Notas iniciais
Então, eu demorei para postar porque estou com uma ideia na cabeça para a fic mas quando escrevo, acabo enrolando e tals, e aí não fica tão impactante e legal então preciso de mais tempo e também porque estou preocupada com meu próprio Dominik. Bem o que saiu por hoje foi isso.
Conheça Nirvana e Guns para ler isso aqui ok? Vai ajudar bastante.

Dominik vagueou pela cidade, vandalizando obras públicas, contudo ainda assim não estava no clima. Após ter tacado aquela pedra no out-door, alguns policiais que estavam implantados no canteiro da avenida para multar os motoristas por excesso de velocidade viram-no e foram detê-lo.

Dominik saíra correndo muito antes de os policiais conseguirem atravessar a rua. Fugiu até um ponto da sua vizinhança onde havia uma praça cheia de árvores altas. Ali mesmo, deitou-se num dos bancos e dormiu até satisfazer sua cabeça.

Entretanto os sonhos com a garota não retornaram.

Na verdade, Dominik sequer conseguiu sonhar, uma hora depois acordou com um garotinho tentando pegar seu relógio/porta-pílulas. Dominik ficou irado, pegou o pulso do menino e a espremeu com sua mão duas vezes maior.

– Saí daqui, porra! Antes que eu chame a polícia! – rosnou Dominik.

Os olhos do garoto revelavam seu arrependimento e dor, embora Dominik não deixasse atingir por olhares ternos, liberou o garoto cujas pernas foram mais ágeis que se estivesse disputando uma maratona, porque Dominik notara a gangue de amigos pressionadora logo atrás do garoto.

Influência era poder. Poder era tudo.

Dominik foi tomado por uma rajada de raiva, antes mesmo de perceber que saíra correndo. Correra tão rápido que seus pés mal tocavam o chão.

Não se importava, não queria tocá-lo mesmo. Queria desaparecer por entre aquele mundo de garras e caninos ferozes. Aquele planeta covarde e sem nexo. Por isso acabou fazendo-os provarem do próprio remédio: foi fleumático quanto às batidas nas pessoas em seu caminho, por todas elas serem com quem fizesse o mesmo.

Nem notou que havia chovido enquanto dormira e o asfalto estava encharcado.

Caiu, caiu e caiu, mas não se deixou abater. Continuou sua corrida, mas rápido que o vento frio do momento, contudo para onde e para quê? A resposta era vaga como seu caminho.

Fugiu antes que estes pensamentos lhe inundassem a cabeça. Foi mais rápido que a própria força.

Claro que dá pra se fugir dos problemas, se você for rápido o suficiente. Dominik, porém, não foi tão ágil, chegou a outra praça, após ter corrido e corrido demasiado, que era exatamente igual à que tinha desfalecido em.

Como se estivesse correndo em círculos, parado no mesmo lugar, já que a Terra se movia contra ele naquele mesmo momento sobre seus pés. Ele olhou em volta, estranhando tudo. Até as folhas das árvores eram similares.

Não adiantava, se quisesse tirar a normalidade das pessoas, tinha de lhes arrancar as raízes. Afinal a normalidade era colocada em todos os lugares. Dominik foi ao centro da praça onde se instalava uma estátua cagada por pombas de um homem cujo nome fora tão superficialmente cravado na pedra que talvez ninguém voltasse a saber seu nome jamais. Dominik por dois segundos sentiu que seu chão foi tirado, apenas por observar aquele bronze desgastado, seu corpo estremeceu ao mesmo momento em que o céu se abriu lá em cima e os raios de sol iluminaram o rosto obstruído do herói urbano. Se aquele fosse Dominik algum dia?

Nem se atreveu a concluir a ideia, ocultando seu corpo da luz na sombra da estátua. Esta mesma que dali a dois minutos, depois de Dominik recobrar a visão e desacelerar a respiração ofegante, estava sendo vandalizada pelo mesmo.

Ridículo. Quem se daria ao luxo de ter uma estátua em sua honra, contudo não possuir uma própria lenda? Sentado em cima de um cavalo de pedra o homem se mostrava pateticamente pequeno.

Deve ter lutado taaanto – zombou Dominik, enquanto pegava as folhas molhadas da calçada e colocava-as nos olhos do cavalo, fazendo parecer que ele estava chorando e depois encontrando um tijolo de terra vermelha jogado pela construção inacabada de um banheiro público, que ali deveria haver, escreveu no pódio da estátua:

Seu Deus de pedra e seu herói de ar.

E logo abaixo com letras bem maiores no cimento do chão escreveu bem mais forte:

Contemplem a criação da marginalização!

Dominik admirou sua obra, orgulhoso. Entretanto ficou um pouco mal por aqueles que pichavam o símbolo da maconha e declarações, como estava ali feito no muro do banheiro, terem mais tinta em spray do que ele. Porque, logo, a chuva, o vento ou mesmo as pegadas das poucas pessoas que ali passavam apagariam suas frases.

Ele não se contentou. Precisava adentrar a construção ali da praça, e assim o fez, arrombando a porta frágil do masculino. Entrando lá, encontrou não só goteiras no teto e poças no piso ainda não colocado, achou também pincéis e latas de tinta quase secas, no entanto afortunadamente com bastante tinta boa por baixo da crosta de secura. Era um vermelho que se confundiria com as terras agrícolas ali do interior quando eram muito usadas e corriam o risco de desertificação.

Dominik abriu um sorriso perverso e saiu dali rindo.

Ao cobrir suas palavras na estátua com uma boa camada de tinta, não quis ficar muito tempo ali na praça para descobrir quem veria e quem seria influenciado, apenas tapou a lata de tinta, colocou-a de baixo do braço e andou mais feliz que nunca pelas ruas da cidade.

Quando compareceu a companhia de mansões perfeitas e intocáveis de seu bairro, soltou uma gargalhada e postou o balde no chão arrolhando-o. Com seus próprios dedos, como uma pintura de criança, pintou os empoeirados muros claros, não querendo dizer nada em específico com aquilo.

Só, em letras quase ilegíveis, escrevia que aquilo era o sangue dos trabalhadores que os sustentavam e aí colocava bastante tinta em seu indicador e apontava-o para o chão enquanto tocava a parede, dando certa impressão de ser escorrido.

Fez quase a mesma coisa nas próximas casas de esquina das três ruas seguintes até um dos donos o identificarem. Ao notar isso, Dominik fugiu com toda sua força restante, chutando o balde com as pernas vacilantes para longe.

Evitou ser visto no momento em que foi a um orelhão público ao lado de um ponto de ônibus na frente de uma faculdade não muito longe dali, francamente, perigosamente perto de sua própria nova casa, e ligou para seu melhor amigo.

Após dois toques, o tempo de segurança como aquele babaca dizia, ele atendeu com voz desconfiada:

– Alô? – Dominik conseguia até visualizar sua face assustada com seus olhos castanhos olhando para lá e para cá apreensivos.

– Oi? É da churrascaria? – Evan já até começara a rir – Porque você é um filé, gato.

– AH! DOM! Seu gay. Por que ta me ligando de um número estranho, seu desgraçado? E como ta o namoro com a senhorita “sou perfeitinha demais”? – Evan conseguia ser tão crítico quanto Dominik.

– Meu querido amigo, por favor, vá se foder. Depois disso você me encontra aqui na frente da UNAERP com seu carro, O.K.?

– Vai acabar com nossa relação? – fingiu medo, a voz tosca de Evan.

– Só vem pra cá, seu idiota.

– Ta bom. – finalmente intimidado ficou em silencio até se despedir brevemente.

Dominik se encaminhou a um canto mais recluso da frente da faculdade e naquele local acendeu outro baseado. As pessoas que o viam se amedrontavam. Tentavam passar longe, e ele, com desdém, rosnava para aquelas mais provocadas.

Ele sabia o que elas maquinavam em suas cabecinhas fechadas: “Um menino tão bonito, de roupas caras, por que faz isso, meu filho?”.

Não era culpa dele o que gostava ou não de fazer. Na verdade, era mais culpa dele do que da maioria das pessoas nesse quesito, porém se ele gostava, deveria fazer. O ódio o invadia quase por inteiro quando alguém o olhava com dó ou pena.

Ele estava bem melhor do que ela mesma, por que, então, ela que lhe dirigia intenções penosas? Dominik estava totalmente bem. Enquanto franzia o cenho para todos que observavam, tragava com mais fôlego.

Isso até Evan aparecer ali com seu carro de classe média, dando uma de pobre: com o volume mais alto do mundo e cantando com outro cara no assento da frente (mesmo sendo rock ainda era imprudente realizar tal ato).

Dominik rapidamente sentou no banco de trás enquanto o som do solo de Sweet Child O’ Mine emanava para todos aqueles estudantes na faculdade que estavam tendo algum teste no sábado. Se já era difícil, imagina agora.

Dominik revirou os olhos, enquanto pedia para Evan abaixar o volume.

– Que babaca! – retrucou Evan rindo – Entra no meu carro e já acha que pode dar ordem aqui? Que isso, cara! E, além disso, já te falei como o Slash toca pra caralho?

– Talvez para caralho no seu pinto, Evan, mas, para mim, ele é bem básico mesmo.

– Af, sério mesmo que você veio buscar esse cara, Ev? – perguntou o garoto ali no banco da frente. Deveria se achar o rockeiro, pelo visto. Vestia uma camiseta do Green Day, sendo que não tinha cara de rockeiro, seu cabelo era até corte similar ao do Justin Bieber, seria mais ainda se não fosse cacheado. Seu rosto bonito deveria ser o que fazia as pessoas acreditarem que ele curtisse um rock decente, se não falariam que só estava vestindo aquilo porque tinha achado a estampa legal numa loja que nunca tinha visto antes.

Era alto e tinha jeito de submissão, afinal estava no mesmo carro que Evan, o cara mais possessivo de todos. Vinicius parecia-se com aquele garoto, possuindo ambos a mesma estatura, os músculos basicamente desenvolvidos, olhos castanhos grandes, sem muitos cílios e a pele clara. A diferença proeminente eram os cabelos, já que Evan era loiro e ajeitava-o num topete bizarro, que de alguma forma atraía garotas.

– E quem seria você, fanboy de pica de Billie Joe, para falar de mim? – argumentou Dominik, fitando-o pelo espelho do carro.

Evan assobiou com a ofensa:

– Pode crer que essa eu vou anotar – o garoto calou-o com um olhar de raiva, Evan se dirigiu novamente a Dominik: — Dom, esse é meu amigo-irmão Nicolas.

– Prazer – disse Nicolas falsamente.

– Outro educadinho, Evan? Achei mesmo que você fosse matar todos esses que aparecessem na sua frente.

Dominik proferiu as palavras tão seriamente que ninguém ousou retornar a palavra. O problema é que Evan já tinha sido tachado como suspeito de um crime, já que um amigo dele de outra cidade fora assassinado durante uma reunião dos dois numa festa, contudo Evan jurava estar beijando uma garota durante a fatalidade.

Embora, desde então, se mostrasse mais agitado e ansioso, era compreensível que perder um amigo não era tão fácil assim. Quase apreenderam-no, enquanto ele sofria com o luto. O mais estranho era que pouco antes de aquilo acontecer, Evan ligara para Dominik com voz chorosa, dizendo coisas sem nexo, mencionando seu amigo, estando ébrio. Era um momento do qual nem Evan se lembrava, mas só assim Dominik descobrira porque Evan reclamava tanto desse amigo, ele achava que o amigo havia ficado com a namorada oficial dele, mas o amigo sempre retrucava que era um cara muito educado para mexer com a namorada alheia. A voz de Evan ecoou na cabeça de Dominik naquele momento: “Só queria esquecê-los, cara” e sentiu as lágrimas no rosto de Evan enquanto realmente matava o amigo.

Sim, ele havia feito aquilo. Todavia se drogara tanto fazendo seus nervos não processarem mais as informações.

– Vamos ver se a educação não vai te abandonar, Vinicius – dissera morbidamente Evan enquanto apunhalava o garoto no peito e este murmurava, implorando “Por favor, não, Evan, não quero morrer, por favor. Grace é só minha amiga”, até que finalmente abandonou as boas maneiras e falou:

– Quem é você, seu monstro? Ela só queria...

E a respiração vacilante de Evan preencheu a linha telefônica para o resto da noite, enquanto ele mesmo tentava purgar suas feridas da batalha com o Vinicius revelado bruto.

Sweet Child foi substituído pelo ritmo contraposto de Lounge Act.

Kurt já costumava dizer que era melhor queimar do que deixar fadar, mas naquele caso era tão diferente, pois Vinicius foi-se embora em espírito e corpo, respectivamente. Ou apenas se revelou.

Notas finais
Após alguns dias de recuperação, acho que eu posto mais um sobre a vida de Dominik, depois mais um pouco sobre Evey e aí os dois misturados hehehehehehe Enfim o Evan, obviamente é esse cara aqui:
http://25.media.tumblr.com/tumblr_mdb28mRn1w1r9201to1_500.jpg
E o nicolas é esse: http://25.media.tumblr.com/tumblr_li4ue5hvAu1qe8la2o1_500.jpg
e se você acha que há uma relação com esse nicolas e o nicolas da Evey, bem, não é mera coincidência haushaushauhs