Ice and Darkness

25 Extra - POV Theo


Fazia dois dias que Nico tinha ido para a tal missão com o Jack. E fazia cinco dias que eu tinha beijado o Leo. E desde então eu não falei com ele. Eu tentava falar, mas ele sempre fugia de mim no que resultava comigo bufando pelos cantos. Mas hoje eu iria falar com ele, não importa o que aconteça, mesmo que eu não fizesse a menor ideia de onde ele estaria.

Sai do meu chalé e fui para o chalé de Hefesto. Perguntei a algum dos seus irmãos onde ele estava, mas eles apenas limitavam a balançar a cabeça e dizer que ele não tinha dormido no chalé.

Desistir de procura-lo pelos seus irmãos e fui atrás do Jason. Ele tinha que saber onde o Leo estava. Eu ainda queria entender o beijo que tínhamos dado. Era confuso para mim, mas de certo modo era um confuso bom. Ficava me perguntando por que ele ficava me evitando. Talvez ele nunca tivesse beijado outro garoto, talvez ele gostasse de outra pessoa, eu não sei. Eu apenas queria entender.

Fui para o chalé 1 e bati na porta, sendo atendido por Jason arrumado para ir almoçar.

— Jason, eu posso falar com você? — Perguntei.

— Claro, Theo, o que foi?

Hesitei por um momento, pensando no que falar respirei fundo e falei:

— O que aconteceu com o Leo? Quando ele esteve fora...

Ele me olhou curioso e abriu mais a porta do chalé para eu entrar. Entrei e ele fechou a porta, sentou-se na cama e eu o acompanhei.

— Como sabe que aconteceu algo? — Ele perguntou.

— É que... Aconteceu uma coisa... Então ele ficou estranho.

— O que aconteceu?

— É... Meio que... Nós... Nós nos beijamos.

Ele me olhou surpreso e depois me lançou um pequeno sorriso triste.

— Tenha cuidado com ele.

— Por quê?

— Ele passou por momentos difíceis. Digamos que não deu certo quando ele se apaixonou pela primeira vez.

— O que quer dizer, Jason?

— Ela... Ela morreu nos braços dele, Theo. — Ele abaixou a cabeça em seguida e eu fiquei olhando para nenhum lugar especifico.

Eu fiquei surpreso e muito triste por saber que ele tinha sofrido uma perda assim. Mas mesmo assim, ele poderia me falar, seria bem mais fácil do que ele me evitar. Seria mais fácil, não seria? Ainda sim eu iria falar com ele hoje. Eu precisava saber o seu lado. Eu precisava entendê-lo.

— Você... Você sabe onde ele está? — Perguntei e ele olhou para mim.

— Tenho quase certeza que no Burker.

Levantei-me e fui até a porta, abri e me virei para Jason.

— Obrigado. — Eu disse e ele sorriu para mim.

— Tenha cuidado com meu amigo.

Acenei com a cabeça e fechei a porta atrás dele. Sai correndo para o caminho da floresta.

Fiquei pensando no que falar para ele, talvez pedir desculpas, ou perguntar por que ele me evitava. Cheguei à porta do Burker e hesitei por um minuto, pensei em bater, mas talvez ele não abrisse. Respirei fundo e abri a porta devagar. Escutei o barulho de martelo batendo no ferro, andei mais um pouco e vi o Leo massacrando uma chapa de ferro de cor dourada, suas roupas estavam sujas de graxa, assim como seus braços. Seu cabelo estava despenteado. A sala estava estranhamente quente, o que explicava suas roupas grudando no seu corpo e seu cabelo grudando no pescoço, ele estava de costas para mim, e eu não pude evitar olhar para o seu quadril. Espanquei-me mentalmente e afastei os pensamentos. Ele trocou o martelo por outro objeto e começou a fazer algo.

— Ahn... Oi? — Arrisquei e ele se virou rapidamente para mim assustado, acho que sem querer, pode ter sido por minha causa, ele cortou a mão com o objeto que tinha na mão.

Ele fez uma careta olhando para o corte, mas depois sorriu forçado para mim.

— Oi. — Ele disse se virando novamente.

— Me deixa... Limpar isso para você. — Falei e andei até ele.

— Não... Não precisa, eu vou... — Eu limpo sozinho. — Ele sussurrou e eu continuei a andar até ele e peguei sua mão para ver o corte, mas por sorte não foi fundo.

Peguei o pano que estava em cima da mesa e passei levemente em sua mão.

— Onde tem uma torneira? Você precisa lavar.

— Ali atrás tem uma. — Ele disse e eu o levei para lá, coloquei a sua mão com delicadeza debaixo da água e esperei até que estivesse limpo. — Dentro daquele armário tem ataduras. — Ele disse baixinho e eu fui até onde ele apontou.

Voltei até ele e cobri o corte delicadamente, depois dei um pedaço de ambrosia para ele.

— Você anda com ambrosia no bolso? — Ele perguntou rindo.

— Ainda bem que faço isso certo? — Sorri para ele, mas ele virou o rosto. — Leo, eu...

— Eu não quero falar sobre aquilo. — Ele sussurrou me interrompendo.

— Leo, isso não sai da minha cabeça. Eu apenas queria entender.

E era verdade, a noite antes de dormir sempre ficava pensando nele e em seus lábios, o que fazia com que os meus formigassem. Eu nunca tinha sentido isso por ninguém, a não ser pelo Nico. E isso me assustava um pouco.

— Eu não posso fazer isso. Não posso fazer isso com ela. — Ele disse e eu senti meu coração doer.

Eu sabia do que ele estava falando, e sabia como aquilo vai atormenta-lo por muito tempo.

— Você não esta fazendo nada de errado, Leo. — Tentei consola-lo.

— Eu não posso esquecê-la. Não posso. — Ele olhou nos meus olhos e vi lágrimas se formando.

— Ei, ei, ei. — Segurei o seu rosto fazendo-o olhar para mim. — Você não vai esquecê-la. Isso seria impossível.

— Eu não posso. Eu devo isso a ela.

Olhei no fundo dos seus olhos e vi apenas tristeza. Fiquei pensando no beijo de novo e imaginei que ele me usou apenas para fugir um pouco da sua dor. Novamente senti meu coração se apertar, mas obriguei-me a falar:

— Você nunca vai esquecê-la. Não vai, mas eu realmente acho que ela não iria querer te ver assim. Eu não iria querer se fosse eu... Sabe, você tem que contar para alguém o que sente, não pode guardar isso para você. Isso dói, eu imag...

A frase morreu quando ele me beijou. O empurrei levemente, eu queria muito o beijar de novo, mas eu ficava triste por que eu sabia que aquele beijo não significa o mesmo para ele do que para mim. Olhei para o seu rosto e ele ainda estava com os olhos fechados.

— Leo...

— Eu também não consigo esquecer o beijo. — Uma lágrima escorreu pela sua bochecha. — Eu quero... Quero tentar ficar com você, mas eu não posso esquecê-la.

Sorri para ele e passei o polegar de em sua bochecha.

— Você não poderia esquecê-la nem se você quisesse. Eu também quero ficar com você, mesmo sabendo que você ainda a ama.

Ele sorriu triste.

— Acho que você é a única pessoa que fala isso na terra. — Ele diz e sorri e eu retribuo. — Posso te beijar agora? — Eu rio.

— Pode. Claro que pode!