Identidade celestial
3 Amores
Notas iniciais
P.O.V Autora
– Ahhhhhhhhh! — gritou Abelha ao acordar do seu pesadelo.
– Que foi, menina? Está tendo um enfarte? — perguntou Bia, que acordara com o grito da outra.
– Não, foi só um pesadelo. — disse ela, após recuperar-se do susto.
– Que pesadelo foi esse que te fez acordar berrando desse jeito? -quis saber Ana.
– Nada. Vou escovar meus dentes.
Na escola, após descerem da van, Cris sentou em uma banco e começou a procurar o caderno na mochila. Quando encontrou, virou-se e deu de cara com Duda também sentado no banco.
– Ai, que susto menino!
– Sou assim tão feio?
– Não, é só que eu não te vi.
Cris abriu o caderno na revisão de história e fingiu se concentrar na parte sobre civilizações fenícias, quando na verdade não estava dando a mínima para isso, e sim, para Duda. Sim, a Cris era a fim do Duda desde sempre, e ficava nervosíssima só de sentar e conversar com ele.
– Cris?
– Ah, fala Duda. — disse rapidamente, despertando de seu devaneio.
– Eu perguntei se você pode me ajudar a estudar para a prova da semana que vem. Do jeito que você está concentrada, deve ser boa em história.
– Claro! Ajudo sim.
– Ok, eu passo no orfanato amanhã a tarde.
O sinal tocou. Duda apoiou-se no banco para se levantar e encostou a ponta do dedo na mão de Cris, mas de um jeito tão leve que se ela não estivesse tão nervosa não teria nem percebido. No fim, levantou-se e seguiu para a sala de aula, fingindo naturalidade.
Na sala de aula, todos entraram e sentaram de modo tão rápido que para Mili e Mosca sobraram apenas duas carteiras uma ao lado do outra. O mesmo destino para Duda e Cris.
No meio da aula de Geometria, enquanto a professora explicava a fórmula do volume do cilindro, a caneta de Mili caiu. Ela e Mosca abaixam-se para pegá-la e ocorre o encontro de suas mãos. Os dois se olham imediatamente. Aquilo chamara a atenção de menina Abelha, que estava sentada na carteira atrás de Mosca. Ela percebeu que eles eram a fim um do outro só pela pequena chama que se acendera nos olhos de ambos.
"Se isso fosse um desenho animado, teria um coraçãozinho em cima desses dois." pensou ela.
Ao voltarem para o orfanato e almoçarem, Abelha mal podia esperar para matar sua curiosidade. Subiu para o quarto dos meninos e bateu na porta.
– Ah, só o que faltava. Menina no nosso quarto! — disse Binho ao abrir a porta.
– O Mosca está aí? Preciso falar com ele.
– Entra aí. — permitiu.
– O que foi Abelha? — perguntou Mosca.
– Binho, por favor, vaza.
Binho foi embora e a menina deu início a conversa.
– Preciso ser rápida, então vamos direto ao ponto. Eu vi o jeito que você olhou pra Mili hoje na escola.
O coração de Mosca disparou.
– Como você viu?
– Eu estava sentada atrás de você, lembra? Mas voltemos ao assunto. Eu vi que você olhou para a Mili como se estivesse enfeitiçado. Você gosta dela, não é?
O peito do menino parecia uma escola de samba.
– De onde você tirou essa ideia?
– Pra cima de mim, Mosca? Eu notei que você fica todo tímido quando está perto dela. Vai me dizer a verdade ou não vai?
Ele então viu que não adiantaria competir com Abelha.
– Tá bom, eu gosto dela sim.
– Por que não contou para ela ainda?
– Não tenho coragem. E se eu levar um fora?
– Pelo que eu percebi, ela também gosta de você! Olha, se você quiser, eu posso te dar umas ideias de como se aproximar mais dela.
– Sério?
– Claro! É só eu conversar um pouco com a Mili e arrancar alguns pensamentos e devaneios secretos dela! Aí depois eu te passo todas as informações!
Mosca estava realmente feliz.
– Valeu Abelha! Você é sangue bom mesmo!
– Obrigada! Vou conversar com ela ainda hoje!
Abelha saiu do quarto dos meninos muito feliz. Finalmente havia conseguido algo que a distraísse das vozes fantasmagóricas que urravam em sua cabeça. Finalmente viu a sua marca no pulso começar a desaparecer.
Fale com o autor