —Começou Puck
Era noite em Nova Iorque. Puck estava sentado em dos sofás de Rachel, ao lado de Quinn e Santana. No outro estavam Mercedes e a dona da casa ouvindo o que tinha a dizer. Ele contara o sonho estranho que teve na noite passada, sendo um dos motivos da viagem, porém o mais estranho não era o sonho, e sim os outros que viriam a ser contados.
— No meu ele estava dando dicas sobre relacionamentos. — Riu Quinn após olhar para Santana e ver seu semblante tristonho.
Mercedes abaixou a cabeça e comentou
— Finn foi um daqueles que me deu suporte, enquanto buscava um contrato. Ele estava dizendo que nunca deveria desistir,
Lagrimas rolaram pelo rosto de Rachel e todos olharam para a garota com semblantes compreensivos. Ela não conseguia falar do seu, então Santana se pôs a frente e falou:
— Finn me oferecia um abraço. Ele disse que era tudo que precisava naquele momento. — Uma lágrima escorreu de seu rosto também.
— Estávamos em um jantar aqui no restaurante da cidade – Rachel parou de chorar e balbuciou as
Primeiras palavras – Depois de muita conversa e risos, ele tirou uma caixinha preta e colocou a minha frente. Antes de colocar o anel e dizer sim, um fundo preto foi engolindo aquele local, até restar só minha mesa. Finn continuava lá, sorridente, mas o anel havia sumido. Ele disse que pessoas passariam pela vida e deixariam marcas, mas que não deveria esquecê-las. Antes de falar qualquer coisa, restaurante havia se materializado e Finn sumido.
Todos estavam emocionados com o sonho. No entanto, algo que eles não compreendiam era do porque os 5 terem sonhado com ele na mesma noite e também como se o mesmo soubesse tudo que se passava e quisesse ajudar.
— Eu acho que isso é uma oportunidade para lembrá-lo. Lembrar o que ele representava, pois em cada sonho ele quis nos ajudar. — Rachel enxugou as lágrimas e começou a falar em tom decidido – Prometemos no funeral sempre lembrá-lo, seja através de músicas, poesias ou ações sociais. Creio que agora seja o momento de fazer um memorial dedicado a ele.
Todos concordaram de imediato e levantaram de seus acentos para formar o conhecido abraço grupal da era da escola. Rachel se desprendeu dos colegas e começou a falar de novo.
— Puck e Quinn podem voltar para Ohio e convidarem todos que apreciavam Finn, inclusive Burt e Carole. Santana pode me ajudar, junto de Mercedes na organização. O Memorial deve acontecer no sábado a noite, mas eu aviso quando eu definir. — Todos ouviram e assentiram. Amanhã já começariam a organizar.
Na manhã seguinte Quinn e Puck estavam prontos para ir até Ohio. A mulher sentiu-se incomodada pela presença do ex namorado, mas não faria disso um caso, pois até sentiu vontade de partilhar alguns acontecimentos com o homem. Não sabia se deveria, nem se o mesmo estaria interessado. Tinha medo da reação das pessoas ao ouvirem que ela gostava de uma mulher. Logo Quinn Fabray que sempre teve os garotos aos seus pés e trocou de namorados assim que sentia-se confortável.
Tinha certeza que o povo da igreja em que frequentava culparia a mãe, que abandonou o marido, após saber das traições, e criou ela sozinha.
Puck não havia dito nenhuma palavra diante da caminhada até o trem. Os dois já embarcaram faziam exatos cinco minutos e esperavam ansiosamente pela chegada. Ele sentiu um incômodo vindo da ex namorada, algo que se mostrava presente em seu semblante desde a partida.
O homem tirou uma das mãos do bolso e deixou pousar em cima da mão direta da loira. Um sorriso confortante foi direcionado a ela, que em segundos estranhou a certa atitude, então retirou a mão.
Puck estranhou e foi a vez dele ficar incomodado com a ação de Quinn. Ele manteve a atenção voltada para o semblante de pavor que consumia o rosto da mulher. Não se conteve e pegou a mão dela novamente, mas desta vez ele entrelaçou seus dedos nos dela e perguntou:
— O que está acontecendo? — Puck perguntou com uma voz suave – Parece assustada, como se alguém estivesse pronto para te atacar.
Quinn olhou tristonha para Puck e respondeu:
— Eu estou assim por que não consegui conquistar alguém – Ao falar, ela lembrou do rosto de Santana ao lado de Brittany.
Puck ficou cabulado. Não acreditava que Quinn estava deste jeito por que não conseguiu ficar com um cara de Nova Iorque. Pensava que ela tinha mudado, que havia deixado de ser aquela menina egoísta do colegial, aquela que o abandonou depois de ter uma filha.
— Então está assim por que não ficou com um cara? Quanta futilidade Quinn! — Repreendeu ela.
Ele acabou falando alto demais e atraiu alguns olhares de passageiros para eles. Quinn sentiu-se envergonhada e pensou em estapeá-lo, porém se conteve. Fuzilou ele com o olhar e soltou algumas palavras:
— Não é um cara, seu idiota! É a Santana. — Gritou e sentiu-se tirando um peso dos ombros.
Os mesmos olhares se dissiparam ao ouvirem a garota dizer que gostava de uma mulher. De repente ninguém queria mais ouvir aquela conversa, nem mesmo Puck, que sentia repulsa naquele momento.
— Até você? Me convenci que Santana é uma espécie de bruxa que atrai as garotas para o outro lado. — Ironizou para deixar Quinn desconfortável.
Ela revirou os olhos após ouvir aquilo. Tirou suas mãos que continuava naquele entrelace e quase levantou-se da poltrona.
— Não seja repugnante Puck. — Disse ela – Pensei que esse pensamento machista havia passado, quando Finn morreu. Afinal você disse que havia mudado em muitos aspectos. Vejo que não passaram de palavras.
Puck ignorou o comentário e fez outra pergunta.
— Desde quando você gosta dela? — Desta vez o tom soou interessado.
Quinn sorriu surpresa e também sentiu interesse da parte dele. Como se fosse algo que ele também já sentiu e quisesse que ela compartilhasse.
— Desde o casamento falho do Senhor Schue. — Sorriu novamente ao lembrar do momento. — Ela estava sozinha, pois Britt ainda namorava com Sam, e eu também me sentia carente. Estávamos bêbadas, mas eu lembro de cada detalhe.
Ele ficou sério por um tempo, mas voltou o olhar para ela. Ao ouvi-la percebeu que não era questão de atração, e sim amor.
— E vocês estão namorando? — Perguntou ele
— Não – respondeu de imediato. — Brittany voltou e pediu para que me afastasse. As duas ainda compartilham um sentimento muito forte. E eu desisti, por isso voltei para Ohio e logo após o memorial voltarei para Yale.
Puck sentiu pena de Quinn e lembrou do sonho de Rachel. Pensou como era torturante para ela acordar todos os dias e não sentir Finn do outro lado da cama, como era terrível saber que a vida acabou com todos os seus planos. Ele não queria o mesmo para Quinn, por isso iria encorajá-la. Não era justo um amor verdadeiro acabar por desistência.
— Quinn, você não deve desistir. Temos que ficar com quem nos ama. — Falou com ternura, o que fez cair uma lágrima do olho da loira.
— Mas ela ama Brittany, não eu. — respondeu triste.
— Então encontre alguém que te ame também. — Disse ele.
Ela sentiu seu peito apertar após ouvir aquelas palavras doces. Não acreditava que estava ouvindo de Puck e de imediato percebeu mudanças no comportamento. Também sentiu que podia confiar nele e se confortou após aquele dialogo. Estava cansada, então deitou a cabeça no seu ombro e fechou os olhos até não ouvir mais o barulho do trem...
Uma hora depois, o trem chegara em Ohio. O ar nem era o mesmo de Nova Iorque. Era pesado e trazia lembranças boas e ruins para os dois.
A brisa passou lentamente pelos cabelos loiros platinados de Quinn e ela pode sentir-se em casa. Puck olhou ao horizonte e sentiu falta dos anos anteriores, em que Finn estava vivo. Ele olhou para a ex e sorriu.
— Você deve estar com saudade de sua mãe, acho. Vou comer algo, enquanto você faz uma visita e depois vamos até o colégio fazer o convite. — Combinou Puck
Ele deu um beijo na bochecha e a fez sorrir.
— Vai dar tudo certo – Ele Lançou um olhar confortante e saiu em direção ao Lima Bean.
Ela assentiu e foi em direção de sua antiga casa.
Rachel, Mercedes e Santana estavam caminhando pelas calçadas da cidade. Rachel se focava em encontrar um lugar para o memorial de Finn e as duas amigas estavam ali para ajudar com tudo. No entanto, estava difícil. Nenhum estabelecimento especializado teria vagas para o mês. Foi então que Santana pensou em fazer algo ao ar livre, mas Rachel não concordou. O que irritou a latina.
— Você não vai encontrar um lugar bom. Está em cima da hora! — Ela disse irritada
Rachel revirava os olhos a cada vez que Santana abria a boca, e Mercedes se concentrava em não pegar as duas e jogar no meio da rua.
— Deve haver algum lugar disposto a ter um memorial! — gritou estressada
Mercedes deus passos largos a frente, pois cansou de ouvir reclamações. Procurava instantaneamente um lugar bonito, mas nada para um memorial. Parou na esquina e esperou as duas alcançarem seus passos, viu três adolescentes deitados ao chão com algumas latas de cervejas jogadas ao lado. Correu imediatamente para o encontro dos jovens.
— O que vocês estão fazendo? — Perguntou ela, curiosa.
Os jovens encararam a morena e levantaram. Um deles perdeu o equilibro e cambaleou para trás, até bater a cabeça levemente em uma estátua. Ela segurou o riso, pois aquele monumento lhe chamou atenção. Era grande e havia uma imagem curiosa. Havia no máximo 10 jovens, 5 garotos e o restante de garotas. Estavam todos com medalhas em volta do pescoço e livros pendurados nas mãos.
— Estamos fazendo uma homenagem a eles – Um dos adolescentes apontou para o monumento – Todo mês viemos aqui prestar nosso pesar pelo tiroteio que matou metade do clube de decatlo acadêmico.
Rachel e Santana chegaram e se posicionaram ao lado de Mercedes. Rachel desprezou aqueles adolescentes bêbados e os fuzilou com olhares de repreensão.
— Como eles morreram? — Rachel perguntou
— O avião que trazia eles do japão caiu. Desde então somos nós os responsáveis pelo memorial.
Santana soltou um riso abafado.
— Ficar bêbado e agredir o meio ambiente é um ótimo exemplo de memorial. Seus amigos devem estar muito satisfeitos. — Ela ironizou e um dos meninos lançou um olhar raivoso para a mulher.
Mercedes revirou mais uma vez os olhos e sentiu vontade de bater na latina. Rachel concordou que ela passou dos limites. Um dos jovens levantou e ficou encarando ela.
— Quando eles estavam vivos, esse era o nosso ritual. Bebíamos para saudar quem não podia mais estar ali para se divertir. — Disse um dos jovens a Santana
— Será que poderíamos fazer um memorial aqui também? Não temos estátuas, mas queríamos muito lembrar alguém muito querido. — Rachel pediu docemente, o que fez um dos jovens ficar pensativo.
— Há um espaço ao leste daqui, onde não há nenhuma homenagem. Acho que podem fazer algo lá.
— Obrigada! — exclamou
Ela agradeceu contente e as três foram visitar o local. Chegaram e deslumbraram-se com o espaço. Era grande e verde, com uma grama que parecia ter sido cortada a poucos dias. Haviam algumas árvores que faziam sombra, e nelas continham marcações de casais apaixonados. Rachel se aproximou de uma e viu escrito “David e Sasha: Amores finalmente correspondidos”
Uma lágrima escorreu pelo seu rosto ao lembrar da trajetória dela e Finn.
Estava decidida que seria ali o lugar e que talvez não houvesse um melhor.
— É tudo muito lindo! Cada um que vier trará uma flor branca, junto de uma mensagem, e colocará naquela árvore, da qual vou pendurar uma foto de Finn.
Ela disse decidida. As duas concordaram e continuaram olhando para as mensagens nas árvores.
— Mercedes diga ao Puck e Quinn o que faremos e a localização. Santana, preciso da sua ajuda com mais alguma coisa.
A latina virou para ela instantaneamente.
— Eu tenho... trabalho mais tarde. Você sabe. — Hesitou na hora de falar de seu trabalho.
— É sobre isso que precisamos conversar.
Santana franziu o cenho. Ficou assustada ao pensar no que Rachel teria de falar.
— Então vamos – Disse um tanto indecisa
Ela fez menção para Rachel passar a sua frente, mas a judia permaneceu ao lado, então seguiram juntas, até chegarem a uma floricultura. Santana dava passos curtos, enquanto Rachel olhava as flores com um certo interesse.
— Ah, tão lindas, não acha? — Ela disse ao apontar para um arranjo de tulipas e recebeu um sorriso forçado de Santana. — Finn adorava me dar tulipas — sorriu ao lembrar de algumas flores que faziam enfeite em seu quarto.
— Posso ajudar as duas moças?
Uma senhora de baixa estatura e cabelos grisalhos se aproximou
— Sim, na verdade gostaria de comprar aquele arranjo. Achei magnífico.
Respondeu Rachel gentilmente.
A senhora saiu em direção ao arranjo e pegou para levar até o caixa. Santana observava tudo com muita estranheza. A animação que ela demonstrava não parecia falsa, parecia confortante naquele momento.
— Berry você vai me falar o que tem em mente?
Rachel olhou para ela e sorriu.
— Já que tem pressa, vou falar.
Ela pagou as flores e saiu acompanhada de Santana. Na calçada ela olhava para cada pessoa que passava e invejava o arranjo.
— Você é muito melhor que isso. Stripper já passou de moda, Santana
A latina arregalou os olhos surpresa, o que fez Rachel soltar um risinho. Ela não acreditava que Rachel sabia do emprego, e suspeitou de Quinn. Ah, era muito óbvio, já que as duas não ficaram mais.
— Como você soube? — Perguntou um tanto envergonhada – Foi Quinn, não foi? Aquela loira vingativa.
Rachel riu alto. Achava estranho ver Santana na forma defensiva, e ainda acusando Quinn, o que tornava mais óbvio o desconforto da latina por não assumir os verdadeiros sentimentos pela loira.
— Não, não foi ela. Jesse e eu passamos outro dia pela frente, e você estava perto da porta esfregando seu corpo em um senhor que podia ser seu pai.
Santana mostrou um semblante enojado. Mas ela não tinha escolha, as vagas de empregos estavam escassas e ela precisava se manter.
— Você não entende. Não ganho pensão dos meus pais, e preciso me manter de alguma forma. — se defendeu.
— Não estou te julgando. Te chamei aqui, justamente para te fazer uma proposta.
— Proposta? — Perguntou desentendida
— Sim. Sabe há uma vaga no musical que não foi preenchida, e eu pensei que poderia ser sua.
O sorriso de Santana iluminou seu rosto. Ainda era estranho, mas uma oferta dessas não chegava todos os dias.
— E de que vaga se trata?
— Minha substituta.
Rachel respondeu e viu Santana se afastar.
— Sei que consegue. Aliás, estava pensando em dividirmos o papel em semanas aleatórias.
— Qual é a pegadinha? Sei que já encontrou a substituta, aquela garota que foi abusada, certo?
Rachel revirou os olhos. Será que um dia Santana confiaria na palavra dela?
— Harmony voltou para casa e não temos ensaio até o julgamento de Rupert sair. Enquanto isso pode pensar.
Santana se aproximou. Seus olhos brilhavam, ela queria chorar ao mesmo tempo que sentia confortável por largar aquele emprego horrível.
— Pensar? Não há necessidade. — Sorriu
— Então acho que mereço um abraço, certo? — Pediu ela para Santana que concordou de imediato e a abraçou forte.
As duas ficaram unidas naquele abraço, por alguns minutos, enquanto Santana secretamente chorava no ombro da amiga. Logo depois de enxugar o rosto as duas foram para casa arrumar os últimos preparativos para o memorial.
Em Ohio, o clube do coral ansiava para ir para casa. Puck convocou Kurt, Burt, Carole e Emma para comparecerem à sala.
As conversas dos adolescentes foram silenciadas pela entrada de Will, e logo atrás vinham Puck, Quinn, Kurt, Burt, Carole e Emma. Todos ficaram ao lado esperando Will começar a falar.
— Gente vocês devem estar estranhando por que todos estão aqui, e eu já vou explicar – Começou Will.
Puck e Quinn deram um passo à frente e todos os encaravam com semblantes assustados.
— Nós estamos aqui para convocá-los para comparecerem a um memorial. — Continuou Puck olhando para cada um dos rostos.
— Todos que conheciam e amavam Finn devem estar lá prestando essa homenagem. — Quinn falou desta vez
Carole começou a chorar e Burt a segurou. Kurt segurou o choro e limpou uma lágrima que rolava em seu rosto. Caminhou com Carole até a frente dos alunos. Ela se recompôs e mostrou um sorriso para todos que a olhavam com pena.
— Finn está sorrindo, onde estiver. Vocês são os melhores amigos que ele já pôde ter. — Disse ela ainda enxugando as lágrimas.
— Vamos partir amanhã, então todos que quiserem ir, nos encontrem pela manhã na estação de trem. — Terminou Puck, junto do sinal que tocara.
Os alunos começaram a sair devagar. Alguns passaram e abraçaram Carole.
Puck, Quinn, Jake e Marley saíram juntos. Ryder estava indo junto de Kitty logo atrás. Kurt e Blaine saíram após, e Tina correu até eles. Burt e Carole abraçaram Will e Emma e foram também.
Nos corredores Blaine despediu-se de Kurt com um beijo na bochecha. Kurt ainda estava emotivo ao ver Carole reagir na sala do coral, mas tudo estava para acabar;
Tina estava encarando Kurt encostada em um armário. Ela se aproximou sorrateiramente e mostrava um semblante de culpa.
— Eu não aguento mais, eu preciso te contar. — Disse desesperada. — Eu beijei Blaine, enquanto estava sem memória, me sinto culpada, mas beijei.
— Você fez o que? — Perguntou Kurt, incrédulo.
— Eu ainda tenho sentimentos por ele, mas não quero separá-los.
Kurt fez Tina recuar. Ele encarava ela com semblante odioso e queria estapeá-la.
— Eu não engulo essa história de culpa, seu jeito piedoso que mostra as pessoas. Espero também que não esteja envolvida no acidente que quase matou Blaine, por que, juro que não sabe do que sou capaz, Tina.
Ele fazia a garota dar passos longos para trás enquanto pressionava seus passos em sua frente e ia falando.
— Também não sei porque dessa história ser contada perto do dia do memorial do meu meio irmão, mas não pense que vai atrair atenções para você no dia dele. Esqueça esse assunto, esqueça Blaine. Ele é meu e ninguém pode tirá-lo, nem esse agressor covarde. Já lidei com pessoas piores, e você está ciente disto.
Tina estava tão assustada que ficou paralisada logo após Kurt terminar de falar. Nunca tinha visto esse lado, mas se tratando de Blaine ele poderia assumir várias outras personalidades. Ela não ficou por muito tempo para ouvi-lo continuar, e saiu correndo para o banheiro feminino, enquanto Kurt saiu da escola.
— Então, o que vamos fazer sobre essa situação?
Emma perguntou, enquanto dava passos contínuos de um lado ao outro na sala do Coral.
Will, que estava sentado, colocou as duas mãos ao rosto e suspirava alto. O barulho dos passos de Emma estavam cada vez mais altos e a cabeça do professor parecia querer explodir. Ele não sabia o que responder, não sabia o que faria, mas não queria abandoná-la.
Levantou a cabeça e fixou seu olhar na, ainda esposa.
— Eu quero voltar para casa – Respondeu.
Ela parou de andar. Soltou um riso irônico que ecoou no recinto, e Will imaginou que, quem estivesse perto, poderia ouvir o tom de deboche naquele simples riso.
— Sério Will? Eu estou carregando o filho de seu melhor amigo morto, tudo por que você não teve coragem de me contar a verdade. E ainda terei que encarar a ex namorada dele e fingir que estou feliz por finalmente engravidar. Quer dizer, você imaginaria a reação daquela garota ao saber da verdade?
Ele estremeceu. De todas as palavras que acabaram de sair da boca de Emma, nenhum o assustou até a parte de Rachel descobrir a verdade.
— Você não está pensan..
— Se estou pensando em contar? Sim, pois é o certo. Ela tem o direito de saber que seu ex namorado tem um filho.
Ele levantou depressa e ergueu as mãos a cabeça. Desta vez, ele que começou a andar pela sala. Depois de um tempo, ele parou e virou-se para Emma.
— E quando você vai contar? — Perguntou
— Bom... Eu vou vê-la em breve, então...
Will deduziu e a interrompeu.
— Não, de maneira nenhuma. É o memorial de Finn, ninguém deve receber mais notícias ruins.
— Tudo bem, então. Mas deve me prometer algo para eu não contar; Irá se demitir assim que voltarmos.
Will olhou incrédulo para a mulher. Era difícil ver a mesma tomando esta posição, nem parecia mais a ruiva por quem ele se apaixonou, depois de todo o desastre do seu casamento. No entanto, algo estava concreto;
A nova personalidade de Emma seria esta.
Ele voltou a olhar no olhos dela e viu um ódio profundo, algo que nunca havia visto nela um dia sequer.
— Onde vou conseguir um outro trabalho? Como vai ficar o clube do coral? — Perguntou – Além do mais, esses garotos precisam de mim. Você pode não acreditar, mas é a verdade.
Emma riu em tom debochado novamente. Estava fria, não se importava mais com uma palavra que saía da boca de Will.
— Se não quiser sair, tudo bem. Mas Rachel saberá deste bebê.
Depois das últimas palavras, a ruiva deixou Will sozinho naquela sala. Não apressou o passo, nem parou para vê-lo. O ruído de seu salto ecoou na cabeça dele, misturado com tudo que aconteceu ali.
A única coisa certa para ele agora era se demitir e garantir que Rachel não sofresse, ou continuar ao lado de seus alunos e fazê-la sofrer.
O dia finalmente havia passado. O mesmo que havia sido torturante para todos em Ohio.
Kurt passou a noite em claro, pensando no que Tina lhe falara. O mesmo aconteceu com Will, após a proposta de Emma. Carole estava ansiosa para ver a homenagem que Rachel havia preparado, já Quinn não sabia o que fazer nos próximos dias.
Praticamente todos já se encontravam na plataforma de trem. Apenas faltavam Quinn e Puck, que provavelmente se atrasariam alguns minutos, e Emma que já indiciava não aparecer.
Após alguns minutos os dois chegaram, e os outros clamaram pela vinda, pois já estavam ansiosos para partir. Porém Puck pediu para que todos ficassem mais um pouco na plataforma.
Sem muitas delongas, ele puxou Quinn pelo braço, que já estava entrando, e arrastou ela para o meio de todos. Ela não entendeu tal atitude e ficou parada olhando para ele.
Puck deu uma piscadela para a loira e foi se ajoelhando devagar ao piso gelado. Kurt soltou um grito emocionado quando percebeu do que se tratava.
Quinn ficou nervosa instantaneamente e pediu para ele levantar-se, mas foi em vão. Ele já tirava uma caixinha vermelha do bolso e abria a frente da loira.
— Quinn... Pode parecer loucura, mas eu penso em você desde que saiu do ensino médio. Depois de ouvir o sonho de Rachel, me dei conta de que precisamos arriscar, antes que seja tarde.
Quer casar comigo?
Todos ficaram pasmos ao ouvirem aquele pedido. Mas alguns já imaginavam que um dia os dois voltariam, pois o sentimento era forte. Obviamente nenhum deles sabia sobre a paixão dela por Santana. Surpreendente foi Puck saber, e mesmo assim pedi-la em casamento. No entanto, a latina deixou claro que o sentimento não é o mesmo, e provavelmente, Brittany se casaria com ela.
Mesmo após a surpresa ela estendeu a mão até uma das alianças e a pegou de dentro da caixinha. Colocou no dedo e disse sim. A alegria do grupo foi demonstrada através de gritos, e Puck selou o momento com um beijo.
— Eu te amo – Disse ele
— Eu te amo – Ela respondeu insegura.
Jesse foi o primeiro a chegar ao memorial Já passava das sete horas da noite e Rachel achava que ninguém apareceria. Ele carregava uma flor branca na mão e depositou em uma árvore, onde havia uma foto de Finn pendurada. A foto do seu anuário no último ano.
Ele percebeu um mural pregado embaixo para serem deixadas mensagens. Não sabia o que escrever. Sentiu-se mal, depois de dizer tantas coisas ruins para ele, e não ter algo bom para escrever.
Passou reto e deixou o mural para trás. Pensou em ir ao encontro de Rachel, mas já começara a receber os convidados que chegaram juntos e iam se sentando em cadeiras vermelhas.
Após todos já terem encontrado um lugar para se sentar, Rachel foi a frente falar algumas palavras;
— Bom, agora que todos chegaram eu posso começar... Cinco amigos muito próximos de Finn tiveram um sonho com ele na mesma noite. Em cada sonho ele nos fazia sentir-se bem, como quando estava vivo. Depois de relatado, decidimos fazer um memorial dedicado a sua memória, para partilharmos dos momentos bons que passamos ao seu lado.
Ela começou o discurso segura, mas logo a voz falhava ao tentar segurar as lágrimas. Algumas pessoas já estava chorando e outras muito emocionadas. Rachel continuou:
— Finn era aquele garoto incrível que escondia o desconforto de ser popular. Apesar de que muitos adolescentes pensem, — eu fui uma dessas adolescentes – que ser popular era uma meta de vida, Finn angustiava em partes por ver classes em uma escola que poderia ser acolhedora. Tanto que participou do clube do coral. Ou como costumavam chamar, “o lar dos perdedores”. No entanto, seu coração era tão bom que ele não se importou com uma maníaca apaixonada, como eu, nem com o fato de ter um garoto apaixonado por ele, paixão que logo virou amor de irmão. Ele aceitou o fato de existirem diferenças e nunca entendeu o preconceito. Ele me amou até seu último suspiro, e eu vou amá-lo até o meu.
Após ter feito um lindo discurso, ela escreveu “Agora você é estrela que vai junto ao meu nome. Eu te amo Finn”. Todos aplaudiram as palavras da mulher e a abraçaram. Quinn e Santana se direcionaram para frente juntas e os olhares se estranharam. Mesmo assim as duas seguiram para falar. Assim que viram as duas, todos se sentaram para ouvir. Quinn começou:
— Eu conheci Finn e Puck por primeiro quando cheguei na escola. De longe, eu já vi aquele sorriso bobo ser direcionado a mim. Apesar de tudo que houve, ele sempre foi um irmão mais velho. Gostava de dar conselhos que sempre eram úteis e adorava falar de Rachel, e como ela era maravilhosa. Eu sempre vou me lembrar de você Finn, nunca duvide disto.
Santana lançou um olhar confortante para a loira, que escreveu uma mensagem no memorial e foi se sentar. Ela deu um passo a frente e iniciou o seu discurso.
— Eu fui a pessoa que peguei no pé de Finn muitas vezes. Eu bati nele, eu o humilhei, e em situações diferentes o deixei constrangido, mas ele nunca revidou de forma parecida. Ele era de tamanha bondade que me deixava invejada. Eu o adorava muito, pois foi o único que revidava com abraços e não com mais pedras. Obrigado por ter feito parte de nossas vidas Hudson.
Santana deixou uma lágrima escorrer de seu rosto e foi recebida por Brittany e os demais. Quinn ficou paralisada e abraçou Puck.
Kurt e Carole e Burt seguiram de mãos dadas até a frente. Burt começou:
— Eu nunca imaginaria que Finn seria meu filho. No entanto, hoje agradeço a Deus por ele ter sido. Você estará em nosso pensamento filho.
Carole apertou a mão do marido e já com lágrimas escorrendo pelo rosto, falou:
— Eu criei ele sozinho... Tentei ensinar tudo que aprendi, achando que seria gratificante por ter passado todo meu conhecimento. Porém no final, eu aprendi mais com ele. Sou grata a Deus por ter me dado um filho tão bondoso, esperto e carinhoso. Eu te amo Finn, você estará comigo sempre.
Carole continuou com Burt ali na frente, e deu a deixa para Kurt falar.
— Eu achava que ele era meu príncipe encantado, mas, na verdade, ele se tornou meu herói. Um herói que nunca precisou de disfarce, que apesar de muitas vezes ser inseguro, nunca deixou que nada o abalasse. É por isso que eu o considero uma das melhores pessoas que eu já conheci. Sinto sua falta irmão.
Kurt chorava feito bebê, enquanto dizia aquelas palavras. Ele lembrava dos momentos que seu irmão o protegia dos valentões e não se intimidava com nada em sua frente.
Rachel ficou sensibilizada com o discurso de todos, que chorava a cada um que fosse ali na frente falar. Decidiu então encerrar os discursos, pois ficou satisfeita do que tinha organizado. Claro, que ela não impediria ninguém, caso quisesse falar. No entanto, ninguém mais queria, nem mesmo Will Schuester e Puck, que eram considerados os melhores amigos de Finn. Ela estranhou, mas aproveitou para encerrar o memorial.
Mais tarde, Jesse pediu para Rachel acompanhá-lo até um barzinho e ela aceitou. Will voltou para Ohio com seus alunos, Kurt, Quinn e Puck. Santana a procurou mais tarde, porém não encontrou e acabou nos braços de Brittany. Nenhuma das duas sabiam do casamento de Quinn e Puck.
— Como você está? — Perguntou Jesse após tomar um gole de vinho.
— Não sei, parece que falta algo – Respondeu ela, tomando toda a bebida de sua taça.
Jesse acariciou o rosto dela. Os dois estavam em seu apartamento, e chegaram a pouco tempo do bar. Já estavam bêbados e queriam dormir.
— Estou cansada. Será que posso dormir aqui? — Ela desviou o rosto das mãos geladas do homem e pediu
— Uma chance – Pediu ele
Ela franziu o cenho, não entendendo nada.
— Como é? — Perguntou
Jesse chegou mais perto. Ele podia ouvir a respiração ofegante dela.
A cada vez que ele se aproximava, ela segurava-se para não ceder. Até que seus rostos já não mantinham quase nenhuma distância. A boca dele encontrou a dela e um beijo foi iniciado. O beijo demorado, mas que se tornou agressivo no mais tardar.
Ele retirou sua camisa, e ela o vestido. Minutos depois estavam completamente despidos. Os dois se olhavam com desejo. Um desejo de que o luto estivesse acabado, para que um possível romance pudesse florescer.
Ele a pegou no colo, levou para cama e os dois fizeram sexo.
A madrugada estava prestes a começar, e logo a manhã traria novas responsabilidades para todos, junto com isso viriam as consequências. As mesmas que estariam dispostas a moldar uma vida para sempre…
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