If There is something
9 Capítulo 9
Notas iniciais
Shura estava guardando suas coisas em seu escritório na Universidade de Atenas quando viu que alguns estudantes entusiasmados apontavam além das portas em arco para sua sala, assim que se aproximou da porta, pode ver os dois homens que recebiam ass instruções dos jovens alunos e um misto de apreensão e alegria se apoderou dele. “O que eles vieram fazer em Atenas?”, pensou o arqueólogo quando se mostrou mais na porta para que seus visitantes o vissem.
Foi Ikki que o notou e então com um aceno de cabeça indicou a Shaka a sua direção, então ambos vieram em seu caminho. Eles podiam passar por jovens empresários naqueles ternos caros, mas Ikki tinha uma aura perigosa do deserto que era difícil de combalir.
— Fazendo uma visita de cortesia? – perguntou Shura recebendo um abraço camarada de ambos e os fazendo entrar no escritório.
— Viemos… Verificar as coisas. – Ikki disse aparentemente despreocupado, mas Shura não se enganava. Ele estava ali para saber se eles tinham cumprindo sua palavra, Shura sabia que Shaka poderia parecer inofensivo com aquela aura de monge, mas ele era versado em todo tipo de arte mortal.
— E então, está tudo bem, não está?
Shaka o fitou com aquele pequeno sorriso que não dizia nada. Ele podia estar planejando seu assassinato ou feliz em vê-lo. Vai saber? Quando Ikki e ele trocaram um olhar e depois olharam para Shura, o espanhol sentiu sua espinha gelar e rapidamente pensou em quem poderia ter dito alguma coisa. Ele estava seguro que nenhum dos seus amigos tinha falado uma coisa maldita, Saga e Kanon não sabiam de nada e Camus estava desacordado. Era cem por cento seguro? Vai saber?!
— Oh, pare com isso, veja você o está torturando! – o rija moreno acabou por ter pena dele e estava se divertindo com o seu desconforto claro. Ikki sendo Ikki – Nós viemos também para o seu casamento seu imbecil, então não fique aí como se estivesse com uma faca na garganta!
— Eu não estou? – ele queria estar cem por cento seguro.
— Nah, que bobagem. Nos leve até seu povo, queremos ver todos. Nós já fizemos nossa investigação por aí, está tudo bem. – Ikki passou o braço sobre os ombros de Shura e apontou para Shaka que olhava tudo em volta, parecendo ainda muito desconfiado – Não ligue para Shaka, é a primeira vez que ele sai do Mojav, ele pode parecer civilizado, mas é só aparência.
— Você brinca com ele assim, não tem medo dele cortar sua garganta enquanto dorme? – Shura puxou os dois do escritório depois de recolher sua bolsa.
— Ele devia, mas gosta de brincar com o perigo. – Shaka finalmente falou, ainda em sua voz calma e aveludada.
— Aiolos vai ficar louco quando ver vocês. Preciso avisá-lo, estão de carro? – Shura estava mandando mensagens para todos a fim de ser mais rápido, conhecia Aiolos e quando chegassem em casa ele já teria tudo preparado.
— Nós viemos do aeroporto para cá, precisamos passar no hotel. – Shaka disse apontando para as malas deles aos seus pés.
— Não se incomodem com o hotel, temos muitos quartos em casa e de qualquer forma, o casamento é em dois dias, porque não ficar logo com a gente? Eu e Aiolos vamos viajar no dia seguinte à cerimônia, vamos para uma pequena expedição na Turquia.
— Vocês vão em uma expedição na lua de mel de vocês? – Shaka olhou para Shura com uma expressão surpresa.
— Eu sabia quando vi você e aquele grego juntos, que o deserto tinha formado o casal de arqueólogos mais maluco que eu já vi. – Ikki começou a rir, achando aquilo fabuloso.
Aiolos sentiu-se relaxar e aproveitar aquela reunião familiar do jeito que deveria ser. Ele ficou um tanto frenético depois de receber o texto de Shura sobre suas ilustres visitas e todos os outros também ficaram, pois ele não conseguiu ficar sozinho nem por dez minutos depois que todos leram as mensagens de Shura no grupo privado deles. Até Milo ligou querendo saber se estava tudo bem, mas informando que não poderia vê-los se não no casamento. Contudo o advogado reforçou veemente que o segredo deles estava seguro com ele.
Agora, olhando sua sala de jantar cheia, com Shaka e Ikki no centro contando sobre suas vidas no Mojav, ele estava mais tranquilo. Ambos os guerreiros estavam ali mais como uma prova de boa fé, para manter a promessa deles acesa e fazê-los acreditar que tudo aquilo que passaram não era um sonho louco.
— Asmita ficará feliz em saber que está bem. – Shaka se virou para Camus e o bebê em seus braços – Veja o que a sua nova vida o trouxe, como é precioso seu filho, Camus.
— Você quer segurá-lo? – Camus não esperou a resposta de Shaka e deixou o garotinho em suas mãos desajeitadas – Ele gostou de você, veja como está sorrindo.
— Como é que é? Vamos Shaka, segure essa criança direito porque você pode saber mil jeitos de matar alguém, mas se você deixar meu sobrinho cair… Vadia, eu não respondo por mim! – Afrodite ficou atento enquanto Shaka tentava encontrar um jeito de segurar o bebê – Como é que alguém sabe usar uma espada daquela maneira, não sabe segurar uma criança?
Ikki apenas ria ao lado, ele estava muito à vontade conversando com Masquerane e Aiolia sobre algumas novidades que ele percebeu ao chegar à Atenas. Geralmente eles se refugiavam no Mojav, mas Ikki vinha à civilização de tempos em tempos e retornava com as novidades do mundo exterior.
— E então Shaka, o que está achando de nós. Você sabe que nunca quebramos nossa promessa. – Aiolos foi até o rijá loiro e pegou o bebê dele, Camus estava aproveitando sua taça de sorvete agora e o grego queria dar essa folga ao ruivo.
— Confesso que estava cético, Ikki não deixou de acreditar em nenhum momento porque ele conhece Shura, mas eu… – Shaka pousou seus olhos azuis celestes em cada um dos membros daquela sala, levando seu tempo em silêncio para olhar para cada um – Quando os conheci naquele acampamento, vocês me pareciam tão perdidos! E não estou falando sobre aquele momento de cárcere, o medo daqueles mercenários. Vocês me pareciam desconectados, linhas separadas sem destino algum e veja agora como vocês estão. Até você. – Shaka pegou as mãos de Camus, que pousou os olhos nele e o rijá viu a profundidade dos sentimentos turbulentos naquelas íris acastanhadas – Você ainda fará grandes coisas! Sua descendência será grande, e – ele levou a mão ao bebê que Aiolos ainda segurava – O que formaram aqui, o laço que os une é tão forte!
— E então você sabe que eu não arriscaria tudo isso por fama, dinheiro?! Por que Shaka, não há nada lá fora que eu queira mais do que o que está dentro dessa sala. – Aiolos entregou Hyoga ao irmão e sentou ao lado de Shaka para continuar a falar com ele – Eu tinha essa busca pelo rio dos mortos como a única coisa na minha vida que fazia sentido, porque eu acreditava que devia fazer algo grande como meus pais, meus avós e se eu não tinha o amor que merecia, então pelo menos tinha que fazer isso para ser imortalizado.
— Eu buscava o rio dos mortos porque eu acreditava no impossível e queria provar a todos que eu não era apenas um maluco explorador. – Shura interveio e recebeu um aceno de cabeça do noivo – Mas tudo que eu estava buscando eu encontrei em Aiolos, nesta família! Esse é o maior presente que o rio dos mortos poderia me dar e eu jamais vou desrespeitar esse presente traindo o segredo do rio.
— Nós jamais colocaríamos nossa felicidade em risco por causa da fama. – foi Afrodite que falou, ele parecia emocionado e seu olhar pousou em Ettore que acariciou-lhe o rosto suavemente.
— Agora eu sei – Shaka deu um de seus sorrisos misteriosos e todo mundo o olhou achando belo que aquele homem místico e misterioso estivesse entendendo o que eles tinham – Agora eu sei.
***
Camus e Aiolia tomaram uma pausa na reunião para alimentar o bebê e trocá-lo, na privacidade do quarto de Aiolia. O leonino disse que o deixariam dormir um pouco ali e depois se Camus quisesse, ele os levaria para casa.
— Confesso que fiquei um pouco apreensivo quando vi os rijás aqui. – Camus disse baixinho, ele balançava o bebê devagar ninando ele para que Hyoga dormisse. Aiolia estava ajeitando a cama e os travesseiros da melhor forma possível para que acomodasse o bebê. A cama era enorme, mas nunca se sabe o quanto o garotinho podia se mexer, ele ia deixar a babá eletrônica ligada de qualquer forma. Aiolia gostava de estar preparado então ele tinha quase tudo que precisava em casa para Hyoga e Camus, mesmo sob os protestos do ruivo. Era uma discussão que Camus nunca ganhava, Aiolia não era advogado à toa.
— Você está se sentindo ainda desconfortável? Quer ir embora? – Aiolia o olhou com atenção, Camus tinha os olhos no bebê, mas o leonino sabia perceber os sinais sutis de estresse no ruivo. Ele já tinha pensado em perguntar sobre o que andava lhe incomodando, mas não teve oportunidade. Camus não falava sobre o que aconteceu no deserto e aparentemente para todo mundo ele tinha superado tudo muito bem.
— Eu às vezes acordo de novo naquela cabana. – Camus começou, trazendo Hyoga para colocar no meio do ninho de travesseiros que Aiolia tinha preparado. A luz do quarto estava baixa e o rosto do ruivo parecia sombrio a meia luz, ele deixou o bebê se acomodar e só falou depois que se afastou da cama para a janela de pé alto do quarto – Eu posso ouvir o choro do Dite quando ele via o que aquele mercenário estava fazendo comigo e então eu o ouço gritar porque os outros o pegavam… Eu posso ouvir o som que o sangue, quando saiu do corte que eu fiz na garganta daquele homem.
Aiolia foi até Camus, segurando-o pelo rosto anguloso e o fez olhar para si, aquela expressão sempre neutra e sem emoção agora distorcida pela memória dolorosa e o medo.
— Eu o matei! Eu matei um homem, Aiolia! – Camus disse entredentes, segurando forte nos pulsos de Aiolia – E todo dia eu digo a mim mesmo que foi para proteger o Dite, mas isso não faz de mim ainda um monstro?
— Ele era um monstro! Ele machucou você, ele o torturou, você estava se defendendo! – Aiolia segurou o rosto de Camus fazendo-o olhar diretamente – Você está me ouvindo?! Você se defendeu, você protegeu uma pessoa! Você livrou o mundo de um desperdício e quase morreu no processo, não se esqueça disso! Você não sobreviveu naquele deserto Camus, para se culpar pela morte de um porco imundo! Você é mais do que isso.
Camus lambeu os lábios, fechando os olhos e deixando que as palavras de Aiolia se assentassem dentro do seu coração. Ele queria acreditar, queria poder saber se no fim ele só não deixou que a dor e anos de abuso emocional e físico tirassem o melhor dele e o fizessem matar aquele homem no deserto. Ele queria poder ser mais forte.
Então, em meio ao seu debate interno, ele sentiu os lábios cheios e macios de Aiolia pousarem na sua bochecha, deslizando pela maçã do rosto afiada e aquele calor acendeu seu corpo como um estopim. Camus sentiu Aiolia levar suas mãos para sua cintura e puxá-la para unir os corpos, a boca dele deixando uma trilha ardente ao longo da sua mandíbula.
— Eu te amo. – Aiolia sussurrou junto aos lábios de Camus, que sentiu o sopro das palavras em todo seu corpo, era avassalador – Não importa se você me ama de volta, eu sei que pode demorar um pouco. Mas eu preciso te dizer isso agora porque está me sufocando e eu preciso que você saiba. – Camus ia falar, mas Aiolia colocou os dedos nos lábios dele – Não diga nada, ainda não. Quando você estiver pronto.
Camus não estava, mas ele sabia que havia um sentimento enorme começando a crescer dentro dele com relação aquele leonino. Aiolia não era mais apenas aquele bom amigo que estava sempre por perto, ele começava a ter importância demais para isso, mas Camus não ia jogar aquelas palavras levianamente. Aiolia não merecia isso. Mas ele podia fazer algo agora, para mostrar à Aiolia que ele estava no caminho.
O ruivo se inclinou um pouco e deixou que os lábios capturaram os de Aiolia em um beijo delicado primeiro onde ele provou aqueles lábios carnudos, passando a língua pela costura da boca de Aiolia fazendo um convite ao leonino para que ele os abrisse, o que foi prontamente aceito. E quando Aiolia abriu a boca para receber a língua ávida de Camus, o francês levou a mão à nuca do outro, inclinando a cabeça de Aiolia e tomando posse daquele beijo porque naquele momento ele queria mostrar a Aiolia o quanto ele era faminto por ele. Aiolia gemeu, sentindo-se devorado pelo beijo intenso e adorando cada momento. Ele era sempre aquele que liderava, nunca houve antes alguém a que ele se submeter, mas naquele momento Camus podia pedir o mundo a ele e Aiolia ia dar de bom grado.
***
E finalmente o grande épico dia chegou, os jardins da propriedade dos Argenkland estavam adornados como um sonho ébrio de noite de verão, os convidados sob o sol ameno da manhã olhavam o juiz de paz proferir as palavras que iriam unir aqueles dois homens sob a lei, já que eles se sentiam unidos pela lei maior do universo que era a do amor. Era uma pequena festa privada, apenas para os amigos mais íntimos e a família, não que isso não acabasse se traduzindo em quase trezentas pessoas, mas tio Dionísio tinha feito o seu melhor e estava como o próprio deus do vinho e das orgias, rodeado pela felicidade ébria e era isso que ele queria! Aiolos deixou que ele se divertisse, que ninguém dissesse que os Argenkland não sabiam dar uma festa.
Era o seu casamento afinal! E ele estava sem folêgo olhando para o homem emocionado à frente dele fazendo os votos de até que a morte os separe, porque Shura parecia uma visão em seu smoking negro e a felicidade estampada em seu rosto. O sorriso idiota que moldava os lábios carnudos poderia muito bem ser identico ao seu próprio e Aiolos não conseguia parar de sorrir!
Finalmente estava tudo se encaixando.
Ele recebeu o beijo de amor de Shura e então olhou em volta com o peito explodindo de felicidade, vendo todos ali testemunhando o momento mais importante da vida dele. Até Milo veio, o que Aiolos tinha no fundo duvidado que fosse acontecer. Ele também tinha enviado um convite para Saga, ele nem sabia direito o que o tinha motivado a enviar. No fundo ele sabia! Ele queria que Saga estivesse ali também para testemunhar sua felicidade porque eles foram amigos de infância antes de serem amantes e Aiolos também queria que o empresário soubesse também que o relacionamento deles fazia parte do passado, definitivamente.
— Seria muito para ele, vai por mim. – Milo veio cumprimentá-lo e a Shura, depois que os convidados e os noivos ocuparam seus lugares para o início do brunch – Ver vocês dois assim? Radiantes, transbordando de amor enquanto ele está na merda? Está quase sendo doloroso para mim, mas eu não podia deixar de vir porque vocês dois são meus melhores amigos e não seria justo.
— Você veio sozinho? – Shura o abraçou apertado também, sentia falta de Milo já que ele se afastou de todos.
— Eu não ia deixar Shina estragar a festa de vocês, já basta o que ela faz com a minha vida. – Aiolos mordeu o lábio ao ouvir a fala do amigo, sentindo um pesar no peito ao vê-lo daquela maneira. Conheciam-se há tanto tempo que era triste ver o advogado triste e apagado daquela maneira.
— Milo…
— Esqueça, hoje é o seu dia! Você se casou caramba! – os recém-casados riram e Milo acompanhou.
— E é tudo culpa minha! – Aiolia gritou do pé do altar, onde ele estava com Camus e Afrodite e Mascherane – Eu sou o melhor filho da puta do mundo! Diz aí!
Todos começaram a rir, Milo levou os olhos para o amigo leonino que agora conversava animado com o grupo em volta dele, o braço firmemente enrolado em Camus na sua típica atitude de posse e orgulho. Milo sabia que Aiolia se sentia como se estivesse no topo do mundo e ele podia se sentir assim porque ele estava. Qualquer pessoa que tivesse Camus olhando para si, do jeito que ele estava olhando para Aiolia poderia se sentir como se tivesse ganhado na loteria.
De onde estava, Afrodite viu o primo se afastar e sentar em uma mesa mais distante da deles. Jogando um aviso de que voltaria logo para Mascherane, ele saiu do seu lugar e foi até onde Milo estava. Sentando-se ao lado dele e chamando o garçom para servir a eles uma bebida.
— Veja você, um padrinho de um casamento feliz. – comentou Milo tomando um bom gole do champanhe sem olhar Afrodite – Veja se não é bem melhor.
— Não acho que ver você na merda assim seja melhor. – Afrodite entortou os lábios e também tomou o seu champanhe. Ele queria falar, mas as coisas não estavam bem entre eles há muito tempo, porque Afrodite ficou muito furioso com Milo por tentar reatar as coisas com Camus, mesmo estando casado.
Eles tiveram uma briga épica e desde então não se falavam.
— Minhas escolhas, as consequências são minhas para lidar certo? – o escorpiano finalmente virou-se para encarar o primo que tinha seus olhos azul piscina sobre ele. Milo conhecia aquele olhar, Afrodite estava lendo-o e não gostando do que estava vendo.
— Eles estão juntos não é? – ele não precisava apontar para Afrodite saber de quem Milo estava falando. Ele olhou para o ruivo que agora estava rindo sobre algo que Mascherane estava falando enquanto Aiolia brincava com o bebê no carrinho entre eles – Com um bebê e tudo mais!
— É filho do Camus, é uma história e tanto. Você quer ouvir? – Afrodite viu o aceno de cabeça de Milo e então começou a contar sobre tudo que aconteceu desde que Camus acordou até aquele momento. Milo ouviu tudo com uma parte do cérebro enquanto a outra, a parte maior, gravava o riso do ruivo e como ele estava lindo vestido em um smoking azul índigo, o cabelo vermelho caindo em uma cortina lisa e perfeita. O lado raspado ele podia ver e lhe emprestava aquele ar rebelde e exótico. Seu peito doeu por tocá-lo.
Ele passou algum tempo naquela contemplação silenciosa que demorou a perceber que Afrodite tinha se calado e estava o fitando em silêncio.
— Você parece tão infeliz Milo. – Afrodite disse finalmente, colocando a mão no ombro dele – Você pode ter errado muito, mas não merece isso. Viver o resto da vida assim.
— Eu vou me separar da Shina, já dei entrada nos papéis. Talvez algum dia… – Milo tomou uma lufada de ar e olhou para o céu tentando controlar as emoções que lhe tomavam, ele sabia que seria duro ir lá naquele dia e ver toda aquela felicidade, ver Camus e Aiolia juntos – Agora só dói, mas vai passar não é?
Afrodite o puxou para si e Milo o abraçou, apertando-se naquele abraço de conforto porque era bom ter isso de volta também. Ele estava jogando muitas coisas da sua vida fora por causa do que seus pais queriam e até aquele momento Milo não conseguia compreender se valia a pena. Mesmo com seus erros estúpidos, seus amigos estavam lá para ele e o advogado sabia que era muito mais do que merecia.
— Você não precisa passar por isso sozinho, nós estamos aqui e porra Milo nós somos amigos e você é meu primo! Você pode me procurar sempre que precisar e eu vou deixar de ser um idiota e ir procurar você também. – Afrodite fungou, se afastando de Milo e passando os dedos ao redor dos olhos – Porra, ainda bem que estou usando rímel a prova d’agua.
— Seu idiota! Você não tem nada fora do lugar. – eles riram, meio embargados ainda pelas lágrimas, mas agora o peso em seus corações estava indo embora.
— Eu sou o padrinho, preciso estar perfeito. – Afrodite correu as mãos pela trança delicada que emoldurava os cabelos ondulados – É difícil competir com o Camus, então eu tenho que me esforçar. Aquele homem não tem um defeito porra! Ele só acorda daquela maneira, você sabia? É impressionante!
— Sim, eu sei. – Milo mordeu o lábio – Agora ele parece mais relaxado e feliz, então tudo só está... Mais! Ele sempre foi deslumbrante, não é à toa que Kanon ficou louco assim que o viu.
— O Kan simplesmente se escafedeu, não é? – Afrodite mordeu a unha, pensando nos gêmeos – Eu nunca mais falei com o Saga, ele nem me convidou para o casamento dele. Mas o que se diz por aí é que nem sinal de Kan.
— O Saga está começando a se preocupar, ele contratou um detetive particular para procurar o irmão. – Milo suspirou, o garçom os interrompeu de novo trazendo a comida e mais champagne – É estranho que ele tenha simplesmente sumido no mundo sem contatar ninguém.
— Você tem visto Saga?
— A gente se encontra, de vez em quando. – Afrodite olhou de lado para Milo e o advogado baixou os olhos. Eles tinham acabado de fazer as pazes, mas Milo achava que devia essa para o primo então melhor que ele soubesse da boca dele – Nós saímos às vezes, não é nada mais do que só pra aliviar as coisas um com o outro. Ambos infelizes, sozinhos e frustrados…
— Você é amante de Saga? Sério?! – aí havia poucas coisas que podiam chocar Afrodite. Ele acabara de ter sua percepção de Milo virada em trezentos e sessenta graus.
— É impressionante o modo como ele consegue enrolar as pessoas, você não tem ideia. A mulher dele é um anjo bobo que acredita nele fielmente, juro que eu queria saber como ele consegue isso. – Milo esfregou o rosto e então sorriu enviesado ao ver que Afrodite ainda estava boquiaberto ao seu lado – Eu nem sei direito como ele me convenceu que era uma boa ideia, nós dois!
— Ele é um filho da puta! – Afrodite soltou então, levando a mão à boca e ele começou a rir. Milo riu também, porque afinal o primo estava certo.
— Atenção pessoal, o discurso do padrinho! – alguém gritou da mesa principal e os dois levaram sua atenção até lá vendo que Aiolia estava se levantando para começar o discurso.
***
— Enfim, sós.
— Enfim, sós. – Aiolos murmurou junto aos lábios de Shura quando ele o imprensou entre a porta e seu corpo forte.
Eles tinham comemorado o dia inteiro, agora a tarde caia e a noite avançava e então os dois tinham trocado de roupa pego as coisas para partir, o vôo seria no dia seguinte, mas o casal tinha ganho uma noite de núpcias na cobertura do hotel mais caro de Atenas e era para lá que eles estavam agora. Presente de casamento de Afrodite.
Shura tomou os lábios de Aiolos nos seus, deixando a língua resvalar sobre a do outro e provando mais do seu doce amor enquanto as mãos habilidosas enveredaram pela calça jeans de Aiolos e a cueca, pegando a carne quente que começava a endurecer pela atenção recebida. Aiolos gemeu quando a boca de Shura deixou a sua para morder a mandíbula e passar a língua no mesmo lugar, num jogo de picar e provar que ele adorava. As mãos grandes do arqueólogo se encheram com os glóbulos duros e perfeitos da bunda de Shura incitando-o a se aproximar mais.
— Vou provar você primeiro, aqui, nessa porta porque eu estou louco para fazer isso. – Shura se abaixou, levando com ele o zíper do jeans e a cueca de Aiolos, trazendo o membro duro para fora. Os olhos de Aiolos a meio mastro agora, olhando aquela visão erótica da boca do espanhol a centímetros do seu pau – E então, vou vou te jogar naquela cama e te foder até o esquecimento.
— Oh foda-se, sim! – Aiolos enveredou os dedos pelo cabelo repicado do agora marido e então Shura abriu a boca e o levou por todo o caminho até a garganta, fazendo Aiolos gritar triunfante.
Shura afundou a boca até sentir os pelos de Aiolos contra sua face, então deixou a língua desenhar a veias salientes e então chupou a cabeça com força antes de refazer todo o processo. Aiolos segurou a cabeça dele no lugar, o aperto firma nos fios negros não o deixando escolha e Shura nem queria que ele parasse. Era selvagem, áspero e duro e o espanhol sabia que Aiolos amava tudo. Chupando-o com entusiasmo, Shura baixou os restos das roupas de Aiolos que aproveitou para se livrar da camisa também e voltou a se apoiar na porta, Shura e sua boca estavam definitivamente tirando o melhor dele e o arqueólogo sabia que era só o começo.
— Sempre tão pronto! – Aiolos expirou entre os lábios ao sentir Shura dedilhar entre as suas bochechas, os dedos escorregadios, um claro indício de que ele tinha o lubrificante pronto para ser usado em algum lugar. Para provar seu ponto, Shura sorriu em volta de si, depois deixou a língua provar a fenda já molhada com saliva e pré-semem e então voltou a mergulhar o pau do amante na boca e chupar forte quando o primeiro dedo rompeu o buraco apertado de Aiolos – Aaahh! Mais! Eu quero mais Shura!
Shura não precisou de um segundo pedido, ele enfiou mais o dedo e chupou mais forte, fazendo Aiolos xingar e então segurar sua cabeça, se bombeando para dentro e fora da sua boca enquanto ele ia e vinha com o dedo dentro dele. Quando Shura acrescentou um segundo dedo e os pressionou lá, tocando aquele ponto de nervos dentro de Aiolos, o corpo forte e bronzeado do grego começou a tremer. Shura soltou o pau de Aiolos e se ergueu rente ao corpo do outro tomando um beijo quente e brutal.
— Para a cama, você só vai gozar quando eu disser para você gozar.
— Você vai me matar hoje. – Aiolos seguiu o mais rápido que pode para a cama no quarto, o mais rápido que você pudesse correr com uma ereção furiosa entre as pernas – Todo mandão assim.
— Você adora. – Shura viu Aiolos esticar o corpo na cama larga enquanto ele se livrava das roupas, o olhar faminto do grego sobre si o fazendo ainda mais duro se é que era possível – Porra, você é fodidamente lindo! Eu te amo.
— Eu também te amo. Vem aqui, eu estou enlouquecendo! – Aiolos abriu as pernas e Shura se deitou entre elas beijando Aiolos e deixando as mãos passarem pelos músculos firmes do peito, as costelas, seus lábios descendo pelo pescoço moreno e chupando o ponto sensível entre garganta e a clavícula. Os quadris de ambos os homens moendo lentamente acendendo os corpos ainda mais.
Então Shura se ergueu em seus joelhos e colocando uma das pernas de Aiolos sobre o cotovelo, ele segurou o pau na entrada e delicadamente começou a empurrar para dentro sentindo a resistência do corpo de Aiolos. O grego se arqueou na cama e um gemido separou os lábios carnudos ao mesmo tempo em que a sensação maravilhosa de plenitude o tomava. Ele amava o modo como se sentia quando Shura estava dentro dele assim, como se fosse o único lugar para ele estar.
Eles tinham se comportado durante toda aquela semana, um pacto para deixar que o fogo que sempre os consumia ficasse guardado para aquela noite. E agora que eles finalmente estavam dando vazão ao tesão e desejo desenfreado, aquela era a melhor sensação de todas.
Shura ondulou os quadris e saiu, indo e voltando em estocadas lentas para deixar que Aiolos se acostumar à invasão, o que ele viu acontecer quando o grego levou as mãos até a sua bunda fazendo-o bater duro nele. Se era isso que Aiolos queria, era isso que ele teria. Afastando as pernas de Aiolos mais, Shura veio e começou a bater nele, forte e rápido fazendo Aiolos gritar!
— Porra, é isso aí! Bem aí Shura, vamos, me dê tudo!
O ritmo ficou frenético, Aiolos esticou o pescoço e Shura se inclinou sobre o corpo dele, erguendo os quadris de Aiolos um pouco, continuando a estocar rápido e forte naquele ponto sensível e fazendo Aiolos tremer dos pés à cabeça. Eles estavam no limite já, Aiolos choramingando ao sentir o clímax se construir na base da espinha e espalhando-se por todo seu corpo. Shura levou uma mão até o pau gotejante de Aiolos e começou a bombeá-lo e foi aí que Aiolos se perdeu.
Foi a visão de Aiolos se desfazendo em jatos cremosos em seu abdômen e mãos, que fez Shura vir, enchendo o canal estreito com o seu gozo e sentir o clímax arrastar seu corpo e tirar o último fôlego que ele tinha. Ambos os homens estavam suados e sem fôlego quando a onda de orgasmo recuou e deixou-os na cama em carne trêmula.
— Vai ser sempre assim, não vai? – Aiolos murmurou, abraçando Shura para que ele não se afastasse e nem saísse de dentro dele ainda. Ele não queria se afastar ainda.
— Claro que vai! Para sempre!
— Para sempre. – Aiolos sorriu de olhos fechados, ele poderia morrer agora e ele morreria feliz.
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