If I Die Young
3 I have never known the lovin of a man
Notas iniciais
E lá estava eu, com uma lata de tinta spray e com o gorro do meu casaco levantado.
Parecendo uma marginal.
Naruto também não estava tão distante disso, mas tenho que admitir que ele tinha mais estilo do que eu naquela situação.
Parando para pensar nas palavras de Naruto, acho que ele não estava completamente certo sobre mim. Não acredito que meu Otou-san realmente ligaria se algo acontecesse comigo.
Mas essa é uma dúvida que eu tenho. O que ele faria? Ficaria com raiva por não ter mais ninguém que trabalhasse para manter seus malditos vícios? Ou a situação poderia tocar seu coração de pedra verdadeiramente?
– Sakura-chan? Você está bem?
Levei um susto quando Naruto tocou no meu ombro. Mesmo que eu estivesse com uma tonelada de roupas por baixo daquele grosso casaco surrado, eu pude sentir... A eletricidade.
– S-sim, vamos começar?
– Certo. Eu faço o grosso e você faz o acabamento, ok?
– Ok!
Dito isso Naruto começou a pichar as palavras que havíamos combinado. Ele não parecia ter muita coordenação motora, eu tinha que admitir... Mas as palavras saíram grandes e legíveis como queríamos.
Depois, lá fui eu dar algum acabamento estético a nossa primeira pichação, não sou de me gabar mais até que ficou muito bom. Estava orgulhosa do serviço quando dei uma última olhada nas palavras:
“O dia podia ser pior”
Eu gostaria de ficar um tempo maior olhando aquilo, gostaria até mesmo de tirar uma foto.
Mas eu não tinha câmera. E nem se eu tivesse seria possível porque eu já estava correndo dali, ou melhor, sendo arrastada dali.
– Ei vocês! – eu escutei a voz do policial cada vez mais perto de nós. Mas Naruto era um bom corredor, era como se ele corresse por nós dois. Eu apenas conseguia sentir suas mãos quentes entrelaçadas com as minhas.
Era uma sensação boa. Muito boa.
Ele ainda me puxava para uma corrida e ainda conseguíamos escutar a voz desesperada daquele policial. Só que ela estava ficando cada vez mais longe...
Quando finalmente paramos de correr e nos escondemos em um beco escuro e úmido que encontramos na rua, nossas respirações se aliviaram.
O policial já estava longe. Estávamos salvos.
Ficamos nos fitando por alguns momentos ainda. Tínhamos expressões assustadas em nossos rostos por alguns instantes, mas quando vimos que tínhamos realmente escapado começamos a rir.
Rimos sem motivo, sem porque, apenas achamos engraçado o sentimento de alívio que inundava nossos corpos. Ríamos mais do que sentíamos frio.
E era bom. Inacreditavelmente bom.
Por que tudo ao lado dele parecia tão bom?
“Você está apaixonada idiota.” – É o que a Ino diria. Nós discutiríamos e no final do dia eu apenas admitiria para ela. Nós duas sempre fomos assim.
Então é isso? Por esse garoto que eu mal conheço? Um garoto idiota que apenas me ajudou a cometer algumas imprudências?
Dessa vez eu paro de rir e começo a analisar Naruto seriamente.
Seu cabelo está bagunçado e o gorro do seu casaco abaixado. Seus dentes são bem brancos e enfileirados corretamente, formando um sorriso muito bonito. Sua pele é naturalmente bronzeada e seus olhos são de um azul claro penetrante, que me lembram o mar, o céu ou o próprio verão.
Quer dizer que eu me apaixonei pelo verão? Logo eu que sou tão dependente do inverno? Que vivo minha vida na escuridão e na tristeza, que me seguro na pequena esperança de que o dia de amanhã seja um pouco melhor?
Eu tinha a permissão para sentir algo tão caloroso assim?
– Sakura-chan?
Eu o fito com minhas bochechas coradas. A quanto tempo eu estava admirando ele assim e pensando essas bobagens? Aposto que ele vai me chamar de louca. E talvez eu seja mesmo...
– Hum?
Ele abre aquele sorriso novamente. Isso já virou parte dele. Sorrir.
– N-não é nada... É só que eu estava me perguntando... O que tanto você pensava... – ele falou desviando o rosto e coçando o nariz.
– Em você. – oi? Que droga é essa Sakura? Como assim você falou a verdade? Tá doida?
Eu vi ele voltar o olhar para mim com aquela frase. Estava assustado, surpreso, incerto e... feliz. Não dava para entender esse garoto.
– Em mim? – ele perguntou em um quase sussurro. Não era como se ele realmente esperasse uma resposta minha. Ele apenas aproveitou uma das mechas do meu cabelo caindo sobre meu rosto e, calmamente, a colocou para traz da minha orelha branca. – Eu nunca tinha dito, mas... Eu gosto desse seu cabelo exótico...
Choque. Eletricidade. Tudo junto e misturado.
– Meu cabelo rosa é cortesia do senhor Haruno... – consegui dizer meio sem fôlego. Ele permanecia com a mão do lado do meu rosto branco.
– Eu sempre me perguntei... Que perfume ele teria...
Pronto. Foi só ele dizer isso que as minhas pernas perderam o controle e tremeram descontroladamente. Eu torcia para que ele não percebesse essa minha pequena fraqueza particular.
Naruto desceu a mão que estava do lado do meu rosto suavemente até as pontas dos meus cabelos rosados. Ele não parecia ser capaz de me perguntar se poderia ou não prosseguir com o que queria, ele apenas continuava o movimento lentamente, como se quisesse me dar a chance de fugir e ao mesmo tempo pudesse apreciar o máximo possível o ato.
Levemente ele aproximou suas narinas das mechas aprisionadas por suas mãos e aspirou. Intensamente e profundamente.
Corei.
Foram segundos preciosos de um ato único, talvez até minutos. Ninguém nunca tinha feito algo assim comigo. Receber carinho era tão maravilhoso quanto as pessoas diziam, era mágico.
Não demorou para que seu rosto se levantasse e fosse de encontro com o meu.
Eletricidade? Não... Agora estava mais para imãs... Sim, isso soa melhor.
Dois imãs. O lado de elétrons e o de prótons que, regidos pelas leis da física do universo, se atraíam pelo fato de serem totais opostos. Como quando o sol e a lua se encontram em um eclipse.
Atração. Gravidade.
Por que eu estava pensando em física agora? Não dava para entender... Mas parecia uma maneira de explicar.
Eu devia saber que estava errada.
Quando seus lábios se encostaram com os meus... Eu notei que não tinha física no mundo que explicasse aquela sensação.
Era um sonho, era um conforto, era divertido, era caloroso, tão quente quanto aconchegante. Como se eu colocasse um casaco confortável e quente sendo que a instantes atrás eu estava quase morrendo de frio.
Um alívio. Um alívio muito bom. Tão bom que eu pensava se uma pessoa como eu era digna de sentir algo como aquilo.
Meus lábios, que nunca tiveram qualquer experiência com algo assim, se moviam com uma familiaridade enorme na boca de Naruto. Eu não tinha qualquer treinamento, mas cheguei a pensar que estava me saindo bem.
Um pouco contraditório, não é?
Segundos e mais segundos. Meus lábios, que antes estavam frios devido a temperatura, agora estavam tão quentes quanto o resto do meu corpo. Beijar era um bom jeito de se aquecer no inverno.
Não... Beijar o Naruto era um bom jeito de se aquecer no inverno. Tinha que ser ele.
Quando nossos rostos se separaram nos fitamos ofegantes e depois sorrimos.
O que eu fazia agora? O que eu deveria dizer?
– Sakura-chan... Podemos nos encontrar amanhã no parque de novo? – claro... Combinar de se reencontrar.
– Claro. – será que respondi animada demais? Eram muitas expectativas para ele? Naruto saberia lidar com isso?
E ele apenas sorriu novamente.
Era o Naruto afinal...
Seguimos caminhos diferentes depois daquilo e nos despedimos com um sorriso.
Eu veria o Naruto amanhã... Estava tudo bem ficar feliz por algo assim?
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