Ice and Darkness
10 Confusão
Notas iniciais
Passamos o resto do dia juntos, e voltamos para o meu chalé. Não estávamos com fome por ter comido todas aquelas frutas. Jack tomou banho primeiro e depois eu fui. E logo fomos dormi. Ele dormiu na minha cama, foi um pouco apertado graças a minha cama pequena, mas ele ficou abraçado comigo o tempo todo. Eu não ficava ainda totalmente confortável com toques, mas era muito bom. Em pouco tempo eu dormir, mas eu sonhei e isso nunca é uma coisa boa, não foi um sonho de semideus, foi apenas um pesadelo. Um horrível pesadelo.
Estava com o Jack andando pelo acampamento, ele segurou a minha mão, algumas pessoas olharam para nós estranho, mas nada demais. Então ele me puxou e me deixou na frente dele e me beijou. Eu fiquei com medo no começo, porque não tínhamos feito isso em publico, e quando nos soltamos, eu esperava que as pessoas ao nosso redor apenas nos ignorassem, mas começaram a me insultar, palavras que eu não conseguia distinguir. Olhei para trás a procura de Jack, mas ele não estava lá.
— Parem com isso. — Escutei uma voz falar, e todos ficaram em silencio, eu procurei o dono e vi Percy vindo em minha direção com olhos de pena, eu sentia meus olhos molhados. Queria abraça-lo por fazer aquilo parar, queria agradece-lo. — Não estão vendo que está machucando a princesinha.
Ouvi aquilo foi quase um soco no estomago, todos riam de mim agora, Percy beijava Annabeth, Jason a Piper e o Will beijava a Clara.
— Porque você não pode ser normal? — Escutei alguém dizendo atrás de mim.
Então gritei o mais alto que pude, as vozes tinham parado, olhei e vi que todos estavam caídos no chão, mortos.
—NICO, NICO. NICO ACORDA.
Sentei-me assustado na cama, com a respiração rápida, estava todo suado, meu coração batiam rápido, senti lágrimas quentes escorrendo pelo meu rosto.
— Nico, está tudo bem, eu estou aqui. — Jack disse me abraçando, encostei minha cabeça em seu ombro, eu não conseguia para de chorar, por mais que eu tentasse.
Quando me acalmei, fui ao banheiro, tomei um banho demorado, pensado naquele sonho, minhas mãos tremiam um pouco. Sai do chuveiro, me enrolei e me olhei no espelho. Joguei água no meu rosto e respirei fundo. Escovei os dentes e voltei para o quarto. Jack estava sentado na cama e me olhava preocupado, eu não falei nada, peguei as roupas e voltei para o banheiro para me arrumar. Aquele sonho tinha acabado comigo, eu sentia como se tivesse pequenos cacos de vidro dentro de mim. E aquilo doía. E tinha medo, porque na época que eu vivia antes, quando alguém falava a palavra “gay” cuspia depois para mostrar o nojo que sentia. E eu sei que os tempos são diferentes agora, mas eu ainda tinha uma parte daquele menininho, menos que bem pequena ele ainda vivia em mim. Sai do banheiro e me sentei na cama na frente de Jack.
— Quer me contar o que foi? — Ele perguntou calmo. Eu apenas balancei a cabeça dizendo que não. Eu tinha medo de falar e de alguma forma aquilo se tornar verdade.
Ele assentiu compreendendo minha decisão e me abraçou, encostei minha cabeça entre o vão do seu ombro e sua cabeça. Agora de vez de gélidos, o seu abraço estava quente, o que me fez ficar ainda com mais vontade de ficar ali. Soltei-me dele e olhei em seus olhos. Ele me olhava preocupado mais não fazia nenhuma pergunta e eu não podia estar mais feliz por isso. Ele colocou a mão na minha bochecha e passou de leve o polegar, abaixei o olhar sentindo meu rosto corar. Olhei para ele novamente e ele sorriu, ele se aproximou devagar a aproximou seus lábios do meu apenas os encostando. Não poderia nem considerar um selinho. Era apenas uma forma de consolar, eu acho.
Ele se deitou na cama e eu me deitei por cima de seu peito. Ele tinha tirado a casaco antes de dormir e estava apenas com a minha camiseta preta. Ele tinha um cheiro de chuva bom, escutava as batidas do seu coração, não era algo periódico. Era descompassada, parecia uma musica, dei um risinho.
— O que foi?
— Nada. — Respondi e fiquei lá abraçado com ele. O tempo passou, olhei para Jack que estava dormindo, mas eu não conseguia dormir de novo.
Acordei com o sinal para o almoço. Eu não queria sair do chalé, eu não queria ver ninguém.
— Vamos? — Disse Jack com os olhos sonolentos. — Estou morrendo de fome.
Respirei fundo e acenei que sim com a cabeça. Ele se levantou e se esticou e dessa vez não colocou a casaco. Levantei-me e sai junto com ele. Chegando lá todos pararam para nos olhar. Eu fiquei com um pouco de medo, mas me lembrei de que Jack era quase como uma celebridade lá, então fiquei mais calmo. Andei até minha mesa, e vi que o Jack atraia muitos olhares, principalmente da mesa de Afrodite que tanto os meninos quanto as meninas olhavam para ele. Vi a menina que tinha beijado de Jack e fechei meus punhos, ela era muito bonita, seus cabelos marrons caiam com grandes cachos pelos ombros, mas a quantidade de maquiagem em seu rosto de certa forma não deixava tão bonita, mas mesmo assim isso apenas me fez ficar ainda com mais raiva dela, continuei andando ela sorriu para Jack, mas não vi a sua expressão por estar na frente dele. Mas ela logo abaixou o rosto como se não tivesse acontecido nada. Peguei a comida e fui para a minha mesa, assim como Jack que sentou do meu lado.
— Desculpa por aquilo. — Jack falou com pouco envergonhado e percebi que estava falando da menina.
— Tudo bem. — Eu disse e dei um sorrisinho.
— Nico. — Escutei uma voz na minha frente e me virei para olhar. Theo estava lá com a sua comida. Estava com a camisa do acampamento, e uma bermuda. — Você vai mesmo, hoje?
O olhei confuso.
— Para o campo de morangos... Você tinha falado ontem. — Ele fez uma cara triste.
— Ah, claro. Desculpe-me. Claro que eu vou.
— Você tinha se esquecido, certo?
— Desculpa... Eu não tinha esquecido ontem, apenas tive um sonho à noite e me deixou um pouco... Confuso.
Ele balançou a cabeça afirmando e eu sorri para ele. E ele sorriu e volta e foi para a mesa de seus irmãos o que olhavam atentamente.
— O que ele quer? — Jack perguntou ao meu lado.
— Eu não sei, ele falou que queria conversar comigo.
— E você vai? — Eu balancei a cabeça dizendo que sim. — Eu vou com você.
— Por quê?
— Por que você é meu namorado e eu quero ver o que aquele menino quer falar com você. — Com essa frase eu corei por ele ter falado que era meu namorado em público. Mas dei um pequeno sorriso.
— Você está com ciúmes. — Disse.
— Não estou não. — Ele voltou a comer sua comida.
— Não precisa ir. Não vai ser nada demais.
— Mas...
— Nada de “mas”. — O interrompi. — Não tem nada com o que se preocupar.
Ele resmungou alguma coisa, mas voltou a comer. Quando acabamos, vi o Theo dando um pequeno sorriso para mim e dar um sinal discreto com a cabeça e foi em direção aos campos de morango.
— Vamos voltar para o chalé? — Jack perguntou.
— Eu vou falar com o Theo, mas eu já vou encontrar você lá. Não vai demorar.
Ele respirou fundo querendo contrariar, mas apenas assentiu e foi para o chalé. Fiz o caminho que o Theo fez, ele estava na frente dos campos.
— Oi... — Ele disse sem jeito.
— Oi. Então... O que foi?
— Podemos dar um volta na praia. É rápido. — Fiquei pensativo por um minuto e concordei o seguindo para a praia.
Quando chegamos lá, andamos mais um pouco até que o Theo se pôs na minha frente, respirando fundo, como se estivesse criando coragem.
— Theo, está tudo bem?
— Nico, eu realmente tenho que falar isso, eu não aguento mais. — Franzi a testa, preocupado para onde aquela conversa levaria. — Mas quer saber, falar não vai fazer nada. — Com isso ele puxou minha cintura e encostou seus lábios no meu. Meus olhos estavam abertos e consegui empurra-lo.
— Por que você fez isso? — Disse dando um passo para trás.
— Nico, eu sou apaixonado por você. — Ele deu um passo para frente e eu recuei um.
— Você mal me conhece. — Ele deu outro passo e mais uma vez recuei.
— Não, você mal me conhece, eu me lembro da primeira vez que eu te vi, você estava com a sua irmã, ainda era pequeno, você tinha um sorriso tão bonito. Mas você sumiu. Lembro também da guerra contra Cronos. Você tinha mudado, e eu queria falar com você naquela época, mas novamente você foi embora. E agora você voltou, e está todo diferente, muito mais bonito. Eu tinha que falar. — Ele disse com um pouco de tristeza nos olhos.
— Desculpe Theo. Mas eu... Eu estou namorando. — Girei o fino anel de prata em meu dedo e ele percebeu.
Ele fez uma cara de tristeza e eu via a hora dele chorar.
— Desculpe-me Theo.
— Eu devia ter falado antes. Talvez fosse ser diferente.
— Não temos como saber agora. Desculpe-me novamente. Eu não queria magoar ninguém.
Ele balançou a cabeça afirmando e eu dei um pequeno sorriso para ele. Voltei para o meu chalé e encontrei Jack olhando para mim com raiva.
— Não ia ser nada demais, não é? Aquilo não foi nada, certo? Eu também não sou nada?
— Jack, eu...
— Não, você mentiu para mim. — Ele me interrompeu.
— Jack, deixa...
— Não, Nico, eu não acredito que você fez isso.
— Mas eu...
— Você beijou aquele menino.
— ME DEIXA FALAR. — Gritei e ele ficou calado. — Não fui eu que o beijei como não foi você que beijou aquela filha de Afrodite.
— Mas você...
— Mas eu nada. Eu não fiz nada. Porque você não confia em mim? — Perguntei baixinho de cabeça baixa.
— Eu confio em você, eu não confio nas pessoas.
— Não parece. — Disse e ele levantou minha cabeça com a mão devagar.
— Me desculpe. Eu exagerei. — Ele tentou dar um pequeno sorriso e eu retribuo. Ele sorriu mais abertamente e me beijou. Dessa vez foi diferente das outras vezes dessa vez foi com necessidade. Ele passou as mãos pela minha cintura e me arrastou para cima da cama, me fazendo cair em cima dele.
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