Identidade celestial
4 Suspeita
Notas iniciais
P.O.V Autora
Abelha chegou na porta do quarto das meninas.
– Ok, ir direto ao assunto, mas sem invasões.
Entrou. Mili estava sentada na cama de Bia, observando os chuviscos que caíam e escrevendo em um caderninho.
– Oi Mili!
– Ah, oi Abelha!
– O que está escrevendo?
– Estou só alimentando meu diário.
– Ah.
Um pequeno silêncio se estendeu até Abelha tomar coragem.
– Mili.
– Fala.
– Você já gostou de algum menino?
Mili fez cara de surpresa.
– Por que está perguntando isto?
– Curiosidade.
– Eu já gostei do Mosca, mas ele não quis saber de mim.
– Ele não quis saber de você ou você não quis saber dele?
– Acho que as duas coisas.
– E você não sente mais nada por ele? Nem uma gotinha?
– Para falar bem a verdade, sinto. Mas eu já mandei uma carta me expressando e ele não me respondeu. Aposto que ele não gosta mais de mim.
Abelha tomou um susto. Como aquilo era possível, se Mosca lhe dissera com todas as letras que estava apaixonado? Só havia uma possibilidade daquilo acontecer.
– Alguém sabia que você ia mandar essa carta?
– Não. Quer dizer...
Mili hesitou um instante. Imagens vieram à sua mente.
– A Marian sabia. Por quê?
Abelha mandou-lhe uma mensagem com os olhos.
– Você acha que ela pode ter interceptado a carta? — perguntou Mili.
– Tudo é possível.
– Não, a Marian não seria capaz.
– Pelo que sei, a Marian chegou a pouco tempo. Pouco tempo demais para afirmarmos qualquer coisa. Para mim, tanto ela pode ser uma santa quanto uma bruxa.
– Acha que eu devia procurar nas coisas dela?
– Acho improvável, uma pessoa esperta já teria jogado a carta fora ou queimado. Mas não custa tentar.
Abelha saiu do quarto e deixou Mili pensando no que fazer. Voltou ao quarto dos meninos com uma expressão séria.
– E aí, o que ela disse? — perguntou Mosca. Então viu o rosto de Abelha. — Pela sua cara não foi nada bem.
– Pelo contrário, ela ainda gosta de você.
– Tá de brincadeira! — e comemorou até ver que a garota continuava séria.
– Mas para você estar assim aconteceu alguma coisa ruim, não é?
– Mosca, você chegou a receber alguma cartinha da Mili?
– Não, ela nunca me enviou nada.
– Tem certeza? Ela disse que te enviou uma carta se declarando e que você nunca tinha respondido. E disse que a Marian sabia que ela ia te mandar essa carta.
A euforia de Mosca simplesmente desapareceu.
– Você acha que ela desviou a cartinha?
– Eu acho que sim, a Marian não me inspira confiança. Mas vamos voltar a parte boa. O que você tem que fazer agora é manifestar seus sentimentos para ela.
– Como assim?
– Ora, ela precisa ter a certeza que você sente algo por ela.
– E como é que eu vou fazer isso?
– Ah, tem mil maneiras. Você pode escrever, falar pessoalmente, fazer uma poesia, dar uma flor, chamar para um lugar bonito, oferecer um piquenique romântico, e etc. No seu caso, eu recomendaria falar pessoalmente.
– Não tenho coragem.
– Bobagem, aposto que você já fez isso. Basta passar uma cartinha debaixo da porta, dizendo que você precisa conversar sobre vocês dois e que ela te encontre no jardim.
– Mas a gente já conversou tanto sobre isso!
– Mais um motivo para não ficar nervoso! Vai ser mamão com açúcar, você vai ver!
– Beleza, vou falar com ela esta noite. Valeu Abelha, você é uma ótima amiga!
– Ah, obrigada! Boa sorte com a Mili!
A menina então saiu do quarto e foi para o jardim. Examinou o banquinho um pouco enferrujado, a grama sem flores e as árvores sem copas.
– Isso está precisando de alguns ajustes.
Estralou os dedos e um brilho dourado saiu da mão. O brilho se espalhou pelo banco, pela grama e pelas ávores. Em alguns instantes, o banco reluzia como novo, flores espalharam-se pelo solo e as árvores se encheram de folhas.
– É, ainda não perdi a mão!
Observou a marca do Infinito em seu pulso. Estava tão clara que parecia não existir.
– Só espero que dê certo!
E entrou no orfanato. Dois espíritos lhe observavam, uma mulher e uma adolescente. Carregavam a mesma marca do Infinito no pulso.
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