Ice and Darkness
42 I Can’t Live Without Him
Notas iniciais
— Foi culpa sua. Era para ter sido você! — Ele gritou para mim.
Ao escutar aquelas palavras o meu coração doeu. Mordi a minha boca e fechei os olhos com força.
— Eu... Eu sei...
— Não! Você não sabe... Era para ter sido você! Eu... Eu fiz aquilo tudo... Era para ter sido você
— Leo? Do que você está falando? O que você fez? — Eu perguntei confuso. O garoto agora não parecia falar coisa com coisa.
— O Theo era uma pessoa boa, não era para ter sido ele!
— Eu sei que ele era uma pessoa boa. Eu... Eu estou sofrendo tanto quanto você Leo.
— Pare! Pare com isso! — Ele gritou e eu me assustei.
— Parar com o que?
— Parar de tentar parecer que é uma boa pessoa! Ela era para estar aqui. Nós estaríamos felizes sem você!
— Ela?
— Você é muito burro, Nico! A Calipso! Era para ela está aqui comigo. Eu a amava mais que tudo. Eu tentei falar com o seu pai várias vezes, para ele a trazer de volta. — Lágrimas escorriam pelo seu rosto. — Mas ele falou que não. Que não poderia fazer isso. Eu implorei por ajuda e ele apenas falou que não. Então eu iria me vingar dele! O que pior seria de machucar um homem se não matando o seu filho? Era um plano perfeito! Ele tem apenas um filho, a dor ia ser bem pior. Estava tudo certo, não tinha como aquelas fúrias confundirem com outro semideus o filho de Hades. E estava quase perfeito. Mas o Theo foi para frente de você. Era para ter sido você. Não ele. Ele fez isso para salvar o filho de um monstro.
Eu estava em choque. Era aquilo que o Leo pensava sobre mim? Ele queria me matar. Aquilo não se encaixava em minha cabeça não fazia nenhum sentido.
— Você... Você matou o Theo. — Eu sentia meus olhos se enxerem d’agua enquanto eu falava aquilo. — Foi sua culpa.
— Não! A culpa foi sua.
— Você autorizou as fúrias entrarem no acampamento. Por que você fez isso? Sabe quantas pessoas você poderia ter machucado? O Theo, ele... Eu não acredito que você fez isso.
— Pare de colocar a culpa em mim! — Ele gritou e veio correndo em minha direção.
Esquivei-me rapidamente e chutei a sua perna o fazendo cair no chão. Subi em cima do garoto e dei um soco em seu rosto.
— Seu covarde. — Eu gritei.
Naquele momento eu não sentia mais tristeza. Eu apenas sentia raiva. Muita raiva. E queria tirar tudo aquilo de dentro de mim. Quando levantei o meu punho para outro soco ele segurou a minha mão e me virou ficando por cima de mim. Ele socou o meu rosto e eu senti o gosto de sangue na minha boca. Ele bateu mais uma vez e consegui chutar a sua barriga. Ele ficou sem fôlego e eu o virei o deixando encostado ao chão.
— Não era para você ter feito isso. O Theo era uma das melhores pessoas que eu já conheci!
Sem perceber eu comecei a apertar o seu pescoço. Ele começou a balançar os braços e se mexer em baixo de mim. Sua boca se abriu para tentar puxar algum ar, mas não conseguia. Eu não conseguia parar de apertar, e nem queria. Seu rosto começou a ficar vermelho. Mas ai alguém me puxou para longe. Olhei para cima e vi o rosto de Jack voando, me levando para longe do Leo.
Olhei para o garoto no chão e vi que ele sentado ao chão, tossindo tentando recuperar o folego.
— Por que você ia mata-lo? Era para você ajuda-lo! — Jack disse um pouco desesperado e me colocou no chão longe do Leo.
— Foi ele. Ele que matou o Theo. Ele que permitiu que as fúrias entrassem no acampamento. Ele queria me matar e o Theo ficou na minha frente. Foi culpa dele. — Eu comecei a chorar. — Foi culpa dele.
Antes que eu pudesse falar mais qualquer coisa, Jack saiu do Burker com Theo nos braços e eu fiquei confuso no local. Sentei-me no chão e comecei a chorar. Eu chorei pelo Theo e pelo que eu tinha acabado de fazer, mas eu não conseguia me arrepender. Eu queria aquilo. Não importa o quão errado seria. Se não fosse o Jack eu poderia ter tomado uma decisão que eu me arrependeria pelo resto da minha vida. Não sei quanto tempo se passou e Jack voltou para o Burker e se acocorou ao meu lado.
— O que você fez? — Eu perguntei com voz baixa.
— O levei para o Quíron. Ele vai resolver o que fazer com o Leo.
— Me desculpe. — Eu digo o olhando no rosto. — Me desculpe. Eu não estava pensando direito. Eu apenas fiquei com muita raiva do que ele tinha me dito. Eu não sei o que deu em mim. Se não fosse você eu...
— Eu entendo Nico. — Ele se sentou ao meu lado e colocou a mão em minhas costas. — Eu não sei o que você sentiu na hora que ele disse tudo, mas eu entendo os seus motivos. Você ficou nervoso e eu sei que a pior coisa para um filho de Hades é a ira.
Abaixei a minha cabeça e fiquei mexendo na borda da minha calça.
— Eu ia mata-lo. — Disse baixinho e envergonhado.
— Mas não matou. Eu estava aqui e não te deixei fazer nenhuma burrice. E eu sempre vou estar aqui para impedir que tal coisa aconteça.
Ele se levantou e esticou a mão para mim. Olhei para ela e a segurei. Ele me puxou e ficamos a centímetros um do outro. Apoiei a cabeça em seu peito e o abracei forte, ele pareceu um pouco surpreso, mas depois retribuiu o abraço e ficou alisando o meu cabelo.
— Vai mesmo ficar sempre ao meu lado?
— Desde o momento que você bebeu aquela poção, eu não tenho mais escolha. Eu te amo, meu pequeno.
— Eu te amo, Jack.
O abracei mais forte e ele beijou a minha cabeça. E mesmo aqui passando por momentos difíceis, eu sabia que ele sempre iria me ajudar, eu nunca mais iria ficar longe dele. Por que sabia agora que sem ele, eu não mais existia.
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