Ice and Darkness
14 "Era Para Ser Uma Conversa Agradável"
Notas iniciais
Eu não me lembro de como eu fui para a cama, mas eu acordei bem melhor do que quando eu fui dormir. Ainda não tinha amanhecido totalmente, eram mais ou menos umas cinco da manhã. Sai da cama com cuidado para não acordar Jack, e sai do chalé para dar uma volta, mesmo tendo perigo de ser atacado pelas harpias. Eu precisava pensar um jeito para falar com o Theo, e também falar com a Hazel, porque ela é minha irmã e ela merecia saber que eu estava namorando. Mas eu estava com medo da reação dela, porque ela nasceu durante a segunda guerra e eu apenas esperava que ela me entendesse. Ou no mínimo que ela não me julgasse. Chutei uma pedrinha que estava no caminho e ouvi algo perto da arena. Peguei minha espada que estava no cinto e andei o mais silencioso possível, o que não era tão difícil para mim.
Chegando lá vi um campista atirando flechas num boneco de palha, e a maioria das flechas estavam no coração, com uma mira perfeita, dificilmente não seria um filho de Apolo ali. Guardei a espada e andei mais para perto e vi que era o Theo. Respirei fundo pensando se eu voltava para o meu chalé ou falava com ele ali mesmo. Resolvi ficar com a segunda opção.
— Acho que você me imagina nesse boneco. — Eu disse e ele pulou quando ouviu a minha voz.
— Que susto. — Ele disse colocando a mão em cima do peito. Depois dele voltar a respirar novamente e olhou nos meus olhos. — Não.
— Não?
— Eu não imagino que você seja o boneco.
— Isso é bom.
— Eu imagino quem você está namorando. — Dito isso ele colocou mais uma flecha no arco.
— Isso é ruim. — Eu disse e ele soltou a corda do arco batendo bem na cabeça e fiz uma careta. — Theo... Eu não quero que você fique assim.
Ele colocou o arco no chão devagar e se virou para mim.
— Você não sabe o que é isso, Nico. Você não sabe como é amar alguém que você sabe que não ama de volta.
— Eu sei. Pode acreditar que eu realmente sei. Por isso que eu não quero que você fique assim.
Ele desviou os olhos e umedeceu a boca com a língua. Ele abriu a boca para falar algo, mas voltou a fechar e mordeu o lábio inferior.
— Quem é? — Ele perguntou sem olhar nos meus olhos. — Quero dizer, quem você está namorando. Pode me dizer?
Respirei fundo pensando se eu faria ou não o certo contando para ele.
— O Jack. — Disse baixinho.
Ele levantou os olhos e deu um pequeno sorriso. Não um sorriso falso ou irônico, apenas foi um sorriso verdadeiro.
— Eu quero que você seja feliz. Pode não ser comigo... — Ele soltou uma risadinha pelo nariz e encolheu os ombros. — Mas eu quero que seja feliz, é bom ver um sorriso no seu rosto.
Sorri para ele e ele sorriu de volta. Hesitei por um momento e fui até ele e o abracei. Ele ficou um pouco assustado no começo, mas retribuiu o abraço.
— Podemos ser amigos? — Ele perguntou.
— Claro. — Me soltei do abraço e sorri para ele.
— Ótimo, e sabia que se aquele branquelo te magoar eu vou está aqui. Como um amigo. — Ele acrescentou rapidamente. — Ou algo mais se quiser.
Ri e ele sorriu olhando para mim.
— Eu tenho que voltar para o meu chalé. — Eu disse e ele assentiu. — Cuidado com as harpias.
— Não se preocupe. — Ele pegou seu arco no chão e foi pegar as flechas que estavam no boneco e eu voltei para o meu chalé. Olhei rapidamente para trás e vi que ele voltava a atirar no boneco e eu não consegui conter um sorriso.
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Depois da conversa com Theo voltei para o meu chalé que Jack ainda dormia deitei do lado dele e puxou minha cintura para perto dele, olhei para ver se ele tinha acordado, mas ele ainda estava dormindo. Dormimos tanto que perdemos a hora do café da manha, mas nós fomos almoçar, eu não precisava mais usar o casaco de Jack, depois de dormi a mancha tinha ficado bem mais clara, apenas se a pessoa olhasse muito bem conseguiria ver.
De tarde eu não fui treinar, fiquei no chalé com o Jack trocando beijos, nós fazíamos muito isso quando nós estávamos sozinhos, eu estava deitado na cama e ele estava curvado em cima de mim. Escutei algumas batidas na porta do chalé, mas eu ignorei, mas elas continuavam insistindo.
— É melhor você abrir. — Jack disse.
Fiz um biquinho e ele mordeu de leve, soltei um “ai” e ele riu e saiu de cima de mim. Quando abri a porta vi Hazel com a camisa do acampamento Júpiter e o cabelo amarrado. Eu nem acreditei que ela estava na minha frente. Ela quando me viu pulou em cima de mim me abraçando.
— Hazel... Eu não consigo respirar. — Falei e ela me soltou rindo.
— Estava com saudades. — Ela disse e eu sorri.
— Eu também. — Ela voltou a me abraçar e Jack olhava para ela com curiosidade.
— Você está incrível com o cabelo curto. — Eu sorri. —Eu soube que tem um novo colega de quarto, e que eu não posso ver ele.
— Como você sabe disso? Você vai dormir aqui hoje?
— Eu passei na Casa Grande antes de vim aqui, Quíron me contou. E não eu apenas passei de visita, vim com o Árion.
Eu sorri e me virei para Jack que ainda olhava para ela confuso.
— É a minha irmã. — Disse para ele, mas fez com que ele parecesse mais confuso.
— Oque? — Hazel falou.
— Ela não se parece com você. — Ele disse e eu sorri.
— Nico? — Hazel me chamou.
— Quíron te falou da história de Jack? — Perguntei
— Sim, ele está aqui?
— Jack, você pode...
— Nem precisa perguntar. — Ele me interrompeu sorrindo e fez a mesma florzinha que fez para Piper, e assoprou. A flor ficou fazendo voltar ao redor dela e quando ela tentava tocar, a flor se afastava um pouquinho.
Quando a florzinha caiu no chão, ela olhou para Jack e ele acenou para ela.
— Prazer em conhecê-lo. — Hazel falou sorrindo.
— O prazer é todo meu. — Jack disse se curvando e Hazel riu.
Respirei fundo preocupado e olhei para Jack. Eu tinha que falar com a Hazel agora porque ela mesma falou que apenas ia ficar à tarde no acampamento.
— Jack. — Eu chamei. — Eu poderia falar com a minha irmã, sozinho?
— Ah, claro, eu vou lá fora. — Ele sorriu para mim e saiu.
Hazel me olhou confusa e sentou na cama ao meu lado.
— Aconteceu alguma coisa? — Ela perguntou preocupada. Respirei fundo.
— Sim. Mas não é nada para se preocupar. É que... Hazel... Eu estou... Namorando.
Ela abriu um enorme sorriso para mim e segurou minhas mãos.
— Isso é ótimo. Ela deve ser linda, eu quero conhece-la agora.
— Hazel. — Eu apertei a mão dela com um pouco mais de força. — É que... Não é uma... Garota.
— Como é? — Seu sorriso se fechou e ela puxou as mãos e me olhou sério.
— Hazel, me entenda. Eu... — Ela se levantou e se virou de costas para mim. — Eu realmente gosto dele.
— Isso é uma brincadeira?
— Não... Hazel...
— Isso não é certo, Nico. — Ela me interrompeu ainda de costas para mim.
— Por favor, Hazel. Por favor, entenda.
— Eu não consigo entender, Nico... Eu não acho isso certo. Eu... Isso não é normal. — Ela aumentou o volume da voz e se virou para mim.
Eu senti meus olhos se enxerem de lágrimas, me levantei e tentei tocar em seu braço, mas ela se esquivou.
— Hazel, p-por favor, não precisa ficar assim.
— Eu não consigo Nico. — Ela foi até a porta.
— Hazel... — Senti as lágrimas descendo pelo rosto.
Tentei pegar sua mão, mas ela apenas puxou gritando:
— NÃO.
Assustei-me e fiquei parado, ela olhou para mim, com... Decepção, eu acho. Balançou a cabeça para os lados e saiu correndo puxando a porta do chalé fazendo um enorme barulho. Corri para a cama e coloquei minha cabeça no travesseiro chorando. Eu queria que ela entendesse. Ela é minha irmã. Eu não esperava isso dela, espera de qualquer um, mas não dela. Ela parecia que seria a primeira que não me julgaria. Eu queria tanto que ela me aceitasse. Ela era minha única família. Aquilo doía tanto. Não conseguia conter os soluços do choro. Senti algo no meu cabelo, quando olhei pra cima vi Jack sentado na cama me olhando preocupado. Eu nem tinha escutado ele entrando no chalé. Coloquei minha cabeça na sua coxa e fiquei chorando enquanto ele ainda alisava meu cabelo.
— O que aconteceu? Eu a vi sair correndo daqui furiosa.
— Era... — Solucei. — Era para ser uma conversa agradável. — Voltei a chorar. — Era apenas para ser uma conversa agradável. — Jack se deitou e me apoiei em seu peito ouvindo das batidas do seu coração.
— Vai ficar tudo bem, meu amor, eu estou aqui. — Ele voltou a alisar meu cabelo. — Estou aqui. Lembra? Eu prometi. Sempre vou estar aqui. — Eu o puxei para mais perto sentindo o seu calor.
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