Ice and Darkness
9 Piquenique
Notas iniciais
Acordei e senti o braço do Jack ainda em minha cintura. Virei um pouco para encara-lo e vi que ele já tinha acordado, estava olhando para mim com um pequeno sorriso nos lábios e seus olhos pareciam ter um brilho diferente.
— Bom dia. — Ele disse.
— Bom dia. — Disse com a voz meio rouca e ele me olhou estranho. — O que foi?
— Sua voz ficou diferente. — Ri.
— Você poderia ter se levantado, sabia? — Murmurei.
— Eu prometi que ficaria.
Olhei para ele por cima do ombro e ele sorriu para mim. Corei ao perceber que ainda estávamos abraçados, mas eu não queria sair dali era tão bom.
— Tudo bem, mas está na hora de levantar agora. — Ele disse se levantando e abrindo as cortinas escuras da janela.
Resmunguei alguma coisa e puxei o lençol para cobrir os meus olhos. Eu odiava acordar de manhã, eu fugia do sol como... Como um filho de Hades foge do sol. Jack riu e eu escutei uma porta se abrindo, espiei pelo lençol e vi que ele tinha entrado no banheiro. Aproveitei esse momento para tentar cochilar mais um pouco, porque quando ele saísse, com certeza iria me arrastar da cama. Mas eu não conseguia dormir, o travesseiro estava o cheiro do Jack. Eu ainda estava com o lençol cobrindo os meus olhos, porque ele não tinha fechado a cortina. Depois de um tempo ouvi a porta do banheiro sendo aberta, e a cortina se fechando. Abaixei o lençol e vi que Jack estava com a toalha enrolada na cintura, secando o cabelo com outra.
— Eu posso pegar uma camisa sua? — Ele perguntou. E eu balancei a cabeça afirmando, mas eu estava olhando o seu tronco desnudo. Olhei para o seu rosto e vi que ele estava corado. Desviei o olhar e me virei de costas. — Qual eu posso pegar.
— Qualquer uma. — Disse. Esperei um tempo e me virei, ele estava com uma regata preta sem estampa pronto para colocar o seu casaco. — Por que você não tira esse casaco?
— A minha irmã que me deu. — Ele murmurou. Lembrei-me que eu também sempre vestia o casaco de aviador que a minha irmã tinha me dado. Eu tinha bem mais coisa parecia com o Jack do que eu suspeitava.
Ele voltou com o seu sorriso e disse:
— Vai, se arruma rápido, eu tenho uma surpresa para você.
— Eu não gosto de surpresas. — Disse.
— Dessa você vai gostar. Por favor.
Levantei-me, e praticamente corri para o banheiro. Escovei os dentes, tomei banho e sai do banheiro. Jack estava deitado na cama dele, olhando para cima. Fui ao guarda-roupa, peguei uma cueca, uma regata e uma calça jeans escura e voltei para o banheiro. Vesti-me e sai.
— O que foi? — Perguntei curioso.
— Vá aquele lugar onde tem o laguinho. — Ele disse e saiu voando pela janela. Fiquei confuso.
Estava pensando em viajar pelas sombras, mas eu sempre me cansava depois que fazia, então resolvi e a pé mesmo. Sai do meu chalé indo em direção à floresta. Vi o Percy tirando o resto da água que tinha acumulado pela chuva de ontem. Estava perto dos campos de morango quando ouvi alguém me chamar. Quando me virei vi que o Theo, semideus filho de Apolo, estava correndo em minha direção.
— Oi Theo. Posso ajudar?
— Não é nada demais... — Ele coçou nuca, ele estava nervoso. Theo parecia com Will, os mesmos cabelos loiros e olhos azuis, mas seu rosto um pouco mais triangular e um sorriso muito bonito. — Eu queria falar uma coisa para você.
— Theo, eu não posso falar agora. Desculpe.
— Tudo bem. — Ele disse um pouco decepcionado e eu fiquei com pena.
— Amanha de tarde, aqui nos campos de morango. Tudo bem? — Perguntei e ele sorriu. E balançou a cabeça afirmando. E saiu andando com um arco preso nas costas. E eu continuei andando até o lugar que Jack tinha falado.
Quando cheguei lá, não tinha ninguém. O Jack ainda não tinha chegado. Respirei fundo e sentei no tronco de árvore. Fiquei brincando com a terra com meu tênis. Peguei um pequeno galho que estava solto no chão. E pisei na terra para deixa-la reta. Com o galho comecei a desenhar algo, quando parei percebi que se parecia com o cabelo do Jack. Ajeitei algumas partes e fiz o rosto, não estava muito bom, porque eu estava fazendo na terra.
— Isso ficou ótimo. — Me virei assustado, percebendo que o Jack estava atrás de mim com uma cesta.
— Não é nada. — E passei o tênis por cima.
— Não... Deixava ai. — Ele fez um bico, que na hora fiquei morrendo de vontade de morder. Afastei os pensamentos. — Depois você vai fazer um para mim.
— O que isso? — Perguntei, acenando a cabeça para a cesta.
— Nós vamos fazer um piquenique. — Ele disse se sentando no chão e abrindo a cesta onde tinha varias frutas diferentes.
— Você pegou essas frutas onde? — Perguntei.
— Nas árvores. Mas às vezes umas mulheres verdes quase me batiam. — Gargalhei quando ele disse. Não consegui me segurar, imaginando as ninfas correndo tentando bater em Jack e ele voando. Respirei fundo para me acalmar e olhei para Jack que tinha um pequeno sorriso no rosto. — Adoro quando você ri.
Corei com que ele disse, mas dei um pequeno sorriso, ele tirou da cesta um pano vermelho e começou a colocar as frutas em cima. Peguei uma maça e mordi. Depois de um tempo apenas tinha poucas frutas sobrando, eu tinha rido das coisas que ele tinha me falado que brincava com as crianças onde ele morava antes.
— Obrigado. — Eu disse.
— Pelo oque?
— Por ontem, pelo piquenique, por tudo. — Ele sorriu para mim, e se aproximou colando nossos lábios. Aproximei-me e aprofundei o beijo. Era apenas um beijo para mostrar o que ele sentia, sem nenhuma segunda intenção. Nós nos separamos e eu olhei em seus lábios que estavam ligeiramente vermelhos.
— Você está rosa. — Ele disse. E eu corei ainda mais. — Nico, eu queria perguntar uma coisa.
— Pode perguntar. — Disse.
— Você... Eu queria saber se... Se você queria... Namorar comigo? — Ele perguntou completamente corado.
Fiquei sem responder na hora, eu estava muito surpreso com a pergunta. Ele me olhou meio triste pensando que eu iria responder não, talvez. Mas eu sorri.
— Eu... Sim, eu quero. — Respondi sentindo meu rosto ferver, o sorriso do seu rosto cresceu e seus olhos brilharam. Ele se levantou e me puxou me abraçando forte e me dando um beijo.
Eu sorri, ele ainda estava com seus braços ao meu redor. Eu pensei que tinha que dar algo a ele. Ele tinha me ajudado a dormir na noite anterior e agora ele tinha feito o piquenique para mim e eu tinha que dar algo para ele.
— Espera um pouco. — Eu disse e me concentrei no palácio do meu pai. Ele tinha várias joias perdidas, eu apenas tinha que achar uma coisa. Quando eu achei o que queria fiz aparecer na minha sombra. Peguei os dois anéis de prata e dei um a ele com um pequeno sorriso. Ele me lançou um sorriso largo e pegou minha mão direita, mas já tinha o anel de caveira. O tirei e coloquei no dedo indicador. Ele pegou a mão de volta e colocou o pequeno anel de prata no meu dedo anelar, e eu fiz o mesmo com ele.
Ele olhou para mim com o mesmo sorriso.
— Agora todos vão saber que você é meu. — Ele disse me dando um selinho e eu sorri sentindo meu rosto ferver.
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