Ice and Darkness
29 Eu espero
Notas iniciais
Depois de derrotar Gaia, pensei que os pesadelos acabariam. E de certa forma eles acabaram, mas toda noite eu sonhava com um menino de cabelos brancos e olhos azuis. Ele apenas olhava para mim da janela do meu chalé. Mas toda vez que eu acordava e ligava a luz e não tinha ninguém lá. Depois eu ia me deitar de novo. Nunca parecia ser um sonho, mas tinha que ser certo? Ninguém nunca arriscaria chegar perto do chalé de Hades.
Eu já não sabia quando tempo tinha se passado desde que ele tinha ido embora. Meus dias agora tinham uma normalidade, ainda doía, mas era menos. Acordava, ficava na cama, ia almoçar, voltava para o meu chalé e dormia. Não ficava muito tempo fora, não conversava com ninguém. Pelo menos assim ninguém me lembrava dele. Mas hoje eu iria treinar. Eu ainda sofria, não podia mentir, mas não poderia morrer por causa de um monstro por que eu estava enferrujado. Ninguém sabe o que pode acontecer com um semideus. Só espero que o Jason ainda queira treinar comigo.
Levantei da cama e tomei um banho. Coloquei algumas roupas quaisquer, coloquei minha espada no cinto e respirei fundo antes de sai do chalé. Abri a porta e coloquei os pés para fora, o vento bagunçou os meus cabelos, felizmente, ninguém olhava para mim, ou pelo menos fingia que não olhava. Fui até a arena e vi o Percy treinando com o Jason. Fiquei parado olhando para os dois. Jason ganhou de Percy, isso não era uma surpresa para mim. Jason olhou para mim e sorri, eu aceno com a cabeça e ele vem correndo ao meu encontro.
— Olha quem apareceu. Você quer treinar um pouco? — Jason pergunta. Percebi que ele estava tentando me manter ocupado. Não tinha como o agradecer por isso.
— Claro. — Respondi e fomos para arena.
Quando cheguei perto de Percy, ele sorriu para mim e falou:
— Nico, quanto tempo. Ei, onde esta o Jack, você sabe quando ele volta? — Mordi o lábio inferior e abaixei a cabeça. Jason deu um tapa na cabeça de Percy. — O que foi? — Jason deu outro tapa e ele saiu da arena resmungando.
— Desculpe pelo Percy, eu acho que ele não entendeu o que aconteceu. — Jason disse um pouco envergonhado.
— Como sempre. — Eu disse e tirei minha espada do cinto. — Podemos treinar? — Perguntei tentando trocar de assunto e ele assentiu com a cabeça.
Como esperado, eu perdi, realmente eu estava muito enferrujado. Depois que acabamos Jason falou que tinha que ensinar os novos campistas a treinar com a espada. Quíron tinha dado essa tarefa para ele. Estava voltando para o meu chalé para tomar um banho por que eu estava todo suado. Mas no caminho vi Drew vindo em minha direção. Bufo e tento sair da sua frente, mas ela vai para minha frente.
— Licença. — Eu digo e ela apenas sorri.
— Oi Niquito. — Ela diz com uma voz irritante. — Eu estou muito triste por você.
— O que você quer dizer?
— Ah... Eu soube da ida do Jack. Sabe isso foi tão triste. — Eu apertei minhas mãos para tentar me controlar. — Eu estava pensando o porquê ele poderia ter ido. Sabe ele pode ter se cansado de alguém daqui.
Apertei minhas mãos mais fortes e vi a grama em minha volta morrer, eu acho que ela também percebeu porque ela sorriu e continuou a falar:
— Sabe, para ele ter ido assim, essa pessoa deve ser muito irritante, não acha? Para sair sem dar nenhuma explicação. Eu poderia jurar que ele gostava de uma pessoa, mas parece que eu estava errada. Se ele foi assim é porque deve ter outra pessoa esperando por ele, certo? Você acha que eu estou errada, Nico? — Ela pergunta e eu juro que eu estava pronto para dar um tapa na cara daquela desgraçada...
Mas senti uma mão em meu ombro e parei de olhar para ela vi Alabaster ao meu lado.
— Vamos, Nico. — Ele disse. — Não perca tempo com isso.
— O que você quer dizer com isso? — Drew perguntou com voz irritada.
— O que você ouviu. — Ele respondeu apertando meu ombro um pouco, me tirando dali.
Respirei fundo e percebi que burrice eu iria fazer se eu batesse naquela menina.
— Obrigado por me tirar de lá. Eu nem sei o que eu poderia fazer. — Disse e ele sorriu para mim. Quando nós chegamos à frente do meu chalé eu entrei e ele entrou também.
Falei para ele que iria tomar banho e ele apenas acenou com a cabeça. Entrei no banheiro tomei banho pensando em tudo que ela tinha me dito. Não podia ser verdade, podia? Eu não queria que fosse. Sai do banheiro enrolado na toalha, peguei minhas roupas e voltei para o banheiro me trocar. Eu não trocava de roupas nem na frente do Jack para trocar na frente de Alabaster.
Voltei para o quarto, e sentei na cama de frente para Alabaster.
— Nada daquilo que ela falou é verdade, tudo bem? — Ele disse e eu apenas concordei com a cabeça. — É sério. Dava para ver que ele gostava de você.
— Eu acho que se ele me amasse tanto quando dizia, ele não teria ido. — Disse com a cabeça baixa.
Ele chegou mais perto, e levantou meu rosto com a sua mão.
— Tenho certeza de que ele amava sim. — Ele disse, fechei meus olhos e respirei fundo sentindo as lágrimas escorrendo pela minha bochecha.
Ele passou o polegar pelas lágrimas que caiam. Quando eu senti seus lábios nos meus, abri os olhos e pensei em empurra-lo. Mas não o fiz. Fechei os olhos novamente e ele se afastou de mim. Foi apenas um selinho, mas mesmo assim, eu ainda pensava em Jack.
— Eu não posso fazer isso. — Eu disse. E ele assentiu.
— Eu sei. Desculpe-me. Eu fiz bobagem, eu sei.
— Não é isso, é que eu ainda o amo. Eu não posso fazer isso.
Ele sorriu um pouquinho.
— Eu só não quero te ver triste. Já faz mais de uma semana que você quase não sai daqui. — Ele disse e eu abaixo a cabeça.
— Eu vou ficar bem. — Eu disse.
— Mesmo?
— Mesmo. — Eu espero.
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