Ice and Darkness
28 Dor
Depois de derrotar Gaia, pensei que os pesadelos acabariam. E de certa forma eles acabaram, mas toda noite eu sonhava com um menino de cabelos brancos e olhos azuis. Ele apenas olhava para mim da janela do meu chalé. Mas toda vez que eu acordava e ligava a luz e não tinha ninguém lá. Depois eu ia me deitar de novo. Nunca parecia ser um sonho, mas tinha que ser certo? Ninguém nunca arriscaria chegar perto do chalé de Hades.
Depois daquela noite, eu quase nunca saia do chalé, quando saia era para comer, o que eu fazia apenas uma vez por dia. Não sei como eu ainda não desmaiei, para falar a verdade. Quase nunca dormia. Dormir me fazia ter sonhos. Eu não queria sonhar, por que eu sabia que se eu sonhasse iria ser com ele. E eu não queria mais pensar nele, não queria mais falar o seu nome, a única coisa que eu queria era esquecer que tudo aquilo tinha acontecido. Aquilo doía, doía muito. Não era como uma dor física, por que depois de um tempo eu apenas conseguia esquecer ela. Mas aquilo estava comigo, e não importava para onde eu olhava, eu sempre pensava nele.
Eu queria esquecer, eu apenas queria esquecer. Mas era tão difícil. Ninguém pareceu perceber no começo. A única pessoa que percebeu foi o Jason, mas eu também consegui afasta-lo. Voltei a ser o velho Nico que todos tinham medo. O velho Nico que se passar pelo acampamento as pessoas sai da frente. Eu apenas não entendia o porquê disso. Será que elas pensavam que eu iria abrir a terra e fazer com que todas elas fossem visitar o meu pai mais cedo? Para falar a verdade, era exatamente o que eu queria fazer com todas aquelas pessoas olhando para mim. Eu sabia que estava horrível e que não era culpa delas me olharem estranho. Mas eu não aguentava mais. Eu não queria mais ver o rosto de ninguém. A melhor alternativa era ficar no meu chalé.
Eu sei que foi uma bobeira afastar o Jason. Ele apenas queria saber o que estava acontecendo. E eu como sempre fui um doce de pessoa. Eu não falava mais com ninguém, nem com o Will, a Clara ou o Theo. Sabia que não precisava fazer com que eles se preocupassem comigo. Eu não sabia se isso iria passar, não era nem de perto o que eu sentia quando eu via o Percy com a Annabeth. Isso doía, doía muito. Fazia dois dias, dois dias e aquilo não diminuía nem um pouquinho, eu já não tinha mais lágrimas, mas isso não quer dizer que não doía mais.
A pior parte são os sonhos. Sempre são os sonhos. Foi assim que eu o conheci, e parece que isso faz apenas doer mais toda vez que eu acordo e percebo que sonhei com ele. Saber que ele não esta ali. Lembrava a sua promessa e que ele mentiu para mim. Ele mentiu. Se fosse verdade ele estaria ali agora. Do meu lado. Mas ele foi embora, e nem pensou no que eu iria sentir.
Fui ao banheiro e tomei um banho. A água gelada me ajudava a por meus pensamentos no lugar. A água escorria pelo meu corpo. Eu apenas passava a mão pelos meus cabelos que caiam nos meus olhos. Querendo ou não eu pensava nele. Nos seus beijos e nos seus toques. As gotas d’agua que escorriam pelo meu rosto imitavam as lágrimas que não me restavam mais.
Coloquei a toalha ao redor da minha cintura. E fiquei me olhando no espelho. Que perfeito, o único filho de Hades tem uma aparência desprezível por causa de um amor idiota. Sai do banheiro, coloquei uma cueca e uma calça jeans e fui para a cama. Não estava com fome, não estava com sono. Apenas queria ficar sozinho, ali deitado sem ninguém me incomodar. Mas infelizmente alguém bateu na porta. Bufei e não sai de onde eu estava. Mas as batidas persistiram, revirei os olhos e gritei:
— Quem é? — Minha voz estava mais rouca que o normal, como se eu não tivesse usado há muito tempo. Quer dizer, era exatamente por isso.
— É o Alabaster.
— O que você quer? — Falei mais baixo, mas o suficiente para ele escutar.
— Eu posso entrar? — Ele pergunta e respiro fundo.
— A porta está aberta. — Digo e ele abriu um pouco e coloca a cabeça dentro do chalé. Depois ele entra e fecha a porta atrás dele.
Eu sabia que estava sem camisa, mas nem liguei para isso. Mesmo vendo que ele estava corado.
— O que foi? — Perguntei, sem olhar para ele.
— Onde está o Jack? — Ele pergunta e percebo meu rosto forma uma careta. Senti meu coração se apertar com a menção de seu nome. Eu tentava evitar todas as formas ouvi ou pensar no seu nome. E agora depois de ouvir, meu coração pareceu se espremer um pouco mais.
— Ele foi embora. — Eu disse frio, mesmo sabendo que isso me matava por dentro.
— Para onde? — Ele perguntou curioso. Rangi os dentes, sabia que não era sua culpa querer saber o que aconteceu.
— Eu não sei. E antes que pergunte ele não vai voltar.
— Você está bem? — Ele perguntou e eu olhei para ele incrédulo. Que tipo de pergunta era aquela. É claro que eu não estava bem. — Desculpe, foi uma pergunta idiota. — Ele disse como se tivesse lendo meus pensamentos.
Não falei nada, apenas voltei a olhar para o teto.
— Eu sei que não nos conhecemos há muito tempo, mas você pode falar comigo, tudo bem? Você quer conversar?
— Não. — Respondi frio.
— Ahn... Você quer algo para comer? Eu posso pegar para você, eu...
— Por que está aqui? — Perguntei o interrompendo.
— Por que... Você me trouxe até aqui. Eu queria fazer algo por você também.
— Eu não estou com fome. Eu apenas quero ficar sozinho.
— Então... Tudo bem. Eu vou deixar você sozinho. Se quiser conversar eu estou por aqui, tudo bem?
Balancei a cabeça afirmando e vi-o abrindo a porta e saindo. Respirei fundo e voltei a olhar para o teto. Desviei os meus olhos para a janela. Foi ali que eu falei com ele pela primeira vez, e foi ali que eu falei pela última. Foi ali que eu o conheci e foi ali que eu fiquei chorando por quase uma hora esperando que ele voltasse. Mas não foi isso que aconteceu, não adiantava eu ficar olhando pela janela a fora esperando alguém que eu sabia que não iria voltar. Voltei a olhar para o teto e cai no sono.
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