Ice and Darkness
6 Revelação
Notas iniciais
Depois que o Jason e a Piper saíram do meu chalé, eu quase não encaravam o Jack. Quando foi a hora do jantar, fui o primeiro a sair porque eu não queria ficar perto dele. Mas não adiantou nada, porque ele veio me seguindo. Quando acabei a janta, fiquei um pouco mais de tempo que o necessário na minha mesa. Pensando se eu iria ou não agora falar com Quíron. Foi quando o Jack falou comigo pela primeira vez desde o quase beijo.
— Vamos agora? — Jack perguntou.
— Vamos. — Disse, respirei fundo e fui a caminho de Quíron.
Quando chegamos a Casa Grande, encontrei o Quíron em sua cadeira de rodas, senhor D. e o Treinador Hedge jogando cartas.
— Vocês estão roubando. — Gritou Hedge comendo uma latinha de refrigerante.
— Só porque você é ruim, não quer dizer que nós roubamos. — Dionizio gritou.
Fiz um som com a garganta para chamar a atenção deles.
— Nicholas, quanto tempo não passa aqui. — Senhor D. falou.
— É Nico.
— Tanto faz.
— Eu posso falar com o Quíron? — Perguntei.
— Claro, pode falar. — Quíron falou, eu pensei que ele fosse se levantar, mas ele apenas ficou sentado lá e percebi que era para eu falar com ele ali mesmo.
— Então... Eu queria...
— Jack? — Fui interrompido por Quíron, olhei para trás e vi que Jack tinha aparecido atrás de mim. — É você mesmo? Quanto tempo.
Jack foi até ele e apertou a sua mão, sorrindo.
— O que está fazendo aqui? — Quíron perguntou sorrindo.
— Só achei divertido o acampamento.
— Vocês se conhecem. — Disse, mas pareceu uma pergunta.
— Sim, mas faz tempo que o vejo. — Quíron disse dando uma leve batida nas costas de Jack.
— Então, Quíron, eu queria saber se eu posso ficar um tempo no acampamento? — Jack perguntou.
— Claro, porque não? Você poderia ficar no chalé 7, acho que os filhos de Apolo não se importariam.
— Eu poderia ficar no do Nico?
— As regras dizem que não podem ficar duas pessoas no mesmo chalé sozinhas. — Quíron disse.
— Está tudo bem, são dois garotos. O que eles podem fazer? — Hedge disse. E eu quase rir com que ele tinha falado. Quase.
— Então, está tudo bem. — Quíron falou. — Se estiver tudo bem para o Nico.
— Está tudo bem.
— Então amanhã na hora do jantar contamos para o resto dos campistas. O que queria falar Nico?
— Nada. Não é nada. — Disse.
— Então tudo bem.
— Querem se juntar a nós? — Dionizio perguntou.
— Não, obrigado, eu vou indo. — Eu disse.
— Eu também. — Jack disse.
— Então vocês podem ir embora, estão interrompendo uma parte importante. Estou a ponto de ganhar do Hedge. — Senhor D. disse.
— Vamos ver se isso vai acontecer. — Hedge disse e eu fui para o meu chalé.
Voltei para o meu chalé, eu estava com sono e eu iria tirar a minha camisa, porque já era costume eu dormir sem a camisa, mas eu me lembrei do Jack e me sentei na cama e apenas tirei os tênis e me deitei de barriga para cima com o braço em cima dos meus olhos. Percebi que o Jack tinha deitado. Respirei fundo e olhei para ele. Ele estava olhando para cima, ele tinha colocado o cajado do lado da cama, umas finas luzes da lua entravam e seu cabelo parecia brilhar, literalmente, suas mãos entravam nos bolsos do cajado. Ele era tão lindo, não tinha nem comparação com o Percy, ele parecia um deus grego. E talvez ele fosse já que ele tinha poderes, mas a maioria dos semideuses tinha alguns, mas ele era imortal. Eu me lembrava do nosso quase beijo, eu apenas sabia que eu queria saber o gosto dos lábios dele. Sua pele parecia ser tão fria, não é como se a minha não fosse. Mas eu...
— O que está olhando? — Jack perguntou e eu percebi que eu estava o encarando.
— Nada. — Me virei para frente.
Ele se levantou e andou em minha direção e se sentou ao meu lado.
— Está tudo bem? — Ele perguntou.
— Claro. Porque não estaria?
— Eu não sei. — Ele segurou minha mão e me arrepiei com o toque. — Espero que esteja.
Não consegui responder, ele chegou perto de mim e colocou seus lábios na minha testa e ele ficou uns dois segundos a mais que o necessário. Estranhei o gesto, mas antes de questionar o porquê ele já tinha voltado para a cama dele e virado de costas para mim. E ele me deixou lá, parado, confuso e com uma estranha sensação em meu peito. Algo que nunca senti antes, nem com o Percy, nem com o Will. Era algo diferente, era algo... Real. E em pouco tempo depois eu estava dormindo.
Acordei no dia seguinte, e o Jack ainda estava dormindo. Tomei banho ligeiro, troquei de roupa e sai do chalé antes dele acordar e fui para a floresta, fiquei na frente do rio. Eu queria ficar longe do Jack, eu queria que isso parasse, porque talvez ele não sentisse o mesmo por mim. E eu poderia sofrer aquilo tudo de novo e eu realmente não queria passar por aquilo. Senti uma lágrima escorrer pelo meu rosto.
— Nico? — Escutei alguém atrás de mim, limpei rapidamente o rosto e me virei para ver quem era.
— Ah, oi Will.
— Está tudo bem? — Balancei a cabeça afirmando. — Você sabe que pode me contar não é?
— Não é nada, Will. Eu estou bem.
— Posso ficar com você?
— Se quiser.
Ele se sentou do me lado, e ficou jogando pedras na água do rio. Fiquei em silêncio, eu prefiro ficar em silêncio, era reconfortante para mim. Mas era estranho ver o Will em silêncio, ele sempre falava coisas.
— Está tudo bem com você? — Perguntei. Ele balançou a cabeça afirmando. — Não está. O que aconteceu?
— A Clara não para de falar de você. — Ele riu. — Ela acha que você está apaixonado. Ela fala que não gosta de ser a filha de Afrodite, mas adora romance.
— Porque ela acha isso?
— Porque ela falou que você está diferente, ninguém nunca viu você de cabelo cortado, sorrindo mais. É verdade não é?
— Se eu soubesse que o meu corte de cabelo iria fazer tanta gente achar que eu estou apaixonado, era melhor ter deixado daquele jeito. — Resmunguei.
— Mas é verdade? — Ele perguntou e eu fiquei em silêncio. — É. — Ele disse sorrindo.
— Eu não sei ok? Eu não sei. Eu não sei o que é isso. Eu apenas não sei.
— Mas você gosta dela?
— Não é... Esquece. Não é nada.
— Confia em mim, pode me falar.
— Não é... — Hesitei. — Ela.
Ele arqueou a sobrancelha e eu já esperava que ele fosse me julgar, mas ele apenas abriu um sorriso.
— Quem é o sortudo?
Ri dele, e ele passou os braços pelas minhas costas até o meu ombro.
— Talvez você o conheça hoje, na hora da janta.
Ele sorriu e voltou a jogar pedrinhas na água.
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