Notas iniciais
Nome do cap: Eu, quebrado.
IHAAAAAA!!!!!! Sabe o que eu sou? Eu sou alguém que tem uma fazenda de unicórnios no Alasca.COMO ASSIM EU RECEBI UMA RECOMENDAÇÂO??? OI??
Gente, peraí que eu vou ali dar mais uma volta nos meus unicórnios... Que coisa sem lógica!!!
Mas eu to SUPERFELIZ!! Quero dizer, nem cheguei nas partes emocionantes e recebi uma recomendação!!Uma recomendação só na "introdução" da fic!
Deu pra notar que eu to feliz? Não? Bem, eu estou. Muito mesmo. Super obrigada a Yasmin Carvalho por ter me recomendado.
Até vim postar antes. Viu? Ficam me bajulando e eu fico toda boba. Já disse que sou uma autora boba. u.u
Ok, sobre a fic: o cap de hoje vai inaugurar os caps emocionantes (ao meu ver pelo menos).
Aproveitem

Sam escutou passos rápidos no corredor e resolveu que fingiria estar dormindo quando ele chegasse. E parecia que acertara. Freddie entrara no quarto correndo, com cara de assustado, batendo a porta com força e se escorando na porta de forma a não deixá-la abrir.

–Fredinho! Lindo! – disseram algumas vozes do lado de fora.

– Tem muita gente do lado de fora? – perguntou Sam se sentando na cama. Seu plano de fingir dormir tinha ido por água a baixo quando o vira entrar desesperado no quarto.

–Algumas meninas – ele arfava, num claro sinal que estava cansado de ter corrido. Segurando uma sacola com algumas caixinhas.

Ela se levantou da cama e deu um murro no braço dele.

–Eu quero almoçar! –ela reclamou – E eu precisava do carro pra ir comer. Onde você estava?

Ele abriu a boca, mas as meninas no corredor voltaram a gritar, parecia que elas tinham escutado a voz de Sam. A loira suspirou sinalizando sua raiva.

–Saia – ela o empurrou com força pra longe da porta e a abriu com rapidez. Duas meninas perderam o equilíbrio e acabaram caindo dentro do quarto – Eu só vou falar uma vez e eu quero ordem pra resposta – as meninas recomeçaram a gritar quando a viram. E ela percebeu que sete meninas estavam ali na frente da porta do quarto deles – O QUE VOCÊS QUEREM? – ela gritou para ser ouvida pelas meninas, que ao ouvirem o grito da loira, ficaram caladas. –O que vocês querem?- ela voltou a repetir

–Nós... Nós... – uma delas tentou falar

–Nós alugamos o antigo quarto de vocês – disse a outra. – Estamos todas hospedadas lá. E queríamos que vocês tirassem umas fotos com a gente.

–Sim! Por favor! – disseram as outras

A loira suspirou.

–Só as fotos e vocês param de stalkear a gente. – ela disse em tom de ordem – Tem que ser de nós dois?

A loira olhou para Freddie que tinha colocado a sacola com as caixinhas perto em cima da mesinha do quarto e permanecia perto da mesma, do outro lado do quarto, ainda olhando as meninas, assustado.

–Bem... Sim... – disse a mais desenvolta para falar.

Sam reconheceu que seu plano de jogar Freddie para fora do quarto para que ele se virasse com as pirralhas não daria certo de acordo com o último comentário que ouvira. E foi assim que uma sessão de cerca de quinze minutos de fotos se iniciou.

– Nós temos uns presentes para vocês – voltou a dizer a mais desenvolta – vocês esperam um pouquinho para nós pegarmos? – eles assentiram – Prometemos que deixaremos vocês almoçarem depois.

Sam sorriu ao ouvir a palavra almoço e assentiu. Cinco das sete meninas foram até o antigo quarto de Freddie pegar os presentes.

– Como é seu nome, loirinha? – perguntou Sam para a única garota que conseguira se comunicar com eles. Ela parecia ter uns treze anos e era vários centímetros mais baixa que Sam.

–Dayane. Mas pode me chamar de Day. –ela disse – e essa anta que não tá conseguindo falar é a Anne. — A outra garota era morena e mais baixa ainda que Day. — Vocês ainda não almoçaram e parece que não tem onde ir ainda. – ela voltou a dizer – Seria uma honra se vocês almoçassem na minha casa.

Sam e Freddie se olharam e olharam para a garota como se ela tivesse antenas. Ela pigarreou antes de continuar.

– Minha irmã também é fã de vocês, mas ela é bem mais controlada que a gente. E vocês vão evitar encontrar mais fãs malucas perto da gente. Prometo. Nós somos as meninas que gerenciam o fã-clube Seddie de San Diego. Sabemos exatamente onde elas vão estar. E minha mãe é a melhor cozinheira de San Diego – a outra garota concordou tão veemente à fala de Day que eles riram.

–Bem, vamos esperar pelos presentes enquanto a gente pensa no assunto. – Freddie decidiu por ambos.

Quando as outras cinco chegaram, traziam com elas algumas sacolas grandes e cheias. Sam se espantou e Freddie correu para ajudar as meninas com os sacos.

– É do Fã-clube inteiro. – disse Day. Uma ruiva, que também aparentava ter treze anos, tinha três caixas e um envelope na mão, entregou tudo a Sam e ficou pulando ao lado dela na expectativa dela abrir – É um convite que meu irmão ganhou onde ele trabalha. Nós perguntamos se ele poderia arranjar mais alguns para darmos a vocês. Ele arranjou mais três e estamos entregando a vocês juntamente com as roupas. – ela explicou

–Pra vocês, tipo assim, não terem desculpas para não ir. – disse a ruivinha ainda pulando

–Nós pesquisamos e vimos que não tem nada para fazerem hoje então... – disse Anne meio envergonhada – Seria uma honra pra gente vocês aceitarem ir ao evento.

Sam abriu o envelope e riu alto, entregou o envelope ao amigo e abraçou Day a balançando.

–Nós vamos almoçar na sua casa! – sentenciou feliz.

O convite era para o AmeriKorea que tinha anualmente em San Diego e já estava em sua quarta edição. O evento era uma mistura de shows de bandas americanas e coreanas com um jantar. Era um evento promovido pela Rádio ClubFM e os convites eram promocionais ou para gente famosa. Impossível de ser comprado.

Desde que postaram os vídeos em coreano no ICarly Songs, Sam virara superfã de alguns grupos coreanos como Big Bang, SHINee e 2NE1. No evento desse ano, Big Bang ia estar lá juntamente com CuddleFish entre diversas outras bandas americanas e coreanas.

Depois da explosão de felicidade da loira, eles decidiram que iriam no carro que Freddie alugara. Enquanto Freddie tomava banho e Sam falava o quanto estava empolgada de ir naquele evento, Day ligara para a mãe e ela sentenciara que não poderia levar todas as amigas. Combinaram entre elas que Anne iria junto com eles. No carro também estavam as roupas, uma vez que de lá eles passariam nas lojas para trocar o presente que estava no número errado. As roupas de Carly e de Freddie estavam pequenas, já a de Sam estava grande. De acordo com a ruiva que ficara na pousada, elas tinham calculado pelo tamanho dos seios.

Sam olhou para trás e viu as duas meninas animadas. Day e Anne pareciam ser muito amigas, apesar da gritante diferença de personalidades entre elas. Quando já estavam no carro, Sam não pode deixar de comparar a amizade das duas com a sua e de Carly. Quando comentou com o moreno, que dirigia, ele dissera que tinha pensado a mesma coisa.

As duas estavam comportadas, mas com sorrisos enormes, no banco de trás e com seus devidos cintos de segurança. Day dava as instruções de por onde ir. E não demoraram muito a chegar à casa da loirinha. Como não eram esperados ali foi fácil estacionar e sair do carro.

A mãe de Day era uma senhora morena alta e tinha um sorriso agradável no olhar, seu corpo lembrava bastante o da mãe de Gibby, mas seu rosto indicava que ela devia estar quase perto do meio século de idade. Ela recebeu a filha com um abraço e sorriu para os dois visitantes.

–Eu espero que ela não tenha ameaçado ambos de morte para virem aqui. – Ela apertou a mão deles em cumprimento.

–Não. Apesar de ela ter jogado sujo. – brincou Sam – Ela disse que a senhora é a melhor cozinheira de San Diego.

A mais velha riu e deu um tapa na bunda da filha mais nova.

–Agora eu sou a melhor cozinheira? Quando eu te obrigo a comer verdura eu sou péssima, né. – eles riram do comentário da mulher mais velha. – Já ia esquecendo de me apresentar, eu sou Mariah Stare, mãe dessa peste aqui e meio que mãe adotiva dessa outra – ela puxou Anne para um abraço meio de lado.

–Prazer em conhecê-la, Sra. Stare – disseram ambos apertando a mão da mais velha.

–AHHH! Não acredito! – gritou uma voz, rindo em seguida – Olá, Sam e Freddie. – a menina disse num tom calmo.

–Danielle? – perguntou Freddie

–Vocês se conhecem? – perguntou Anne – De onde?

–Eu fui almoçar com eles, antes de Carly ir. – Ela abraçou a irmã – Não te contei nada para que não surtasse e nem chateasse, afinal você não podia ir junto.

–Tudo bem, eu vou almoçar com eles hoje. – Day deu de ombros – Mãe, o almoço tá pronto? A Sam é meio esfomeada.

–Dayane! –ralhou a mãe. –A desculpe, minha filha. – pediu a mulher olhando para Sam

–Por quê? Ela disse a verdade... – Sam deu de ombros e Danielle indicou o sofá para eles se sentarem.

Conversaram até que Mariah os chamou para almoçar. Quando a mesa foi posta, eles sentaram e com o “ATACAR!” de Day eles começaram a se servir. O almoço foi recheado de elogios de ambos para a dona da casa. Estava realmente ótimo e Sam fez questão de tirar foto do segundo prato que tinha colocado.

–Vou postar com a legenda: o melhor almoço que um ser humano pode ter. Invejem-me. – ela avisou fazendo a cozinheira rir do elogio.

Depois do almoço, Sam tirou da bolsa seu celular e eles tiraram fotos com as quatro mulheres e fizeram questão de postá-las como prova de que realmente tinham gostado do almoço.

–Mais uma, mas de careta de nerd agora – disse Sam – você não precisa, Benson.

As meninas saíram na foto rindo, Freddie emburrado olhando para a dona da câmera e Sam com cara de quem estava pensando.

Logo depois disso todos foram para sala, conversarem por um tempo antes de ir embora.

–Nossa, eu tinha ideia de que os famosos eram gente chata, mas vocês são tão simpáticos! – disse a Sra. Stare olhando ambos, com um sorriso agradável no rosto.

– A gente tá escutando isso muito hoje. – disse Freddie rindo

–Acho que a gente tem que ser fresco também – riu Sam. – Ain, eu não gostei! – ela fez uma voz anasalada fazendo todos caírem na gargalhada. Um silêncio saudável se instaurou entre eles até que Sam voltou a falar – Temos que ir. Temos que reservar um quarto para o Gibby e ir trocar a roupa que vocês deram para gente. – avisou.

–Se não for muito abuso, podemos ir com vocês? – perguntou Day e Anne assentiu, concordando com a amiga.

Enquanto a mãe ralhava com a filha e sua amiga, os dois se olharam se decidindo. Eles pareciam que se comunicavam por pensamento e depois de um tempo, ele assentiu e ela sorriu. As quatro mulheres somente olhavam para a interessante comunicação não verbal deles.

–Ok. Quer ir também, Danielle? – chamou a loira – você tem um estilo bem parecido com o da Carly e é ela quem me ajuda a escolher minhas roupas.

Danielle assentiu surpresa e entrou correndo para se arrumar. Day e Anne entraram também para tirarem o uniforme Seddie e colocarem uma roupa para irem fazer compras. Se elas estariam a tarde toda ao lado dos ídolos, elas não poderiam fazê-los passar vergonha. Na sala, ficou apenas a mais velha e os dois.

–Hoje a Carly não te ajudou – ponderou Freddie – e ficou legal. Tanto de manhã, quanto agora.

–Hoje eu tô de ogra – disse Sam, piscando para ele.

–É. E está linda como sempre. – ele desviou o olhar para o celular – Gibby disse que remarcaram o voo para às duas e meia. Cerca de cinco ele chega. – Sam assentiu sorrindo.

A mulher apenas olhava a interação dos dois com um sorriso no rosto.

–Agora entendo minhas filhas – ela disse, seu tom doce e calmo chamou a atenção de ambos para ela que olharam para a mais velha com sobrancelhas erguidas – Esqueçam o que eu disse. – ela sorriu mais abertamente. – Já estou perto de caducar.

Eles não falaram mais nada. Até que as três voltassem devidamente trocadas. Despediram-se da mãe das meninas com um sorriso e prometeram que voltariam algum dia. Os cinco saíram em direção ao carro. Sam estranhamente exigiu que todos usassem cinto de segurança.

–Por quê? – perguntou Freddie curioso, sempre era ele quem alertava para essas coisas.

–Polícia. Minha tendinha diz que vai ter blitz. – ela disse e o moreno riu estranhando a situação.

Freddie começou a dirigir e depois de cinco minutos pararam na blitz. Depois de tudo estar certo com eles, com o carro e também depois de dar autógrafos – claro-, eles seguiram para outro shopping. De acordo com Danielle, lá tinha a loja para ela trocar as roupas e era bem menos movimentado que o outro. Aparentemente ali era mais elitista.

Anne os lembrou que deveriam reservar o quarto para Gibby. E Day se prontificou a fazer isso e antes mesmo de saírem do carro, Gibby já tinha uma reserva em um dos hotéis mais luxuosos de San Diego, que era o hotel mais próximo da pousada e um dos únicos que tinha vaga.

– Nossa que meninas prestativas. – disse Freddie sorrindo, assim que eles estacionaram na garagem privativa do shopping – Resolveram nossas vidas em menos de cinco minutos!

Quando chegaram ao primeiro andar do shopping, Freddie puxou Sam para conversarem um pouco mais afastados das meninas.

–Eu vou na loja para trocar a minha roupa, tudo bem? Ou quer que eu vá com você? – ele perguntou preocupado

–Não, qualquer coisa eu tenho minha meia de manteiga. – Sam balançou a bolsa indicando onde a meia estava e Freddie riu

– Não bata em ninguém e, por favor, me ligue que eu apareço no segundo seguinte. – Ele virou-se para as meninas e se despediu delas indo na direção que o mapa do shopping indicava a loja que ele devia ir.

Elas foram à loja onde elas tinham comprado os vestidos e a atendente parecia não conhecer Sam, mesmo assim foi completamente prestativa, atentando a qualquer coisa que a loira falava.

Ela disse que o vestido de Carly era muito pequeno para a moça, e para alegria das pequenas fãs, Sam apenas disse o número certo e pediu para a atendente ajudá-las a escolher o novo modelo.

–Danielle... – a loira foi cortada pela morena.

–Agora nós vamos ter uma conversa franca. – disse Danielle – Primeiro: me chame de Dani, segundo, e eu realmente eu tenho que dizer isso, esse vestido que elas escolheram pra você é bem chamativo. Nem eu uso isso! – Sam riu.

–Ok, chefe – ela perguntou rindo e batendo continência com a mão esquerda -, qual então?

–Bem, vamos pensar... Eu vou nessa festa de vestido florido. E como aparentemente vamos chegar juntas, florido está excluído pra você – ela disse. Sam pensou o quanto Dani era parecida com Carly para escolher roupas. A morena deu uma olhada rápida nos vestidos – O que você acha desse? –ela tirou um vestido rendado preto, mas o forro era roxo. O vestido tinha cintura alta e parecia ser bem curto.

–Não. É bonito, mas é roxo. E o caos acontece se eu usar roxo, azul ou vermelho – ela disse.

– Bem, nós podemos riscar o roxo, azul e o vermelho também. – ela disse. – Ai! Eu precisava ver o sapato que você pretende usar.

– Se eu não tiver nada que combine, a gente compra um. – ela disse dando de ombros – agora mãos à obra!

Meia hora depois, Freddie entrara na loja querendo saber se iam demorar muito. Depois de uma resposta afirmativa da morena, ele fora levado pela atendente a um sofá e depois do que pareceu uma eternidade, as quatro apareceram com sacolas e sorrisos.

Freddie mexia no celular com um olhar completamente raivoso. Toda sua expressão facial era de alguém que estava com ódio. Sam estranhou, mas resolveu não perguntar. Ele provavelmente falaria assim que estivessem sozinhos e ambos resolveriam o assunto.

–Aleluia. — ele se levantou irritado.

–A Sam vai ficar linda! – disse Anne animada, ela parecia agora mais acostumada com a presença de ambos e estava mais comunicativa também.

–Ótimo. A gente tem que passar na pousada para deixar as meninas e ir esperar o Gibby no aeroporto. – disse Freddie sem mudar de expressão, enquanto olhava as horas no relógio.

Talvez ele nem tivesse sabendo que estava fazendo aquela expressão. Pelo sim, pelo não, Sam achou melhor avisar.

–Tá de TPM, Benson? – ela perguntou rindo, indicando que brincava.

Mas ele pareceu não perceber.

– Não importa, vamos. – ele disse ainda no mesmo tom.

Eles começaram a andar, em direção à saída. Só que Sam agora ela estava preocupada. Será que ele conversara com Carly?

– Aconteceu algo? – ela perguntou – É a Carly, não é? Tá tudo bem com o vovô Shay?

–Não é a Carly – ele disse, ainda com uma expressão dura.

As meninas não sabiam se deveriam comentar algo, então resolveram ficar quietas, apenas observando ambos. Sam olhou o garoto. E pensou num jeito de fazê-lo ao menos se comportar perto das outras.

– Relaxa então, garoto – ela deu um soco no braço dele, um soco amigável como ele raramente ganhava. Ela já ia dar o segundo quando ele a segurou pelo pulso e afastou o braço dela com força – Qual é o seu problema? – ela perguntou indignada.

– Você! Você é o meu problema! – ele reclamou, entrando no carro e batendo a porta com força. Ela foi até o lado dele e abriu à porta esperando ele sair – Entra no carro – ele ordenou sem olhá-la

–Saia você – ela disse – Não confio em você dirigindo alterado desse jeito! Eu dirijo hoje.

–Entra no carro antes que eu perca a paciência contigo. – ele disse raivoso, mas ela continuou lá de pé esperando ele sair.

–Saia antes que eu te force – ela disse, batendo o pé indicando impaciência.

As outras três apenas observavam meio de longe, meio chocadas com a cena a sua frente. Elas sempre tinham achado que os dois brigavam de brincadeira, na frente das câmeras, ou só para fazer charme. Nunca achariam que fosse sério assim. E elas abriram a boca em incredulidade quando Freddie saiu do carro, agarrou Sam pelo pulso com uma força desnecessária e a puxou até o lado do carona contra a vontade dela, abriu a porta com força e jogou Sam de qualquer jeito lá dentro.

– Entrem – foi a ordem que ele deu, indo sentar no lado do motorista. Danielle fechou a porta de Sam antes que elas entrassem rapidamente no carro, que saiu cantando pneus.

Danielle via Freddie dirigir com a mão direita, enquanto apoiava o cotovelo esquerdo na janela e mordia a articulação do dedo do meio, ainda com a expressão dura e com uma raiva aparente no rosto. Já Sam estava no banco do motorista, olhando pela janela enquanto respirava com dificuldades.

O carro estava em completo silêncio.

Em certo momento, ela viu Sam colocar os pés em cima do banco e abraçar o joelho chorando baixinho. Quando ela soluçou, Freddie pareceu acordar de seu transe e olhou para a garota. Ele aparentemente tomou um susto quando a viu chorando.

Pelo retrovisor, as três viram o desespero entrar no olhar do garoto e ele estacionou no primeiro lugar que achara, que por sinal era num estacionamento de uma praia que geralmente ficava deserta.

Freddie saiu do carro, colocou ambas as mãos no rosto e bagunçou o cabelo com força. Ele ficou cerca de cinco minutos lá fora, de costas para elas, de repente ele gritou alto e caiu de joelhos arfando. Ele se levantou, passou novamente a mão no rosto e bagunçou um pouco mais o cabelo. Voltou até o carro.

–Dani, você sabe dirigir até a pousada? – ele perguntou claramente mais calmo que antes. Ela assentiu — Você pode fazer isso por mim?

Ela percebeu que no rosto dele havia uma lágrima mal limpa.

–Claro. – Naquela hora, Dani percebeu que deixara de ser fã e passara a ser amiga que ele estava precisando naquele momento. Sentiu que por um momento tomava o lugar de Carly.

Ela saiu do carro e viu Freddie dar a volta e abrir a porta do carona e do lado de trás do carro, e com todo o cuidado e carinho ele pegou a loira no colo. Day, percebendo que Freddie ia sentar atrás com Sam, saiu de onde estava e foi até o banco do carona. Em menos de um segundo, Dani, Day e Anne já estavam em seus devidos lugares, os esperando se arrumar para sair.

Freddie sentou Sam no banco traseiro e sentou-se ao lado dela, pegou as pernas da loira e passou por cima das suas e encostou o tronco dela no seu e apoiou a cabeça dela em seu ombro. Fazia leves carinhos na mão dela. E deu alguns beijinhos no alto da cabeça dela. Uma lágrima solitária caiu do rosto de Freddie e molhou o cabelo loiro de Sam.

Dani não o viu olhar para ela, mas sentiu que ele estava dando o sinal para ela começar a dirigir. E foi isso que ela fez. Todas elas perceberam que Sam não parecia nem sequer notar o que tinha acontecido ali. Ela parecia completamente absorta em seus pensamentos.

E ela estava. Sam estava se lembrando do que tinha acontecido.

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Alguns anos antes:

Sam acordara e como sempre ela analisou a situação antes de abrir os olhos. Ela sentiu os pulsos amarrados acima de sua cabeça, o direito mais apertado que o esquerdo. As pernas pareciam livres, e o resto do corpo também não parecia estar amarrado.

Ela pensou nas possibilidades que poderia estar acontecendo. Talvez ela tivesse sido raptada, talvez... Não adiantava pensar naquilo. Tinha que pensar no que estava acontecendo e como sair dali. O antes não importava. Tentou se lembrar de quantos dias estava ali, mas a última coisa que lembrava era de ter ido dormir na noite que ela julgava ser a anterior, mas só teria certeza quando saísse dali.

Resolveu que era hora de abrir os olhos. Uma, duas, três piscadas depois se acostumou com a luz que vinha diretamente na sua face. Quando se acostumou, viu que estava nua, numa espécie de depósito, amarrada ao teto, perto de si tinha caixas e mais caixas com coisas que ela não sabia bem o que era.

Decidiu que não ia se mexer para não chamar atenção de ninguém. Ela já tinha nove anos e não era boba de achar que aquilo era uma brincadeira de mau gosto. Principalmente sabendo que a mãe ultimamente andava com umas pessoas bem mal encaradas. Ela pensou o que a mãe poderia ter feito para ela parar ali.

–Você tem certeza que pegou a gêmea certa? – ela escutou alguém perguntar do lado de fora.

–Samantha, a mais invocada que dorme na cama da esquerda. – ela ouviu a outra voz responder

–Isso. – disse o primeiro novamente – Não acredito que a mãe deu a filha pra ser nossa escrava enquanto não paga as dívidas que tem com a gente. Aquela mulher não vale nada. Muita gente queria ter gêmeas tão bonitas quanto às dela, e ela escolhe a filha mais velha como pagamento. – ele fez uma pausa – Cansei de ver mulheres como ela se entregarem para pagar elas mesmas suas dívidas ao invés de entregar as filhas.

–Mulher idiota. – disse o outro rindo – Ao menos a menina é bonita. Não tem nem dez anos e os seios dela já tão crescendo!

– Melhor pra gente. – disse o outro rindo também – Confere lá se a carne loira já tá boa.

(GENTE, A PARTE EM ITÁLICO SÃO CENAS FORTES: não leia se não gosta de VIOLÊNCIA SEXUAL GRATUITA. Não me responsabilizo se você ler e ficar traumatizado: eu tô avisando antes. FIQUEM TRANQUILOS, EU VOLTO A AVISAR QUANDO ACABAR).

Sam fechou os olhos e fingiu que estava dormindo, quando ouviu o som da porta ser aberta. Por isso não viu quando ele se aproximou e muito menos suas ações. Só percebeu que ele não iria deixá-la em paz quando recebeu um tapa tão forte que seu corpo balançou.

Um homem barrigudo com aparecia de ter seus trinta anos estava na sua frente, ele usava apenas um short vermelho e a olhava com curiosidade. Ela pensou na ironia ali. Ela quem deveria estar curiosa. Só que ela não estava. Ela crescera nas ruas, sabia bem o que ia acontecer ali.

–Onde estou? – ela perguntou com falsa inocência. O outro riu.

–Importa mesmo? – ele aproximou-se dela e apertou sua bunda, trazendo-a para mais perto, o membro dele já estava duro — Você está pelada na minha frente e isso é importante.

–Você vai me estuprar – ela disse o óbvio com uma calma que indicava claramente que ela estava sem medo – isso eu já sei. Mas não sei onde eu estou.

Ela recebeu outro tapa tão forte quanto o primeiro, mas dessa vez do outro lado do rosto.

–Respeito, menina – foi o que ele disse enquanto com a outra mão alisava a garota. Ela entendeu que não era respeito que ele queria, era medo. E isso ela não daria a ele. Olhou para o homem com a sobrancelha erguida. – Insolente! – ele deu um murro na face direita dela.

Ela crescera nas ruas o suficiente para saber que estupradores se alimentavam de medo. Então ela decidiu que não iria mostrar nenhuma gota de medo para eles. Ela iria fingir que estava acostumada, assim, quem sabe, ela não conseguia sair viva dali.

Ele a puxara para tão perto de si, que os pelos da barriga dele encostavam-se à barriga dela, e ela estava quase totalmente sustentada pelos braços presos e por ele, seus pés mal alcançavam o chão. A boca dele foi em direção ao pescoço dela. Ela se afastou e o cara a largou para socá-la. Mas dessa vez, sua barriga foi o alvo e o soco foi tão forte que ela balançou, sustentada apenas pelos pulsos pendurados ao teto.

–Onde estou? – perguntou novamente assim que recuperou o fôlego num tom calmo, mas por dentro se sentia desesperada para que ele a soltasse. Ganhou um soco no olho esquerdo. Sentiu que ia ficar roxo.

–Você parece estar bem acostumada com ser pagamento da sua mãe. Você e ela são duas vadias da mais baixa categoria. Sua mãe também vende sua irmã assim ou é só você? – ele perguntou novamente alisando a garota

Por um momento, teve medo de pegarem também a irmã.

–Sou só eu. – ela disse – Melanie faz as coisas por conta própria. – ela mentiu descaradamente. A irmã era um doce de pessoa, mas se ela o fizesse achar que ela era vadia, ele não iria atrás dela. Sam era das ruas e já conhecia esse tipo de homem: as vadias que dão por conta própria eram as piores pessoas existentes para eles.

–Pf, desde nova e já é putinha – ele disse cuspindo no chão ao lado dela – eu devia exterminar gente como ela do mundo.

Sam não disse nada para não piorar para o lado da irmã. Porque sua mãe a vendera para aqueles caras?

–Quanto ela deve dessa vez? – ela perguntou vendo o cara abaixar as calças. Tentou controlar o coração que disparava em seu peito. Não podia demonstrar sentimentos na frente deles. Olhou para outro lugar e viu o outro cara entrar.

– Estava querendo ela só pra você, cara? – perguntou o segundo.

O segundo homem, antes mesmo de chegar perto dela, já tirara seu calção e, de dentro de uma das caixas, pegara uma faca. O primeiro a puxou contra seu corpo novamente.

–Quanto ela tá devendo dessa vez? – Sam voltou a perguntar. Ela respirou fundo uma vez e ordenou que seu coração funcionasse normalmente. Talvez pela situação crítica que se encontrava, o coração obedeceu e voltou a bater como se nada daquilo estivesse acontecendo.

–Quanto? – o segundo riu – Só mil. Mas ela insistiu muito em te dar pra gente. Você é nossa por uma semana ou se ela pagar antes a gente te devolve. – Ele passou a faca de leve no braço erguido da loira que sentiu sua pele rasgando e viu o sangue escorrer. – Mas ela não parecia apta a pagar nada não.

Sam riu forçadamente, como se tivesse achado o que ele tinha dito a melhor piada do mundo.

–Tô valendo mais dessa vez – ela mentiu com a cara mais deslavada que possuía.

O segundo, caindo no que a loira dizia, cortou a corda grossa com apenas uma passada de faca, mostrando o quão afiado ela estava. Como Sam mal estava encostando-se ao chão e o outro não conseguiu segurá-la, ela caiu desajeitadamente.

–Ajoelha e você já sabe o que fazer – disse o segundo, mostrando seu membro rígido para ela.

O primeiro pegou a faca da mão do outro e segurando seu pulso com força, perto da onde ela estava amarrada, obrigou-a a se ajoelhar, jogando-a de qualquer maneira no chão. O joelho da garota caiu em cima do cuspe que o homem tinha dado (qualquer semelhança com o que o Freddie fez não é mera coincidência foi isso que ativou as lembranças).

Ajoelhada, amarrada e com uma faca no pescoço, ela teve que fazer algo que ela tinha jurado nos dias anteriores nunca fazer em nenhum homem. Com o vai e vem de sua cabeça, a faca lhe dava alguns arranhões no pescoço, o sangue escorria pelo peito da garota, e o homem segurando a sua cabeça para fazer ir mais rápido, a fazia engasgar.

Naquela situação deplorável que estava, pensou em um jeito de fugir. Tentou soltar suas mãos das amarras, aos poucos ela conseguiu afrouxar. Percebendo que o primeiro homem via sua tentativa de fugir, ela fez um sinal para o outro ir para o lado, e o olhou como se estivesse sentindo prazer.

Começou a manusear o outro, que em algum momento deixou a faca cair no chão, esquecida ao lado de Sam. Ela observou que ambos fecharam os olhos em alguma hora, e sem pensar pegou a faca e, com um movimento único, decepou o membro que estava em sua outra mão largando o órgão no chão. Puxou a cabeça da mão do outro, deixando um tufo de seu cabelo loiro na mão do homem.

àACABA AQUI, PODE VOLTAR A LER! ß

E sem pensar, correu. Ouviu um grito, vários, e continuou correndo. Saiu dali. Sem se importar se estava nua, se tinha sangue escorrendo pelo seu peito e pelo seu braço, se tinha faca em uma mão ou se tinha sangue na outra mão e na faca. Apenas correu. Até que se sentiu agarrada por trás e mesmo lutando para que a soltassem, ela foi jogada dentro de um carro.

Sem forças, desmaiou.

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Tempo atual:

Quando ela acordou do transe, estava deitada na cama de casal da pousada. Sua blusa estava molhada indicando o quanto tinha chorado. Freddie estava encostado na parede perto de sua mala que estava feita e levantada. Ele estava de cabeça baixa, mas a camisa molhada do rapaz também indicava que ele tinha chorado bastante.

– Eu vou embora – ele disse – vou ficar com o Gibby no hotel. É melhor. – a voz dele estava embargada.

Ela não conseguiu saber qual era a expressão dele, mas pelo tom ela percebeu que ele estava arrasado. Pensou no motivo que ele estava assim. Era por ela? Porque ele estava mal?

–Por quê? – foi apenas o que conseguiu perguntar

–Eu não vou pedir desculpas – ele continuou fingindo que não a ouvia – nem perdão. Eu não mereço – ele falou com a voz tão fraca que ela mal conseguiu ouvir.

–Por quê? –ela repetiu

–Eu não mereço que você me perdoe, nem sequer mereço ouvir sua voz – ele continuou pegando a mala – Vou embora. Se precisar de algo, me liga...

Ele mal dera os primeiros passos carregando a mala quando a ouvira gritar

–POR QUE TODO MUNDO ME ABANDONA QUANDO EU PRECISO?

–EU NÃO POSSO FICAR PERTO DE VOCÊ SABENDO QUE EU TE CAUSEI TANTO SOFRIMENTO! – ele gritou de volta, largando a mala que caiu fazendo um barulho surdo. – Eu sou um monstro! – ele diminuiu o tom de voz, andou até perto dela, mas ficou de costas para a garota – Você não merece ficar perto de um monstro... – Freddie novamente terminou quase sem voz.

– Você não é um monstro. – ela disse simplesmente. – Eu não quero ficar sozinha. Eu não posso ficar sozinha. Não. Por favor, fica. – ele estava tão perto que ela pegou seu pulso e ele se virou para olhá-la.

Ele tinha grossas lágrimas nos olhos. Assim como ela.

– EU FIZ VOCÊ REVIVER TUDO AQUILO! – ele gritou exasperado, soltando-se dela e caindo de joelhos aos pés da cama, perto de onde ela estava sentada. Ele se abaixou, ficando completamente prostrado perante ela – Eu nem sequer sou digno que você olhe para mim e você quer que eu fique perto? – ele perguntou, sua voz sendo abafada pelo chão.

Ela levantou da cama e se ajoelhou ao lado dele.

– Ontem eu fiz você me contar todo seu passado obscuro. – ela começou, acariciando o braço dele – Você teve que reviver ele para me contar. – ele olhou para ela – E eu não fiz essa cena toda.

– Mas... não é a mesma coisa. – ele disse com lágrimas nos olhos – eu sou filho de um estupro, eu deveria saber que não se encosta em uma mulher, muito menos faz o que eu fiz com você! – ele afirmou olhou para a mão que acariciava seu corpo – Seu pulso...

Ela olhou para o pulso roxo. E riu num suspiro.

–Nunca mais faça isso, imbecil – ela falou para ele sorrindo fraco. – Agora senta. – ele apenas olhava para o pulso e fazia uma expressão de quem estava sofrendo muito – Eu mandei sentar, caramba! – ela empurrou Freddie que caiu meio desajeitado perto da cama. – Quero colo.

–Não... Eu...

Sam suspirou.

–De todos os que eu conheço, Carly foi a única que nunca me abandonou e eu achei que você também entrasse nessa lista.

–Mas, Sam, eu te machuquei. Eu fiquei com raiva de você e quis te machucar. – ele voltou a abaixar a cabeça.

–Olha só — ela disse com raiva –, eu sei o que você fez e eu tô dizendo que eu quero colo. Será que dá pra você ser meu amigo e entender que toda vez que eu me lembro dessa merda toda eu preciso de colo e de carinho?

Freddie sentou-se quieto no chão e Sam sentou no colo dele. Depois de um tempo, ele a abraçou forte, chorando baixinho no ombro da loira, ela retribuiu o abraço, chorou também. Chorou pelo que tinha acontecido com ela, por ele que se sentia culpado de tudo que acontecera com ela. Chorou porque estava triste. Chorou porque Freddie estava triste. Aos poucos, ela foi parando e apenas esperou pacientemente que o garoto parasse.

Naquele momento, Sam agradeceu todos os dois anos de terapia que Spencer tinha pago para ela. Aos poucos, o menino foi parando e quando ela percebeu que ele realmente parou de chorar, ela decidiu que era hora de por tudo em seu devido lugar.

– Porque você estava bravo? – ela perguntou baixinho, meio receosa que ele recomeçasse a chorar.

Ele demorou a responder e pigarreou duas vezes antes de rir triste e dizer meio envergonhado

–Estava lendo a repercussão do que aconteceu de manhã – ele começou sincero – falaram mal de mim em alguns artigos e disseram que eu não era homem o suficiente por deixar você me bater o tempo todo.

Sam entendeu tudo: o orgulho masculino de Freddie fora ferido. Mentalmente amaldiçoou quem quer que tenha publicado tudo aquilo. Os dois sabiam que quando se estapeavam ou se batiam era sempre de brincadeira, com exceção de hoje. Ele, ali no shopping, realmente quisera machucá-la. Ele passara dos limites.

–Errado, Benson – ela disse – Você é mais homem do que todos os outros que revidam.

–Mas eu revidei. – ele disse, e uma grossa lágrima solitária escorreu pelo olho já inchado do garoto – Hoje eu revidei.

– Em quatro anos de surra que eu te dou, você resolve revidar hoje! Só hoje! E tá chorando até agora por deixar meu pulso roxo! – ela riu e logo debochou dele revirando os olhos – Nossa, que revidamento! – ele voltou a rir meio triste e eles ficaram em silêncio por um tempo – Só não sei como você sabe da história.

–Eu não sei como aconteceu – ele disse – Mas sei que aconteceu

–Carly... – ela falou em tom de raiva

–Foi minha mãe. – ele disse a corrigindo – ela disse que... – ele pareceu escolher as palavras – iguais se reconhecem.

Os dois não falaram mais nada a seguir, ele fazia um leve carinho na perna dele e ela nas costas dele. Não soube bem quanto tempo ficaram ali até que ela teve uma leve sonolência.

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David era uma pessoa feliz. Tinha uma família normal, uma casa legal e um trabalho maravilhoso. Gostava de pensar que era um príncipe cercado de gente que o amava dentro de seu castelo. É claro que ele sabia que não era exatamente assim e não se iludia achando que a vida era fácil. Mas mesmo assim, toda vez que pensava que era um príncipe ele sorria. E aquilo deixava seu dia feliz

Só que hoje ele estava particularmente mais feliz que o normal. Ele conhecera Sam e Freddie de ICarly, e a garota tinha dito que ele era mais bonito que Freddie. Claro também que percebera que ela estava sendo simpática, mas mesmo assim... Aquilo tinha feito um bem enorme ao ego dele.

Ainda pensando no quanto era sortudo entrou em casa às quatro da tarde e viu a irmã do meio conversar com a mãe, as duas na cozinha.

–Juro, mãe ele estava assustador! – ele escutou ela falar. – Deu medo mesmo! Parecia com ódio mesmo aí ele a viu chorar e mudou completamente, voltou a ser gentil e amoroso! Foi muito estranho. Acabou que eu os deixei na pousada e vim pra cá de ônibus. – David olhou a mãe apenas assentir ao que a filha falava.

–De quem vocês estão falando? – perguntou David

–Freddie e Sam do ICarly – disse Danielle – eu, a Day e a Anne saímos com eles hoje.

E ela se pôs a contar tudo que tinha acontecido na tarde para o irmão mais velho que escutou tudo completamente atento.

–E onde está a Day agora? – ele perguntou receoso. Ele não podia deixar a irmã mais nova perto daquele cara que não se controlava. Não, não sua irmãzinha menor.

Sem pensar muito, pegara o carro que tinham e foi até a pousada onde sua irmã ficaria hospedada até o fim da semana. Ele a tiraria dali para o bem dela. Passou pela recepção e o recepcionista avisou para a irmã que ele estava indo até o quarto. Ela já estava esperando ele na porta quando ele chegou

–Entra logo e fica quieto – ela ordenou –, Sam acabou de acordar.

David entrou no quarto e viu sete meninas em torno de um computador. Do computador saía um fio que estava colado a um aparelho em uma das paredes do quarto. E um som parecia sair do notebook.

–Porque todo mundo me abandona quando eu mais preciso? – ele ouviu Sam gritar tanto pela parede quanto pelo computador

–O que vocês estão fazendo? – ele perguntou estranhando tudo

–Eu não posso ficar perto de você sabendo que eu te causei tanto sofrimento! – a voz de Freddie parou de sair da parede e começou a sair apenas do computador — Eu sou um monstro! Você não merece ficar perto de um monstro...

–Espionando. O que mais seria? – disse Mariana, a única ruiva do grupo – Senta fica quieto e não atrapalha!

E ele obedeceu querendo saber como iria terminar aquilo tudo. Foi com uma grande surpresa tanto para ele quanto para as meninas descobrirem que ele era filho de um estupro e eles também entenderam que Sam já havia sido abusada sexualmente.

David se sentiu envergonhado de si mesmo quando ouvira que ele nunca tinha revidado a menina naquele tempo todo. Ele sabia que ele mesmo não aguentaria. Além de que ele não ficaria nem um pouco abalado por deixar um pulso roxo em uma menina que já batera nele tanto. Freddie realmente era muito mais homem do que David era. Foi naquele momento que ele virou fã de Freddie.

As meninas já estavam extasiadas pensando no que postariam na internet. Mas David e toda sua sabedoria de mais velho as fez entender que se fizessem aquilo, ia ser um escândalo sem tamanho e que provavelmente Sam e Freddie parariam de fazer o ICarly.

–Verdade – concordou Anne – Vamos pensar que apenas nós temos o privilégio de saber.

Isso pareceu animar ainda mais as outras meninas que ficaram se achando por saber mais sobre os ídolos do que qualquer outra pessoa.

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Alguns anos antes:

Sam acordou e antes de abrir os olhos, sua mente a presenteou com tudo que tinha acontecido antes. Quis chorar, mas não podia. Não sabia quem a tinha pegado e a colocado no carro. Não sabia onde estava. Entretanto metade do medo passou quando sentiu que estava vestida, deitada e coberta.

Abriu os olhos e reconheceu o quarto da amiga. A dona do quarto estava sentada em uma cadeira ao lado da cama olhando para ela. No colo dela tinha um prato e um sanduíche enorme em cima dele.

–Fique tranquila, você tá segura agora – disse Carly também com seus nove anos – Quem te achou foi um amigo do Meião, ele chama Divino. Ele pediu desculpas pela brutalidade, mas quando viu como você estava ele sabia que você não ia acreditar que ele queria ajudar.

– Como ele me reconheceu? – Sam perguntou sentando-se na cama da amiga

–Spencer carrega uma foto nossa na carteira, quando ele mostrou quem era a irmã dele ao Meião todos viram nossa foto. Divino achou que você era a irmã do Spencer. – ela explicou – E como você está, amiga?

A pergunta a atingira em cheio. Como ela estava? Fisicamente dolorida. Emocionalmente e moralmente morta. Sam se permitiu chorar como nunca tinha chorado. Ali, perto da amiga ela se permitiu mostrar que também era um ser humano.

Carly se moveu para perto da amiga, colocando o sanduíche em cima da cadeira, a abraçou e esperou pacientemente que ela parasse de chorar, fazendo carinhos no braço enfaixado de Sam enquanto murmurava que tudo já tinha terminado. Que ela estava bem e estava segura. Agora ela já estava em casa e segura.

Sam, chorando e completamente quebrada, pensou que nunca mais se sentiria em casa, muito menos segura. Não quando sabia que a mãe era capaz de vendê-la a qualquer um para pagar suas dívidas. E ela nem sabia de que eram as dívidas!

Ela lembrou-se do quanto ela mentira apenas para poder viver e proteger a irmã do mal. Mas o mal estava em sua própria casa, atendendo por mãe. Como, então, Sam podia se sentir em casa? Ou segura? Como?

Sam não era mais a mesma. Ela era adulta agora, fora forçada a crescer fisicamente ali, naquele dia. Ela lembrou-se do que fora forçada a fazer com aqueles homens. Sua mente sádica a presenteou com o gosto que tinha sentido. Teve ânsias.

–Eu sou suja – ela disse, fungando – eu... – Sam, ela não aguentou e se levantou correndo para ir vomitar. E vomitara. Vomitara até sair sangue.

Descobriu o quanto preferia o gosto de sangue ao outro. Decidiu que toda vez que sentisse aquele gosto horrível, ela trataria de mascará-lo com qualquer outro, mesmo que o outro fosse sangue.

Carly pacientemente segurava o cabelo da amiga enquanto a olhava com um olhar triste e preocupado. Quando Sam terminou, ela foi até a pia lavar a boca que estava mais vermelha por causa do sangue. Em cima da pia havia um espelho, ela observou seu próprio rosto e viu o quão deprimente estava. Suas bochechas tinham marcas de mão, seu olho estava roxo e o osso abaixo do pescoço estava coberto com gazes. Ali ela voltou a chorar.

Carly abraçou a amiga e a guiou pelo quarto até a cama. Colocou Sam em seu colo e esperou novamente que a amiga parasse de chorar. Quando ela parou, Carly achou que o melhor naquele momento fosse distrair Sam.

–Fiz um sanduíche de Bacon e presunto – ela disse – E eu sei que é o seu favorito. Quer ele agora?

Sam balançou a cabeça que não mostrando que não queria sair daquela posição.

–Eu sei que você não quer, mas você tem que comer. Você não come há quase dois dias – disse Carly. Sam fizera uma careta e abriu a boca para responder, mas Carly a cortou – E não aceito não, mocinha! Se você quiser eu faço uma sopa de vegetais.

E Sam quis. Carly percebeu, com aquele gesto, o quanto a amiga estava quebrada. Quando desceram, a loira olhou para todos os lados procurando o irmão mais velho da morena.

–Cadê o Spencer? – ela perguntou

– Foi... resolver umas coisas com o Meião – Sam percebeu que Carly estava meio incerta sobre o que deveria contar a ela. Não que ela quisesse saber também. Não estava emocionalmente em condições para aguentar mais nada.

Carly fez a sopa. E Sam já estava nas ultimas colheradas quando Spencer abrira a porta.

–Está feito – ele avisou à Carly e ela assentiu com a cabeça – Vou tomar um banho.

Ele achara que tinha escondido bem, mas ela vira algumas manchas na camisa dele.

Sangue. A loira só não sabia de quem.

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Tempo atual:

Sam nem sabia como tinha pegado no sono, principalmente naquela posição: ela tinha dormido em cima do colo do nerd, ambos abraçados. Aquela sensação gostosa de ter um lar se apoderou dela novamente, e dessa vez veio junto com uma sensação de segurança.

Como se nada nem ninguém pudesse alcançá-la ali.

Talvez ela pensasse aquilo por causa da cena que o moreno tinha feito por causa de um pulso roxo. Talvez fosse algo que estivesse intrínseco a ela, algo que fosse de dentro de sua alma, que a cada minuto clamava cada vez mais pelo menino.

O pôr do sol foi testemunha do riso baixo em tom descrente que ela deu. Ela andava pensando muita coisa ridícula ultimamente. Tinha que parar antes que virasse mania.

O riso aparentemente acordou Freddie e ele abriu os olhos inchados antes de sorrir e a apertar mais a si, num gesto inconsciente. Voltou a fechar os olhos e a respiração continuou calma, mostrando que ele tinha adormecido de novo.

Sam olhou o pôr do sol pela janela ao lado da cama. O pôr do sol em San Diego era simplesmente colorido e lindo. Geralmente acontecia depois das sete e... Depois das sete?

–OH MEU DEUS! ESQUECEMOS DO GIBBY!


Notas finais
Huhauhauaua. Porque eu não posso ver a cara de vocês quando leram o segundo flashback??? Juro que eu queria! Queria mesmo!
Sim, Spencer apareceu na fic! Ninguém quis chutar porque ele não tinha alugado o carro, acharam que não tinha importância. Né? E agora será que querem? Um conselho? Conspirem bastante: porque não será nada normal e nem próximo a isso
Gente, o Freddie é um caso sério: ele é todo adulto porque sofreu pra cacete durante a vida, mas ainda é um adolescente de dezesseis anos e homem. Tem o orgulho masculino frágil que todos os homens têm nessa idade, então, por favor, não digam que eu fiz muito barulho por nada: pra ele era importante isso. Eu meio que me inspirei num caso de um menino aqui da onde eu moro que tinha essa idade quando foi preso por ter matado um homem de cerca de uns vinte e poucos anos quando ele disse que ele não era homem o suficiente para cuidar de sua própria vida.
E o Gibby? Onde ele tá? Hahahaha Tadinho dele foi completamente esquecido por todo mundo! Próximo cap ele meio que vai virar personagem principal de um flashback. Querem chutar porque? Tem duas dicas no cap três.
No próximo cap tem Vovó Socko pra divertir todo mundo!Nome do próximo cap: IBenison Bucket...