Ice and Darkness
15 "Obrigado"
Notas iniciais
Jack ainda continuava a alisar meu cabelo, eu me sentia cansado, mas eu não conseguia dormir. As palavras de Hazel ficavam rodando na minha cabeça. “Isso não é normal”. Ainda sentia umas pequenas lágrimas que eu não conseguia segurar escorrendo pelo meu nariz.
— Quer me contar o que aconteceu? — Jack perguntou, com voz preocupada.
— Eu... Eu falei para ela. Que eu estava... Namorando... Um garoto. A reação dela não foi a que eu esperava. — Respirei fundo sentindo mais lágrimas descer.
Eu tinha medo que isso acontecesse, eu tentava me preparar se aquilo acontecesse, mas doía muito mais do que eu imaginava. Senti o Jack respirar fundo e volta a alisar meus cabelos.
— Eu sinto muito. Mas talvez depois ela entenda. Ela pode vim aqui e pedi desculpas e...
— Ela não vai. — O interrompi. — Você não viu como ela ficou. Acho que ela nunca mais vai falar comigo.
Jack se levantou e eu soltei um resmungo baixinho. Peguei meu travesseiro e me abracei nele.
— Vamos dar uma volta. — Jack disse.
— Não. — Eu disse me virando de bruços na cama.
— Vamos. Para você esquecer um pouco as coisas. Vamos.
Olhei para ele, e ele estava com um sorriso de lado. Respirei fundo e me sentei na cama. Ele sorriu mais um pouco e eu me levantei. Fui ao banheiro e lavei meu rosto. Meus olhos ainda estavam vermelhos e um pouco inchados. Sai do banheiro e vi Jack segurando o cajado me esperando.
— Vamos? — Ele perguntou.
Eu balancei a cabeça afirmando e sai com ele do chalé. Tinha alguns campistas correndo de um lado para o outro. Outros estavam no caminho da arena. Jack colocou a mão nas minhas costas e me empurrou levemente. Olhei para ele e ele assentiu com a cabeça me encorajando. Deixei ele me levar, passamos pelos campos de morangos e fomos para a praia. Andamos um pouco na areia e nos afastamos o suficiente para nenhum campista nos encontrar. Nós estávamos em silêncio durante todo o caminho. Sentei-me na areia e Jack se sentou atrás de mim e puxando um pouco fazendo com que minhas costas encostassem-se ao seu peito. Ele passou os braços pela minha cintura e ficou abraçado comigo. Ele começou a dar beijos no meu pescoço, mas eu apenas olhava para o mar vendo o por do sol.
— É tão bonito. — Jack disse encostando o queixo em meu ombro.
— É incrível. Daria uma bela foto. — Eu disse.
— Eu estava falando de você. — Jack disse e eu soltei uma risada pelo nariz.
— Você... Você acha isso errado? — Perguntei ainda olhando para frente.
— Oque?
— Nós. Somos dois garotos. Você acha errado?
— Porque seria errado? Não é algo que vemos todo dia, mas eu amo você. Isso que importa para mim.
Virei-me para ele e me sentei em seu colo. Sorri para ele e ele sorriu de volta passando a mão pelo meu cabelo.
— Eu também te amo. — Eu disse e o beijei. Ele segurou minha cintura e me puxou mais para perto dele.
Afastamo-nos quando o ar fez necessário. Eu continuava com os olhos fechados e Jack ainda dava pequenos selinhos na minha boca.
— Eu preciso de você. Promete que não vai me abandonar? — Perguntei olhando nos seus olhos.
— Eu não viveria sem você. — Ele disse voltando a me beijar.
Ficamos assim por um tempo, já tinha anoitecido e era bom ter o Jack ao meu lado. Mesmo que a Hazel não me aceitasse, eu não poderia ficar longe do Jack.
— Vamos entrar no mar?
— Não. — Eu digo com a boca encostada na dele.
— Por quê?
— Porque eu não quero. — Eu disse dando selinhos na sua boca.
— Vamos, por favor. — Ele fez um pequeno bico.
— Você parece uma criança assim. — Disse, tentando mudar de assunto. Mas não deu muito certo.
— Vamos, vai.
— Eu não quero entrar. — Eu disse corando um pouco. Ele apenas sorriu para mim e se levantou me puxando.
— Se você não for eu vou te jogar lá com roupa e tudo.
Bufei e vi o Jack tirar a roupa ficando apenas com uma boxer preta e fazia contraste com sua pele branca. Sem nem perceber eu estava prendendo a respiração. Soltei o ar lentamente e tirei minha roupa. Virei-me de costas para Jack olhando para o mar e senti seus braços em minha cintura. Ri um pouco e ele começou a andar me levando junto para a água. Quando meus pés encostaram-se à água gelada, me arrepiei.
— Está gelada. — Eu disse fazendo um bico. Ele foi para a minha frente e me beijou me puxando mais um pouco a água estava na minha cintura e eu estava tremendo.
Depois de um tempo eu me acostumei com a temperatura da água e mergulhei nadando um pouco mais para longe. Quando emergir novamente, procurei pelo Jack, mas não o vi. Senti algo tocando minha perna e quando me virei vi que era o Jack.
— Eu quase morri de susto. — Eu disse socando o seu ombro.
Ele fez uma carinha fofa, massageando o ombro. Eu ri e ele sorriu para mim. Mergulhei novamente e nadei mais um pouco, como eu nado com os olhos abertos vi Jack na minha frente, ele nadou até mim e me beijou emergimos novamente, e ele segurou minha cintura e eu a sua nuca. Afastamo-nos para respirar.
— Eu falei que entrar no mar seria uma boa ideia. — Jack disse sorrindo.
Eu sorri de volta e joguei água em seu rosto e ri. Ele olhou para mim e eu levantei as sobrancelhas. Ele começou a jogar água em mim e eu joguei nele.
— Tudo bem, eu desisto. — Eu disse passando a mão para tirar o cabelo que caia nos meus olhos.
Ele riu de mim, e me beijou novamente.
— Eu nunca vou me cansar do seu gosto. Mesmo salgado. — Ele disse e eu ri corado.
Ele me abraçou e colocou a cabeça no meu ombro respirando fundo.
— Eu prometo. — Ele disse.
— Promete? — Perguntei confuso e ele olhou nos meus olhos, mas ainda com as mãos em minha cintura.
— Você perguntou se eu prometeria que eu nunca iria te abandonar. Eu prometo. Você nunca vai se livrar de mim. Apenas se você quiser, mas vamos torcer para que isso não aconteça por que...
O interrompi o beijando.
— Obrigado. — Eu disse e ele sorriu para mim. — Você fez muito mais por mim do que eu fiz por você. Obrigado.
Ele sorriu novamente e me abraçou novamente. Beijei de leve o seu ombro e retribui o abraço e ficamos assim por, eu não sei, minutos, horas, não importava. A única coisa que eu queria era sentir seguro. E isso acontecia nos braços de Jack. E naquele momento apenas existíamos nós no mundo. Não tinha campistas, não tinha problemas, não tinha Hazel, não tinha nada. E eu não poderia agradecer mais por ele me fazer sentir assim.
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