ISan Diego

2 IReajusting Moons


Notas iniciais
Nome do cap: Reajustando luas
Hei, meu povo. Cinco reviews? Vocês tem noção do quão feliz eu fiquei? Tem? Tem?
Sério, eu achei que ninguém fosse ler, quanto mais comentar. Fui até favoritada!
Rá, to me sentindo agora. Sou demais, já posso fazer comercial da Loreal. -não mesmo.
Enfim, mas um Cap. Esse tá mais grandinho (sim, eu falo errado e tenho consciência disso.) que o anterior.
Falando em mais grandinho, eu tirei o aviso que a fic só ia ter 12 caps porque o cap 3 tá meio grandinho (32 páginas e contando...) e eu decidi dividi-lo.
Yep, vocês vão ter que me aguentar por mais um tempo. Final do cap eu volto - sim, falo mais que o homem da cobra.
Ah, a fic tem uma pegada meio dramática, só avisando pra quem tava achando que ia ser mais comédia.
Beijinhos.

Lá estavam os dois. Em uma pousada em San Diego. Sozinhos.

Sozinhos.

Sozinhos.

Sam parecia que ia enlouquecer! Como alguém conseguia aguentar aquele palerma por tanto tempo?

Ela suspirou não era hora de surtar. Ela devia manter a cabeça. Carly ligara assim que chegara em Yakima somente para manda-la não matar o garoto. Ela sempre se perguntara por que Carly sempre pedia coisas impossíveis para ela.

Não mate o Benson. Não torture o Benson. Não torture a Melanie. Não maltrate a Melanie. Deixe o Gibby em paz. Não esconda o que acontece com você e o Benson.

Como se algo acontecesse entre ela e o moreno.

Ela estava do lado de fora da pousada na pequena praia, que era exclusiva da pousada, sentada numa cadeira observando o céu estrelado. O céu de San Diego tinha muito mais estrelas que o de Seattle, ela observou, talvez ali as estrelas fosse realmente incontáveis. Sorriu com o pensamento. Ela estava ali sozinha. Freddie tinha ficado lá dentro resolvendo as coisas do hotel.

Depois que saíram do shopping com a ajuda da polícia de San Diego, eles foram alugar um carro. Apesar dela ainda ter quinze anos e saber dirigir, era Freddie quem já tinha a carteira exigida para o aluguel de carro. Ambos decidiram (com uma pequena briga) que ele era o único que iria dirigir o carro. Ela não podia ser presa em San Diego.

Ela ainda não tinha entendido o porquê de Spencer abominar a ideia de alugar um carro quando Freddie dissera para eles fazerem isso. Um carro ia deixar tudo mais fácil e mais barato. Ele dissera que era para Sam não correr o risco de ser presa, mas ela sabia que não era por isso. Ela obedecia Spencer quando ele falava sério. E ele sabia disso.

Mas não era hora para pensar naquilo. Ela tinha que pensar no que estava acontecendo ali. Ela sozinha com o Benson. O palerma do Benson. O frouxo do Benson. O perfeito do Benson. O gostoso do Benson. Ela não tinha mais adjetivos para descrevê-lo. Se ela gostava dele? Claro que não! Mas também não era cega o suficiente para não admitir que ele era bonito.

E ele tinha um... charme nerd que raramente se vê em alguém.

Só que o garoto era um porre. Ela já sabia disso e isso se confirmou com o resto da tarde que eles passaram juntos. Ele resolvera o problema no shopping, resolvera a situação deles com absolutamente todas as rádios e com o museu (que tinham sido muito compreensivos com o AVC que o avô de Carly tivera e aceitaram tranquilamente Gibby no lugar dela), e estava resolvendo o problema com o hotel.

Ele era certinho demais. Quietinho demais. E pouco observador.

Sim, porque ela deixara todos os sinais imagináveis e inimagináveis para que o garoto descobrisse que ela era uma garota e que ela o achava bonito. Só que a lentidão em forma de pessoa não parecia notar.

Se bem que ela queria o que? Que ele descobrisse e ficasse se achando? Não! Ou pior, ela queria que ele descobrisse e começasse a gostar dela igual ele gostava de Carly? Ela gargalhou sozinha e baixo de seus pensamentos ridículos.

Ela olhou para a lua crescente no céu. Lua crescente. Era a fase que ela mais gostava. Era a fase imperfeita e positiva da lua. A fase que Sam se identificava. Aquela lua sempre estava mais cheia que vazia. Não importava se houvesse nuvens na frente que a cobrisse. Sam sabia que a lua sempre estaria lá mostrando todo seu brilho e resplendor. Muitas vezes fazendo esse brilho atravessar as nuvens. E Sam sempre quis ser assim: fazer seu brilho aparecer independente do que acontecia a sua frente.

Ela suspirou. E tentou tirar esses pensamentos de sua mente. Tinha que se concentrar em como sobreviver (e isso significava não se matar) com o nerd certinho. Ela que nunca convivera com a ordem e não sabia como fazer isso, agora era obrigada a viver com a pessoa mais correta – sem ser maluca, por isso a louca da mãe dele não contava; que ela conhecia.

Ela não percebeu quando ele chegara, só o notando quando a sombra dele entrou em seu campo de visão.

–Vou ao mercado comprar alguma coisa pra gente jantar. Quer viver essa aventura comigo? – Freddie perguntou rindo do que falava

–Aventura?

–O cara do hotel disse que um fã clube Seddie tá se organizando para nos seguir o tempo todo. – Freddie disse sentando na cadeira ao lado dela – Principalmente agora que Carly twitou para todos rezarem por seu avô no hospital e que estava ao lado dele esperando ele melhorar.

–A CARLY FEZ O QUE?? – ela gritou indignada pegando o celular para conferir o twiter da amiga.

Com o vovô no hospital em Yakima esperando ele melhorar. Rezem pela vida dele. E pela do Freddie que tá sozinho com a Sam.” Ela leu incrédula.

– Eu vou matar ela! Ela passou dos limites dessa vez! – reclamou Sam – Ela praticamente jogou carne aos fãs! Vender a alma pro Diabo pra quê? – ela riu com escárnio – Quando você tem a Carly como amiga ela faz coisa pior!

–Não seja tão cruel- disse o moreno com um tom levemente repreensivo e um sorriso contente no rosto – Carly apenas é inocente.

–Não. Ela não é. – a loira raciocinou rapidamente e chegou à conclusão – ela apenas quer que a gente seja perseguido pelos fãs para que eu não possa te matar.

–Não acho. – ele disse pensando – ela quer que não saiamos muito do hotel e talvez...

–Comecemos a conviver bem? – a loira riu – Parece mais com a Carly. Só que foi crueldade do mesmo jeito.

–Bem. Nós temos que arranjar algo para comer. – disse o Freddie mudando de assunto – Não posso esquecer que tenho uma esfomeada do meu lado.

–Não pode mesmo. – ela concordou rindo – Você vai sozinho?

–É isso ou pedir alguma coisa.

–Melhor pedir. Pelo menos hoje. A tarde já foi terrível o suficiente.

Freddie assentiu e ela viu ele se afastar para falar no telefone. Ela continuou a olhar as estrelas enquanto ele falava no celular.

– Você toma cerveja, né? – ele perguntou depois com o telefone já desligado. – Porque se não toma, vai tomar hoje.

–Você pediu cerveja?- ela perguntou incrédula- Você? Cerveja?

–Sim. Porque a surpresa? O engradado de cerveja estava na promoção junto com a pizza extragrande. – ele disse voltando a se sentar na cadeira ao lado dela. – Acabei pedindo um pra mim e outro engradado pra você.

–Achei que você era um santinho. – ela disse olhando para ele e Freddie levantou a sobrancelha – Santinhos não bebem. – ela esclareceu.

– Eu bebo. De vez em quando. Pra comemorar.

–Me deixa adivinhar? Comemorar que está longe da sua mãe? – ele riu e assentiu – É, vou abrir uma tendinha e virar vidente... – ela riu e eles ficaram em silêncio por um tempo. Quando ela voltou a falar, seu tom era triste – Mas hoje você não tem o que comemorar: você tá longe dela e perto de mim.

– E...? – ela não disse nada e ele suspirou – Você é tão violenta quanto ela, mas não é tão paranoica.

–Ela não é tão violenta quanto eu – disse a loira incrédula – É irracional ela, a sua mãe superprotetora, ser violenta com você.

– Bem – ele começou, desviando seu olhar para o céu –, ela tem uma forma pra me fazer tomar 15 injeções num dia. Na maioria das vezes faltam palavras... Enfim, sabendo disso deixa de ser tão irracional.

– Eu não sabia disso. – disse a loira. O silêncio veio por mais um tempo – A Carly sabe?

– Sabe. E eu pedi pra ela não te contar.

Eles ficaram em silêncio esperando a pizza chegar. A pizza chegou e Sam, ainda encabulada com a conversa que eles tiveram, se ofereceu para pegar a pizza. Ela pagou o moço, afirmando que tinha responsáveis com eles, e pegou os engradados de cerveja e a pizza.

Ela passou na recepção do hotel e perguntou se eles tinham uma caixa de isopor. O recepcionista, sem respondê-la, apenas deu a caixa e saiu para pegar algum gelo. Minutos depois a loira voltava a caminhar segurando a caixa de isopor e equilibrando a pizza extragrande em cima.

Quando Sam chegou até onde Freddie estava, ela colocou a caixa de isopor com a pizza em cima, numa ordem silenciosa que eles não bebessem até que a pizza tivesse acabado. Começaram a comer. Ele estava pensativo, ela também. Não trocaram uma palavra até que Sam dessa a última mordida no último pedaço da pizza.

–Eu sempre me imaginei como a lua crescente. – ele começou, limpando os dedos num guardanapo que viera junto com a pizza – Imperfeita e positiva. – Ela o olhou com os olhos arregalados. Ele não olhou para ela, apenas jogou o guardanapo numa sacola qualquer, pegou uma garrafinha do isopor e a abriu com a camisa. – Isso faz algum sentido pra você?

Sim, fazia todo e completo sentido pra ela. Mas ela nunca ia admitir.

– Você é louco, Benson. – eles riram. Eles ficaram em um silêncio que ela achou melhor quebrar – A Carly é a lua cheia, se for pensar dessa forma.

– Perfeita e brilhante? Concordo. – ele assentiu com a cabeça e depois de um tempo completou – Ou talvez não. – ela olhou para ele, mas ele mantinha seu olhar no céu escuro e brilhante. Ele riu triste – Nós três somos fodidos. – ele suspirou – Talvez a Carly seja a menos, mas ainda assim...

–A Carly menos fodida que você, o perfeito Benson? – perguntou Sam com um sorriso de incredulidade

– Sam – ele engoliu seco e suspirou antes de continuar –, minha mãe nem sabe quem meu pai é. – Sam riu descrente – Eu fui... concebido quando ela voltava da faculdade e foi pega por cinco homens diferentes que a estupraram. – apesar de Freddie não tirar os olhos do céu, ele sabia que Sam estava surpresa – Minha mãe tentou me abortar sei lá quantas vezes e nunca conseguiu, claro.

–Mas... – ele não deixou ela completar a frase.

– Quando ela me teve, ela não conseguiu me dar para a adoção. Só que – ele tomou a cerveja inteira de uma vez só antes de completar – toda vez que ela me olhava ela ficava com nojo dela mesma. E descontava em mim.

Sam lembrou-se de sua mãe descontando nela cada um dos términos com seus namorados. Assentiu como se pedisse para ele continuar, mesmo sabendo que ele não estava olhando para ela.

– Ela parou com isso e tomou consciência do que fazia quando um vizinho chamou a polícia. Os assistentes me tiraram dela por algumas semanas, e ela provou que tinha melhorado. Depois nós viemos para Seattle. – ele jogou a cerveja fora e pegou outra, abrindo-a da mesma forma que a anterior. – Eu me lembro dessa época, recém tinha feito cinco anos. – Ele sorriu fraco – Quando ela me tomou da mão dos assistentes, ela saiu de um extremo e foi para o outro. Só que ela continuou me batendo para que eu aceitasse as maluquices que ela fazia comigo para meu próprio bem. Ela ainda me batia quando a Carly me conheceu. – ele tomou alguns goles da segunda cerveja – Foi fácil gostar da garota que cuidou dos meus ferimentos.

Eles ficaram em silêncio. Talvez por meia hora, talvez mais. Freddie esperou que a loira tivesse digerido toda a história e ela bebeu quase duas cervejas antes de se pronunciar.

– Carly sabe de tudo?

– Não. Só que minha mãe me batia.

– Porque tá me dizendo tudo isso agora, Freddie? – ela perguntou realmente curiosa

– Você disse pra Carly que eu era perfeito. E por isso não queria conviver comigo aqui em San Diego. Eu imagino que você me odeie por isso também. E bem, não é assim. Sou tão fodido quanto você.

Fez-se silêncio por um tempo.

– Imperfeito e positivo. – ela disse olhando para a lua. – Assim como eu.

Ele assentiu. Ela sabia disso mesmo sem estar olhando para ele.

–Desculpa por escutar sua conversa com a Carly. – ele disse depois de um tempo.

–Tudo bem. – ela riu – Aproveite minha bondade hoje. – ele a acompanhou nas risadas. – Eu só não entendi porque você realmente resolveu me contar isso hoje. Digo, você podia ter escutado minha conversa e ter deixado pra lá.

– Eu pretendo sair algum dia da lua crescente e começar a ser uma lua cheia. Achei que você pudesse me ajudar com isso. – ele disse olhando para ela, ela olhou para ele fez uma careta, deixando claro que não tinha entendido – Não me bata, mas eu também acho você uma lua crescente.

– Tá, mas porque começar aqui? Longe de casa?

– Não sei. Talvez porque estamos só nós dois. Dois errantes perdidos em San Diego.- eles riram da dramaticidade do garoto – Ou talvez porque aqui nós podemos arranjar forças para podermos aguentar a pressão quando chegarmos em casa.

– Ou seja, você quer aproveitar San Diego para se animar a mudar?

Ele pensou antes de responder e voltou a olhar pro céu.

– Eu diria que é pra fazer um reajuste de luas.

Depois de um breve silêncio, ela resolveu falar

–Uh, quem diria que o Benson é literário. – ela riu de si mesma – Então, o que o literário nerd propõe?

– Que eu e você comecemos novamente. Com nós dois sabendo que somos mais iguais que imaginávamos.

– Ok. Então, estranho conhecido, quer uma cerveja para celebrar nossas vidas fodidas? – ela perguntou pegando duas cervejas e estendendo uma para ele.

Ele assentiu e fez questão de passar a mão pelo pulso e descer pela mão da loira até chegar à cerveja. A mão dele estava gelada porque ele tinha segurado a cerveja anterior com ela e, por isso, ela sentiu um arrepio com o toque.

– Vamos celebrar então. – ele disse sorrindo.

E eles começaram a beber em silêncio. Entretanto conforme as cervejas entraram em seus organismos, eles começaram a se sentir mais alegres, mais dispostos a conversar amigavelmente.

Quando eles resolveram começar a celebração tinham, cada um, quatro cervejas. Quando restava apenas duas para cada, Freddie fora tentar pegar mais uma cerveja e caíra no chão a loira riu tanto que nem sentiu que fora puxada para o chão pelo moreno. Quando faltava apenas uma para cada um, Freddie decidiu que o isopor poderia sair do meio deles e Sam pegou as últimas cervejas antes que ele colocasse o isopor em cima da cadeira dele. Eles conversavam animadamente e riam até mesmo da formiga que passara tentando levar um pedaço de queijo que tinha caído na areia.

– Nerd, vou ligar pra Carly – disse Sam ainda rindo, aparentemente de nada específico, enquanto mexia na areia ao lado dela – Ela disse que era pra eu ligar pra ela e ela vai escutar umas boas por ter twitado que estávamos sozinhos. Imagina se tua mãe lê isso! Vai infernizar nossa vida!

O moreno riu alto concordando com a cabeça.

– Isso! Fala pra ela não ficar se intrometendo na nossa relação. Nem os fãs precisam se intrometer na nossa relação também.

–É! Nossa relação é nossa. – concordou a loira – Se nos odiamos ou nos amamos é coisa nossa. Ninguém tem nada a ver com nossas brigas ou nossos beijos!

– Isso! – ele concordou rindo.

Sam apalpou a bunda a procura do celular, e por mais que a alisasse não conseguiu sentir o celular no bolso direito.

–Cara, acho que perdi o celular. – ela reclamou – pega o seu.

–To com preguiça. Pega aí – ele virou-se de costas para ela

Ela colocou a mão no bolso esquerdo traseiro dele, não estava lá, tentou o outro e logo sentiu o objeto duro no bolso dele.

–Achei! – Ela exclamou e ele virou-se para ela a tempo de ver um sorriso meio feliz meio bêbado. – Número da Carly... Aqui. Ligando. Pronto – ela narrava cada coisa que ia fazer como se quisesse se lembrar o que era. Ele riu com aquilo.

–Deixa no viva voz.

– Onde é o viva-voz? –ela se perguntou olhando pro celular – Ah! Achei! Aqui!

Alô? Alô? Freddie?

–É a Sam. – disse a loira – Como você pôde twitar que eu tava sozinha com o nerd?

–Desculpa, só lembrei que não poderia fazer isso quando eu vi a tonelada de retwit dos Seddie.

–Não faça mais isso, mocinha. – ralhou Freddie – É feio.

–Ok, vocês dois? Falando no mesmo celular? E concordando com algo? O que aconteceu?

–Nada. – disse Sam, rindo – Só ligamos pra... Pra que mesmo Freddie?

– Pra brigar com ela por interferir no nosso relacionamento.

–Isso! Você não pode interferir no nosso relacionamento. E nem twitar sobre isso! Os fãs quase nos mataram hoje à tarde!

Sério? – perguntou Carly preocupada – Peraí, vocês beberam?

– Não – disse Sam e Freddie riu –, talvez um pouquinho.

Spencer, a gente deixou eles lá e eles foram beber! Acredita que estão bêbados?

–Não pode ser, Carly. O Freddie tudo bem, mas a Sam? A Sam não bebe. – eles escutaram a voz de Spencer ao fundo

Sam pensou em como ainda não tinha descoberto que o amigo não era do jeito que ela pensava. Talvez ela também não conseguisse ler mais do que o explícito.

– Eu bebo – Sam se defendeu – Só que não quando vocês tão por perto.

–Não façam isso – ralhou Carly – Freddie, a Sam não te matou? – ela voltou ao tom preocupado

–Não vou dizer. Nós só ligamos para brigar com você por se intrometer na nossa relação.

–É se a gente odeia ou se ama é coisa nossa.

–Ok, Ok. Mas por favor não liguem pra mais ninguém. Principalmente pra sua mãe, Freddie. – disse Carly – Não queremos ela maluca atrás de você, não é?

–Bem, isso é verdade. – concordou o garoto – Mas é só isso que você pode falar. Não pode mais falar nada.

Carly riu do outro lado da linha

–Ok. Por favor, fiquem bem até o Gibby chegar. E não se esqueçam de pegar ele no aeroporto.

–Beijo, Carly – disse Sam desligando o telefone.

–Ela vai ficar uma fera por você ter desligado na cara dela. – avisou Freddie

–Quem liga? – Sam, vendo que já passava das onze, sentou-se e abanou as costas para tirar o excesso de areia – Amanhã a gente tem que acordar cedo, nerd. Vamos dormir.

Ele tomou aquilo como uma ordem, ambos levantaram e começaram a arrumar a pequena bagunça que tinham feito ali. Passaram numa lata de lixo e jogaram quase tudo, mantendo apenas o isopor. Freddie foi até a recepção do hotel e começou a conversar com o cara que ficava lá. Pareciam ter uma pequena discussão, até que Freddie se deu por vencido e concordou com o que quer que o homem tivesse falado.

–O que houve? – perguntou a garota

– Vamos até o quarto e você vai ver. – eles seguiram até o quarto que ela estava dividindo com Carly

–Porque esse quarto? – perguntou Sam – era pra gente ficar como seu!

Quando eles chegaram ao hotel, dois dias atrás, eles receberam dois quartos, um com uma cama de casal e um com duas camas de solteiro. Eles decidiram que Carly e Sam iriam dividir o quarto de casal e os meninos ficariam com o de solteiro.

– Sim, mas a Carly e o Spencer fecharam a conta do quarto errado, quando eu cheguei ele disse que nossas coisas tinham sido trazidas para esse e que o outro já estava sendo ocupado. – ele abriu a porta do quarto e ela pode ver a cama de casal que dividia com a sua amiga.

O quarto era grande tinha uma enorme cama de casal no centro, que era a primeira coisa que se via quando entrava no quarto, em cima havia um edredom branco e diversas almofadas brancas também e uma manta azul formava uma elegante faixa mais ao término da cama. Em ambos os lados da cama, havia dois criados mudos de madeira e acima deles, havia uma janela com cortinas brancas. Embaixo da cama, havia um tapete felpudo e macio azul. Na parede ao lado direito tinha um armário de tamanho médio e na parede oposta ao armário, uma grande janela, com grossas cortinas azuis e duas poltronas de um tom diferente de azul na frente, no meio dela, havia uma pequena mesa de ferro, branca.

O quarto era lindo, mas Sam reclamara desde o primeiro dia que era muito claro e não deixava dormir.

–Pede um colchão então.

–Eles não têm. Eu já pedi. – Freddie entrou no quarto e viu as malas de ambos e uma mala que Carly não levara para Yakima perto do armário – Vou tomar um banho. – ele disse tirando a camiseta que vestia.

–Peraí. Como assim você vai tomar banho? – ela disse – Eu não vou tomar banho.

–Como não? A gente estava na areia!

–Sim, mas eu bebi e se eu for tomar banho eu vou cair. E já que a gente vai dividir a cama, você também não vai tomar banho – ela disse como se fosse óbvio.

–Ou nós dois tomamos banho...

–Eu disse que se eu tomar banho, eu vou cair, nerd. Não é uma hipótese: já aconteceu antes. Eu bebi, tomei banho, caí e me machuquei.

–Ok. Você vai tomar banho comigo. Aí eu te seguro. – ele disse sério.

–Ah... É... Boa ideia. – ela disse sorrindo como se ele desse a solução de todas as guerras. Ela começou a tirar a blusa – Mas eu não quero ficar pelada na sua frente. Vou ficar de calcinha e sutiã.

– E eu fico de cueca. – ele concordou.

Quem olhasse a cena de fora, acharia que os dois estavam brincando, mas não estavam. Em suas mentes bêbadas, isso fazia mais sentido do que ficar sem banhar, ou tomar banho calçando chinelos emborrachados.

Assim que eles retiraram quase toda a roupa que usava, eles entraram no banheiro, que seguia a decoração do hotel em um vintage meio campista. As paredes eram de tijolinho pintados de branco, havia um armário comprido e em cima dele duas cubas de porcelana com uma torneira prateada em cada. Havia também dois espelhos emoldurados com pequenos galhos que ficava em cima o armário, ao lado dele, quadros quadrados com paisagens que mostravam o mar dava um toque azulado ao lugar. Ao lado do armário, tinha um sanitário vintage branco e ao lado desse estava um box de vidro cuja cor estava entre o transparente e o azul. Dentro, apenas uma ducha enorme, moderna e prateada.

Freddie notou que Sam tinha parado na porta e olhava para o box meio receosa. Ele suspirou, foi até ela e fez um carinho na bochecha da garota.

–Vamos? Eu não vou te deixar cair.

–Da ultima vez, eu desloquei o pulso. – ela disse – Foi a única vez que eu desloquei alguma coisa. — ela fez um bico, manhosa — E doeu muito.

– Isso não vai acontecer de novo. – ele disse a abraçando pela cintura.

Freddie era quente. E ela pode sentir o quanto ele era quente quando os corpos se encaixaram. Ele foi andando de costas e ela encostou a cabeça no ombro dele, deixando-se ser guiada pelo garoto. Eles entraram no grande box e Freddie teve que tirar o braço ao redor dela para poder fechar a porta do box. Foi com muito sacrifício que ela se soltou dele para tomar banho.

Conforme a água quente caia em seus ombros, ambos foram ficando visivelmente mais sóbrios. Não que isso fizesse diferença, já que ainda estavam mais embriagados que o normal. Conforme o banho ia terminando, Sam se lembrou das conversas que tiveram durante a noite, e teve cada um de seus muros que tinha construído contra o garoto desmoronando.

Ele não era nada do que ela pensara que ele era. Ela criara uma imagem do garoto e odiava essa imagem. Mas agora, ela podia enxergar claramente. Ela não conhecia quem era Freddie Benson de verdade. Como ela podia odiar alguém que ela não conhecia?

Ele queria se reajustar em San Diego. E ela, ali, tomando banho com o garoto, decidiu que iria conhecê-lo em San Diego. Aí, então, ela poderia decidir se iria ou não odiá-lo. Sua parte sóbria pensou. A parte bêbada, sem entender, apenas ria.

–Você está bem? – perguntou Freddie olhando a garota rir.

–Sim, mas é que eu to pensando umas coisas estranhas sobre você. – Freddie riu

–Coisas sobre mim? O que?

– Eu não sei. Não to me entendendo – ela disse e os dois riram – E você? Tá pensando o que sobre mim?

–Que você é linda – ele disse sem titubear, enquanto fechava os olhos para deixar o sabão escorrer de sua cabeça.

Ela não pode evitar corar e olhar para baixo. Só que ao fazer isso, acabou reparando em como ele era extremamente delineado. Todos os seus músculos eram delineados. Lindo, ela pensou.

–Você também é bonito, estranho. – ela disse. – Agora deixa eu me enxaguar.

Sam tentou ir para baixo do chuveiro, mas Freddie não quis sair de onde estava. Ela o empurrou, ou melhor, tentou já que acabou se acercando mais dele e o abraçando desajeitadamente. Ele desceu os braços que estavam lavando seus cabelos e passou as mãos pelos cabelos dela até chegar ao pescoço e fez ela olhar para ele. Ela sentiu um arrepio com o toque e com o choque de olhares. As mãos dele não ficaram muito tempo no pescoço dela, elas escorregaram pelo corpo da loira: passaram pela lateral dos seios, lateral do corpo e costas. Até que ambas as mãos se encontraram nas costas da loira, na altura da cintura fina dela. Ela sentiu ser apertada contra ele.

Foi naquele momento que ela decidiu que estavam muitos distantes, por isso ela apertou os braços nas costas do moreno. Tudo isso ainda olhando para os olhos de Freddie. Foi naquele abraço e sem quebrar o contato visual nenhuma vez que eles terminaram o banho.

– A gente precisa ir pro quarto. – disse Freddie – Mas seus pés estão molhados e você pode cair. Vou te carregar. – Aquilo não era uma pergunta.

Mesmo tendo sido avisada, ela deu um pequeno gritinho quando Freddie a tirou do chão e a carregou como se carrega uma noiva. Ela fixou seu olhar no rosto do rapaz e só voltou a olhar em volta quando sentiu seus pés alcançarem novamente o chão. Freddie tinha sido cuidadoso o suficiente para deixa-la no tapete felpudo ao lado da cama.

–Pega uma toalha pra mim? – ela perguntou quando parou de sentir o quentinho que corpo do Freddie trazia a si.

Ela esfregou os pés no tapete, para secá-los, e logo recebeu uma toalha do rapaz a sua frente. Que também secava a cabeça com uma toalha. Ela sorriu agradecendo.

–Você fica bem de boxer preta – ela disse enquanto secava o cabelo – E eu?

–Não acho que você ficaria bem com uma cueca – ele disse rindo

–Não, besta, eu fico bem de lingerie? – ela perguntou dando uma voltinha mostrando sua lingerie molhada para ele

–Sam, mesmo que você se vista de ogro, você ficaria bem – ele disse. – Acho que só não de cueca.

Ela riu sem entender o elogio.

–Tenho que trocar de roupa... – ela disse indo até a mala dela e pegando uma blusa velha e larga que servia de camisola. E indo até o banheiro. Só quando chegou lá e fechou a porta, lembrou-se que não trouxera lingerie seca para trocar. – Acho que não tem problema ficar sem...

Quando ela saiu de lá vestindo sua camisa, Freddie já estava deitado no lado direito da cama usando apenas uma calça. Ela deitou-se ao lado dele e se cobriu. Uma ideia passou por sua mente e ela riu. Uma pequena parte de sua cabeça estava avisando que não era uma boa ideia.

O problema é que ela ficou realmente curiosa. E por isso, ela virou-se para o nerd, que estava virado de barriga pra cima e de olhos fechados, e com um sorriso travesso, ela levou sua mão esquerda até o cós da calça dele e puxou o elástico pra cima. Ele abriu os olhos assustado ao sentir dedos em sua barriga.

–O que você tá fazendo? – ele perguntou

–Isso é injusto. E to vestindo uma peça só. Você não pode usar duas! –ela disse com tom de obviedade. – Tire a calça

–Você quer que eu tire minha calça? – ele perguntou sem entender

–É. É injusto!

Ele pensou um pouco e fez uma careta de quem tinha entendido.

–Ah! Você tá só com a blusa! – ele disse entendendo – Realmente, não sejamos injustos. – Ele tirou a calça ficando apenas com uma boxer vermelha – Agora tá frio – ele reclamou – Eu quero me cobrir também.

–Se cobre, oras. – ela disse levantando uma das pontas do edredom para ele.

Ele se cobriu. Ela se ajeitou e a blusa levantou um pouco conforme ela remexia e ela começou a sentir na pele lateral do quadril o tecido da cueca dele. Ela se afastou dele, mas ainda assim era como se sentisse aquele tecido pinicando sua pele.

–Ah, não. – ela reclamou e ele abriu os olhos de novo

–O que foi agora? – ele perguntou meio sonolento

–Sua cueca me pinica. Tira. – ela ordenou.

–Não vou. Vai ser injusto você vai estar vestida e eu não. – ele virou-se de costas para ela, tentando dormir – agora dorme.

Ela sentou-se na cama, descobrindo ambos da cintura pra cima, ele olhou para saber o que ela estava fazendo e viu quando ela tirou sua camiseta e a jogou em cima das malas. Ele, entendendo o que ela queria com aquele gesto, apenas tirou a cueca e voltou a se deitar, deixando a cueca do lado da cama mesmo.

– Agora dorme pelo amor de Deus – ele disse fechando novamente os olhos, ignorando completamente o fato que ambos estavam nus numa cama de casal.

Mais algum tempo e Sam ainda se remexia na cama sem conseguir dormir. Algo estava errado ali. Ela só não sabia o que. Olhou no relógio: 00:30.

–Freddie – ela voltou a chamar

O menino apenas soltou um “hum” sem sequer abrir os olhos, virou-se para ela e com o braço direito a puxou num abraço. Ele se mexeu até que ele estivesse confortável e ela sentiu que sua bunda roçava no membro dele. Ele dobrou as pernas, obrigando ela dobrar também. Sentiu ele sorrir em seu ombro e a partir daí sentiu a respiração calma em seu pescoço.

Ela tinha tudo para reclamar da posição que se encontrava. Mas não ia fazer isso. Não quando a sensação de desconforto tinha ido embora e agora só restava uma sonolência. Não, ela não ia reclamar por finalmente se sentir em casa.

Notas finais
Eu queria poder ver a cara de cada um de vocês quando leram o final. Juro que queria! HAHAHAHAHAH
Mas e sobre a história que Freddie contou? Surpreendente né? Sei lá, na minha cabeça não entra que alguém deixa a mãe dar umas quinze injeções tranquilamente. Eu ia colocar em forma de Flash back, mas eu ultimamente ando muito chorona e tava me debulhando em lágrimas escrevendo, acabei que não consegui terminar e deixei sem.
Vou dar uma dica: é importante ele ter sofrido assim no passado. Alguém chuta porque??
Ah! Alguém chuta porque o Spencer não quis alugar o carro? Ou porque Gibby não foi com eles desde o começo da viagem??Ou porque eles tem tantos fãs nessa fic??
Lalala, vocês vão ter que acompanhar pra saber!!!
Sou cruel e adimito.
Falando em ser cruel, eu tinha dito pra fofa da Gigi que tava pensando em postar duas vezes por semana, pensei bem e achei melhor postar só quando eu já tivesse com um pronto e fazendo o próximo. Fiquem tranquilos que não demorará mais que uma semana entre um capítulo e outro. Ok?
Beijinhos