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Notas iniciais
O dia tinha sido longo e cheio de acontecimentos inesperados, tanto para Emma quanto para Regina. O destino e suas ironias perversas, Emma havia visto seu primeiro amor morrer em seus braços, ao tempo em que a rainha havia encontrado com aquele que supostamente seria seu final feliz. Era muito para qualquer uma das duas processar.
Depois que falou com Henry, Emma decidiu andar um pouco e como de costume seu inconsciente a levou ate a mansão. Regina abriu a porta com um leve ar de surpresa, realmente não esperava ver a xerife ali naquela noite, achou que depois dos acontecimentos do dia Emma iria querer ficar sozinha.
– Neal... está morto... – A loira disse como se a morena ainda não soubesse. As lagrimas correram o seu rosto imediatamente.
Regina a puxou para os seus braços, confortando-a, sabia que por mais que Emma não fosse mais apaixonada por Neal ele sempre seria uma grande parte de sua vida, afinal era o pai de Henry.
– Emma... – Regina disse acariciando os fios dourados, em uma tentativa de acalmar o coração da xerife. – ele fez isso pra salvar a todos... pra salvar Henry.
– Eu sei... – Emma murmurou entre o pranto. – mas... ele morreu nos meus braços.
Regina sabia muito bem como era aquela sensação. – Eu sei como é difícil agora, que parece que nunca vai parar de doer... mas um dia para, eu prometo.
Emma se virou e encarou a rainha. – Obrigada por estar aqui pra mim.
– Eu sempre vou estar. – Ao dizer as palavras sentiu uma aflição. – Não importa o que aconteça. – se viu obrigada a acrescentar.
As duas entraram e se acomodaram ao sofá, então Emma contou exatamente como tudo aconteceu.
– Como você soube como separá-los? É uma magia muito difícil.
– Eu apenas me concentrei no que queria fazer... eu não estava pensando direito, mas deus certo.
– Você é realmente muito poderosa. – Regina disse enquanto tirava uma mecha do cabelo da loira de seu rosto.
Emma descansava a cabeça sobre as pernas de Regina, de onde estava podia ver claramente a expressão preocupada que a rainha tinha. – Aconteceu alguma coisa?
Regina a encarou e tocou gentilmente seu rosto. – Estamos aqui pra cuidar de você hoje. – disse com um tom doce e forçou um sorriso, esperando que aquilo fizesse Emma desistir da pergunta.
– Você está diferente... pensativa.
– Só estou pensando sobre essa bruxa.
– Não, não é isso. Esse não é o olhar que você faz quando pensa sobre ela.
– E você conhece todos os meus olhares agora, Miss Swan? – Regina tentou brincar.
– A maioria deles. Estou quase começando a te desvendar, rainha. – Emma disse enquanto ficava sentada de frete a Regina. – Mas não tente mudar de assunto. Aconteceu alguma coisa hoje. Eu posso sentir.
– Emma, vamos só deixar isso pra outro dia. Você já lidou com muita coisa hoje.
– É ruim assim? Pra você estar com medo de me contar.
– Emma...
– Eu posso aguentar. O que aconteceu? – O olhar de Emma era aflito, cheio de preocupação.
– Tudo bem... – Regina disse resignada, não ganharia aquela discussão. – Lembra quando eu te contei que Tinker tentou me ajudar?
– Com seu amor verdadeiro. Lembro disso, lembro que você fugiu.
– Pois é, aparentemente de certas coisas não se pode fugir. – Regina tinha no olhar uma mistura de medo excitação.
– O que quer dizer?
– Eu o encontrei, Emma. O homem com a tatuagem de leão... eu não sabia que era ele, eu só descobri depois.
– Depois? Depois de que?
–Ele estava na casa da bruxa, para investigar também. Nós acabamos entrando juntos. E eu... – Regina sabia que dizer aquilo magoaria Emma, mas ela tinha que ser sincera. – soube no momento que o vi, que de algum modo eu já o conhecia.
Emma ficou de pé, agitada, completamente transtornada. – E o que você fez quando viu a tatuagem? Você contou pra ele? – ela exigiu, lutava para manter sua voz calma, mas falhava miseravelmente.
– N-não... eu apenas fui embora. – Regina disse e a expressão de Emma pareceu suavizar. – Mais...
– Mais? Ainda tem mais?
– Eu o vi de longe, brincando com um garotinho. E eu não sei... eu...
Emma sorriu sem nenhum humor. – Parece que ele mexeu com você não foi? E ele tem um garotinho. Ótimo, agora você pode trocar Henry e eu por eles... – Regina nunca tinha visto Emma falando daquele modo. As palavras a magoaram profundamente.
– Eu não disse isso Emma, você está exagerando. – Regina também ficou de pé.
– Exagerando?! Diga que não ficou mexida!
– Qualquer um ficaria! – Regina finalmente não aguentou mais manter a calma. – O que você faria se colocassem o seu amor verdadeiro bem na sua frente agora mesmo?!
– Acontece... – Emma disse baixando a voz. – que a pessoa que eu amo está bem aqui na minha frente agora.
Regina recuou com isso, mas ela ainda estava com raiva pela acusação de Emma, de que trocaria ela e Henry por Robin e o garotinho. – É mesmo? Se isso fosse verdade você não andaria por ai flertando com aquele pirata!
– Não meta Killian nisso!
– Ah eu nem posso tocar no nome dele agora. – O sarcasmo e a raiva eram uma mistura perigosa nas mãos de Regina. – Ele é tão nobre... um herói que voltou para te trazer de volta, quando eu não pude.
– Você está tentando inverter a situação aqui. Mas não vou deixar você fazer isso. É você que está em duvida. Em duvida sobre o nosso amor. – Emma se aproximou da rainha encarando-a de muito próximo. Lutou para acalmar todas as suas emoções e disse. – Eu não tenho duvida alguma sobre nós. Você só precisa me dizer que também não tem e ficaremos bem... – A voz da loira era vacilante, aquilo era uma proposta misturada com uma suplica.
Regina ficou em silencio, uma lagrima silenciosa correu o seu rosto. Era simples acabar com aquela discussão, muito simples, mas ela não podia mentir. Emma estava certa, Robin tinha mexido com ela.
– Amor, por favor... – A voz fraca de Emma foi como uma facada no coração da rainha, odiava a ver sofrer daquele jeito.
– Eu não posso dizer isso... – Regina disse depois do longo silencio.
Emma não disse mais nada, apenas encarou Regina como se não a reconhecesse e então foi embora, levando consigo o seu coração, que havia sido partido mais uma vez.
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