If You Say So

9 O Que Eu Fiz Por Amor


Notas iniciais
Boa Leitura >

Rachel continuava abraçada em Harmony depois de tudo que ouviu. Foi algo que nunca pensaria do produtor, e agora sentia medo dele tentar fazer algo com ela. Pensava se não iria ter consequências entregar aquele homem para as autoridades, talvez arruinasse sua carreira para sempre.

Passos foram ouvidos, vindo do fundo do palco. Era Rupert que sorria ao ver as duas atrizes abraçadas. Seu sorriso era malicioso e mal intencionado. Seu semblante demonstrava desejo.

— Que lindo! Posso participar? — Ele olhava as duas, cobiçando-as e queria chegar cada vez mais perto. Não conseguia esconder seu desejo pelo corpo da garota e olhava para Rachel de forma provocativa.

— Acho que seu eu não deixar, você faria da mesma forma, certo? — Rachel provocou. Queria impedir que ele chegasse perto, então tomou coragem para desafiá-lo. O olhava com desprezo, que já havia sido notado pelo homem.

— Algum problema com abraços Berry? — Respondeu a provocação sem se importar com a insinuação que já havia entendido. — Seu antigo namorado não dava conta, não é? Por isso é tão chata – Debochou da mulher sem pensar duas vezes. Não sentia medo de uma atriz que poderia ser substituída por qualquer outra, pelo menos era o que pensava.

— Não tenho problemas com abraços, e sim com estupradores! Você não sente vergonha de si? Arruinou a vida de uma garota, transformou seu sonho em pesadelo. — Gritou, pois sentia raiva, ainda mais depois que falou de Finn. Estava pronta para destruir a carreira do homem, nem que também custasse a sua.

— Não sei do que está falando. Jovens contam mentiras, querida. Você é ainda tão ingênua a ponto de acreditar nas palavras de sua rival? — Manteve a calma, após as acusações. Queria deixar tudo sobre controle para não entregar que ela estava certa. — Poderia te processar por falsas acusações, mas farei algo melhor; Está fora da noite de abertura, Harmony conseguiu.

Rachel não importou-se com nada que ouviu. Ela tinha uma carta para jogar, que poderia vencer essa discussão.

— E seu te dissesse que tenho provas que arruinariam sua carreira na Broadway? — Rupert ficou pasmo ao ouvi-la. Não imaginava que ela poderia chegar tão longe, muito menos ter alguma prova de que ele estava estuprando Harmony. Rachel sentiu ainda mais confiança quando o viu se assustar. Aquilo a deixava mais destemida.

— Você não pode ter provas de algo não verídico – Sorriu, disfarçando seu incômodo.

— Antes eu teria medo de contar a verdade, mas vi o quanto ela pode ser libertadora. Você bem sabe o que fez comigo, e não vai sair impune. Precisa pagar, e acredito que sairá caro. — Harmony tomou coragem e foi a frente do homem. Suas veias pulsavam, e mesmo nervosa não deixou as palavras se perderem.

— O que vocês querem? — Perguntou ele amedrontado.

— Creio que já fez demais Rupert. Agora é a vez da polícia. — Rachel sorriu e mostrou um semblante vitorioso, enquanto ele seguia amedrontado. — Ah, e nunca mais abra essa boca suja para falar de Finn! Pois nunca chegará aos pés dele. NUNCA!

— Não sejam burras, sem mim não há peça, não há Broadway, nem futuros Tonys! — Gritou convencido de que ele poderia mudar a decisão de ambas, por medo de não atuar.

— Ninguém se importa. Deveria ter pensando antes de fazer isso comigo! — Harmony segurou o choro ao lembrar de cenas de seus pesadelos.

— Harmony querida, não deixe ela fazer isso com seu tio, eu lhe imploro. — Ele a segurou pelo braço, sentia-se desesperado.

— Solta ela. Isso acabou pra você – Rachel avançou para livrar a garota dos braços de Rupert.

O homem agiu rapidamente e com uma mão empurrou Rachel, que caiu sentada no chão do palco.

— Não! — Harmony gritou e sentiu ser levada por ele. No momento, pisou com o sapato nos pés dele e desprendeu-se, correndo para ajudar Rachel.

— Já chega! Eu vou matar as duas e fazer parecer como assassinato por inveja. Rachel vai sair em todas as capas de revistas e vão ter pena de você. Harmony, seus pais vão ficar horrorizados, ainda mais depois de eu inventar que se prostituía! Vão aprender que comigo ninguém mexe. — Após contar seu plano, pegou uma arma que estava dentro da calça, presa na cintura. As duas tremeram e se abraçaram. Rupert estava convicto de matá-las, mas enquanto contava tudo que faria, não notou que o resto do elenco estava parado perplexo vendo tudo.

No momento todos, incluindo Jesse correram para o palco para ajudar as colegas.

— Não faça isso, por favor – O homem se colocou a frente das duas e implorou por pena do outro.

— Levaria um tiro por ela? Todos nessa peça são ingênuos? Ela não te ama meu caro, faça um favor e me deixa acabar com seu sofrimento. — Frio, Rupert não abaixou a arma e continua olhando fixo para Rachel, que seria acertada pela primeira bala.

— Eu não posso forçá-la a me amar, assim como também não podes forçar alguém a fazer sexo contigo. Isso é crime e não vou deixar acabar com duas vidas inocentes! — Ele continuou a frente das duas e tremia de medo, mas não abandonaria Rachel por nada.

— Tudo bem. Eu mato você primeiro. — Rupert levou o dedo para apertar o gatilho. Jesse fechou os olhos e sentiu Rachel segurando forte sua perna.

Um disparo foi ouvido e gritos de Harmony ecoaram pelo teatro. Os dançarinos correram para os fundos e Jesse se abaixou ao lado de Rachel. Ainda sentia ela segurando fortemente sua perna, então pensou que o tiro não a havia acertado, porém não podia dizer o mesmo de Harmony.

— Rupert Campion você está preso! — Um policial gritou quase na metade das escadarias e fez a espinha de Rupert congelar. Ele até tentou fugir, mas outros policiais já estavam cercando o local.

— Harmony você está bem? — Rachel foi até a garota, preocupada.

— Sim, eu só levei um susto – Respondeu aliviada. — Quem atirou?

— Foi eu senhorita. Me desculpe, porém tinha que impedi-lo de ferir alguém. — Disse o policial, ao se aproximar dos três, enquanto os companheiros levavam Rupert para a viatura. — Eu fui chamado por alguém aqui, mas não se preocupe, agora ele vai ser preso.

— Eu gostaria de dar mais uns anos de cadeia, testemunhando um estupro. — Ela sentiu vergonha ao falar e ficou vermelha. Sentiu Rachel abraçá-la e ficou um pouco mais confortável.

— Eu sinto muito. O julgamento dele deve sair daqui a alguns dias, creio que você e seus amigos vão querer vê-lo ir preso e sentenciado por mais alguns anos. — Consentiu o policial e saiu do palco.

Rachel puxou Jesse e o abraçou forte. Ele sorriu e a abraçou também. Ela sussurrou um “obrigado” em seu ouvido e deu um beijo leve em sua bochecha.

— Agora ficará tudo bem. Poderá voltar para seus pais. — Rachel tentou confortar a menina que ainda tremia.

— Eu sei, mas arruinei a peça. Agora todos aqui vão me odiar. Ele estava certo, sem sua presença não há musical. — Disse cabisbaixa.

— Não seja boba, muitos diretores vão matar para dar continuidade na peça. Vão estrear no dia marcado, eu sinto isso. — Ela respondeu confiante, mas em pensamento, não tinha tanta certeza. —Agora eu vou ir para casa descansar, se precisar de algo me ligue.

Ela assentiu com a cabeça e juntou-se com outros dançarinos que estavam curiosos para saber o que acontecera. Jesse pegou na mão de Rach e saíram juntos do palco.

— Foi muito corajoso lá dentro. Isso tudo foi por amor? — Ela perguntou curiosa

— Sim, e tudo que fiz até agora também – Ele beijou carinhosamente sua testa e sorriu.

As últimas semanas haviam sido difíceis para Unique. Tudo que ela tentara fazer fora em vão, e já pensava em desistir da vida na cidade de Nova Iorque.

Mercedes fez questão de tirá-la do jogo para conseguir o contrato de gravação. Pensava que nesta altura, já seria difícil ganhar. No entanto, viu que enganava-se, após receber uma temida ligação de Howard, seu produtor, que solicitara uma reunião de emergência naquela noite.

Estava sim nervosa, mas nem sabia do que se tratava a tal reunião. Seria uma demissional, uma admissional ou momento lorota de Howard? Considerava a última opção a mais viável. Estava arrependida de ter comprado essa briga com Mercedes, pois a considerava uma das melhores cantoras que já viu, e no fundo sabia que era ela quem merecia o CD, porém ela também entendia que precisava disso para mostrar a sociedade preconceituosa que uma transexual tem algo bom para oferecer.

Naquela tarde, também recebera um telefonema de Ryder. O único, fora seus pais, que mantinha contato contínuo com ela desde o dia que saiu de Lima. Os dois conversaram sobre os últimos acontecimentos. Unique contou sobre a rixa com Mercedes, enquanto ele contava sobre as brigas dentro do coral e o nervosismo pré-nacionais. O momento mais estranho daquele telefonema foi quando o garoto confessou estar apaixonado. Quando ela indagou a pessoa, ele disfarçou e disse que tinha que desligar.

Bom, não importava mais por quem ele se apaixonaria. O novo foco de Unique era este contrato e ela teria que se aprontar para ter uma reunião naquela noite.

Sem delongas, foi direto para o chuveiro tomar um banho.

Mercedes estava conversando com Quinn na cozinha, as duas eram as únicas presentes na casa e estavam com semblantes tristes. A loira se aproximou, olhou para a amiga e perguntou:

— O que te deixou triste?

Mercedes, que estava com a cabeça baixa, levantou de imediato e respondeu:

— A vida que levo. Estou vivendo os piores momentos que jamais poderia imaginar

Quinn sacudiu a cabeça concordando. Pegou um copo de água e retomou para Mercedes;

— Tudo passa, até mesmo esses momentos intermináveis. É só encontrar um lugar certo para se viver. — Sorriu em meio aos goles de águas tomados.

— Não achas que aqui seja? — Indagou

— Não. E mesmo se achasse não ficaria. — Disse e irritou-se com o copo que acabara de esvaziar. — Estou voltando para Yale nas próximas semanas. Acho que não tenho mais motivos para continuar aqui, e se quer saber minha opinião, você também não.

— Está enganada. Estou indo para uma reunião para acertar o contrato com Howard. — Referiu-se a ligação que recebera mais cedo – Quanto a você, creio que deve desistir mesmo

— Como assim? — Quinn arregalou os olhos surpresa.

— De Santana! Ora, todo mundo nota seus olhares para ela. Não finja surpresa por percebemos. Assim que descobrimos, Rachel e eu, decidimos não nos envolver, mas você está se enganando. O coração dela sempre vai pertencer a Brittany.

— Tens razão. Queria estar eu certa, mas percebo isso. Quando voltar para a faculdade vou conseguir seguir em frente.

— Espero que sim loirinha!- Sorriu e foi abraçá-la. — Desculpe te abandonar, mas preciso ir me arrumar para a reunião.- Dito isso foi apressada para o quarto.

Quinn sorriu triste e foi sentar no sofá para descansar a cabeça.

A noite finalmente chegou, Mercedes e Unique estavam prontas para a reunião. As duas estavam confiantes que conseguiriam, mesmo não sabendo que iam encontrar-se. Foi um choque quando pegaram o mesmo elevador.

— Veio me aplaudir? — Perguntou Mercedes Irônica

— Unique não aplaude ninguém além de si mesma. Agora me diga por que está aqui na hora da reunião.

— Não é óbvio? Eu vim assinar o contrato. É disso que se trata a reunião, não é? — Perguntou insegura

— é o que ambas pensamos, mas não acho que seja.- Respondeu Unique, também insegura.

Ao abrirem as portas do elevador, Mercedes saiu primeiro e no momento de Unique também sair, seu telefone toca.

— Alô – Ela atende no primeiro toque.

— Oi, é o Ryder – Responde com um tom preocupado na voz – Preciso te confessar uma coisa, e se não for agora, creio que nunca mais terei coragem.

— Estou ocupada, liga depois, por favor. — Saiu do elevador e fez menção de desligar o celular

— NÃO! EU TE AMO! —Gritou desesperado

Unique parou no corredor, estava com o celular um pouco longe do ouvido, mas ouviu aquelas palavras mesmo assim. Não acreditou, e voltou a falar:

— Como é?

— Lembra mais cedo quando disse que estava apaixonado? Passei meses em negação. Não acreditava que estava amando um garoto, me sentia em uma fase. Foi logo depois que descobrir que era você a Kate. Senti que foi um alívio, quando foi para Nova Iorque, assim poderia te esquecer, mas quando eu pegava o telefone, só o seu número me vinha a cabeça. Na sala do coral, eu cantei solos pensando em ti e recusei vários pedidos de bailes. Então nesta semana eu percebi que não era um garoto, pois se comportava e pensava como uma garota, mas que não fazia diferença o que você era, eu continuaria te amando. — Ryder desabafou pelo telefone, enquanto lágrimas escorriam sobre seu rosto.

— Eu não sei o que dizer! No entanto, eu preciso ir nesta reunião. Desculpe. —

Desligou o telefone nervosa, e entrou na sala.

— Está atrasado! — Gritou Howard ao ver Unique.

— Unique está atrasadA, e me desculpe, estava resolvendo algumas coisas – Ela ficou furiosa com o jeito que lhe trataram e corrigiu.

— Já devem imaginar por que estão aqui, certo? Hoje é o dia de dar um contrato para uma das duas, e não quero enrolar. Proponho um desafio e quem ganhar, o terá.

Mercedes bate furiosa na mesa após ouvir o novo acordo e a outra concordar.

— Chega de propostas, não estou mais no ensino médio. Não tenho mais que provar que tenho talento, nem você Unique. Eu desisto! — A negra encarou o produtor furiosa ao soltar as palavras.

— Eu também não quero mais. Cansei de jogar meu tempo no lixo. — Concordou com Mercedes e a abraçou aliviada.

— Fico muito triste por ter escolhidos duas perdedoras. Não merecem este contrato mesmo, não merecem fama e nunca vão ter! Essa foi a última vez que pisaram em uma gravadora, principalmente você menina macho. — Gritou furioso na frente das duas.

— Unique é uma mulher, será que é tão difícil perceber! — Agora era vez de Mercedes defender ela. Sentia nojo de ouvir preconceituosos.

— Nunca! Ela só acha que é. Daria o contrato para ela, só para humilhá-la. Ninguém em sã consciência compraria ingressos para ver isso! — Ele continuou falando e viu Unique começar a chorar.

— Vamos embora! — Mercedes pegou a garota pela mão e saiu.

Chamaram o elevador e antes de entrar Unique mostrou o dedo indicador para o homem na sala, que ficou furiso.

— Sabe que ele está errado. Não é? — Ela perguntou compreensiva

— Unique sabe que é mulher e não há nenhum transfóbico que irá me tirar esse direito. E nós duas ainda vamos conseguir nossos contratos um dia.

Ela pegou o telefone e ligou para Ryder, no entanto ele não quis atender. Estava deitado na cama, com os olhos marejados em lágrimas. Sentiu-se ignorado, e não queria mais falar com ela.

Em Ohio, Emma e Will haviam estabilizado suas vidas de volta.

Ela não perguntou a respeito da saída do marido, mas isso a incomodava. Estava feliz pela gravidez, mas não conversava sobre isso com ele, pois o deixava estranho.

O silêncio era devastador e sentia que havia de perguntar tudo que antes não se importou em fazer. E Começaria pela viagem.

— Will.. — O chamou com cautela – Precisamos conversar a respeito das últimas semanas – Fez menção para ele sentar-se no sofá. O mesmo fez. Ela olhou no fundo dos olhos do marido e começou:

— Então, desde que fiquei grávida você está agindo estranho. Tentei por diversas vezes conversar, mas você insistia para deixar para mais tarde. Creio que seja este o momento.

Ele engoliu a seco e tentou desvia a conversa, mas foi em vão. Então decidiu que estava na hora.

— Emma, me deixe falar, e quando eu terminar, vou aceitar qualquer tipo de punição que quiser me dar. No entanto, não esqueça que sempre te amei. — Ela ficou com os olhos arregalados, mais que o normal e se encostou no sofá, já ele começou a falar. — Quando começamos a tentar ter um bebê e não obtivemos os resultados que esperávamos, eu fui fazer um teste escondido, por que achei que o problema era comigo. E aconteceu que era mesmo. Entrei em desespero, quando alegava que era estéril. O que iria te dizer? Fiquei abalado. Seu maior sonho era ser mãe e eu não poderia realizar. Porém, nunca te deixaria saber, então pedi para alguém “emprestar” seu esperma e eu depositei em você, na última vez que fizemos sexo. Me desculpe.

Emma estava chocada, e começou a chorar desesperadamente. Pegou Will pela camisa e começou a dar tapas em seu peito.

— Você me enganou! Te odeio Will Schuester, te odeio! — Gritava com raiva, enquanto continuava a bater nele. — Quero que vá embora agora!

Horas se passaram e após ele ter arrumado suas roupas em uma mala foi se despedir da amada. Tentou beijá-la, mas desviou o rosto. Antes dele sair da porta, ela o chamou de volta.

— Vou me arrepender disso, mas eu preciso saber. Quem é o sujo que aceitou fazer isso comigo, digo, quem é o verdadeiro pai?

Ele engoliu mais uma vez em seco e pensou antes de responder, até que o fez.

— Finn Hudson – Disse cabisbaixo e saiu da casa, deixando Emma chocada lá dentro.

Notas finais
Então, deixo vocês extremamente chocados e espero todos no próximo capítulo. Abraços!