Notas iniciais
O.K., eu demorei séculos pra postar de novo, mas é que ta difícil. Enfim é sobre a Evey e bla bla bla.

– Não é brincadeira, Nicolas. Pare de brincar com os sentimentos das pessoas.

– Nossa, nossa, para. – elevou o tom de voz ele e agarrou os pulsos da amiga – Parece até aquelas malditas sirenes que ficam gritando o tempo todo: Isso não é um treinamento, todos parem de fazer tudo o que estão fazendo e evacuem.

Um garoto da sala de Nicolas estava ali perto e começou a rir-se todo, caçoando “Evacuem hihihi”. Evey revirou os olhos e tentou soltar sua pele pálida e ossos cálidos do domínio das mãos bravias de Nicolas.

– Maldição, Nick. – finalmente conseguindo arrancar seus membros avermelhados de seus dedos gigantes, os pulsos pungiam pela força que ele aplicara nela.

– Olha, a Paula ta totalmente bem com tudo isso, ela nem sabe.

– Você é imbecil ou o que? – Evey tornou sua feição numa completa revolta e indignação – Claro que ela viu! Ela é 300 milhões de vezes mais perceptiva que você! Se bem que não dá para multiplicar nada por zero, não é?

– Ahn? – lerdeza mental – Enfim, sem suas piadinhas de nerd de mal gosto, desde quando isso tem a ver com você?

– Ah, Nicolas! Ela te ama de um jeito que você nem merece ser amado!

Ele se calou um pouco, certamente sua mente não havia processado ainda essa informação durante os 3 anos junto de Paula. Mas, como todas as discussões, ele voltou com a mesma inclemência de espírito:

– Ah, lá vem você de novo – como se ele a ouvisse em qualquer uma das oportunidades que lhe foram dadas – Ela sempre me deu bolo, pelo menos Laura me trata do jeito que eu devo ser tratado.

– Como o prostituto e troféu dela, não é? – Evey se irritou e rumou a outro lugar; não queria ficar mais próxima a aquele garoto de atitudes tão precipitadas e infantis.

Ele a puxou de volta pelo braço.

– Para de falar esse tipo de coisa! Ela me ama, eu amo ela. Ponto final. Também amo Paula e desde que ela esteja feliz dará tudo certo.

– Porém ela não está feliz, idiota. Sua teoria da maximização da felicidade possui falhas demais.

– Ahn?

– Ah, seu burro! – ela berrou – Se você ainda tem esperança de um dia, quem sabe, — divagava muito devagar para ver se ele entenderia – “ficar” com a Paula de agora, você tem de se desculpar com ela.

– Como assim “Paula de agora”?

Evey suspirou e levou uma das mãos geladas a face:

– Você é o outono do coração dela; se continuar a quebrá-la, nunca mais será a mesma.

Nicolas se encaminhou à direção oposta à dela, e disse:

– Você é impossível... – negando com a cabeça, os cabelos sedosos e cacheados balançando tanto quanto.

O sinal bateu como das outras três vezes desde o intervalo turbulento. Evey levantou a cabeça da mochila lotada de livros postada acima da carteira adornada, embaixo, por chicletes das mais variadas cores e pixada pelas mais populares declarações de amor: “Fulana gostosa”; “Casal fofo!”; “Você é a luz da minha vela, a tampa da minha panela...”; “Beltrano gato”; “♥ ♥ ♥”.

Quão poético.

Ninguém a via, tão absortos que se concentravam em seus próprios rumos. Ela desceu as rampas do colégio levando empurrões acidentais aqui e ali. A massa de pessoas como cordeirinhos saindo de um abate e indo a boca das pessoas, todavia bem mais animados.

O chão de pedra fina embaixo da ponte entre a saída e a entrada do edifício de ensino talvez tremesse, porém a quem importava? Mexiam os pés mesmo assim, embora tropeçassem nas proeminências das rochas mal cortadas para servir de piso, apesar de se perderem na multidão de corpos ascendentes naquele declive. Seguir o fluxo era o que importava, e se todos forem contra a corrente não se formaria uma nova corrente?

Só a água era falível à gravidade e os empurraria de volta, contudo o ar não.

O local mais isolado daquela vida, em que seus pais motoristas eram o ceifador, lhe caía bem.

Um fantasma não deveria ser notado e ela por si mesma era estranha e inusual. Esta era a falha em seu plano.

Kurt e Cora foram se juntar a ela, sentada com o tronco e a cabeça encostadas na parede de azulejos azuis e as pernas sustentadas pelo mesmo chão de pedra.

Tyler ficou nas redondezas de vez em quando virando seus olhos claros para Evey, conversando com algum de seus amigos sobre videogames. O vento soprava as folhas das árvores próximas embaixo da ladeira que os separava tornando-as ainda mais próximas, pela altura das plantas e jogava a água acumulada nelas para o chão cada vez mais encharcado.

Os céus nublados, a esperança encoberta. O olhar de Tyler, sendo tão forte, conseguiu fazê-la lembrar sobre o que estava a tanto esperando.

Na noite passada, ela tão cansada, contudo sem o sono lhe atingir, sentou no telhado e observou as estrelas. Aquela segunda-feira pós-festa havia a embriagado mais que todas as sextas com bebidas quando era mais nova.

E lá embaixo ele estava, não sorria, fazia força. Claro, com uma garota embaixo dele, ainda mais lotada de sangue. Ela aparentava chorar e gemer ao mesmo tempo. Dominik, como um monstro, castigava-a por tudo de errado que ela já fizera e ainda realizaria.

Ela não entendia, embora estivesse o mais perto que poderia dele, o que ele queria dizer com tudo aquilo. O vento, em seu torpor e arrependimento, empurrou as cortinas brancas para dentro e para fora, deixando a visão de Evey com apenas partes do momento.

Uma piscada.

O sexo parecia um ato de necrofilia.

Uma piscada.

E ela via a expressão de dor no rosto de Isabela.

Uma piscada.

E a semblante cheio de desdém de Dominik.

Uma piscada.

E, certamente, aquela garota nunca sentira tanta dor.

Uma piscada com lágrima.

E o vento entrou em tanta abundância no quarto que manchou as cortinas com o sangue de Dominik.

Mais lágrimas e uma piscada longa.

Dominik não tentava de forma alguma estancar seu sangue.

Assim que as cortinas bailantes funcionavam, dançavam a sintonia do vento e encobriam o mundo lá fora em forma de piscada. A barra do tecido ficou louca já que o vento se encaminhando a ali rugia tal qual Dominik em seu leito alvo, sujo de plasma.

Um movimento aqui e ali na cortina, e ela encobria toda a janela, deste jeito ninguém sabia o que ocorria, se ocorria.

Nunca mais totalmente brancas.

Uma piscada.

Uma piscada.

A pele clara de Dominik preenchida por hematomas, ele sendo tomado por enorme dor. Evey não pôde deixar de chorar mais.

Uma piscada.

Ele saiu de cima de Isabela, Evey juraria que vira medo em seu ser injuriado.

Uma piscada.

Evey limpou suas lágrimas e avançou no telhado para observar melhor, também escutar a cena cujo espetáculo ainda acontecia.

Abriram-se os olhos para o universo interno de Dominik, conforme sua dor mostrada anteriormente, sua feição era pungente. Ele sentado na beirada de sua cama, já bem profanada, nu, derramou uma lágrima, em sua bochecha, que possuía líquidos suficientes para matar a sede na África, se todos lá fossem vampiros.

Ela, simultaneamente, ao observar o inferno em que se encontrava enfiado em, chorou, uma lágrima mais quente que todo fogo acendido qualquer vez por ela. Queimou seu rosto de acordo com sua cadência.

Ela sentia que esta mesma lágrima, porém no rosto dele, aquecia-o dentre tanta gélida indiferença.

Os panos desimaculados fulgiram para dentro tapando todo o instante estático.

As cortinas não mais colaboravam, entretanto a ventania não emitia tanto ruído para tapar as palavras envergonhadas de Isabela:

– Acho que tenho que ir.

Um motor de moto sendo acelerado. Os olhos sem vida de Evey por alguns minutos voltaram a focalizar-se.

– Evey, seu namorado ta te esperando de moto lá na frente.

– O quê? – replicou a Kurt.

– O Zane, sua coisa – apontou Cora.

Ela suspirou enquanto se levantava para arrumar seus materiais em suas costas. Ela não havia chamado Zane, nem ele a avisado desta visita, no entanto, stalker do jeito que ele era, isso era um dos menos piores atos. Tudo para ficar longe daquelas garotas e do olhar magnético de Tyler, um tanto demasiado desejoso.

Ela as amava tanto, assim não podendo suportar interferir com o curso de suas vidas, e elas sabiam demais.

– Pera aí, Eve. – disse Kurt – Você vai no ensaio aberto da banda no sábado, não é?

– Não sei.

– Ah, tudo pra você é não sei, Evey – reclamou Cora – Puta que pariu!

Evey sentia os cabelos serem levados pelo vento, brilhando na penumbra do eclipse que as nuvens criavam lá em cima, um pouco loiros, um pouco ruivos e o resto abundante de castanho, os olhos entreabertos muito forçadamente e uma das mãos na cintura de Zane.

Ele se encontrava tão quente quanto o motor da moto que era cercado pelos membros de Evey e pelo pneu posterior.

No entanto, era bem plausível, já que Zane andava tão devagar. Ele dissera ser devido à falta de capacete dela, contudo ela suspeitava muito que era para ele aproveitar mais minutos do abraço imposto a ela a dar-lhe.

Naquele clima, porém, era-se a melhor coisa a fazer.

Ao invés de Zane subir na colina para chegar à casa de Evey, ele continuou em frente, sem olhar para trás. Evey franziu a testa, contudo já esperava ser raptada por ele. Seus instintos lhe diziam para alcançar sua orelha e sussurrar a pergunta de onde estariam indo, porém ela queria se controlar, parecer determinada.

Zane não poderia abatê-la novamente.

Subitamente ele acelerou e começou a dar curvas na própria rua reta, brincando como uma criança numa bicicleta com rodinhas laterais de apoio. Ele ria, enquanto desceu mais afundo no bairro, até não mais estar sobre o asfalto, mas sobre grama de um terreno baldio.

A área de 1000 metros era coberta por alguns pinheiros altíssimos, as folhas, assim, caindo em excesso. Marrom e secas como a terra dali nunca seria. Entretanto Evey não olhava para baixo, observava os raios de Sol entre as folhagens, se assimilando a banhos de âmbar vindo do céu. O ar pairava ali em baixo contendo bastante poeira a imitar redemoinhos de baixa velocidade.

Evey via as partículas no ar caindo, sentia-as pelo perímetro de seu corpo.

Zane fez uma curva bruta no meio das árvores para estacionar. Levantou os braços cobertos por uma jaqueta de couro e levou-os até o capacete a ser retirado. Evey soltou as mãos do corpo dele, também se desmontando da garupa da moto.

Como um desmaio de devaneio, ela caiu no chão macio coberto pela grama agressiva. Zane foi procurá-la lá em cima, contudo seu olhar de conquistador virando-se foi em vão. Evey riu dele quando finalmente a avistou com olhar surpreso.

Seu riso fê-lo sorrir.

– Qual a graça, menininha?

– Nada – ela calou-se e fechou o sorriso. Sentia-se idiota quando ria demais.

– Não acredito. Toda vez que acho que sei o que esperar de você, você me surpreende.

Ele saiu da moto enquanto ela olhava os topos das árvores. Mosaicos de laranja e marrom em sua mente, todos embaralhados, embora houvesse sentido.

Ele sentou-se ao lado direito dela, longe da moto. Tão perto de sua cabeça, ele acariciou seus cabelos com os dedos ferventes.

– Talvez não devesse esperar nada – ela respondeu com tom de seriedade e virou seu olhar para ele de semblante assustado, quase triste.

– Por que não? – ele colocou uma máscara sobre a feição, tentando parecer descolado.

– Porque por mais que a paciência seja uma virtude, sua dignidade para de existir quando você fica sonhando e esperando demais.

Zane ficou pensativo por um pouco de tempo. Evey voltou sua atenção aos padrões das folhas lá de cima, até Zane pegá-la pela jugular, espremendo levemente suas bochechas.

– Por acaso pareço um cara com um plano? – ele riu e aproximou seus lábios sorridentes aos dela. Ela sentiu o coração dele palpitando de nervosismo, os lábios pela quantidade de sangue circulando, estavam quentes demais.

Ela ficou enjoada.

Não queria fazer aquilo com ele, sendo um cara tão legal e feliz, ela não poderia destruir seu coração. De repente as cores lá de cima pareciam vomitar em cima dela. Todo seu corpo coberto de uma massa escaldante, parcialmente queimada.

As folhas secas embaixo dela começaram a pinicá-la. Abriu os olhos em desespero e Zane não notou, querendo somente tê-la, beijá-la, senti-la. Por quê?

Ele já tornava a direção de seus beijos para baixo, deslizando pelo queixo até o pescoço. Seus cabelos negros roçavam pela pele da bochecha de Evey. Seus olhos fechados, mesmo assim se mostravam felizes.

Evey se sentia tão mal, seu estômago revirava, bombas de adrenalina eram disparadas por sua corrente sanguínea. O corpo inteiro tenso e frio era tomado por um impulso de empurrá-lo e fugir por sua vida.

Entretanto ele possuía uma moto, e ela só pés, e havia estradas por todos os lados. Vinha à tona em sua mente a consciência de si mesma encurralada.

Dilemas não fariam, o que braços fortes a envolvendo e barras de metal sobre a terra a cercá-la faziam. Encurralada a um ponto que ela percebeu não poder fazer algo a respeito.

De alguma forma, brutal e voraz, ele realmente a tinha. E veio a sua mente que ela mesma precisava manter o controle sobre si mesma, se corresse, ele a pegaria e se ficasse ele a devoraria. O menos frágil a se fazer era permanecer ali.

Afinal se corresse como bebê sabia que ele a trataria como uma criança e pensaria que era mais fácil persegui-la daquele modo.

Os lábios dele já haviam beijado sua clavícula ossuda e naquele momento de encontravam entre seus peitos, porém com certa dificuldade pelo uniforme que ela trajava. As mãos tatuadas dele permaneciam em sua cintura, até não se saciarem mais e descerem até a barra da camiseta e levá-la para cima.

Em seu último olhar para o céu, Evey viu novamente as nuvens tomarem posse e deixarem o Sol escondido. Com o vento intenso, as folhas secas caíram mais rápido. Evey colocou suas mãos sobre as de Zane que já estavam na metade do caminho para a tirada da camiseta, e assim ele voltou seu rosto para o rosto dela.

– O que foi, Eve? Nunca fez isso? – De alguma forma aquilo parecia dar-lhe satisfações por mais gentil que quisesse parecer.

Ela enrugou o cenho para ele zangada.

– Acha que sou uma criança?

Naquele gramado íngreme, ela empurrou-o pelas mãos contra a colina. Ainda agarrada nele, os dois rolaram pela grama verde salpicada de pontinhos marrons e beges. O braço dele passou pela cintura dela conforme rodavam e ficavam com os rostos sujos.

A terra foi para o ar e quando finalmente pararam de rodopiar, Evey deitava-se sobre Zane.

– Ah! Se era isso que você queria era só ter avisado – ele sorria de orelha a orelha enquanto Evey sentava-se ainda em cima dele.

– Cala a boca, Zane. – disse ela.

– Vem aqui calar – ele fez um biquinho ridículo. Evey ficou com uma incrível vontade de rir, porém cedeu e beijou-o.

Seus lábios estavam com gosto de pó, contudo sua língua estava totalmente limpa do estrago colina abaixo. Ele era suave até quanto a beijar.

As mãos dele se moveram sobre suas roupas, e ela ficou arrepiada e com mais frio por dentro. Tirou a camiseta dela, sem obstruções, e levou suas mãos à própria calça.

– Espera aí, Zane – disse Evey sentindo algo gelado sobre suas costas.

Zane fez uma cara de “Ah, qual é!”, no entanto replicou com:

– O que foi, Eve?

Sua voz estava rouca, parecendo amargurada. Ela saiu de cima dele, e conforme se levantava, passou a mão sobre suas costas tentando sentir o que fora. Não estava mais lá, só a sensação gélida de uma pedra jogada.

Zane analisou o céu com seus olhos mais verdejantes que a grama abaixo. Evey colocou o uniforme novamente.

– É só chuva, Evey.

– Não, não é não – respondeu ela indiferente – Há uma tempestade vindo.

Conforme ela dissera, Zane se levantou e colocou sua jaqueta sobre os ombros dela, dando-lhe outro beijo, aí foi quando uma pedrinha de gelo atingiu-o na cabeça. Ele levantou o queixo, pegando a pedrinha que derretia do meio dos cabelos negros bagunçados.

– Está geando – disse espantado – Vamos embora.

Notas finais
É isso, pessoal. Tem mais coisa escrita mas ta pra beeeem depois.