Icy moon, bloody sun.
3 D - Ócio
Notas iniciais
Dominik ainda está se acostumando com a casa nova e o estilo de vida que vai lhe proporcionar.
MUITO IMPORTANTE: se você não for conhecedor de alguns termos do texto, estão todos presentes no tumblr, ou pode-se traduzir, apenas não dá a mesma proporção de sentido colocar a tradução.
Dominik estava confuso.
Primeira vez na vida, pelo menos lhe parecia. Já que ele sempre estava certo e ninguém tentava lhe contradizer.
Ela não podia se permitir. Com certeza era a abstinência dele que causara aquela miragem no telhado. Afinal, por que haveria uma garota linda reluzindo por entre a chuva?
Congelada como a Lua lá em cima, apenas trocando de lugar em certas horas.
Ele nem tinha ouvido a voz dela indo do outro lado do muro.
Era perda de tempo pensar naquilo, ele tinha que espalhar a notícia da sua festa de inauguração da casa. Tinha que treinar violão, escrever suas teses de filosofia, ler Kafka, ouvir novas bandas de metal...
E o pior de tudo, não tinha como burlar a aula, porque seus pais não o deixariam andar até o colégio daquela distância.
Ah, mas que se foda, ele ficaria mesmo até às 4 da manhã ao computador. Isso se a falta de energia lhe deixasse. Ele logou-se no facebook, e viu as 300 notificações.
Suspirou. Nunca deveria ter mudado seu status no facebook para “namorando”, aliás, não deveria nem ter concordado em permitir-se estar em um relacionamento sério com Isabela.
Ela era legal e tudo. E, com certeza, daquela forma mais que nunca ele conseguiria acabar com tais gostos ridículos e apelos a certas coisas que não estavam certas, entretanto eram consideradas normais na sociedade em que vivia.
Quanto mais ele via sua imagem relacionada à dela na internet, mais se arrependia de ter o feito.
Seu amigo, Mateus, começou a conversa pelo chat:
“Manooo,
Dominik,
Tem mais d 100 comentarios no seu status”
Ele replicou:
“O crl,
Quero que todos se fodam nessa merda
Maior idiotice namorar essa menina.”
“Comaçim???
Mó gostosinha”
“Gostosa pro seu pau, idiota.”
Dominik foi conferir o status. 118 comentários.
Mais de 10 eram da sua mãe, declarando seu ciúme. 20 eram do resto de sua família, congratulando, dando felicidades. Uns cinco eram de garotas que tinham uma queda por Dominik, dando falsamente os parabéns ou simplesmente colocando carinhas sem graça.
Tudo o que sobrava era uma discussão entre seus amigos possuidores de algum neurônio e seus amigos anencéfalos. Os mais inteligentes criticavam o namoro. Sua “namorada” estava do lado dos sem cérebro.
A briga havia começado apenas porque um deles havia feito um comentário de quinta série: “Humm...” e sua namorada não aguentara a cabecinha esquentada e de vento dela e colocara desta forma: “Pq “Hum”? Jah tava na cara q agente se gostava”.
- Que escrotisse! – reclamou ele.
Depois daquilo ele nem sabia se ainda faria a festa, ou sequer sairia em público.
“Af, cara,
Para d reclama
Vc soh reclama d td, pqp” – mandou de volta Mateus.
“ô, idiota
Fica quieto e chama o povo pra uma festa aqui em casa
Além disso, você faz um monte de merdas e eu não falo nada, então preferia que você fechasse sua boca de rato quando fosse falar da minha vida”
Mateus ficou quieto por alguns minutos, até que enfim concordou.
A decadência entrava e escorria pela vida de Dominik. Deste jeito, desistiu de olhar seu facebook como qualquer pessoa usual. Já que não havia festas aquele final de semana, ele tinha que se dedicar ao ócio extremo.
Fechou aquela aba da internet e abriu o tumblr.
Não queria se gabar, contudo possuía mais de 100.000 seguidores no tumblr.
Abriu uma nova postagem e escreveu:
“A decadência me rodeia tanto que me persegue. Não há lugar para onde fugir.”
Postou. Em um minuto já havia 30 reblogs e 12 replies.
“O que aconteceu?”
“Seu lindo, não fica assim.”
“Pois é, cara.”
Dominik atualizou a página. A maior hipocrisia era quando ele postava falando mal de algo e a maioria das pessoas respondiam realizando este exato “algo”.
Será que alguém realmente entendia o que ele estava sentindo?
Obviamente que não, por isso as pessoas precisavam aprender mais e não ficar com suas mentes fechadas para seus próprios contos de fadas que faziam da sua vida. Aquele povo do tumblr julgadores de si mesmos como depressivos e viciados, na verdade, era só um bando de pirralhos que não sabiam coisa alguma do mundo.
Ignorantes.
Quem conseguiria trazer cultura e atingir tanta gente assim? Todos idiotas, fazendo as pessoas ao redor deles sofrerem e mesmo assim, não notando, falavam que eles eram quem sofria.
Ele rolou e rolou a página dos notes.
Sem nem se deixar interessar, sequer levantar as pálpebras para ler com mais atenção. Só passava os olhos e partia pra próxima frase.
Desceu, desceu e desceu na página. Estava quase saindo quando seus olhos foram ao encontro de uma frase finalmente com algum sentido psicológico.
“Nem para sua própria mente?”
No começo ele quis xingar muito quem havia o questionado isso, afinal qual era o propósito de se fechar em seu próprio mundinho particular, sem permitir a saída, nem entrada, de informações? Um ato de um alheado, certamente, seria fazer isto.
Porém ao analisar melhor, pensou se algum de seus seguidores havia sido tão profundo assim de uma maneira tão básica. Conseguira adivinhar que ele não podia se fechar em sua mente por esta mesma estar toda confusa, desvendando melhor que ele com apenas as breves palavras que escrevera.
Ele entrou naquele blog. Obscuro e deprimente. Sem dúvida, misterioso.
Na sidebar havia uma foto da Lua que o lembrava da chuva lá fora, e de sua alucinação. No entanto, por entre a escuridão e o clima de aura que o theme lhe causava, havia certa beleza grotesca nos posts. Fotos naturais, reais, sem a camada de neve fofinha da qual todos gostavam de cobrir-se em.
Foi à ask e deixou tal mensagem:
“Talvez pudesse fechar-me em minha mente, se você pudesse sair um pouco da sua”.
Notas finais
Logo a vida dele fica mais agitada.
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