Ice and Darkness
27 Please, Stay
Notas iniciais
Estávamos subindo a colina do acampamento. Dava para perceber que o nervosismo de Alabaster a cada passo que dávamos. Depois que ele tinha aceitado ir para o acampamento, entrei numa sombra e voltei para o acampamento com Jack e com ele. Eu fiquei meio tonto, mas nada que uma boa noite de sono não resolvesse. Quando chegamos à árvore de Thalia, Alabaster parou e ficou olhando para dentro do acampamento. Não quis falar nada, esperei um pouco e ele respirou fundo.
— Vamos? — Perguntei e ele assentiu.
Andamos mais um pouco e fiquei vendo que o acampamento estava à mesma coisa, os campistas, os chalés, exatamente a mesma coisa, mas para Alabaster era tudo novo. Seus olhos brilhavam quando via os chalés. Levei-o até a Casa Grande e acenei com a cabeça para ele entrar.
— Com quem eu falo? — Ele perguntou.
— Com o Quíron.
— O que eu falo?
— Que você é um novo campista. — Eu disse e sorri um pouco. Jack estava do meu lado e segurou a minha mão.
Ele entrou e eu fiquei na frente com Jack esperando ele sair, vi Jason vindo em nossa direção e sorriu quando chegou mais perto.
— Vocês conseguiram? — Ele perguntou.
Eu balancei a cabeça afirmando e sua expressão vacilou por instante, mas depois ele sorriu e me abraçou.
— Quem bom que voltou bem. — Ele disse e também abraçou Jack. — Eu vou falar para os outros que vocês chegaram.
Jack sorriu para ele quando estava se afastando. Mas não foi aquele sorriso que ele dava todas às vezes. Era algo forçado.
— Está tudo bem? — Perguntei e ele acenou que sim. — Tem certeza? — Ele desviou o olhar, mas novamente acenou que sim.
Eu ia retrucar quando Alabaster saiu da Casa Grande acompanhado por Quíron. Quíron estava sem sua cadeira de rodas mostrando sua montaria, ou como o Percy chamaria, a sua bunda de cavalo.
— Nico! — Quíron me chamou e eu fui até ele. — Você pode levar o Alabaster até o chalé dele?
— Posso sim.
Andei até Alabaster e pedi que ele me seguisse. Jack não veio junto. Tinha algo de errado com ele, mas eu não consigo saber o que era. Parei na frente do chalé 17, era um chalé normal do acampamento, não tinha nada que o diferenciasse dos outro. Alabaster entrou e eu voltei para ir ao meu chalé e vi Jack na porta esperando. Sorri para ele e ele retribuiu. Quando cheguei perto o suficiente dele eu falei:
— O que está acontecendo?
— O que? — Ele disse.
— Jack, você está todo estranho. Me fala!
— Mas eu nã...
— Nico? — Jack foi interrompido, quando olhei para trás vi Theo me olhando com surpresa.
— Theo. — Eu disse e ele sorriu para mim. Ele andou em minha direção e me abraçou. Fiquei sem jeito, mas retribui o abraço.
— Que bom que você voltou bem. — Ele disse e se afastou de mim.
— E ai, garoto morte? — Leo falou ao lado de Theo. Revirei os olhos e ele sorriu.
— Como foi? — Theo perguntou e eu dei de ombros.
— Normal. — Eu disse tentando fugir do assunto. Os dois sorriram para mim e se olharam por alguns segundos. Percebi que tinha algo acontecendo com os dois. Sorri comigo mesmo e eles se despediram falando que tinham que fazer alguma coisa.
Olhei para trás a procura de Jack e vi que ele já tinha entrado no chalé. Entrei no chalé e vi Jack de costas para mim, em pé ao lado da cama. Fechei a porta cuidadosamente, mas o suficiente para ele saber que eu estava ali. Ele se virou devagar e tinha uma pequena garrafinha na sua mão. Ela era transparente, e o liquido que tinha dentro dela tinha uma coloração dourada. Tinham um pequeno papel enrolado na boca da garrafa.
— Isso é a...
— É sim. — Jack me interrompeu.
Andei até ele e ele fechou a mão segurando a garrafinha com força.
— Jack. — Eu disse devagar. — Me dê.
Ele fechou os olhos e respirou fundo. Ele abriu os olhos devagar e olhei para eles e ele suspirou abrindo a mão devagar. Peguei a garrafa de suas mãos e li o papel que tinha:
Obrigada por trazer meu filho em segurança. Aproveite a imortalidade, filho de Hades.
Olhei para Jack que me olhava com expectativa. Não sei se isso era uma coisa boa ou ruim. Abri a garrafa devagar e senti um cheiro adocicado invadir minhas narinas.
— Nico? — Olhei para Jack e ele sustentou o olhar. — Você tem certeza que quer fazer isso?
Pensei por um tempo, e sorri para ele.
— Tenho, tenho sim. — Disse.
Levantei a garrafa à altura da minha boca. Estava pronto para tomar, mas eu pensei no Jason, e na sua expressão quando falei que a missão tinha dado certo. Pensei no Theo. E na Hazel, principalmente, na Hazel.
— Não. — Jack disse e eu olhei para ele confuso. Ele segurou minha mão e pegou a garrafa e a fechou.
— Jack? — Eu perguntei e ele apenas balançou a cabeça negando.
— Eu não posso fazer isso com você. — Ele passou a mão pela minha bochecha. — Eu não posso. Eu te amo Nico, eu não posso deixar você fazer isso por mim, seria egoísmo demais.
— Jack, você não...
— Você pode encontrar outra pessoa. — Ele me interrompeu. Percebi que ele estava se esforçando para não chorar na minha frente. Eu apenas sentia uma dor enorme no meu peito. — Você pode encontrar alguém e envelhecer do lado dela. Sem precisar fazer isso. Você vai poder viver como a sua irmã e como seus amigos.
— Jack, eu não quero outra pessoa... Eu...
— Nico. — Ele me interrompeu novamente e grudou os seus lábios nos meus. — Você vai encontrar alguém que fique com você, que ame você também. Você vai poder envelhecer ao lado dela. E depois vai poder encontrar a Bianca.
Lágrimas já escorriam pelo meu rosto. Eu não conseguia impedi-las. A dor no meu peito apenas aumentava ainda mais. Eu tentava pegar sua mão para pegar a garrafa, mas não tinha mais nada nela.
— VOCÊ PROMETEU. — Gritei. — Você prometeu que ia ficar comigo. Você prometeu. — Eu apenas queria que ele ficasse.
— Eu não posso ficar se eu sei que vou te fazer mal, Nico.
— Você não me faz mal. Nunca fez.
— E eu não quero fazer. — Ele disse
— Você não pode fazer isso comigo. — Gritei. — Você não pode. Não depois de tudo. Você não pode.
— Eu te amo, Nico. Eu vou te amar para sempre.
— Não. Não. Não. Não. — Eu repetia vendo ele se afastar para a janela. Corri e segurei a sua mão. Ele se virou para mim. Via lágrimas escorrendo pelo seu rosto. — Fica comigo, por favor, fica comigo. Eu não vou conseguir aguentar sem você aqui. Fica comigo. — Fica, por favor, fica, fica, fica, fica.
— Você vai conseguir aguentar. É a pessoa mais forte que eu conheço. — Fica, fica.
Segurei sua nuca e o beijei. Ele tentou se afastar e eu segurava sua nuca com mais força. Até que ele parou de resistir e retribuiu o beijo. Fica comigo, não me deixe sozinho. Fica comigo. O ar estava começando a faltar, mas eu não queria solta-lo tinha medo que quando fizesse isso ele fosse embora. Fica, fica, não vai embora, fica. Ele se afastou lentamente, suas mãos estavam em minha cintura. Meus olhos ainda estavam fechados. Ele me deu mais um selinho. Não vai embora, eu preciso de você, fica. Por favor, fica. E falou:
— Adeus, Nico. Eu te amo. — Ele disse, e quando os abri os olhos, ele não estava mais na minha frente.
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