Ice and Darkness
24 Encurralados
Notas iniciais
— Nico... Nico, acorda, está na hora. — Senti duas mãos me balançando lentamente.
Grunhi e me virei de barriga para baixo. Escutei uma risada e senti algo no meu pescoço. Arrepiei-me e virei meu rosto, vendo Jack sorrindo para mim.
— Temos que ir agora. Você sabe. — Ele disse e deu um meio sorriso.
— Eu sei. — Me sentei na cama, bocejei e cocei os olhos. Levantei-me fui ao banheiro fiz minha higiene matinal e voltei para o quarto enrolado numa tolha. Encontrei Jack deitado na cama olhando para cima.
De lado da cama encontrava duas mochilas, eu apenas queria levar uma, mas o Jack queria levar uma barraca para não dormirmos na rua. Eu achei desnecessário, mas mesmo assim vamos levar. Fora algumas coisas, como mapa, ambrosia, etc...
Eu tinha falado para o Jason ontem que eu e o Jack íamos sair do acampamento. O que não o deixou muito feliz e me forçou a explicar o porquê daquilo. Eu tentava fugir de todas as formas, mas ele percebeu e eu acabei contando. Eu contei tudo, e ele não ficou feliz, deu para ver nos seus olhos, mesmo que estivesse com um sorriso forçado no rosto. Eu o fiz prometer que não iria contar para ninguém o verdadeiro motivo de eu e Jack ter saído momentaneamente do acampamento. Para os outros campistas era apenas uma missão para trazer um novo semideus para o acampamento, mesmo que questionasse porque não levar um sátiro.
Eu estava até pensando em levar um sátiro, talvez o treinador Hedge, mas eu lembrei que o tal de Alabaster não estava do “nosso” lado na guerra contra Cronos, e talvez fosse ser difícil convencer algum sátiro que ele não era do mal. Mesmo que nem eu soubesse disso.
— Pensando no que? — Jack perguntou e eu acordei de meus pensamentos.
— Na viajem, eu não faço ideia para onde vamos. — Eu disse e fui ao guarda roupa e peguei uma calça jeans escura e uma camisa preta.
Senti os braços de Jack rodear a minha cintura e seus lábios tocarem meu pescoço de leve. Ele soltou uma mão e passou ao redor da minha tatuagem.
— Eu amo você. — Ele disse no meu ouvido e eu me arrepiei, sorri um pouco e respondi:
— Você já disse isso. — Eu disse e senti sua risada no meu pescoço.
— E eu vou dizer mais vezes. — Me virei para ele e coloquei os braços ao redor do seu pescoço.
— Obrigado. — Eu disse e ele sorriu para mim e me deu um selinho. — Agora deixa eu me arrumar.
Ele riu de mim e voltou a se deitar na cama. Fui ao banheiro e me vesti lá. Pode parecer idiota, mas eu ainda tinha vergonha de ficar sem roupas na frente do Jack. Baguncei os cabelos e voltei para o quarto. No qual eu fui surpreendido por Jack me abraçando e me levantando do chão. Agarrei-me no seu pescoço e fiquei rindo.
— Por que disso? — Eu perguntei com um sorriso no rosto.
— Eu que tenho que agradecer. Acho que ninguém nunca faria isso por mim, então obrigado.
— Tudo bem, agora pode me descer. — Eu disse e ele sorriu me colocando de volta no chão de novo. — Desculpa, é que eu gosto de manter meus pés no chão.
Ele riu abertamente e balançou a cabeça afirmando. Fui até de lado da cômoda e coloquei a minha espada no meu cinto.
— Vamos? — Eu perguntei colocando a mochila nas minhas costas, e Jack colocando a dele. Estiquei minha mão e ele segurou.
— Vamos.
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Aparecemos no meio de uma estrada deserta. Estava de noite, tínhamos ido até meu pai e ele nos enviou para cá. Mas acho que não era o lugar certo.
— Estamos no lugar certo? — Jack perguntou como se estivesse lendo meus pensamentos.
— Eu... Não sei. — Andei um pouco e vi uma placa do lado da estrada que indicava a entrada da cidade onde tinha:
Keeseville, Nova York
Aproximadamente dois mil habitantes.
— É uma cidade pequena. — Eu disse para Jack que tinha ido até o meu lado.
— Como vamos saber aonde ir?
— Vamos andando. — Eu disse e começamos a andar.
Eu tinha razão, a cidade era uma cidade pequena, algumas esquinas davam para ver farmácias, lanchonetes e uma cafeteria. Acho que era a única da cidade. Quando nós passamos na frente de uma Mc Donalds eu fiquei morrendo de vontade de comer um cheeseburger. O cheiro também não ajudava muito.
— Você quer comer alguma coisa? — Eu perguntei a Jack torcendo para ele dizer sim.
Ele olhou para mim e levantou as sobrancelhas.
— Oque? — Eu perguntei.
— Você sabe que eu não posso comer na frente de pessoas... Que não acreditam em mim. Elas penas veriam a comida flutuando. — Ele riu
Arqueei as sobrancelhas, eu realmente não me lembrava disso, acho que já era costume de vê-lo direto. Mas mesmo assim fiquei me perguntando se não era triste para ele.
— Então vamos. — Eu disse e ele segurou meu braço.
— Não, você vai comer, eu não estou com fome mesmo.
Pensei por um momento e sorri para ele. Ele sorriu de volta e entrei na lanchonete. Não tinha quase ninguém naquela hora, o que me fez ficar feliz. Fui até o caixa e fiz o meu pedido, que consistia num cheeseburger, batatas fritas e um milk-shake. Olhei para o lado e vi Jack sentado numa das mesas olhando para mim. Então pedi o mesmo para viajem, mas para trocar o milk-shake por refrigerante. Peguei o dinheiro que eu tinha levado por precaução (ainda bem que levei) e a paguei. Guardei o troco e ela me mandou ficar esperando na mesa que depois levavam para lá.
Sentei-me a na mesa e Jack sorriu para mim sorri de volta e disse:
— Peguei um para viajem para você. — Eu disse baixinho colocando a mochila na cadeira do meu lado e ele sorriu abertamente.
— Sério?
Balancei a cabeça afirmando sorrindo.
— Que bom, por que eu estava com fome. — Ele disse.
— Mas você disse... — Eu comecei, mas ele levantou a mão para me fazer parar de falar e olhei para o lado e vi a garçonete vindo para a mesa.
Ela colocou a bandeja na minha mesa e sorriu para mim.
— Espero que gostem. — Ela disse com voz suave, ela tinha os cabelos negros amarrados, uma pele branca, mas não tanto quando a minha e tinha um sorriso doce.
Na bandeja tinha um pacote para viajem, as batatas que eu tanto queria, o milk-shake e o cheeseburger. Eu estava tão entretido com a comida que nem reparei que tinha ela já tinha saído.
Peguei duas batatas e coloquei na boca e tomei um gole grande o milk-shake aproveitando o sabor que fazia tempo que eu tinha tomado.
— Nico, tem algo de errado. — Jack disse e eu olhei para ele.
— Oque? — Eu falei com a boca cheia de batata frita. Ele riu.
— É melhor irmos. — Ele disse.
Terminei de mastigar e olhei para ele com as sobrancelhas franzidas.
— O que foi Jack? — Perguntei preocupado.
— Ela me viu. Tem algo de errado.
— Como você sabe que ela te viu?
— Primeiro ela disse “Espero que gostem” No plural. E segundo ela sorriu para mim, antes de sair.
Olhei para o balcão e a vi sorrindo para mim e depois para Jack. Agora o sorriso dela parecia... Predador.
— Merda. — Sussurrei baixinho, peguei minha mochila coloquei nas costas, me levantei, mas antes de sair tomei um grande gole do milk-shake que eu fiquei morrendo de pena de deixa-lo ali. Peguei um punhado de batatas e coloquei na boca.
Sai com Jack ao meu lado ainda mastigando as batatas. Andamos rapidamente, mas quando olhei para trás vi a mulher do caixa e a garçonete atrás de nós. “Ótimo” eu pensei e começamos a correr.
— Aqui. — Eu gritei para Jack entrando num beco escuro. Podia parecer burrice, mas eu me dou bem no escuro e esperava que elas não.
Mas de repente várias luzes ligaram a cima de nós. Então vi as duas na nossa frente. Mas agora elas não tinham o corpo de humanas, sua pele estava branca com giz e seus olhos completamente vermelhos. Seus dentes agora eram presas. Sua perna esquerda era marrom e peluda com um casco de burro e a outra era como uma perna humana, mas era de bronze.
— O que é isso? — Jack perguntou ao meu lado e a mulher bufou. — São vampiras com pernas estranhas?
O rosto da garçonete se contorceu numa expressão de raiva e gritou:
— Somos empousas. Servas de Hécate.
— Tudo bem, então eu acho que vocês já sabem quem somos, porque não podemos ir embora e está tudo certo? — Jack disse forçando um sorriso, mas ele segurava o cajado pronto para fazer alguma coisa.
A mulher gargalhou e falou:
— Nós existimos nos alimentando de sangue de jovens homens. Acha mesmo que vamos deixar vocês irem?
— Acha que terá algum problema com Hécate se nós acabarmos com elas? — Perguntei para Jack. E Jack apenas sorriu.
— Vamos nos divertir um pouquinho. — Ele disse e eu apunhalei minha espada.
Elas correram em nossa direção e eu ataquei primeiro, mas ela desviou com facilidade. Olhei rapidamente para Jack, que voava em cima dela tentando acerta-la com o cajado. Voltei a minha atenção para que estivesse na minha frente, tentando acerta-la novamente. Mas num movimento rápido ela tinha jogado a minha espada no chão. Amaldiçoei a com um pensamento, e ela tentou me atacar, mas desviei para o lado esquerdo. Infelizmente era o lado da parede, então não deu tempo para correr quando ela me pressionou na parede. Tente chutar sua perna, mas acertei a perna de bronze que apenas fez com que minha perna ficasse dolorida. Mas depois acertei na outra e ela me soltou. Corri para o outro lado, pensando em pegar minha espada, mas não daria tempo. Eu não sabia o que fazer então eu percebi ao frio ao redor do meu pescoço. Lembrei o colar de Theo. O arranquei do meu pescoço possivelmente o quebrando, mas eu nem pensei nisso no momento, transformei em arco e rapidamente o posicionei e mirei no seu coração. Parecia que naquele momento tudo ocorria de câmera lenta, respirei fundo e soltei a corda, no caminho apareceu uma flecha acertando perfeitamente no coração. A vi virar pó, no mesmo instante. Olhei para Jack que tinha a outra completamente congelada.
Sorri para ele e ele sorriu para mim. Mas vi uma correndo atrás dele, meu sorriso morreu abri minha boca para gritar para Jack sair dali, mas na hora outra voz se destacou:
—Incantare: Stulti Carcer! — A voz de alguém atrás dela disse e ela parou de se mexer na hora.
Achei estranho, mas não hesitei em levantar o arco e atirar em seu coração, o que fez com que ela virasse pó na hora. Joguei o arco no chão e corri até Jack e o abracei, ele rapidamente retribuiu o abraço.
— Ahn... Oi? — Olhei para trás e vi o menino que tinha falado à coisa que tinha feito a empousa parar.
— Oi. Obrigado por aquilo. — Eu disse e ele sorriu.
— Não foi nada. Suponho que seja um semideus.
— Sim. Meu nome é Nico.
— O Nico di Angelo? Filho de Hades?
— Eu acho que sim.
— Já ouvi falar de você.
— Ele não está dando em cima de você, está? — Jack perguntou com uma voz irritada ao meu lado e eu percebi que o menino não o via. O que será que ele viu quando eu fui abraçar o Jack. Acho que vai ser meio difícil de explicar.
— Qual o seu nome? — Perguntei e estendi a mão para ele.
Ele apertou a minha mão e falou:
— Meu nome é Alabaster Torrington.
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