ISan Diego
5 IBenison Bucket
Notas iniciais
OIIIIII, GENTEEEEE!
Como cês tão? Tão bem? Eu to bem. Mas ainda assim quero fazer uma reclamação: Vocês não tem noção de quanta música de corno eu tive que escutar pra fazer esse cap e o anterior.Pra quem não sabe, eu só escrevo escutando musica porque eu acho que elas me ajudam a passar sentimentos pro papel. Eu quase entrei em depressão escutando tanta musica triste! Espero que esses dois não briguem de novo, ou eu vou cortar meus pulsos da próxima vez que passar mais de quatro horas escutando que a mulher deixou o cara.
Preciso de uma dose de Daesung pra melhorar.
Enquanto isso, aproveitem o cap. Como já deu pra perceber pelo titulo, vai ter trocadilhos em inglês nesse cap, eu vou traduzir pra vocês entenderem.
Ah, SUPER OBRIGADA a Jessi Dumpty que também recomendou minha fic. -Daqui a pouco vou estar me achando tanto que já vou poder fazer comercial da Loreal... -
Aproveitem.
Já estava de noite quando Spencer olhava a tela do computador nem um pouco feliz. Ele ficara no hospital para caso acontecesse com o avô e iria passar a noite lá. Ele nunca fora bobo de ter esperanças que o avô melhorasse de uma hora para outra assim do nada. Mas como o médico dissera, o cérebro era um órgão ainda desconhecido então tudo poderia acontecer ali.
Quando Spencer soubera que o avô tinha tido um AVC por causa de um aneurisma em seu cérebro a primeira coisa que fez foi se culpar: mesmo que ele pagasse um enfermeiro para ficar perto do avô o tempo todo, ele não estava junto quando isso acontecera. Ele se sentiu um completo inútil pela segunda vez em sua vida.
Uma coisa que aprendera com a vovó Socko era que a família vinha em primeiro lugar. E olhando o avô naquele lugar, ele se repreendera por deixar Yakima para viver em Seattle. Lá teria mais trabalho para ele. Fora isso que o avô dissera quando ele disse que queria ser um artista.
Mas não era por nada disso que ele estava olhando bravo para o computador. Ele estava lívido por que Freddie e Sam o desobedeceram! Eles alugaram o maldito carro quando ele tinha dito expressamente que não era para eles fazerem isso! Ah, aquilo não ficaria assim. Não mesmo!
Ele ligou uma vez para Sam, ninguém atendeu. Ligou para Freddie e ninguém atendeu. Preocupou-se. Ele dissera tanto que não era para alugar o carro! Ligou mais algumas vezes e continuaram não atendendo. Pelo que ele sabia eles não tinham nada para fazer durante a tarde em San Diego. Talvez Carly soubesse de algo.
–Mana, onde o Freddie e a Sam tão? – ele revirou os olhos com a resposta – Eu sei que eles tão em San Diego, mas eu tentei ligar pra eles e eles não atenderam. – ele pausou esperando a irmã terminar de falar – Ok, faça isso. Vou ligar para o Meião. – houve uma pausa – Certo. Eu deixei um dinheiro na sua bolsa, peça algo pra comer porque eu vou ficar a noite toda mesmo. Tchau, Carly.
Ele se desesperou e discava os números do amigo com os dedos tremendo. Onde aqueles dois estavam? Porque não atendiam o celular? Não iria aguentar se algo acontecesse aos dois. Não ele estando longe da mesma forma que estava quando o avô desmaiara.
–Alô, Meião, você sabe onde a Sam e o Freddie estão?
–Tão no quarto, aparentemente dormindo. – Meião disse simplesmente – Freddie foi bruto com a Sam e quando se deu conta disso ele ficou extremamente mal e Sam o consolou até a pouco.
–Freddie foi bruto com a Sam? – ele perguntou elevando o tom de voz e logo foi repreendido por uma enfermeira
–Foi, mas ele ficou bem pior que ela – ele riu – Depois disso vovó tá dizendo pra eu preparar um jantar na chegada de vocês, porque eles vão chegar casados.
Spencer riu baixo, para não atrapalhar ninguém.
–Eles estão bem? –Ele suspirou feliz – Que bom. Estava com o coração saindo pela boca já. – Meião riu
–Eu sei, te conheço desde sempre, cara. – ele escutou um barulho – Ai, vó, eu não fiz nada dessa vez.
–Eu tô te pedindo o telefone – Spencer ouviu a voz da velha do outro lado – me dá isso!
–Peraí, Spencer que minha vó quer falar com você. – disse Meião. – Mania maldita de ficar me dando bengalada à toa. – ele reclamou fazendo Spencer rir
–Benção, vó.
–Benção, meu filho. Meião me disse que seu vô tá no hospital. – ela começou – Manda ele sair daí desse buraco ou eu vou praí só pra expulsar ele desse hospital com minha bengala. (Tell him to get out of this hole or I'll drive there just to expel him from this hospital with my cane.)
Spencer riu da velha.
–Vovó, quer fazer confusão?
–É, vou pôr fogo aí. (Yeah, I'll set fire there.)
Spencer riu alto do trocadilho que a velha fizera e foi repreendido novamente pela enfermeira.
– Isso, vovó, põe fogo no buraco! (Yeah, Grandma, put fire in the hole!) – resolveu mudar o assunto – Que história é essa do Freddie e da Sam voltar casados? — ele ainda ria quando perguntou – Freddie recém fez dezesseis e Sam ainda tem quinze.
– Escutem a minha sabedoria velha – ela disse – Parece que eu nunca ensinei nada a vocês sobre amor. Se eu tô dizendo que eles vão chegar casados, é porque vão. – ela reclamou – Já é hora do nosso pequeno balde se encher de benção. (It is time our little bucket is filled with benison.)
–Vó, você quis dizer benção. (Grandma, you mean blessing.) – Corrigiu o mais novo
–Não. É benção mesmo.(No, it’s really benison) Parece que não entende o que eu quero falar...– a velha resmungou — E eu já disse que o Meião vai receber umas bengaladas se não me obedecer e fizer o jantar, não disse? Convença-o ou minha bengala é quem irá fazer isso.
Spencer riu e resolveu mudar de assunto novamente.
–Vovó, tá tudo bem aí? – ele perguntou – Eu tô em Yakima, não vou poder ver suas séries com você hoje.
–Tudo bem – ela disse -, eu falo pro Dexter vir. Ele tá precisando mesmo de um tempo a sós comigo. Anda fazendo muita arte.
–Não dê muitas bengaladas nele, por favor – disse Spencer. – Apesar de tudo ele é um bom menino.
–Você diz isso porque não sabe o que ele aprontou agora. – ela disse – Vou passar pro Meião de novo. MEIÃO!!
Spencer voltou a ouvir barulhos
–Ai, vó, eu não fiz nada! – ele reclamou – Cara, essa velha fica mais brava a cada dia.
–Demorou de mais pra pegar o telefone — ele ouviu a vó dizer ao longe – e velha é tua cara, seu moleque despeitado.
–Meião – Spencer começou sério -, quero te dizer umas coisas. Cara, foi mal não ter controlado os baixinhos pra não alugarem o carro.
–Ih, relaxa quanto a isso – ele disse. – Carl fez o serviço no carro antes deles o pegarem. Nosso pequeno balde de benção está seguro agora. (Our little benison bucket is safe now) – ele riu, lembrando do trocadilho que a avó fizera.
– Sério? Poxa, que bom. Tô mais tranquilo agora. – Spencer suspirou
– Falando em ficar mais tranquilo, quer casar com a prima Sincky? – perguntou Meião – Ela quer desesperadamente um marido e eu estava pensando em tu.
–Tá de sacanagem comigo? – perguntou Spencer indignado – Ela parece você de saia, mano. Só que mais gorda.
–Nem está assim não. Eu disse que ela tá atrás de um marido, ela tá gata agora. Só o filé. Te juro.
–Conheço seu filé – disse Spencer rindo – cada uma que me você arranja, que vou te contar ein!
–Isso é vingança de quando você me arranjou aquela russa – ele disse – você pegou a ucraniana bonita e eu me lasquei com aquele ogro russo. – Spencer riu se lembrando do acontecido – Agora tu ri, né desgraçado.
– Olha pelo lado bom – começou Spencer prendendo o riso – Você vai ter histórias pra contar pros seus filhos.
–Se você continuar me arranjando ogros, eu não vou ter filhos, pen-pen – os dois gargalharam do apelido ridículo que Spencer ganhara de uma de suas namoradas – Como tá teu avô?
–Tá igual. Na UTI ainda. – Spencer suspirou – Mas eu tenho fé que ele vai sair de logo lá e eu vou levar ele aí pra brigar com a vovó. – eles gargalharam imaginando a cena – Sam que vai gostar de gravar isso.
–Isso se ela não tiver casada já, né – riu Meião – Vovó tem cada ideia...
Spencer viu um médico se aproximar com um rosto sério e ele adquiriu um tom sério no telefone
–Cara, tem um médico vindo. Depois a gente se fala.
O médico se aproximou e perguntou se ele queria ver o avô já que ele tinha acordado. Spencer abriu sorriso gigante e seguiu o médico pelo hospital.
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Assim que ela gritara, acordando o Benson que pulou de susto, completamente desorientado, ela correra até o celular para ligar para o garoto que já estava no hotel, no quarto que tinham reservado a ele. Ela conversou com o menino por um tempo, descobrira que Freddie pedira a Dani para buscá-lo e ele pareceu achá-la legal. Quando Freddie fora banhar-se, ela contou o que tinha acontecido durante a tarde.
Tudo. Tudo mesmo. Gibby não era igual à Carly que fazia tempestade em copo d’água, mas ele realmente se chateara com Freddie com o que ele fizera. Ela precisou de cinco minutos explicando que estava bem para que ele se convencesse disso.
–Ok, mas você vem pro hotel comigo. Não vou mais te deixar perto dele.
Ele dissera em alguma hora, ela pensou antes de negar e dizer que não podia deixar o moreno sozinho. Explicou também o quanto ele estava se sentindo mal por ela ter revivido tudo aquilo. Gibby não pareceu entender o porquê dele se sentir mal, e ela quase contara sobre a história da mãe dele.
–Por quê, Sam? – ele perguntou pela terceira vez.
–É coisa dele, não posso te contar – ela suspirou, ouvindo Freddie abrir a porta e resolveu mudar de assunto – A gente vai ao AmeriKorea hoje e você vai com a gente, ok?
–Tá falando com o Gibby? – perguntou Freddie – Posso falar com ele?
–Não passa, Sam – pediu o gordinho – Não quero falar com esse...
–Desculpa, Gibby, eu tenho que tomar banho pra poder jantar. – ela disse passando o celular para o garoto a sua frente – Tá melhor?
Freddie assentiu sem olhar para ela, ela apenas suspirou e entrou no banheiro carregando apenas uma toalha. Fechou a porta, mas ficou ao lado dela para escutar a conversa de Freddie.
–Cara, me bata – foi a primeira coisa que ele dissera a Gibby – Eu sou um monstro, cara. – a voz de Freddie começou a ficar embargada – Eu machuquei a Sam. – houve uma pausa – Eu sei sim o quanto doeu nela, doeu em mim também. É como se eu tivesse machucado uma parte de mim mesmo – ele disse e houve outra pausa, Freddie riu baixo – ela disse, é? Eu não posso ir, não com ela – ele pausou novamente – como eu posso ficar perto dela sabendo que eu posso machucá-la a qualquer instante? Parece que você não me ouviu: eu sou um monstro. – ele fez uma pausa – Ok, tô indo praí e a gente conversa.
Depois de um tempo ela ouviu a porta ser aberta e fechada. Saiu do banheiro só para constatar que não havia ninguém no quarto. Olhou para onde deveria estar a mala do menino e ela não estava lá.
Ela chorou. Ali no meio do quarto, de pé, sem ninguém ver. Chorou mesmo e muito. Tinha perdido sua casa pela segunda vez na vida. Andou se arrastando até a cama e caiu nela chorando alto. Ela não podia ter uma casa? Por quê? Porque ela nunca poderia ter um lar? O que tinha de errado com ela? Encolheu-se na cama, sozinha, olhando para a porta na esperança que ele voltasse.
A mesma cama que presenciara seu sorriso quando tinha finalmente se sentido segura agora parecia acusá-la por estar sozinha, ocupando um espaço tão grande.
Jogou o travesseiro com raiva na porta do quarto e gritou em desespero. Continuou chorando ali. Será que o Benson não conseguia entender que ela não tinha medo dele? Que ela não estava com raiva dele? Será que ele não via que ele a machucou de verdade quando a abandonou ali para curar suas próprias feridas, sozinha?
Não soube quanto tempo ficou ali, no frio, chorando. Mas soube que a porta fora aberta e por ela entraram as cabeças das meninas do outro quarto.
– Nós viemos saber se está tudo bem com você – perguntou Day com a cabeça dentro do quarto – Vimos Freddie sair e...
– Saiam daqui. – ela disse olhando pro outro lado – Não vou dar nenhuma história pra vocês publicarem
– Eu não quero publicar nada. – Day disse – Só queremos saber se podemos fazer algo por você. Quer comer algo?
–Não, já disse para irem embora – ela disse – E eu tô indisposta pra ir ao AmeriKorea, desculpa.
–O AmeriKorea é a última coisa que eu tô pensando agora – disse Day parecendo raivosa, mas logo voltou a um tom calmo – Olha, eu não sei por que você tá assim, mas nós somos suas fãs e não gostamos de te ver assim. Tem algo que você queira que a gente te traga? Pode pedir qualquer coisa que a gente se vira.
Sam deixou algumas lágrimas caírem por seu rosto, que as meninas não puderam ver.
– Traz minha casa de volta. – ela falou com a voz embargada pelo choro.
Day suspirou sem saber o que fazer e decidiu fechar a porta. Elas tinham uma missão quase impossível. Mas elas se virariam e trariam o que a loira pedira.
– Como nós faremos isso? – perguntou Anne à amiga – Seattle fica muito longe!
– Ela não quer a casa em si – disse outra garota – ela quer algo que represente seu lar. Pra mim é um urso que meu pai me deu antes de morrer. Agora a gente precisa saber o que é.
– Nós podemos perguntar ao Gibby – disse uma segunda menina –, ele é o melhor amigo dela. Lembra do que ela disse hoje, na rádio?
Nem se importaram de pegar um ônibus, foram a pé mesmo até o hotel onde ele estava hospedado. Durante o caminho, resolveram que duas iriam ficar no hall de entrada, distraindo o recepcionista e as outras subiriam até o apartamento do garoto. Depois de passarem alguns, apuros e correrem bastante, elas conseguiram ir até o apartamento de Gibby.
As três restantes bateram na porta do garoto que abrira estranhando as menininhas ali.
– Gibby – começou Day arfando e se segurando no batente da porta – Peraí – ela respirou fundo umas três vezes – Eu vim a mando de Sam. – o menino levantou a sobrancelha questionando a veracidade do que ela tinha dito – Ela tá lá no quarto chorando totalmente desolada e quando fomos perguntar o que ela queria, ela disse que queria a casa dela de volta.
– Aí a gente não entendeu muito bem o que era e viemos te perguntar o que exatamente ela queria — disse a ruiva que também arfava.
Um segurança apareceu, mas Gibby o dispensou dizendo que estava tudo bem.
– A Sam tá chorando? – perguntou Freddie de dentro do quarto – Por quê?
–Não sabemos – disse Anne – Mas ela tá chorando bastante, toda encolhida na cama.
–Day? – ele tentou, mas a loira deu de ombros sem saber o que dizer.
–Eu te falei, cara – disse Gibby pegando as chaves do carro e mostrando pra ele – Vai lá.
–Vai você. – ele disse num tom triste – Eu não posso ficar perto dela.
–Blá, blá, blá. Se você realmente fosse um monstro, eu seria a primeira pessoa a te deixar longe dela: você sabe disso.
As três apenas observavam com cara de quem não estavam entendendo o que estava acontecendo.
– Olha, enquanto vocês se decidem o que fazer, falem pra gente o que é pra gente buscar. É realmente muito chato ver a Sam chorar daquele jeito — disse Day – o que a faz lembrar-se de casa?
Freddie pareceu se animar com aquelas palavras e pegou a chave do carro da mão de Gibby, seguindo para fora do quarto.
–Freddie sabe e vai resolver isso, meninas. – disse Gibby para as meninas que assentiram com a cabeça.
–É muito abuso a gente pedir pra você livrar nossas amigas dos seguranças do hotel? – perguntou Anne a Gibby que riu lembrando-se de seus tempos de tietagem também.
– Claro que não.
A viagem de Freddie até a pousada fora silenciosa e completamente automática. Ele sequer via direito por onde passava, apenas fazia tudo que o GPS mandava. Sam estava chorando e de acordo com Gibby era porque ele a tinha deixado sozinha. Ele não conseguia compreender. Ela deveria estar feliz de se ver livre de alguém como ele!
Ele praticamente correra até o quarto, mas quando chegara, abrira a porta com um pouco de receio.
–Sam? – ele perguntou entrando no quarto, que como estava com a luz apagada e a noite, estava completamente escuro – Sam? –ele voltou a perguntar
–Veio ficar perto por mais quanto tempo antes de me abandonar de novo? – ela perguntou com ódio – Vai me vender também?
Quando seus olhos se acostumaram com a pouca claridade do local, ele viu Sam sentada na cama, escorada na cabeceira, olhando pro teto.
–Não! – ele disse – Quer dizer, eu não sei mais do que eu sou capaz! — ele levou a mão até a cabeça e bagunçou o cabelo desesperado – eu não quero te deixar sozinha, Sam, mas eu não me conheço mais. Não sei se posso ficar perto de você sem te machucar!
–Pelo amor de Deus, Benson, se escute! – ela reclamou raivosa olhando para ele – Você realmente acha que alguém que fale isso pode machucar outra pessoa? – ela riu com escárnio – Não! E você sabe que não! Você tá usando isso de desculpa pra não ficar perto de uma menina suja como eu!
–Não, Sam, não é. Eu te juro!
–Não? Não? – ela riu incrédula – Tudo bem, eu não te julgo, eu sou suja mesmo, eu também tenho nojo de mim. É claro que você também ia ter nojo de mim, quem não tem nojo da Sam? — ela perguntou abraçando seus joelhos, olhando pro lado – Só não mente pra mim dizendo que tem medo de si mesmo.
–Sam... – ele se aproximou dela, levantou a mão para encostar na moça, mas parou na metade do caminho – eu posso te tocar? Você deixa?
–Porque você iria querer encostar em mim? Na menina suja? – ela perguntou, voltando a olhar para ele.
Freddie se sentiu mal. Ele além de reviver todos os pesadelos da menina, ainda tinha feito toda a terapia dela ir ralo a baixo. Pensou em como consertaria aquilo. Suspirou. Ela era muito mais importante que todas as inseguranças que ele sentia. Ela era mais importante que ele porque ela era melhor que ele. Muito melhor.
Carly não estava ali para curá-la como sempre fazia. Ele quem tinha que se virar dessa vez. Ele causara o problema e ia resolver. Ele sentou-se em cima da cama e abraçou a menina, de lado.
–Eu sou sujo, não você. – ele confidenciou baixinho – Nasci assim. E meu maior medo é que você não seja mais tão pura se ficar perto de mim.
Ela riu triste.
–Eu? Pura?
–Pra mim é e sempre vai ser. – ele levou a mão dele até o rosto da menina e, num leve carinho, a fez olhar para ele – eu não gosto que você chore. Porque eu consigo sentir sua dor – ele trouxe a mão direita ao coração tentando mostrar o quanto doía nele.
Sam não falou nada, não podia falar pra ele que ela também parecia sentir a dor dele dentro dela, podia? Virou-se de frente para ele, quebrando o abraço.
–Porque você me abandonou aqui? – ela perguntou olhando profundamente em seus olhos – Fale a verdade.
–Eu só fui falar com o Gibby – ele falou – eu ia voltar antes de você sair do banho.
–Cadê sua mala então?
–Ela não está aqui? – ele perguntou olhando para os lados, mas não conseguiu enxergar muita coisa com a escuridão. – Eu não sei onde está então. Mas isso não é importante agora. – ele olhou para ela – é sério que você achou que eu tinha ido embora porque te achava suja? — Ela assentiu e ele gargalhou dela – Desculpe rir, mas pra mim parece tão absurdo isso...
– Pra mim parece absurdo você se achar um monstro – ela disse – você nem me machucou e já fez essa cena toda. Monstros não são assim. Acredite, eu tenho experiência no assunto. – ela deu de ombros – Já eu ser suja...
Ele descruzou as pernas dela e a puxou pelas pernas de forma que ela ficou sentada na frente dele, com uma perna de cada lado do garoto. Ele a abraçou pela cintura e a puxou para mais perto.
–Sujemos um ao outro então... – ele disse rindo no pescoço. Ela sorriu e ficaram em silêncio.
–Acho que está na hora de pôr as coisas no lugar. – ela começou – Não quero que aconteçam esses mal entendidos de novo. – ele balançou a cabeça concordando, sem tirá-la do pescoço dela — Porque a gente tá tão assim? – ela perguntou – Juntos?
–Eu não sei. – ela sentiu o hálito quente dele em seu pescoço — Não vai fazer sentido, mas desde que a gente tomou banho juntos eu não consigo ficar muito longe de você. – ele suspirou – parece que é um vício. É como se minha pele implorasse pra ficar perto da sua o tempo todo.
O coração de Sam não falhou a batida como ela estava esperando. Ela sorriu feliz, mas não era como se aquilo fosse uma surpresa para ela. Não porque ela não sentisse a mesma coisa, apenas porque ela sabia o que ele sentia, mesmo antes dele dizer. Era como se ela soubesse daquilo há muito tempo. Como se fosse algo intrínseco a ela.
Encostou a cabeça no ombro dele também.
–Sei como é. É primitivo demais isso de pele com pele – ela riu.
–Às vezes esquecemos que somos animais. – ele abriu a boca para falar algo mais, mas o ronco alto do estomago de Sam o atrapalhou, e ele riu – como eu disse: animais. — Ele fez queria sair dali, mas ela se agarrou mais a ele, impossibilitando Freddie de se mover. – Eu preciso sair para pegar algo pra você comer.
–Não quero. – ela disse manhosa. Eles ficaram mais um tempo ali, só que o estomago de Sam roncou alto de novo.
– Hoje eu comprei umas caixinhas de comida chinesa pra gente. – ele lembrou – Estão na mesa.
Ela o largou e ambos foram até as poltronas, vendo ali as caixinhas que tinha visto mais cedo. Freddie foi até perto da porta e acendeu a luz e olhou ao redor do quarto a procura de sua mala. A viu perto da cama, do lado contrário ao banheiro quase totalmente debaixo dela. Ele não fazia a mínima ideia de como a mala parara ali, mas a pegou e a levou para perto da outra. Sam o viu arrastar a mala e percebeu que ela era quem tinha feito cena daquela vez.
Toda aquela cena pela possibilidade de perder o... Não, toda aquela cena tinha sido para que não ficasse sozinha. Não importava quem era sua companhia. Ela só não queria ficar sozinha. Isso!
Ela seguiu até a mesa e abriu as caixinhas. Em duas havia macarrão, nas outras duas tinha rolinhos primavera. Ela disse que era melhor comerem apenas os rolinhos, sabia que fritura sempre durava mais fora da geladeira.
Ela esperou ele sentar-se na poltrona com uma caixinha, e sentou-se em seu colo com a outra caixinha. Os rolinhos estavam frios e rançosos, mas eles nem atentaram a isso porque foi somente ela se acomodar no colo dele que começaram uma conversa agradável. Conversaram sobre qualquer coisa. Tudo, nada, não importava o assunto, apenas conversaram aproveitando para se conhecer além das aparências.
San Diego era para se reajustar e se conhecer, não era?
– E casamento? – perguntou ela – Pretende se casar?
–Eu sempre pensei em casar – ele disse pensativo, enfiando um bolinho na boca – Quer casar no mesmo dia que eu? – ele perguntou depois de um tempo
–Eu não sei se vou achar um noivo, Freddie.
–Nem eu. – ele disse e uma ideia passou na mente dele o fazendo rir – Se a gente não casar até os trinta, eu caso com você.
–Tá se achando hein, até parece que eu vou querer casar com você – ela disse rindo.
– Qualquer uma quer se casar com o Benson – ele brincou caindo na gargalhada.
Ela pensou no quanto ele era bonito assim, rindo despreocupado. Mesmo com os olhos inchados de choro, ele ainda era muito bonito. Ele parou de rir e ficou olhando para ela, ambos com sorrisos brincalhões no rosto. Ela pensou em beijá-lo ali.
Porque não?
Porque ela descobrira que não conhecia aquele menino. Ela não sabia nada dele. Ela... Ela estava arranjando desculpas para não seguir com a ordem natural das coisas. E ela sabia disso. Mas Benson a continuava olhando para ela com um sorriso brincalhão no rosto, parecia que ele não percebera nada.
Continuaram a conversar e a comer, em momento nenhum ele reclamara que ela estava pesada ou ela falara outra coisa que não o assunto deles. Mas o telefone tocou e Sam teve que se levantar para atender.
–Alô.
–Ai! Finalmente! – reclamou Carly do outro lado – O que vocês estavam fazendo que não puderam atender o celular durante o dia todo?
–Dormindo à tarde – ela disse – e agora a gente estava comendo.
–Vocês não tão fazendo tudo muito juntos não? – perguntou Carly brava – Poxa, podia atender o celular ou ligar de volta! Spencer estava maluco atrás de vocês! E eu também! Cadê o Gibby?
–Tá no hotel dele. – a loira respondeu – Porque está tão nervosa, Carly?
–Tenho notícias e queria contar. – ela suspirou – Vovô acordou, eles disseram que vão tirar ele da UTI amanhã pela manhã, depois que fizerem exames para saber o quanto foi afetado pelo AVC.
–Carly! Que bom! – exclamou a loira feliz e repetiu o que tinha escutado para Freddie que sorriu – Você vai ficar em Yakima por quantos dias?
–Até vovô sair do hospital, pode ser amanhã, depois ou daqui a uma semana. Tudo depende dos exames de amanhã. Agora conte, o que aconteceu hoje aí?
Sam fora ao banheiro antes de contar tudo para a amiga. Ela se revoltara, mas Sam ordenara que o assunto tinha morrido. E Carly pareceu entender quando Sam contara do ataque que ele tinha dado depois.
–Mas diga, onde Freddie dormiu hoje? – ela perguntou depois – Eu conheço quando vocês mentem. E sei que ele não dormiu no chão. E eu achei melhor não perguntar isso na rádio, mas agora você não escapa.
Sam suspirou. Se contasse à Carly, a amiga piraria. Se não contasse, a amiga piraria ainda mais quando descobrisse. Suspirou e querendo evitar um incidente futuro resolveu contar a verdade
– Freddie estava falando a verdade hoje de manhã. – ela disse – Quando você perguntou da roupa.
–Vocês realmente estavam... Pelados? – a amiga perguntou num fio de voz após algum tempo
–É... – ninguém respondeu do outro lado da linha – Não surta, Carly.
–EU NÃO ACREDITO! EU MAL VIRO AS COSTAS E VOCÊS COMEÇAM A AGIR SUPERDIFERENTES! BEBEM, DORMEM PELADOS... – Carly parou de repente e voltou a falar hesitante – Não aconteceu mais nada né?
– Não. – ela disse e quando entendeu o que a amiga queria dizer ela abriu a boca incrédula – NÃO! Carly! – ela ralhou
–Não sei, acho que já posso esperar tudo de vocês agora. – ela disse – Bem, pelo menos dessa vez você não tá me contando as coisas enquanto tá drogada... Ou você tá?
–CARLY! – ralhou novamente – É por isso que eu nunca te conto nada.
–O que você queria que eu fizesse? – a morena fingiu um tom feliz – Ah, não, Sam, tudo certo dormir nua com seu melhor amigo – Sam sabia que ela estava revirando os olhos – Peraí. OH MEU DEUS! – ela exclamou – Como foi quando vocês acordaram?
Sam sorriu se lembrando de como tinha sido.
–Ele foi superfofo, não me desrespeitou... Foi supercontrolado e em momento nenhum me tratou como um pedaço de carne. Nem me deixou surtar nem nada.
–Hum... E é grande?
–CARLY!!!
–O que? – perguntou à amiga – Isso é de crucial conhecimento... Anda, diga.
–Não!
– Sam, não seja egoísta. Divida a informação com a amiguinha.
–Pra que você quer saber? Se for grande, você vai querer aproveitar? – Sam perguntou raivosa e Carly ficou em silêncio – CARLY! – ela gritou indignada
–O quê? O Freddie é gostoso! – Carly riu do outro lado da linha – Pelo menos agora eu sei que é grande. – ela continuou rindo
–Eu nunca disse isso. – disse Sam revirando os olhos
–Então é pequeno? – perguntou Carly surpresa
–Não! – ela exclamou – Chega, Carly.
–Só você pode aproveitar agora, é? – perguntou Carly zoando a cara da amiga
–É! Tchau! Beijo. – ela desligou o celular e saiu do banheiro zangada. No quarto, viu Gibby sentado na poltrona. – Que foi?
– Freddie foi buscar algo pra gente comer antes de ir pro AmeriKorea – ele disse analisando a garota. – O que foi isso no banheiro? – ele perguntou – O que é grande?
–Para de escutar a conversa alheia! – ela reclamou dando um tapa na nuca do garoto – Eu vou me arrumar – ela disse olhando as horas: nove da noite. Ainda tinha uma hora até o começo da festa. – Ah, de lá a gente tem que ir no Insônia. Começa às duas da manhã e acaba às três.
–Ok. – ele disse enquanto a via pegar uma muda de roupa para ir ao banheiro – Por favor, me diga que o que é grande não é o que eu tô pensando.
– Eu não sei o que você tá pensando, Gibby. – disse Sam entrando no banheiro – E não comam sem mim! – ela mandou lá de dentro.
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Alguns anos antes:
Sam, no auge de seus treze anos, se olhou no espelho e achou que estava bonita. Algo raro. Deu uma voltinha e viu que tudo estava no seu lugar. Teve pena de tirar seu uniforme, mas não poderia sair vestida daquele jeito andando até sua casa. Não. Ela não correria esse risco.
Tinha acabado de gravar um vídeo para o ICarly onde ela fazia o papel de uma colegial idiota que fazia tudo errado. Fora divertido fazer o vídeo, sem contar que Freddie dissera por livre e espontânea vontade que ela estava bonita. Ele não precisou da Carly mandá-lo dizer aquilo. Ele a vira, abriu a boca e disse. Pela primeira vez.
Uma simples declaração. Assim como ele.
Mas ela tinha que ir para sua casa dormir. Ela não gostava de ficar na casa de Carly por mais de uma semana e já fazia quase isso que estava ali. Então era obrigada a tirar aquela roupa.
Parou de se olhar no espelho da amiga e trocou-se. Desceu e encontrou os dois irmãos na sala rindo de um programa bobo de tv.
–Carly, eu já vou. – ela avisou colocando a mochila nas costas
–Ahn? Vai pra casa? – ela perguntou – Já são oito da noite, é perigoso, amanhã você vai.
–É melhor, Sam – disse Spencer olhando para a loira – Dorme aí.
–Não posso. – ela disse – Minha mãe quer que eu vá ajudar ela em alguma coisa – ela mentiu. A mãe dela, mesmo tendo melhorado muito, nem sequer lembrava de sua existência.
– Você ajuda ela amanhã – disse Carly vendo a loira ir em direção a porta – Sério, Sam...
–Não posso, tenho que ir mesmo. – ela mandou um beijo e disse que se veriam amanhã na escola.
Pegou o caminho que sempre fazia e foi se arrastando como sempre fazia. Se ela pudesse ela moraria com a amiga, mas ela não podia dar tanto trabalho para Spencer. Como sua mãe dizia: Sam era apenas um peso morto que atrapalhava a vida de todo mundo.
Andou alguns metros quando sentiu que estava sendo observada. Olhou para os lados e não viu ninguém. Pegou o canivete no bolso externo de sua mochila e o escondeu no cós da calça por precaução.
Não era hora para meias com manteiga. Muito menos lugar.
Ela geralmente passava por um beco para chegar mais rápido em casa, mas estava com uma péssima sensação e por isso decidira ir pelo caminho mais longe, mais iluminado e mais cheio de gente.
Mesmo assim ela continuara com a sensação. E não demorou muito para perceber que estava certa. Um homem apontou um cano em suas costas e disse para ela ir ao beco que ela tinha evitado a pegando pelo braço.
No beco tinha mais dois homens. E uma sensação de dejavu se apoderou de seu corpo. Mas ali não era hora de se prender a lembranças. Não. Ela tinha que pensar num jeito de se livrar deles.
Deixou eles arrancaram sua bolsa e sua blusa, ficando apenas de sutiã. Um dos homens jogou seu canivete longe. Teve vontade de chorar só que se repreendeu. Ali não era momento para aquilo. Não. Ali ela tinha que agir! Não era hora para TPM.
Já estava pensando num jeito de enganá-los quando viu mais gente entrando no beco. Três era fácil, mas sete? Como ela faria para fugir de sete homens? Olhou para os intrusos e só aí percebeu quem eram. Ou melhor, quem era um deles.
Aqueles três homens apareceram junto com Gibby. Enquanto os homens que apareceram cuidaram dos outros que já estava lá, Gibby a puxou pela mão e correu. Ela quase sorrira aliviada quando vira que Gibby estava a levando para longe dali. Só que percebeu que era por um caminho muito mais escuro do que estava antes e ela não conhecia por onde estava indo.
Soltou-se dele e parou. Ele olhou para trás parecendo raivoso por terem parado. Ele tentou pegar sua mão para que continuassem o caminho. Ele pretendia levar ela pra um lugar tão escuro para quê? Ele também queria seu corpo? Era isso?
Quando ele voltou tentar a pegar sua mão ela fez uma coisa que nunca achou que faria com tanta seriedade no amigo gordinho.
Ela o espancou.
Bateu. Bateu. Bateu até perder suas forças. Gibby já estava quase completamente roxo quando ela parou. Ele tirou sua camisa e vestiu nela, depois a pegou no colo. Ela tinha batido nele tanto que não tinha mais forças para fazer nada, então deixou que ele a levasse para onde ele quisesse e fizesse com ela o que ele bem entendesse.
Sua mãe estava certa. Ela só servia pra ser um pedaço de carne loiro que divertia os homens. Ela riu baixo se lembrando de quantas vezes Carly tirara aquilo de sua cabeça. E de quantas vezes Sam brigara com a mãe para que ela parasse de falar esse tipo de coisa. Pra quê? No fim ela tinha razão. Até Gibby...
–Nós já estamos chegando – ele interrompeu seus pensamentos – lá você vai estar segura.
Segura?
– Onde estamos indo? – Sam perguntou curiosa.
–Pra minha casa, ué, esse é o caminho mais perto. Minha mãe vai cuidar bem de você.
–Porque você vai cuidar de quem te bateu? – ela perguntou
–Porque é pra isso que amigos servem, Sam. – disse o gordinho – Eles perdoam, eles aguentam e eles suportam. Eu não podia te parar. Não quando eu via que você tinha tanto ódio dentro de si. Além do mais, é mais fácil sair o roxo da minha pele do que sair o ódio de dentro de você. Eu não podia deixar você perder essa oportunidade de alívio.
Ela riu baixinho compreendendo.
–Você não existe, Gibby.
–Existo. E admita: eu sou um ótimo saco de pancadas – ela o viu sorrir – Essa banha tinha servir pra alguma coisa.
Notas finais
Agora vamos comentar o cap:
Nhhhaaaaaaiiiiiiii. Quero um Gibby na minha vida! Hahauhauha
Gente que cap foi esse? Foi um pouquinho mais curto e nem chegou na metade da noite deles, mas... Acho que é melhor assim. "Reclamaram" que tinha muita informação nos caps longuérrimos que eu estava colocando. Vocês preferem eles de qual tamanho?
Mas ainda assim tem bastante informação principalmente nas entrelinhas. Vamos ver quem acerta: Como meião sabe de tudo e o que o Carl fez no carro? E porque Gibby apareceu do nada junto com mais três caras pra salvar a Sam? Porque a mala do Freddie estava quase em baixo da cama?? Chutem alto e longe: não gosto de coisas normais.
David não apareceu porque o cap ia ficar com mais de dez mil palavras... Mas ele aparece no próximo.
Próximo cap: ISmirk
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