Ice and Darkness
5 Patinação e Desconfiança
Notas iniciais
— Já sei. Vem cá. — Jack disse.
Ele se levantou e foi para o lago, encostou o cajado em cima da agua e ela foi congelando. Eu rir.
— Isso é incrível, mas porque fez isso? — Perguntei
— Vem cá. — Fiquei sentando o olhando confuso. Ele veio em minha direção e puxou minha mão, tentei soltar, mas ele segurou mais forte.
Ele ficou em pé onde era o lago, agora eu percebi que estava descalço.
— Vem. — Ele disse.
— Não. — Disse puxando minha mão, mas ele segurou mais forte.
— Eu não vou te soltar. Você não vai cair.
— É melhor não.
— Como você é medroso.
— Oque?
— É sim. — Respirei fundo e pisei no gelo. Quando olhei para o rosto de Jack, ele estava sorrindo. Coloquei o outro pé e quase escorreguei, mas Jack segurou mais forte minha mão e colocou uma mão debaixo de meu braço. — Eu falei que segurava. Agora fica parado.
Ele começou a andar para trás me puxando pelas mãos, eu não mexia meus pés, apenas me arrastava. A única coisa que eu pensava era que eu ia cair.
— Ainda bem que seu sapato escorrega. — Ele disse. E eu ri e ele começou a correr, dei um grito, e ele gargalhou. Depois eu comecei a rir. Ficamos assim por um tempo, mas por um segundo ele me soltou e eu escorreguei para trás. Quando me preparava para bater a cabeça fechei os olhos com força, mas não senti o impacto, sentir algo me segurando. Quando abri os olhos, Jack estava voando em cima de mim, segurando minha cabeça, com o olhar preocupado. Respirei fundo.
— Está tudo bem. — Disse.
— Que bom. — Ele soltou minha cabeça devagar e me ajudou a levantar. Ele me arrastou para fora do lago e me abraçou. — Fiquei preocupado. Desculpa.
— Não foi culpa sua. Eu apenas escorreguei. Pode me soltar. — Disse com a voz a meio abafada por que estava em seu ombro. E ele se soltou do abraço.
— É melhor nós voltarmos. — Ele disse. — Você esta todo molhado.
Tentei olhar para minhas costas, e vi e toquei estava todo molhando, assim com meu cabelo.
— Ótimo. Você não vai fazer nada com aquilo? — Acenei para o lago.
— Acham que vão perceber? — Perguntou.
— Acho que não. — Disse rindo e fomos em direção ao meu chalé.
Chegando lá, tirei minha camisa, joguei na cama e vi que o Jack estava atrás de mim.
— Você tem uma... Tatuagem. — Ele disse.
— Tenho. — Disse pegando outra camisa. Quando olhei para trás vi o Jack corado. — Se importa de virar?
— Por quê?
Corei.
— Para eu trocar de calça. — Ele ficou ainda mais vermelho e virou de costas. Tirei rapidamente a minha e coloquei a que era rasgada, peguei a roupa da cama e a calça e coloquei no cesto que tinha no canto do banheiro.
Uma vez por semana, a mulher que lavava a roupa de Perséfone para pegar minhas roupas sujas. Foi um “presente” que ela me deu de aniversário, mas eu agradecia por não ter que lavar minhas roupas. Quando voltei o Jack estava olhando a janela.
— Por que olha tanto pela janela? — Perguntei.
— Eu não sei. É legal. Olha isso. — Ele tocou na janela que logo ficou com uma camada de gelo.
— Eu pensei que só podia fazer com o cajado. — Ele sorriu e desenhou a caveira que estava na estampada na minha camisa. Sorri. Ele tocou de novo e ela saiu da janela batendo a boca.
Gargalhei e ela ficou-me arrodeando. De repente ela se desmanchou virando neve ao meu redor.
— Isso é muito legal. — Eu disse, estendendo minha mão para pegar algum floco de neve.
Jack chegou perto de mim, seus olhos estavam olhando os meus, ele levantou a mão e passou no meu cabelo tirando os flocos que estavam na minha cabeça.
— Obrigado. — Disse. Ele desceu a mão do meu cabelo até minha bochecha, passando o polegar de leve, senti seus dedos frios tocando meu pescoço e me arrepiei. Ele foi chegando mais perto, minha respiração começou a ficar mais rápida, meu coração parecia uma metralhadora. Segurei em sua nuca, nossas respirações estavam descompassadas, nossos lábios estavam rocando, até que eu ouvi alguém bater na porta.
— Nico, é o Jason. — Me soltei do Jack. Respirei fundo e abri a porta.
— Oi Jason... e Piper. — Disse, vendo que Piper estava do seu lado. — Você contou para ela não foi?
— Desculpa. — Ele disse e abri espaço para eles entrarem.
— Onde ele está? — Piper perguntou.
— Bem na sua frente. — Jason disse.
— Eu não consigo ver. — Ela disse.
— Você não acredita em mim? — Jason perguntou.
—Claro que eu acredito, eu só...
— Jack? — A interrompi, eu realmente não queria ver uma briga daqueles dois agora. — Você consegue, sabe... Fazer de novo? — Perguntei.
— Oque? — Jason perguntou, mas Jack apenas acenou com a cabeça sorrindo. Ele fechou a mão uma na outra e apareceu um pequeno floco de neve que eu não conseguia ver qual era a sua forma, então assoprou uma pequena florzinha que voou na frente dela e se desmanchou no seu nariz. Ela riu e olhou para ele.
— Eu estou te vendo. — Ela disse surpresa. Ele apenas riu e acenou. — Isso é fantástico, eu nunca vi nada parecido, a não ser com Quione, mas ela não era... Legal.
— Verdade. — Jason disse.
— De todo jeito é melhor você contar a Quíron, Nico, não acha?
— Eu... Eu vou falar com ele hoje.
— E para o Senhor D. também. — Ela disse. — Nico, eu posso falar com você, sozinha?
— Claro. — Sai do quarto com ela e ela estava sorrindo.
— O que está acontecendo entre vocês?
— Oque?
— Quando nós chegamos você estava vermelho e depois que eu consegui ver ele, percebi que ele também estava e você me pediu para cortar o cabelo. Acho que nem é preciso ser filha de Afrodite para perceber.
— Não está acontecendo nada. — Corei.
— Meus deuses, eu e o Jason atrapalhamos alguma coisa, não foi? Desculpa. — Ela disse culpada.
— Não, tudo bem. Vocês não... Atrapalharam nada. Não se preocupe.
Ela respirou fundo.
— Você vai falar com Quíron hoje, não vai? — Balancei a cabeça afirmando. — Espero que ele o deixe ficar.
— Por quê?
— Annabeth me falou que eles não deixam ninguém sem ser semideus ficar aqui, a não ser a Rachel, certo? Então...
— Talvez não possa ficar. — Completei. E ela afirmou com a cabeça.
— Eu vou chamar o Jason para irmos. — Concordei e voltamos para o chalé, mas agora eu estava preocupado se o Jack ficaria ou não no acampamento.
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