If I Die Young

4 I have had just enough time


Notas iniciais
Desculpa pela demora e por não responder os maravilhosos comentários... Ando meio ocupada, enfim... Aqui vai outro

– Sua imprestável! Cortaram a nossa luz sabia? – Otou-san praticamente gritava com sua voz autoritária para mim.

– Não entendo como foi isso, eu juro que paguei a droga da luz! – falei frustrada, de certo modo eu estava certa. Mas se você não paga as últimas 3 contas atrasadas acho que o efeito é o mesmo...

– Pouco me importa do que você tem certeza! Arranje dinheiro e pague! – falar é fácil! Mas não tenho mais tempo para trabalhar! Se eu arranjar um emprego noturno não vai dar para eu ir para a escola e estou no meu último ano, vou fazer de tudo para me formar!

– Se você ajudasse um pouco com as despesas... – deixei escapar o comentário. Ele me olhou da pior maneira possível e senti um arrepio premonitório.

– O que você disse garota?

Lá vamos nós de novo...

Otou-san agarrou meu braço com toda a sua força e me jogou no chão, senti ele me olhar atravessado e gemi de dor e medo. Depois ele me agarrou pelos cabelos e, como se eu fosse uma bonequinha, me levantou do chão só para jogar de novo.

No fim ele apenas desistiu de continuar, estava com preguiça. E eu só fiquei sentada no canto do quarto e chorando...

Demorou um bom tempo para que eu notasse o horário. Três horas da madrugada. Eu deveria me encontrar com o Naruto hoje!

Me levantei o mais rápido que pude e peguei meu casaco indo em direção à porta. Não quis escutar nada que o Otou-san falou quando saí, apenas apressei o passo em direção ao único lugar no mundo em que eu tinha um pouco de sossego.

Naruto. Pensar nele fazia minhas bochechas corarem violentamente, me fazia abrir um sorriso involuntário, me fazia pensar que uma vida como a minha ainda tinha um pouco de esperança.

Isso porque quando eu cheguei em casa depois do beijo de ontem eu me senti totalmente alegre, totalmente realizada e o mais perto de esperançosa que era possível. Nos braços do garoto meio babaca que era formado por ideais nobres eu sentia, de verdade, que eu poderia ser feliz.

Não precisava de dinheiro, de sorte ou mesmo de um pai melhor, era ele. Só ele era necessário para que eu conhecesse facilmente a beleza da vida, os gestos simples, o sorriso cativo, a euforia do bom humor e... o amor.

Conforme fui correndo para lá senti que minhas marcas estavam piores que as da últimas vez. Elas doíam bem mais. Também tentava me conformar no meio do caminho com a possibilidade dele não estar mais lá, o que era bem provável afinal quem iria esperar alguém por 6 horas?

Mas alguma coisa no meu coração, bem lá dentro, dizia que eu devia me apressar e que ele estaria lá. E eu nem conseguiria descrever a felicidade que senti ao vê-lo naquele balanço fitando o céu.

No mínimo a situação era mítica. Naruto sentado em um balanço e admirando estrelas que não existiam, o céu de Tóquio não estava muito transparente hoje. Era outro motivo para ele ter ido embora. Por que esperar alguém se você nem tem estrelas para contar para passar o tempo?

Só que não importava mais. Nada mais importava.

Ele estava ali esperando por mim.

– Naruto? – falei incerta, ele se virou imediatamente após ouvir minha voz.

Então ele mostra os lindos dentes brancos com um sorriso. Como é que ele consegue sorrir tão facilmente assim? Ele não sabe que quanto mais faz isso, mais eu acabo me tornando dependente dele e de sua luz? Me sinto tão cega por querer um céu tão claro.

Era para ser algo inalcançável para mim, algo impossível, mas não era isso que o seu sorriso me sugeria.

– Você demorou Sakura-chan...

Chorar... Chorar de alegria... É a primeira vez que choro assim. Minhas lágrimas, que normalmente são amargas e frias, escorrem como pequenos pingos de uma chuva de verão. Elas existem de forma reconfortante e completa, me deixando timidamente feliz.

Corri para ele sem me importar com mais nada. Ele esperou por mim então estava ali para mim, era isso que eu repetia na minha cabeça enquanto tentava justificar minhas ações loucas.

Quando eu cheguei aos seus braços e caímos do balanço nós rimos, mas ele continuava com os braços em volta de mim. Não tinha problema se estávamos no chão frio de um parquinho mal cuidado ou se o meu peso sobre ele estava incomodando, eu só via alegria ali, uma euforia especial.

– Acho que você está feliz em me ver... – ele disse animado enquanto ainda estava em baixo de mim. Resolvi me levantar, então nos sentamos.

– Não se ache por causa disso. – falei fazendo bico e ele riu. Imediatamente depois o vi tentando ignorar os machucados nos meus braços, mas ele parecia incomodado – Foi o meu Otou-san, ele sempre me bate quando fica com raiva. – disse baixinho. Fiquei muito surpresa comigo mesma por ter criado coragem para contar para ele.

– Eu imaginei que era algo assim... – Naruto falou tristonho – Mas eu queria esperar você me contar, não queria perguntar.

Ele sorri tristemente para mim quando suspende a manga do meu casaco e passa os dedos gentilmente pelos meus ferimentos. Sinto um grande arrepio com seu toque. É possível algo ser tão confortável e desconfortável ao mesmo tempo? Os sentimentos deixam as pessoas confusas...

– Obrigada por ter me esperado. Sério. Nunca me senti confortável para falar sobre isso com alguém antes, você é o primeiro e... – abri a boca e fechei várias e várias vezes, ele apenas esperava pacientemente para saber se eu continuaria com a história ou não.

Tudo bem eu me abrir dessa forma com alguém? Deixar que ele saiba de uma história que eu guardei totalmente para mim em todos os meus 17 anos de vida? Eu me questionava toda hora por coisas assim, mas eu sabia que no final... Eu confiaria no Naruto.

– Minha Okaa-san morreu quando eu ainda tinha 7 anos... – comecei – Naquela época ela havia me salvado de um acidente de carro. Antes disso o meu Otou-san , eu e a Okaa-san éramos uma família totalmente normal e feliz... Nunca tivemos muito dinheiro claro, mas íamos levando as coisas. – suspirei fortemente tentando conter o choro – Com o acidente a Okaa-san ficou em coma. Cada dia que passava o Otou-san tinha mais raiva de si mesmo por não poder fazer nada, mas com o tempo ele simplesmente começou a ter raiva de mim. A Okaa-san só durou um ano no coma e faleceu. Meu Otou-san trabalhava que nem louco para pagar o hospital, mas quando a Okaa-san faleceu ele já estava lotado de dívidas e não tinha dinheiro nem mesmo para pagar o enterro. A Okaa-san foi enterrada em um cemitério bem precário e o Otou-san ficou com ódio de si mesmo por nem ao menos poder pagar um enterro digno a ela.

“Foi quando o Otou-san começou a beber muito, ele estava triste e magoado, não via mais sentido no mundo. Eu tentei ajuda-lo é claro, mas ainda era nova demais. Quando ele começou a me bater eu fiquei muito bem calada, eu me perguntava se isso fazia ele se sentir melhor. Mas o tempo foi passando e as coisas só foram piorando, Otou-san foi demitido do trabalho três anos atrás e nos mudamos de cidade por terem nos tomado a casa.”

“Foi quando o Otou-san ficou muito pior. Compramos uma casinha bem pequena na periferia de Tóquio, mas o Otou-san não conseguia arrumar emprego... Foi aí que ele começou a jogar e nossa situação piorou drasticamente. Tive que começar a trabalhar para sustentar a casa e hoje em dia eu tenho dois empregos de meio-período e ainda vou a escola. O Otou-san só fica sentado na poltrona de casa bebendo ou contraindo mais e mais dívidas, eu temo todos os dias que algo realmente ruim aconteça conosco. Sinto que somos sobreviventes apesar de tudo.”

Terminei minha história e não sabia mais quando, exatamente, havia começado a chorar ou quando Naruto havia me pegado e me abraçado de forma tão delicada para não pressionar meus machucados.

Mas eu ainda queria falar mais uma coisa. Um desejo tão íntimo que nunca havia contado para ninguém e nunca imaginei que contaria para alguém como o Naruto.

– Eu ainda tenho esperança sabe? Que as coisas melhorem e o Otou-san volte a ter vontade de viver... – eu falei em meio às lágrimas que foram secadas pelo braço e pelos toques sempre gentis do Naruto.

– Acho que a vida é um saco para todo mundo... – ele disse com um sorriso e apertou mais nosso abraço – Mas não tem problema.

– O que?

– Isso que eu estou sentindo... Por mim pode durar para sempre, não tenho problema em ser seu amparo.

Eu não poderia me permitir ficar feliz com aquelas palavras. Simplesmente não era algo natural para mim, não era possível. Por isso eu apenas disse:

– Para sempre é muito tempo. – olho para ele e sua expressão parece séria. Então apenas digo a primeira coisa que vem na minha cabeça – “Há um rapaz aqui na cidade que diz que me amará pela eternidade”.

– É o trecho de uma música, não é? – ele perguntou interessado. Quando eu simplesmente assenti ele sorriu – Soa muito bem.

Fiquei surpresa com aquela frase. Era como se ele tivesse acabado de admitir que me amava.

Pensei em perguntar para ele, mas naquele momento eu não era mais capaz de dizer mais nada. Provavelmente porque eu estava muito ocupada aproveitando o calor dos braços dele em volta de mim.

Infelizmente não demorou muito tempo para que eu tivesse que ir embora. Tinha escola no dia seguinte e já eram 4 da manhã! Nos despedimos e combinamos novamente de nos encontrar no dia seguinte.

No caminho para casa eu me sentia leve, calma e feliz como nunca antes. 3 encontros e eu já estava apaixonada, me perguntava até que horas Naruto ficaria ali me esperando. E a resposta que o meu coração sussurrava era “para sempre”.

Notas finais
Eu fico muito agradecida mesmo a quem comenta. Vou ver se arranjo um tempinho para responder essas belas palavras que vocês me dedicam ao comentar
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.