Ich Liebe Dich.

83 Cap. 83: Amanhã.


Notas iniciais
Peter tá bêbado no final do capítulo. KKKKK

Acordei. Depois de ter dormido e acordado várias vezes na noite, para ver se nenhum inseto estranhamente inexistente acabaria me levando para o outro mundo. É, pois, estava sendo perseguida por algo muito pior do que um inseto, e ele existia.

Decidi que contaria ao Peter sobre as revelações de Gustav apenas depois da corrida. Pois não queria deixá-lo perturbado. Porém, contei a Frida, toda a verdade sobre quem estava me perseguindo, pois confiava nela. Mandei uma carta, pois achei melhor não falar com ela. As paredes tinham ouvidos, afinal.

Olhei pela janela, vendo o sol, já alto, porém as nuvens o escondiam, um pouco. A luz fraca que entrava pela janela me indicava que o eram mais ou menos umas seis e meia. Olhei para Sam, ainda em sono, tão inocentemente enganada, que fiquei com uma certa pontada de pena. Olhei mais uma vez para a janela, lembrando-me, de que Peter tinha me pedido para ir, assim que possível para a organização. Decidi, então acordar Sam, que, ao meu ver, não precisava assim com tanta urgência da verdade, que pudesse arriscar sua vida, ficando a mercê de Gustav, que era, agora, mais um em que eu não confiava, de maneira alguma. Era mais um suspeito. O suspeito mais evidente.

--- Samanta Stranger, acorde. –Falei, seriamente.

--- O que houve? Não tem o direito... –Ela bocejou, colocando um lençol na cara. –De me acordar agora, Lottie. Vá embora e me deixe aqui...

--- Não, Sam, aconteceu uma coisa muito extraordinária ontem –Falava, enquanto vestia minha calça e trocava de blusa. –Você não pode ficar aqui, com Gustav. Ele vai à organização e vai falar com você. Ele tem toda uma verdade, para te contar. –Falei sério e tediosamente. Peguei a escova, para escovar os dentes e entrei no banheiro, deixando a porta aberta para continuar a conversar com Sam.

--- Do que está falando? –Perguntou, com voz atônita.

--- Estou falando do que Gustav vai falar, por tanto, não preciso falar. –Se apronte, estou falando sério. Vamos!

--- Tudo bem, Lottie. –Sam confiava em mim, e, além disso, ela percebeu o meu tom de voz nada cômico.

Sam se aprontou e eu havia acabado de escovar os dentes, quando ela estava pronta. Com seu vestido preto de bolinhas brancas. Uma sapatilha meiga torneava seus pés. Olhei para ela, contrastando-a a mim. Que vestia uma blusa branca, com uma jaqueta quadriculada amarelo claro, uma calça jeans surrada e o meu all star, agora novo, pois minha mãe me mandara outro. Um preto com uma estrela branca. E os cabelos lisos e negros ao vento.

--- Tudo bem. –Eu disse, chamando-a.

Passei para sala, temendo encontrar Gustav para ter de falar com ele, mas não havia ninguém, talvez ele houvesse saído para espairecer. Peguei apenas uma pêra para mim e mandei Sam pegar algo na geladeira para não nos atrasarmos. Estávamos um pouco longe da organização.

--- Você vai pra lá porque? –Sam perguntava, enquanto comia a maça que a fiz pegar e comer, na rua.

--- Peter quer que eu vá. –Eu disse. Sorria para mim mesma, mas não era um riso exagerado.

--- Hum... –Sam balbuciou.

--- Sinto falta dele. –Eu disse, olhando-a

--- Eu sei. –Sam disse, ainda séria. –O que Gustav tem a me dizer? –Sam perguntou, aturdida.
--- Algo que eu não vou lhe dizer. Por que ele já vai lhe dizer. –Eu disse, revirando os olhos.

Eram, exatamente sete horas e quinze minutos. Sam e eu ficamos esperando, por uns três minutos pelo ônibus que ia até a o local mais próximo da organização. Haviam passado os três minutos e ia chover. Ainda estávamos no inverno, porém, faltavam poucos dias para a chegada da primavera. A estação das flores. Minhas flores. Ficariam tão mais abandonadas sem mim... Peter, talvez não as deixaria... talvez elas o trariam lembranças minhas quando eu morresse.

O ônibus chegou, antes que chovesse, molhando-me e molhando Sam, que estava em um silêncio infernal, por eu não ter dito nada sobre Gustav a ela.

Sentei numa cadeira perto da janela. Para olhar os pingos de chuva que cairiam. Começaram lentos, depois, estava quase caindo um temporal. Demoramos uns quinze minutos para chegar.

Saindo do ônibus, avistei, na mesma estrada, desocupada, sombria e chuvosa, os prédios da organização, entre árvores, que, estavam a crescer, indefinidamente, escondendo-os em suas origens. A grama, abaixo delas, parecia na mesma altura. Os portões estavam fechados. Pareciam dizer: “Sem visitantes”.

--- Você não acha que parece a Transilvânia? –Sam perguntou, finalmente havia aberto a boca durante todo o trajeto.

--- Isso é bom. Por isso que as pessoas mal se aproximam. –Eu ri, maleficamente.
Sam suspirou.

Quase corri, quando estava chegando perto. Estava digitando uma senha maldita, que deram para a gente, quando fossemos entrar, e Peter apareceu do outro lado da porta, antes que eu pudesse digitá-la toda. Ele abriu os braços para mim. Deu um sorriso, sem mostrar os dentes. Olhou-me, meio melancólico, ainda. Abraçei-o.

--- Ah, Peter... –Balbuciei.

--- Charllottie. –Sua voz era rouca, quase um sussurro.

Parei de abraçá-lo e fitei seu rosto. Estava um pouco lívido, seus olhos, azuis, pareciam psicopáticos. Ele sorria, meio forçadamente.

--- Peter... quero ir para debaixo de Penny. –Eu disse.

--- Temos um corrida para ir, daqui a três horas. -Ele estava sério.

--- Por favor... –Eu disse, seriamente.

--- Tudo... –Não o deixei continuar, o beijei. E o abracei.

Lentamente, eu o beijava, foi um beijo que parecia um dos primeiros. Ele parecia aquela nuvem que me deixava leve, ao seu redor. Do primeiro beijo que demos.

--- Eu amo tanto você... –Ele parecia se lamentar.

--- Vamos! –Eu disse, tentando fazê-lo esquecer.

--- Gustav virá logo? –Sam perguntou.

--- Sim, Sam. –Eu disse, agora lembrando o que ela teria de escutar.

--- Vou esperá-lo por aqui... –Ela disse, deixando-nos caminhar até a Penny.

Olhei para o céu. Estava branco. Não dava-se, para distinguir o que era céu e o que era nuvem. Olhei para os olhos de Peter, que, naquele momento, pareciam s de Kurt Cobain, tristes, distantes e psicóticos. Ele olhava o céu, desolado.

--- Ei! Peter. Por favor! Você está me fazendo ficar triste. –Eu disse.

--- Me... –Ele mal conseguia pronunciar as palavras. –Desculpe.

Encontramos Penny. Seus galhos secos eram duros e mortiços. O som do vento ecoava em nossos ouvidos, fazendo-nos pensar. Pensar infinitamente em várias coisas que furavam e se bifurcavam em nossos cérebros. A grama ainda estava verde, mas as árvores estavam mortas. Daqui a alguns dias, isso mudaria. As árvores estariam vivas e ávidas.

Sentamo-nos embaixo de Penny.

--- Eu estou feliz. –Peter disse.

--- Não é o que parece. –Eu disse.

--- Por isso estou triste. –Ele disse, sorrindo. Era sincero.

--- Não faz sentido. –Eu disse, friamente.

--- Não vou mais ter essa felicidade depois, então, que me adianta tirar proveito dela, se ficarei cada vez mais triste, ao lembrar do quanto era feliz, depois? –Peter estava filosofando.

--- Mas terá ela agora. –Eu disse.

--- Há uma grande probabilidade de que eu não a tenha. –Ele disse.

Peguei uma pedra e joguei-a numa pequena poça de água que a chuva havia formado.
Deitei-me no peito de Peter. Ele se aconchegou na árvore, deixando-nos deitados na grama fria e imóvel. Olhei para o céu.

--- Eu estou sentindo, novamente a alegria de estar com você. Só por estar com você. –Eu disse, sendo boba.

--- Eu admito que isso está me fazendo sentir melhor. –Peter disse.

--- Você sempre admite. –Eu disse, sorrindo. –Você me salvou Peter. Salvou-me de um mundo em que eu sempre vivi. E, agora, tenho de dizer a você que, meu amor vai além da vida. Não importa se morrermos. Morreremos felizes. –Eu disse.

Não olhei para Peter, mas, de certo, ele sabia que eu estava certa, e, que ele estava começando a entender o que eu pensava de tudo aquilo. Concordando.
--- É. –Ele disse, olhei para cima e ele estava sorrindo. Seus olhos eram mais vívidos agora. Pareciam refletir esperança.

--- Não vou morrer. –Eu disse. –Não sem lutar. –Eu completei.

--- É, foi assim que eu te ensinei. E que você está me ensinando, agora. –Ele disse.

--- Já está quase na hora da corrida, não é mesmo? –Perguntei.

--- É. –Ele disse. --- Vou atrás de você? –Eu perguntei.

--- Sim, você vai. –Ele disse, pegando a minha mão e beijando-a.

--- Quem participará? –Perguntei.

--- Angel, eu, Chris, Teddy... –Interrompi-o.

--- Teddy? –Eu quase levantei e ri.

--- O que houve? –Peter também sorria, só não queria ser maldoso.

--- Ele... não me parece... –Fui interrompida.

--- Shhhh! –Peter me abraçou forte. -Uma flor de vários tons. Um céu tão opaco. Um destino tão imprevisível. Ich Liebe Dich... –Ele cantarolava, alegremente.

Era uma canção fúnebre em seu sentido real, porém não agressiva. De tom leve e baixo.

---Um cara... tão depressivo... –Ele continuou cantando, até que meu cérebro ficasse completamente passivo e calmo. O sono enleou-me em uma nostalgia e cores múltiplas... de repente, estava em sono profundo.