Ice and Darkness
40 I Bet My Life
Notas iniciais
— É melhor irmos se não vamos nos atrasar. — Eu disse e Jack assentiu.
Estávamos indo para a Casa Grande se despedir de Percy e Annabeth que iriam para o acampamento Júpiter hoje. Jason e Piper chamaram os campistas que se despedirem do casal preferido do acampamento. Jack terminou de colocar sua camisa de bagunçou o cabelo, como eu fazia. Sorri para ele e saímos do chalé. Fazia um dia que eu tinha tomado à poção de Hécate. Eu não tinha sentido nada até agora, mas eu sabia que funcionava pelo aviso que a própria deusa me deu. No caminho, Jack segurou minha mão e fomos para a Casa Grande.
Chegando perto, eu conseguia ver o Jason abraçando o Percy e a Piper abraçando a Annabeth. Vi uma lágrima escorrer pelo rosto da loira, mas ela estava sorrindo. “Eu vou sentir saudades.” Consegui ler os lábios de Annabeth, a Piper falou alguma coisa, e ela riu. Mas eu não sabia o que tinha sido. Theo estava do lado de Grover e do Leo. Depois que Jason soltou o Percy, Grover foi abraça-lo.
— Você pode me ver lá, cara. — Escutei o Percy falando e Grover balançou a cabeça.
— Mesmo que eu não goste muito de ir lá. Eu vou visita-los. — Annabeth sorriu e abraçou o amigo.
— Nico. — Percy me chamou e eu fui até ele. — Também veio se despedir?
— Não, cabeça-de-alga. — Annabeth falou. — Para que mais ele estaria aqui?
Sorri e concordei com a cabeça.
— Vim me despedir sim. — Eu disse. — Eu desejo toda a felicidade para vocês.
— Vem cá. — O Percy me puxou para um abraço e eu fiquei um pouco assustado, mas retribui o abraço.
Depois que ele me soltou eu abracei a Annabeth e ela sussurrou em meu ouvido:
— Obrigada Nico. Também espero que você seja feliz.
Sorri para ela e depois, Jack abraçou os dois também. Alguns campistas passavam depois, desejavam felicidades para o casal, mas iam embora rápido. Depois que todos, ou a maioria, dos campistas se despediram. Percy pegou duas malas que tinha no chão e falou:
— Bem, o Blackjack está esperando. Estam...
A frase morreu quando sentimos o acampamento tremer. Segurei o braço de Jack e senti o chão tremer novamente.
— Tem algo na barreira. — Annabeth falou, mesmo que sua voz tinha saído calma, mas dava para ver no seu rosto demonstrava medo.
Foi quando aquelas mulheres apareceram. Eu já as tinha visto antes no mundo inferior. Eram três fúrias.
— Quem deixou elas entrarem? — Percy perguntou ao lado de Annabeth.
Ninguém respondeu. Eu peguei minha espada que estava no cinto e vi o Percy pegar a caneta, o Jason sua moeda. Os dois transformaram em espadas e ficamos vendo o caminho que elas faziam como se estivessem procurando algo. Elas eram terrivelmente assustadoras, tinham asas de morcego e os cabelos de serpente. Quando elas nos viram, pararam e sorriram. Senti um frio passar pela minha coluna e vi-as voando em nossa direção.
Eu fiquei com a que estava no meio. Percy e Jason com as do canto. Annabeth correu para chamar alguns semideuses para ajudar e Jack voava em cima delas tentando congelar suas asas e suas pernas. Eu estava morrendo de medo que acontecesse algo com ele ali, mas eu não podia parar de atacar a que estava na minha frente.
— VÃO EMBORA! — Escutei Piper gritar no meu lado e balancei a cabeça para não cair no charme dela, que agora estava bem mais forte que o normal, mas parecia que não funcionava com as fúrias. Elas continuavam a atacar.
Pelo canto do olho, vi uma derrubar Jason no chão. Eu estava pronto para ir correndo ajuda-lo, mas a fúria não foi ataca-lo. Ela se virou para mim. Agora eu tinha que me defender de duas. Eu tentava não atacar muito para não me cansar, até que uma parou de repente. Olhei para o seus pés e vi que estavam congelados. Agradeci a Jack mentalmente e voltei a atacar à primeira. Quando ela tentou bater em minha cabeça, eu me abaixei rapidamente e cortei sua barriga, fazendo a virar em apenas o pó dourado. Olhei para que Jack tinha congelado os pés e vi que também tinha se tornado pó, o Jason tinha atacado ela. Procurei Jack pelo ar, quando eu escutei a sua voz:
— NICO! — Olhei para trás e vi Jack com uma expressão assustada. A fúria tinha derrubado Percy no chão, pegado a sua espada e estava voando em minha direção.
Depois daquilo, tudo parecia ter ocorrido em menos de um segundo. Eu estava paralisado, a espada estava levantada, mais parecia pesar mil quilos e eu não conseguia move-la. Eu já sabia que a espada ia atravessar a minha barriga, fechei os olhos e esperei...
...Mas nada aconteceu. Abri os olhos lentamente e vi o cabelo loiro de um garoto, seu tronco tinha a espada atravessada até o lado de trás. A fúria puxou a espada e segurei o corpo do loiro que caiu em cima de mim. Jason correu, e decepou a fúria antes que ela fizesse algo.
Virei o garoto para eu ver e vi o rosto de Theo, branco, sua respiração estava entrecortada. Minhas mãos tremiam, eu coloquei uma mão onde a espada tinha entrado tentando controlar o sangue que saia do local.
— Theo. Theo vai ficar tudo bem. — Eu disse e meus olhos começaram a encher de lágrimas.
Ele sorriu e disse:
— Eu pensei que morreria de velhice por que nunca me arriscava a sair do acampamento. — Ele disse com a voz fraca e eu senti as lágrimas escorrerem pelo meu rosto
— Vai ficar tudo bem, Theo. Seus irmãos vão cuidar de você. Você vai ficar bem. — Eu tentava convence-lo. E tentava convencer a mim também.
— Nico. — Ele olhou em meus olhos, seus olhos azuis estavam quase cinzas. — Eu também sou um filho de Apolo. Sei quando uma pessoa não tem cura.
— Theo, se você morrer, eu juro que eu mato você.
— Está tudo bem, Nico. — Ele sorri e passa a mão pelos meus cabelos.
— Não está não. — Eu digo com a voz trêmula.
— Está sim. Não dói. — Ele diz e eu olho o seu rosto e ele passa o polegar na minha bochecha. — Mentira, isso dói para caralho. — Ele fez uma careta de dor.
— Seu burro. Burro. Não era para você ter feito isso. — Eu digo com as lágrimas descendo nos meus olhos. Eu me perguntava por que ele não chorava. Coloquei a mão onde o sangue saia da sua barriga, e sentia aquele liquido rubro e quente escorrendo entre meus dedos.
— Eu não me arrependo. — Ele disse e estica sua mão para o meu pescoço. Olho o local e vejo o colar que ele tinha me dado balançando sobre o meu pescoço. — Você ainda usa o colar que eu te dei. — Balancei a cabeça afirmando e ele sorriu. — Você ainda vai usar quando eu me for?
— Você vai ficar aqui, Theo. Você vai. — Eu disse, mesmo sabendo que não era verdade.
— Você promete que vai continuar usando? — Ele falou ignorando o que eu tinha dito antes.
— Eu prometo. — Eu digo segurando sua mão. — Prometo.
— Sabe. — Ele sorri e olha para o céu. — Eu ainda atirei naquele boneco de palha hoje de manhã.
Eu ri em meio às lágrimas. Os olhos de Theo começaram a se fechar devagar. Como se ele fosse dormir. A mão dele caiu das minhas. Apoiei minha cabeça no peito de Theo e falei baixinho: Eu prometo que eu vou achar quem fez isso.
Quando eu senti uma pontada no meu coração. Naquele momento eu sabia que a alma de Theo tinha acabado de abandonar o seu corpo.
Fale com o autor