Notas iniciais
mais história da novelinha ^^ E finalmente alguem resolveu aparecer

No dia seguinte depois que Camus deu seu depoimento na delegacia e foi liberado, eles foram ver a psicóloga que Aiolos tinha indicado. Afrodite tinha ido com eles na delegacia apenas para pegar Hyoga, o sueco disse que sua mãe estava em Atenas finalmente e ele queria aproveitar para ficar com ela. Dominique estava gerando o bebê dele e de Ettore, eles tinham feito a inseminação e todo cuidado era pouco, Afrodite queria ficar de olho na mãe. Ele também intimou Camus a ir vê-la, ela estava preocupada com ele.

— É muito louco que ela tenha aceitado ser a barriga de aluguel deles. – Aiolos comentou, estacionando o carro na vaga de garagem perto do prédio do abrigo – A essa altura eu nunca ia imaginar que Dominique pudesse engravidar, ela é neurótica por aquele corpo.

— Ela é meio neurótica e tudo, mas depois do que houve com o Afrodite – Camus deu de ombros – É como se Dominique estivesse compensando, dando a ele tudo que ele quer, não que ela não fizesse isso antes porque pelo que eu sei o Afrodite não sabe ouvir a palavra não.

— Não sabe, eu só consigo pensar que ele não se tornou um idiota escroque pela pura força do carater dele. – eles saíram do carro e Camus franziu o cenho, Aiolos estendeu os óculos e o boné a ele. Toda aquela claridade estava maltratando a cabeça machucada do ruivo – Vamos lá, pronto?

— Não, mas vamos de qualquer jeito antes que eu desista.

Eles foram recepcionados pela própria psicóloga que depois de um tour rápido pela Ong, levou Aiolos e Camus para o escritório dela. A grega era uma mulher linda, da mesma idade. Lindos cabelos negros e olhos escuros, a pele de marfim mesmo que aparentemente fria apesar da beleza dela, Pandora se mostrou afável com eles. Mas Aiolos a conhecia há muito tempo, Pandora teve uma vida difícil que a endureceu para várias coisas, mas ela era uma sobrevivente como Camus.

— Gostaria de convidá-los esse fim de semana para um coquetel na minha casa – ela falou enquanto indicava duas poltronas para eles e ela em uma terceira à frente deles – Quando Aiolos me contou sobre o seu caso, eu falei com meu marido e ele quer muito vê-lo.

— A mim? – Camus olhou para Aiolos sem entender enquanto Pandora sorria e estendia a mão para colocar no joelho de Camus.

— Meu marido é o juiz Wyvern, Camus. – ela explicou e Camus ainda ficou sem entender, olhando para a grega tentando ver se ela estava lhe pregando uma armadilha. Ele correu sua mente pelos nomes de clientes, o francês precisava descobrir se ele tinha dormido com o marido dessa mulher porque já estava sendo constrangedor o suficiente imaginar isso – Ele é o juiz da suprema corte, está observando o caso que Savalas está movendo contra Hassen Lykaios, embora não seja a área dele. Será um tsunami contra os Lykaios pelo que eu soube, já que Hassen tem várias acusações de agressão e assédio contra profissionais do sexo e até ex-namoradas. Ele é um homem doente, estava na junta que está avaliando-o psicologicamente, mas eu pedi afastamento quando Aiolos me procurou. Prefiro ajudar você a ajudar aquele homem a se livrar da cadeia alegando insanidade.

— Não vai ser problema para você e Radamanthys, se pegar o caso de Camus? – Aiolos perguntou e Pandora ainda olhando para Camus respondeu.

— De forma alguma. Radamanthys não é o juiz do caso, o juiz do caso é Minos de Griffon, mas ele está por dentro porque afinal estamos falando de um filho de senador federal e isso vai respingar de forma muito ruim no senado. Se o Savalas provar que Lykaios interferiu nas investigações e comprou o silêncio das vítimas, ele vai ser indiciado. Não vejo o presidente mantendo-o no cargo em que ele está depois desse escândalo sem prejudicar sua campanha caso ele resolva se reeleger.

— Ele vai mandar me matar, ele vai prejudicar o Milo! – Camus apertou os punhos na calça, o medo fazendo seu sangue gelar – Esse homem vai mover céus e terras para esconder todos esses problemas, ele não vai me deixar vivo.

— Acalme-se Camus – Aiolos pediu passando a mão nas costas de Camus que se dobrou porque ele estava começando a hiperventilar – ele não vai chegar até você, nós estamos cuidando disso!

— Querido, acalme-se. – Pandora saiu da sua cadeira e se ajoelhou perto de Camus colocando suas mãos nas dele – Aiolos está certo. Ele não é tão poderoso quanto você pensa, ele não está lidando com qualquer um. Milo Savalas é um dos advogados mais jovens e brilhantes que Atenas tem, Radamanthys me disse que os Savalas têm tantos contatos e parceiros que Lykaios não vai saber o que o atingiu quando acabar. Meu marido vai fazer tudo que pode também, por isso ele quer vê-lo Camus. E eu estou aqui para ajudá-lo a passar por isso e ter sua vida de volta. Aiolos me contou alguma coisa pelo que você passou, mas eu queria ouvir de você! – ela pegou o queixo de Camus e o fez olhá-la, havia tanta compaixão naquele olhar negro – Camus, hoje na ong nós temos trezentas crianças resgatadas de lares abusivos e operações de tráfico de pessoas. Meninos e meninas que passaram pelo pior que eu acredito que você tenha passado, quem melhor do que você para entendê-las? Para saber como elas estão se sentindo e tentar ajudá-las a ver um futuro bom?

— Eu nem consigo dormir sem remédios, como posso ajudá-las e dizer que isso tudo vai passar? – ele disse, a muito custo, porque ele estava tentando vencer o medo.

— É por isso que você está aqui, Camus, você já deu o primeiro passo. – ela se ergueu e então voltou a sentar na sua cadeira – Nós vamos apenas conversar hoje, falar sobre o que você pode explorar comigo e também sobre vir para a Ong. Eu não estava brincando sobre isso, Aiolos me disse que você faz cursos online e seria bom você ter um trabalho regular para lhe ajudar a construir uma rotina fora de casa. Ele me disse que você só fica em casa com o seu filho o tempo todo e isso não pode ser bom para você e nem para ele. Por que aquele monstro está solto por aí e livre enquanto você tem medo de sair na rua Camus? Não é justo. Você não sobreviveu aquele ataque no deserto para viver assim.

— Eu sempre falo isso para ele. – Aiolos ajuntou, ainda apoiando Camus – Será muito bom que ele venha aqui e ajude essas crianças. – o grego passou a mão pelas costas de Camus mais algumas vezes, o ruivo tomava respirações profundas e então ele se endireitou na cadeira olhando para Pandora. Ela assentiu com um sorriso encorajador – Ah, eu vou ver se o Shura já chegou, vocês podem conversar sozinhos?

Pandora assentiu e Aiolos partiu, deixando Camus para ela e foi para a área de recreação olhar as crianças. Principalmente o menino que tinha visto em sua última visita, o que esperava que Shura ajudasse a se comunicar. Encontrou o garotinho sentado no canto sozinho montando blocos coloridos, Pandora tinha lhe explicado que ele ficava muito sozinho por conta da falha de comunicação.

— Olá. – Aiolos se abaixou próximo ao menino que o olhou com seus exóticos olhos rasgados. Ele tinha olhos verdes e aquilo era muito raro em um asiático, Aiolos o achou lindo assim que o viu, mas por orientação das cuidadoras ele não o tocava. Crianças que tiveram experiências como a dele, tendiam a repelir contato com adultos.

O garotinho o olhou desconfiado e então voltou para os seus blocos coloridos, se afastando na cadeirinha um pouco e Aiolos notou. Isso deixou seu coração apertado, mas o grego apenas ficou ali ao lado do garoto sem pressioná-lo. Eles ficaram assim por um tempo, até que ele sentiu a aproximação de alguém e então sentiu o marido se colocar numa cadeira pequena no outro lado da mesinha.

— Olá – Shura disse em uma língua que Aiolos julgou ser japonês, mas ele não sabia ao certo porque parecia uma cadência diferente. Aiolos era versado nos mais variados dialetos gregos e latim, mas Shura era melhor que ele de longe. A prova era que o garotinho largou os blocos imediatamente e o olhou.

Shura continuou falando e o garoto respondeu, ficando agitado então ele sorriu e Shura sorriu de volta. Aiolos estava emocionado e parecia que as cuidadoras também, quando o menino deu a volta na mesa e trouxe os blocos para Shura montar, mesmo que ele não tenha deixado que o espanhol encostasse nele fez lágrimas brotarem nos olhos de Aiolos.

— Oh meu deus. – uma das cuidadoras suspirou ao lado dele – Ele já está aqui há dias e nunca fala com ninguém, achávamos que ele tinha perdido a voz.

— Shura é muito bom com crianças. – Aiolos disse com orgulho, olhando o amor da sua vida conversando com o garotinho e maravilhado que eles estavam se entendendo. Shura era muito cuidadoso em seus movimentos e sempre que percebia que o menino se retesou ou encolhia, o espanhol falava de forma gentil e carinhosa com o garotinho, mas nunca o tocou.

Eles ficaram um tempo lá, Shura explicou à assistente social que estava com eles que descobriu que o garotinho se chamava Shiryu e tinha seis anos. Que era de uma vila nas montanhas de Rozan, no Japão. Shiryu disse que vivia com o velho avô e que depois que ele dormiu, um homem apareceu na casa deles para levá-lo, mais do que isso ele não explicou ou não quis. A assistente disse que eles conseguiram um pouco mais do que isso com a polícia, o garoto ia ser devolvido ao Japão, mas ia para um orfanato lá porque ele não tinha ninguém para voltar.

Quando o casal se despediu de Shiryu, Pandora e Camus também estavam se despedindo. A assistente social contou a ela o que aconteceu com o menino e Pandora ficou feliz que assim fosse, ela abraçou Aiolos agradecendo o favor e à Shura, mas os dois não deixaram que ela se estendesse nos agradecimentos. Camus tinha um palpite de que ele poderia ganhar um sobrinho em breve, era só olhar a cara de apaixonado de Aiolos para o garotinho que lhe dava adeus junto às recreadoras. Pandora prometeu conseguir um tradutor no dia seguinte para ajudar a lidar com o menino e Shura se ofereceu para vir vê-lo, Aiolos também, ele sabia o básico de Japonês e poderia lidar com o menino ajudando-o a compreender o grego.

Pandora parecia satisfeita. Se despediram de todos e prometeram voltar no dia seguinte, Camus teria sua primeira sessão com a psicóloga em dois dias.

— Você vem com a gente Shura? – Aiolos perguntou quando eles atravessaram as portas da Ong.

— Vou, eu vim de uber porque imaginei que vocês tinham vindo de carro.

— Eu tenho que pegar o Hyoga na casa do Afrodite e ver a Dominique, ela me intimou a tomar o chá da tarde. – Camus disse parando ao lado do carro, agora que Shura estava com eles, o ruivo foi para a porta de trás – Se vocês quiserem ir para casa eu posso pegar um uber.

— Eu deixo você lá, depois o Aiolia vai te buscar. Aproveito e dou um beijo na Dominique – Aiolos disse entrando no carro então Camus fez o mesmo, ele não ia dissuadir Aiolos do contrário e ele sabia que agora todos não o deixariam sozinho – Você não se importa não é mesmo? – Aiolos virou-se para o marido.

— Claro que não, eu acho Dominique um máximo.

Era verdade. Dominique amava Shura e Ettore, isso era um grande mistério do universo como só ela poderia ser. A mãe de Afrodite era enigmática em muitas coisas, ela também não gostava de muita gente e conquistar o coração dela era uma tarefa árdua. Dominique era ainda mais espinhosa do que Afrodite.

Quando chegaram na casa do sueco encontraram Dominique e o filho na varanda. Ettore estava no jardim com Hyoga fazendo o garotinho andar enquanto o segurava pelos bracinhos.

— Oh meu deus você está grávida! – foi a primeira coisa que Aiolos disse só para implicar com Dominique, mesmo com os óculos escuros ele a viu revirar os olhos. A ex-modelo se ajustou na espreguiçadeira para receber o beijo do grego que ela viu crescer. Bem tecnicamente, uma vez que nem o próprio filho ela acompanhou tão de perto – Você vai ser avó!

— Fala baixo! Já basta o Afrodite ensinando o Hyoga a me chamar de avó. – ela resmungou, Shura também veio para a beira da piscina cumprimentá-la – Ah, meu belo torero. Como vai?

— Você continua tão bonita como sempre. – Shura foi galante e Aiolos e Afrodite reviraram os olhos quando Dominique riu deliciada. Ela ainda era uma bela mulher sim, mesmo em sua idade. Dominique teve o único filho muito jovem e provavelmente por isso eles dois tinham aquela relação peculiar.

— Vamos, fiquem a vontade, nós estamos aproveitando o clima ameno. – Ela se sentou quando viu Camus se aproximar – Meu querido, venha aqui. Oh deus, estava morrendo de preocupação. – o ruivo sentou-se ao lado dela na espreguiçadeira e Dominique segurou-lhe o rosto e então examinou o ferimento na nuca do francês que estava com o curativo – Afrodite me contou tudo, eu já falei com o Milo. Por que Milo está tratando do seu caso e não o Aiolia?

— Por que é a especialidade dele mamãe, eu já expliquei isso a você. Eu não acredito que você já está esclerosada – Afrodite continuou a tirar fotos do seu celular de Ettore e Hyoga – Ele é advogado criminal, o Olia é advogado de grandes corporações. Por isso que ele é mais rico.

— Eu sou mais rico, porque ganho mais casos Dite. – Aiolia saiu de dentro da casa, ele estava com as mangas da camisa social enroladas e havia uma mamadeira na sua mão – Aqui Ettore, vamos alimentá-lo. – ele passou por todo mundo, deu um beijo em Camus e outro em Aiolos.

— Pensei que estivesse no trabalho. – Camus comentou vendo Aiolia dar a mamadeira para Hyoga que agora estava no colo de Ettore.

— Eu estava, acabei de chegar também. Eu vi que o Dite está fazendo um álbum no instagram do Hyoga, então imaginei que vocês estivessem aqui. – Aiolia cheirou o bebê, depois voltou para junto dos outros – Ettore você vai querer sentar, ele vai acabar sujando tudo se você continuar andando com ele.

— O que você está fazendo? – Aiolos perguntou ao irmão, curioso vendo que ele estava muito seguro de si ensinando Ettore sobre como cuidar do Hyoga.

— Eu estou treinando ele. Quando os bebês nascerem, ele vai ser o melhor dos pais – Aiolia deu de ombros – Pelo menos um dos dois tem que ser capacitado o suficiente.

— Ei bichano! Eu vou ser o melhor pai do mundo. – Afrodite resmungou vendo Ettore sentar com ele na espreguiçadeira e os dois se entreteram em alimentar Hyoga.

— São dois? – Camus se virou para Dominique e ela confirmou com a cabeça. Camus ficou espantado, mas depois pensou que era comum em inseminações. Eles tinham sido generosos com a colheita de óvulos e pelo que tinha conversado com Afrodite, ambos doaram para aumentar as chances. Ele estava feliz pelos amigos porque agora Afrodite teria a família numerosa que ele sempre quis – Oh meu deus, dois meses não é? Afrodite são dois bebês, você vai enlouquecer!

— Ah eu vou! – Afrodite parecia nas nuvens.

— Eu quero saber quando o Aiolia vai resolver casar com você. Eu não posso ser privada de outra festa de casamento. O Afrodite casou no cartório num dia qualquer e sem me dar a chance de fazer uma festa, você sabia? – Dominique segurou as mãos de Camus fazendo-o olhar para ele.

— Mulher, eu precisei fazer isso! O Ettore ia ser extraditado porque o visto dele expirou. – Afrodite revirou os olhos – Sorte sua que eu não fui embora para a Toscana e me casei lá no meio dos oito irmãos dele!

— Isso poderia ser arranjado sem que você precisasse casar às pressas! – ela estalou a língua, a expressão desgostosa – Camus, pelo menos você! Sabia que eu ia adotar você? Mas os advogados me aconselharam a esperar para o caso de você se casar, por causa do nome. Seria muito trabalho mudar os documentos e então mudá-los de novo para quando você se casar com o Aiolia, o que ele confirmou também. Ele me disse que vocês vão casar depois que toda essa confusão acabar, que se eu quisesse tutelar você era melhor tirar a ideia da cabeça, porque depois que você usar Argenkland ele não ia deixar você mudar nunca! Tão possessivo!

— Você ia me adotar?! – Camus arregalou os olhos, Dominique assentiu e Afrodite também deixando Ettore por um momento – Por…

— Eu já o considero meu filho querido, Afrodite ama você como um irmão – ela parecia animada e tola, mas de repente sua expressão assumiu uma seriedade raramente vista nela – Camus, eu não sou uma mãe muito ortodoxa, posso não ter sido a melhor mãe para o Afrodite, mas eu sou protetora com aqueles que amo. Hassen Lykaios não sabe com quem mexeu! Ele não vai mais tocar em nenhum fio de cabelo seu, ninguém mexe com meu filho!

— Dominique… – Camus lambeu os lábios, ele não conseguia encontrar algo para dizer a Dominique. Ele sabia que ela sentia um carinho muito forte por ele, que era eternamente grata por ele salvar Afrodite no deserto, mas mesmo assim.

— Meu amor, eu prometo. – ela também parecia emocionada – Eu vou acabar com a raça de Lykaios e aquele pequeno escroque que ele chama de filho! Meu nome tem que valer alguma coisa nessa cidade, eu sou viúva de Klaus Savalas, a família dele pode ser um antro de arrogância, mas isso não é por nada.

— Você está tão emocional Dominique. – Aiolos caçoou dela, mas ele também tinha a voz embargada.

— Seu pequeno merda, eu ainda tenho a desculpa de estar grávida. – Dominique revidou Aiolos, abraçando Camus bem forte – Kardia vai me ajudar, eu já falei com ele e vamos jantar hoje para falar sobre seu caso, ele é muito amigo do juiz Griffon e também um membro do alto escalão no senado. O partido e o presidente não estão vendo com bons olhos tudo que está acontecendo, Lykaios não vai ter o apoio que precisa nessa.

— Kardia não é aquele seu tio que é brigado com a família, Afrodite? – Aiolia se virou para o sueco e foi o bastante para tirar toda a atenção do sueco do marido.

— Sim! Você acredita que ele é gay! – o sueco disse isso quase berrando – O irmão de Ulisses Savalas é gay, o filho dele é gay! Ulisses Savalas cercado por gays! Meu deus eu quase não consegui parar de berrar quando mamãe me contou. Eu juro, eu mandei preparar uma torta arco iris para a sobremesa hoje e depois de cortá-la eu vou postar no instagram uma foto minha e dele com a bandeira pride. Vou marcar toda a família!

Ele vai fazer isso. – Ettore comentou, colocando o bebê para arrotar.

— Veja se Camus não é um presente? Ele está unindo a família Savalas sob a bandeira do orgulho gay! – Afrodite correu e se sentou no colo de Camus, beijando-o e apertando num abraço até que o ruivo gemeu porque o sueco tinha batido na sua cabeça – Ah, eu sinto muito! Foi o ferimento? Desculpa Camie, que desajeitado eu sou não é?

— Sério Dominique, você tem certeza que quer gerar duas crianças para esse idiota cuidar? – Aiolos olhou para Dominique, que apenas deu de ombros, alisando a barriga já saliente.

— O que eu não faço pelo meu lindo bebê! – Dominique levantou e puxou o filho do colo de Camus – Nossa eu estou morrendo de fome. Vamos para dentro, Jhon já vai servir o chá. – chamou todo mundo para dentro, empurrando os seus meninos para comer como fazia quando eles eram crianças.

Todos começaram a entrar, mas Dominique ficou para trás e quando viu que Aiolos era o último ela o puxou de lado por um instante.

— Como ele está? Afrodite me disse que mesmo antes de ter sido atacado ele estava tendo problemas, me disse também que você o levaria para ver alguém.

— Sim, ele vai começar um acompanhamento psicológico com uma amiga em alguns dias. – Aiolos disse – Ele está com muito medo de se machucar ou de alguém se machucar por causa dele.

— Eu pedi que a minha equipe de segurança viesse avaliar a casa de Afrodite, também contatei um amigo da época em que era modelo, ele é o melhor que eu conheço em termos de segurança privada. Gostaria de que você permitisse que ele olhasse seu condomínio também Aiolos, estou tentando convencer Afrodite a se mudar para lá, visando mais espaço para as crianças e tudo mais. No entanto, eu sei que o condomínio é mais seguro que essa casa no centro de Atenas e exposta. Eu já conheci muitos homens covardes Aiolos, Hassen Lykaios e o pai são capazes de tudo para se livrar disso.

— Acha que Milo vai conseguir ganhar o processo? Que Hassen vai ser preso? – ele estava verdadeiramente preocupado. Porque mesmo que eles sempre sejam otimistas com Camus, eles estão lidando com um homem de política.

— Eu não vou descansar enquanto esse homem estiver solto aterrorizando minha família Aiolos. – pela primeira vez na vida Aiolos conseguiu ver os verdadeiros espinhos da rosa que era Dominique Strauss e eles pareciam bem afiados – Aquele homem machuca pessoas que ele julga vulneráveis, sozinhas no mundo. Mas Camus não está só! Ele salvou meu filho naquele deserto e nem o conhecia, quase a custa de sua própria vida e chegou o momento de eu retribuir.

Parecia que a vida de Camus não lhe parava de surpreender. Depois de toda a confusão sobre o ataque e o depois com o inquérito e o processo, eles ainda teriam que aguardar porque Hassen estava “desaparecido” e isso os deixou inquietos. Contudo, como Hassen não fez mais nenhum movimento e a segurança foi reforçada em volta deles, tudo começava a ter uma rotina normal. Camus começou suas sessões com Pandora e depois de algumas semanas, ele aceitou fazer parte dos funcionários da Ong ao qual Pandor administrava, por meio período, porque ele ainda estava às voltas com a faculdade e Hyoga.

Foi em um dia de trabalho que ele foi surpreendido por uma visita inesperada, a recepcionista da Ong quando veio chamá-lo na atividade com as crianças, lhe disse quem estava o procurando e Camus não acreditou. Quando chegou na recepção que viu seu visitante sentado observando o entorno, ele ficou de boca aberta.

— Você ainda é tão bonito quanto eu consigo me lembrar. – o visitante disse e sorriu, se levantando e Camus abriu e fechou a boca pensando no que dizer para alguém que a última vez que viu estava enterrando a mãe e prestes a ter um colapso.

— O que você veio? Como me achou? – ele conseguiu perguntar.

— Eu liguei para o Afrodite, ele me disse que você estava trabalhando aqui meio período e que o sua saída era em – ele consultou o relógio no pulso, caro como não podia deixar de ser tudo que vestia, Camus pensou – dez minutos. Podemos almoçar?

— Eu vou trocar de roupa. – Camus apontou displicentemente para o uniforme que usava – Um minuto… Você já foi ver o seu irmão? Ele sabe que está aqui em Atenas?

— Não, estou hospedado no Windsor. Eu só cheguei ontem a noite.

Camus deu mais uma olhada no seu visitante, alguma coisa nele estava diferente, mas ele não sabia o que era. Bem, ele poderia descobrir assim que ele trocasse de roupa e saísse para almoçar com Kannon Papadopoulos. Agora ele queria saber porque Kanon voltou para Atenas depois de quase um ano longe e a primeira pessoa que procurou era ele, Camus.