Notas iniciais
Oyêê!! Sei que mereço uma bronca por ter sumido todos esses dias, mas com o fim de ano chegando começam as correrias, né? Pois bem, voltei e quero dedicar esse capítulo especialmente à minha leitora preferida Helen Carla ( Vai dizer que não é? kkk). Helen, obrigada por lê o que escrevo! Você não tem ideia do que isso significa pra mim. Vou tentar postar mais regularmente, ok? Um grande abraço e boa leitura!

POV João Miguel

O apartamento era moderno e sofisticado, mas era impossível prestar atenção em algo além dela naquele lugar. Todas as coisas se ofuscavam em sua presença. Eu a observei em meus braços e pensei em quantas vezes a imaginei ali, exatamente onde estava agora. Na minha vida. E ninguém, absolutamente ninguém ousaria tirá-la de mim. Nunca. Eu não permitiria! Se algum dia, qualquer homem olhasse para ela da mesma forma que eu... “Não! Esse não é o momento de imaginar coisas desagradáveis”, pensei. Tínhamos ido muito além do que eu esperava. Estávamos a sós. A noite toda!

O pensamento me fez procurar seus lábios e eu a beijei, tão feliz que comecei a girar com ela ainda nos braços, gritando como um garoto bobo diante dela:

― Eu te amo, Malú! Eu te amo! Eu te amo! ― Não me importava de parecer imaturo. Não era assim que me fazia sentir? Uma criança feliz, quando estava com ela?

Lembrei do momento em que saímos da praia. Eu havia determinado que a levaria direto para nosso quarto. Eu a queria lá. Desde sempre. Mas, e ela? Queria? Agora que estávamos ali vi que não era assim tão simples. Não era algo que eu pudesse decidir sozinho. Empurrei a idéia para segundo plano em minha mente, a coloquei no chão e a levei para conhecer a casa.

Malú se divertia correndo em volta da banheira de hidromassagem ― saltando as toalhas brancas que descansavam nas bordas, à espera de serem usadas ― me chamando para brincar com ela, enquanto eu... a imaginava lá dentro, vestida apenas de espuma e agarrada a mim. Às vezes ela parecia apenas uma menina num corpo de mulher. Um corpo que há muito tempo me tirava o sono.

Sua atenção estava em todos os detalhes à nossa volta e percebi que sua mente estava leve, bem distante dos pensamentos insinuantes que inquietavam a minha. Então, como se estivesse tranquilo também, a deixei apreciar cada cantinho do lugar, menos o quarto. Que ironia! Porque no momento em que passamos pela porta dele, entre aberta, a atmosfera mudou repentinamente. Pude ver a nossa cama ― a luz incandescente clareando os lençóis em branco e azul, impecavelmente estendidos para nos receber― e nela uma energia mágica me persuadindo a me desviar para lá. Uma força muito parecida com a eletricidade que eu sentia ao tocar seu corpo. Era uma sensação quase tangível, irrecusável. Olhei para minha mulher e de novo para a cama, como se meu olhar fosse capaz de transportá-la para cima dos lençóis. Era só eu que me sentia assim? Com tanta necessidade dela?

Quando voltei a encará-la ela imitava meu gesto, um pouco séria, me deixando confuso. Sua atitude era igual, mas o significado poderia ser diferente. E eu só a levaria para lá quando nós dois estivéssemos na mesma sintonia. Embora eu não soubesse quanto tempo mais eu aguentaria a espera.

Ela quebrou nosso silêncio correndo até a sacada para admirar a vista da cidade iluminada, que do alto, parecia calma e sossegada. Uma camuflagem, como a minha, criada pela distancia para mascarar a agitação e a insegurança da noite.

Mas foi quando me juntei a ela, que o vento soprou forte seu perfume contra meu rosto e eu não resisti mais. Estava embriagado pela sua presença e seu cheiro espalhado em meu corpo. Ela estava adiando qualquer intimidade entre nós, eu podia sentir. Mais eu precisava tentar. Ou enlouqueceria.

Com delicadeza, trêmulo e o coração nas mãos eu arrisquei:

― Vamos entrar? ― Ela me olhou com certo espanto, mas não respondeu.

― O vento está frio e... lá dentro ta bem quentinho! ― Falei suave e delicadamente para não assustá-la ainda mais.

― Temos mesmo que entrar? ― Agora ela estava com medo. E eu teria que saber conduzi-la com suavidade ou seria a minha derrota. O meu fracasso.

Então eu respirei fundo e concentrei minha mente: “Coração fale por mim, por favor! Deixe meu amor falar com ela... Deixe-a saber o tamanho do meu sentimento... Que a minha felicidade tem o nome dela e que sem ela eu não posso existir.” E nesse momento fui guiado pelo que senti:

― Amor, não tenha medo de mim. Eu a quero de uma maneira que você ainda não consegue entender. Meu amor não impõe condições, pelo contrário, ele aceita qualquer proposta sua. É claro que não posso controlar minha mente e tenho pensamentos que você seria incapaz de imaginar, mas posso viver toda uma vida somente com seus beijos e abraços e serei feliz. O que não posso é viver sem você ao meu lado. Essa é a única coisa que eu não suportaria. ― Eu falava olhando dentro dos seus olhos tentando ler o que se passava em sua mente.

― É por isso que eu te amo, porque você é o melhor de todos os homens. ― Suas palavras apunhalaram o meu peito. Como ela poderia dizer isso de mim? Eu sou um monstro, o seu monstro! Já ela é linda e eu a amo e quero que ela saiba disso.

― Não, eu não sou um homem bom. Sou um homem apaixonado. Por você!

― E você vai ficar comigo mesmo que eu não seja capaz de fazer o que sua mente deseja?

Se ela soubesse como sinto a sua dor, como eu queria arrancá-la de dentro dela. Como queria que ela se libertasse dessas amarras e conhecesse a felicidade que sentimos quando amamos. O prazer de se doar à pessoa amada... Como quero que ela me queira junto de si. Que me busque para ela sem nenhuma resistência, sem que eu tenha que pedir.

― E onde mais estaria a minha felicidade se não ao seu lado? Do que vale os desejos da minha mente se eu não tenho você? Dê-me apenas o que você quiser me dar e garanto que já terei muito. ― Eu mereço somente o seu desprezo, no entanto miseravelmente anseio por mais.

― E se eu não conseguir?― Ela realmente estaria cogitando se entregar a mim?

― Bem, os olhos são a porta do coração. Eu vou estar o tempo todo olhando bem no fundo deles e vou saber entender o que você está sentindo. ― E espero realmente que eu consiga por que não posso mais machucá-la. Nunca mais!

Eu a beijei mas ela me interrompeu imediatamente, puxando-me pelo braço e parando a alguns passos da porta do quarto. Aquele quarto. Todo o meu corpo reagiu. Ela olhou dentro dos meus olhos e me deu um sorriso interrogativo. Eu entendi a pergunta silenciosa, o que eu não sabia... era se acertaria a resposta.

Notas finais
Cruzando os dedos para que tenham gostado. Até a próxima!