ILHA DOS DESEJOS
16 Capítulo 16 — A casa de Billy Black
— Do meu pai.
Sarah permaneceu olhando para a fotografia.
O carro avançava pelas ruas de Nassau, escoltado por outro veículo, enquanto Paul falava ao telefone com a equipe de segurança e Edward tentava, pela terceira vez, contato com Saint Claire.
Nada.
Jacob não tirava os olhos daquele reflexo quase invisível na fotografia.
Uma quinta pessoa.
Um anel.
O símbolo.
— Como era a caixa? — perguntou Sarah.
Jacob demorou a responder.
— Madeira escura. Pequena. Talvez trinta centímetros. Meu pai mantinha no escritório.
— Trancada?
— Sempre.
Edward ergueu os olhos do telefone.
— Eu vi.
Jacob virou-se.
— O quê?
— A caixa.
— Quando?
— Na casa do seu pai.
Jacob ficou imóvel.
— Você esteve na minha casa antes de trabalhar comigo.
Edward respirou fundo.
— Sim.
— Quantas vezes?
— Duas.
Jacob riu sem humor.
— Ontem eram cinco ou seis encontros com meu pai. Agora você esteve duas vezes na casa dele.
— Eu disse que encontrei Billy cinco ou seis vezes. Duas foram na casa.
— E achou que esse detalhe não importava?
Edward perdeu a paciência.
— Eu tinha vinte e três anos! Charlie me mandava entregar documentos! Eu não estava fazendo um inventário da decoração!
— Era a casa do meu pai!
— Eu sei!
— E você entrou nela antes de eu sequer saber quem você era!
Sarah fechou os olhos.
— Vocês dois...
— Não — disse Jacob.
Ela olhou para ele.
— Desta vez eu quero ouvir.
Voltou-se para Edward.
— Tudo.
Edward ficou quieto.
— Você prometeu — continuou Jacob. — Sem mais segredos.
— Não é segredo.
— Então fale.
Edward passou a mão pelo rosto.
— Charlie me levou até Billy pela primeira vez.
O nome atingiu Jacob de maneira diferente agora.
Charlie Swan.
Pai de Isabella.
Homem que conhecera Billy.
Homem que apresentara Edward à família Black.
Homem que depois apresentaria a própria filha a Jacob.
— Quando?
— Nove anos atrás.
— Eu tinha vinte e um.
— Sim.
— Onde eu estava?
— Londres.
Jacob lembrou.
Um curso intensivo de administração.
Billy insistira.
Dissera que Jacob precisava aprender como o mundo funcionava fora da proteção do sobrenome Black.
Agora aquela viagem parecia diferente.
— Continue.
— Charlie precisava que Billy assinasse alguns documentos. Eu fui junto.
— Por quê?
— Porque trabalhava para Charlie.
— Fazendo o quê?
Edward hesitou.
— O que ele pedisse.
— Isso não é profissão.
— Naquela época, para mim, era.
Sarah observava.
Edward parecia genuinamente desconfortável.
— Eu não tinha dinheiro — continuou. — Não tinha família influente. Charlie me ofereceu trabalho, acesso, oportunidades. Eu achei que tinha encontrado alguém disposto a me ensinar.
Jacob soltou uma risada amarga.
— Todos nós achamos isso sobre Charlie.
Edward olhou para ele.
Ali existia uma dor compartilhada.
— Na segunda vez — continuou Edward — Billy estava discutindo com Quil.
Sarah levantou os olhos.
— Quil?
— Sim.
— Sobre?
— Não ouvi tudo.
Jacob fez uma expressão.
Edward imediatamente levantou a mão.
— Antes que você reclame: eu estava do lado de fora do escritório.
— E mesmo assim ouviu alguma coisa.
— Billy disse que a caixa não podia ficar ali.
Jacob olhou para a fotografia.
— A caixa com o símbolo.
— Imagino.
— E Quil?
— Disse que Saint Claire era mais segura.
Silêncio.
Sarah se inclinou para frente.
— Saint Claire?
Edward assentiu.
Jacob ficou imóvel.
— Meu pai trouxe aquela caixa para a ilha.
— Talvez.
— Quando?
— Não sei.
— Edward.
— Eu realmente não sei!
Jacob olhou pela janela.
A casa.
Não o banco.
Não Nassau.
A casa.
Sarah percebeu no mesmo instante.
— “Procure na casa.”
Jacob virou-se para ela.
A frase de Isabella.
O bilhete.
As pistas.
Durante todo aquele tempo, tinham presumido que ela falava apenas da antiga casa de hóspedes.
Sarah sentiu um arrepio.
— E se Isabella não estivesse falando de uma casa?
Edward franziu a testa.
— Como assim?
— Talvez estivesse falando de duas.
Jacob compreendeu.
— A casa de hóspedes guardava a chave.
Sarah assentiu.
— E a casa principal pode guardar o que Billy escondeu.
Edward ficou imóvel.
— A caixa.
Jacob pegou o telefone.
Ligou novamente para Embry.
Nada.
Seu rosto endureceu.
— Voltamos para Saint Claire.
Edward respondeu:
— A mensagem disse para não voltar.
— Embry está lá.
— E pode ser exatamente por isso.
Jacob se virou.
— Não vou abandonar ele.
— Não disse isso.
— Então?
Edward respirou fundo.
— Disse para não entrarmos cegos.
Sarah concordou.
— Ele tem razão.
Jacob olhou para ela.
— Não faça essa cara.
— Que cara?
— A de quem está ofendido porque concordei com Edward.
— Não estou ofendido.
Edward e Sarah olharam para ele.
Jacob fechou os olhos.
— Odeio vocês dois.
Sarah sorriu.
— Melhor. Está voltando ao normal.
Não voltaram diretamente.
Jacob odiou cada minuto.
Mas Sarah e Edward estavam certos.
O avião pousaria numa pequena pista em uma ilha vizinha.
De lá, uma equipe de segurança seguiria primeiro para Saint Claire.
Jacob queria informação antes de colocar Sarah dentro da propriedade.
Ela percebeu.
— Não comece.
— Não falei nada.
— Está pensando.
— Você agora lê pensamentos?
— Os seus estão ficando fáceis.
Jacob aproximou-se.
Estavam numa sala reservada do pequeno aeroporto.
Edward e Paul conversavam com os homens da segurança do lado de fora.
— Se a situação estiver ruim, você fica aqui.
Sarah cruzou os braços.
— Não.
— Sarah.
— Combinamos.
— Antes de alguém atender o telefone de Embry.
— Continuamos combinados.
Jacob passou a mão pelos cabelos.
— Você não entende.
— Então explique.
Ele se aproximou.
— Eu consigo pensar quando o risco é comigo.
Sarah ficou quieta.
— Consigo calcular. Consigo decidir.
Jacob segurou seus braços.
— Quando é você, não consigo.
A raiva dela diminuiu.
— Jacob...
— No momento em que ouvi aquela voz no telefone, pensei em Embry. Depois pensei em você voltando comigo para aquela casa.
Ele fechou os olhos.
— E tudo dentro de mim quer colocar você num avião para qualquer lugar longe disso.
Sarah tocou seu rosto.
— Eu sei.
— Então deixe.
— Não.
Jacob abriu os olhos.
Ela sorriu suavemente.
— Entender você não significa obedecer.
— Isso é profundamente irritante.
— Também sei.
Sarah aproximou-se.
— Você não precisa me proteger me afastando.
— Preciso manter você viva.
— Então fique ao meu lado.
— Sarah...
— Jacob.
Ela segurou seu rosto com as duas mãos.
— Eu estou com medo.
Ele parou.
Sarah raramente admitia.
— Muito — continuou. — Estou com medo de voltar. Estou com medo de encontrar Embry ferido. Estou com medo dessa pessoa saber tanto sobre vocês. Estou com medo do que ainda existe naquela casa.
Sua voz baixou.
— E estou com medo de alguma coisa acontecer com você.
Jacob ficou imóvel.
— Mas medo não significa que quero fugir.
Ela encostou a testa na dele.
— Significa que quero sua mão na minha quando entrarmos.
Jacob fechou os olhos.
— Você sempre vence?
— Frequentemente.
— Insuportável.
— E você gosta.
Ele a beijou.
Não foi um beijo longo.
Foi uma promessa.
Quando se afastou, manteve a testa encostada à dela.
— Minha mão na sua.
Sarah sorriu.
— Combinado.
Quarenta minutos depois, Paul entrou.
— Temos contato.
Jacob levantou-se imediatamente.
— Embry?
— Vivo.
Jacob soltou o ar.
Sarah percebeu seus ombros relaxarem.
— Falaram com ele?
— Sim.
— Onde está?
— Na casa.
— Ferido?
Paul hesitou.
Jacob endureceu.
— Paul.
— Um corte na cabeça. Diz que está bem.
— O que aconteceu?
— Encontraram ele desacordado no escritório.
Edward se aproximou.
— Quem encontrou?
— Funcionário da manutenção.
— Câmeras?
Paul balançou a cabeça.
— Desligadas durante vinte e seis minutos.
Sarah olhou para Jacob.
O mesmo padrão.
— Entraram na casa — disse ela.
— Sim.
— Roubaram alguma coisa?
Paul respirou fundo.
— Embry disse que aparentemente não.
Jacob pegou o paletó.
— Vamos.
Quando chegaram a Saint Claire, o sol começava a baixar.
Jacob mal esperou o veículo parar.
Saiu.
Sarah logo atrás.
— Jacob!
Ele diminuiu.
Não porque Paul pedira.
Nem porque Edward chamara.
Porque Sarah havia chamado.
Ela alcançou.
Segurou sua mão.
Jacob olhou.
Minha mão na sua.
Ele entrelaçou os dedos.
Entraram juntos.
Embry estava sentado no sofá da sala.
Um curativo na testa.
— Você está horrível — disse Jacob.
Embry sorriu.
— Também senti sua falta.
Jacob soltou Sarah e foi até ele.
Parou.
Por um instante pareceu não saber o que fazer.
Embry abriu os braços.
— Pode abraçar. Ninguém vai contar.
Jacob puxou o amigo.
Forte.
Embry perdeu o sorriso.
Abraçou de volta.
— Estou bem.
Jacob se afastou.
— O que aconteceu?
— Alguém bateu em mim.
— Percebi.
— Muito observador.
Sarah se aproximou.
— Viu quem?
— Não.
— Ouviu?
Embry pensou.
— Passos.
— Homem? Mulher?
— Pesados. Provavelmente homem.
Edward entrou.
Embry olhou.
— Você voltou.
— Infelizmente.
— Bom.
Edward pareceu surpreso.
Embry apontou para a testa.
— Quem fez isso me deixou mal-humorado. Preciso de mais gente para irritar.
Sarah sorriu.
Jacob não.
— Onde?
— Escritório.
— O que estavam procurando?
Embry ficou sério.
— Acho que sei.
Todos olharam.
— O escritório de Billy.
Jacob congelou.
A antiga sala ficava no fim do corredor oeste.
Não a ala de Isabella.
Mais antiga.
Quase nunca usada.
Jacob não entrava ali havia anos.
— Por quê?
Embry levantou-se.
— Porque quando acordei, a porta estava aberta.
Jacob ficou imóvel.
— Ela fica trancada.
— Eu sei.
— Quem tem chave?
— Você.
— Mais alguém?
Embry hesitou.
— Quil tinha.
Silêncio.
Edward olhou para Jacob.
Sarah sentiu o ar mudar.
— Vamos.
O escritório de Billy cheirava a madeira e tempo.
Jacob entrou primeiro.
Parou.
A sala parecia menor.
Talvez porque, quando criança, Billy parecesse ocupar todo o espaço.
Sarah entrou atrás.
Fotografias.
Livros.
Uma mesa pesada.
Uma poltrona de couro.
Jacob passou a mão pelo móvel.
— Ele sentava aqui.
Sarah ficou ao lado.
— Você vinha muito?
— Quando era criança.
Sorriu de leve.
— Ele fingia que eu atrapalhava.
— E você?
— Atrapalhava deliberadamente.
Sarah sorriu.
— Consigo imaginar.
Edward entrou.
Jacob olhou.
— Reconhece?
Edward observou.
— Sim.
— A caixa ficava onde?
Edward apontou.
— Ali.
Uma estante.
Jacob foi até ela.
Nada.
— Depois da morte dele, procurei.
— E não encontrou — disse Edward.
— Não.
Sarah começou a observar.
Não a estante.
O chão.
A parede.
— Billy disse que a caixa não podia ficar “ali”.
Edward assentiu.
— E Quil disse que Saint Claire era mais segura.
Sarah passou os dedos pela madeira da estante.
— Isso não significa que deixaram simplesmente numa gaveta.
Jacob olhou.
— O que está pensando?
— Seu pai parecia homem que escondia coisas de maneira óbvia?
— Não.
— Então procure como ele pensaria.
Jacob ficou parado.
Olhou para a sala.
Memórias.
Billy sentado.
Billy lendo.
Billy reclamando do barulho.
Billy abrindo o armário.
Billy dizendo:
Jacob, não mexa nisso.
Jacob virou-se.
— O mapa.
— Que mapa? — perguntou Sarah.
Na parede havia um grande mapa antigo do Caribe.
Jacob se aproximou.
— Eu queria tirar isso quando tinha doze anos.
Embry, apoiado na porta, perguntou:
— Por quê?
— Achava que tinha um cofre atrás.
Sarah sorriu.
— Tinha?
— Meu pai me pegou tentando descobrir.
— E?
Jacob tocou a moldura.
— Ficou furioso.
Todos se entreolharam.
Sarah levantou uma sobrancelha.
— Doze anos e já investigando.
— Eu era curioso.
— Você era insuportável.
— Provavelmente.
Retiraram o mapa.
Atrás, parede.
Nada.
Edward soltou o ar.
— Talvez...
Sarah bateu.
Som sólido.
Outro ponto.
Sólido.
Jacob tentou.
Até o canto inferior.
Oco.
Todos pararam.
Paul aproximou-se.
— Senhor...
— Abra.
Levaram alguns minutos.
Uma pequena placa se soltou.
Atrás havia um compartimento.
Jacob sentiu o coração acelerar.
Dentro não estava a caixa.
Havia um envelope.
E uma chave.
Outra.
Maior.
Preta.
No envelope:
Jacob.
A letra de Billy.
Jacob não respirou.
Sarah segurou sua mão.
Ele abriu.
A carta era curta.
Filho,
se você encontrou isto, significa que falhei em manter você longe do que comecei tentando consertar.
Jacob fechou os olhos.
Edward ficou imóvel.
Embry esqueceu a dor.
Jacob continuou.
Não confie em Charlie.
Silêncio.
Sarah sentiu um arrepio.
Não porque ele seja o pior deles.
Porque está com medo. E homens com medo fazem coisas piores do que homens gananciosos.
Jacob respirou fundo.
Quil sabe onde está a caixa.
Edward se aproximou.
Jacob continuou.
Se eu não estiver aqui, encontre Quil antes de procurar qualquer outra pessoa.
Mais uma linha.
E não acredite na morte dele até ver o corpo.
Embry soltou uma palavra baixa.
Edward ficou branco.
Sarah olhou para Jacob.
Billy escrevera aquilo antes da suposta morte de Quil.
— Seu pai sabia — disse Edward.
Jacob continuou.
A última frase.
Proteja o que é seu, mas não cometa meu erro: não confunda proteger alguém com esconder dele a verdade.
Jacob ficou imóvel.
Sarah sentiu a frase atravessá-lo.
Ele olhou para ela.
Ela não precisou dizer nada.
Era exatamente o que vinha tentando ensinar.
Jacob dobrou a carta.
— A chave.
Edward observou.
— Não reconheço.
Embry aproximou-se.
— Eu reconheço.
Todos olharam.
— De onde?
Embry pegou cuidadosamente.
— Antigo depósito subterrâneo.
Jacob franziu a testa.
— Onde?
Embry olhou para ele.
— Na propriedade velha dos Black.
— Qual?
Embry hesitou.
— A primeira casa da sua família em Saint Claire.
Jacob ficou imóvel.
— Aquela casa não existe mais.
— A casa não.
Embry olhou para a chave.
— O porão existe.
A antiga propriedade ficava a pouco mais de três quilômetros.
Jacob lembrava vagamente.
Ruínas.
Vegetação.
Billy nunca gostara de falar sobre o lugar.
Sarah olhou para ele.
— Vamos amanhã.
— Hoje.
— Está escurecendo.
— Sarah...
— E alguém acabou de atacar Embry.
— Exatamente.
— Por isso não vamos entrar num porão abandonado à noite.
Edward assentiu.
— Ela tem razão.
Jacob virou-se.
— Vocês precisam parar com isso.
— Com o quê? — perguntou Sarah.
— Concordar.
Embry riu e levou a mão à cabeça.
— Não me faça rir. Dói.
Jacob olhou para a janela.
Anoitecia.
Ele odiava esperar.
Mas havia prometido.
Fatos.
Cautela.
Sarah ao seu lado.
— Amanhã — disse.
Sarah sorriu.
— Evolução.
— Não exagere.
Mais tarde, Sarah encontrou Jacob na varanda.
Ele segurava a carta de Billy.
Ela se aproximou por trás.
Abraçou sua cintura.
Jacob colocou a mão sobre as dela.
— Meu pai escreveu para mim.
— Sim.
— E escondeu.
— Também.
— Passei sete anos achando que ele simplesmente morreu e deixou um monte de empresas para eu organizar.
Sarah encostou o rosto em suas costas.
— Talvez ele estivesse tentando deixar mais do que isso.
Jacob virou-se.
— “Não confunda proteger alguém com esconder dele a verdade.”
— Boa frase.
— Irritantemente boa.
Sarah sorriu.
— Parece familiar.
— Muito.
Ele tocou seu rosto.
— Eu faço isso com você.
— Faz.
— Tento decidir o que você pode saber. Onde pode ir. O que é seguro.
— Faz bastante.
— Poderia fingir que está sendo delicada.
— Você gosta de mim assim.
Jacob sorriu.
— Infelizmente.
Sarah aproximou-se.
— Seu pai percebeu o próprio erro.
— Talvez tarde demais.
— Ainda assim percebeu.
Jacob olhou para a carta.
— Tenho medo de descobrir o que ele fez.
Sarah tocou seu peito.
— Então descubra.
— Simples?
— Não.
— Você sempre faz parecer.
— Porque a alternativa é deixar os mortos decidirem sua vida.
Jacob ficou quieto.
Depois olhou para ela.
— Não quero mais fazer isso.
Sarah sentiu a intensidade.
— Eu sei.
Jacob segurou sua cintura.
— Quero você nela.
O coração dela acelerou.
— Na investigação?
Ele balançou a cabeça.
— Na minha vida.
Sarah ficou imóvel.
Jacob não recuou.
— Não estou falando dos três meses.
— Jacob...
— Nem de Saint Claire.
Ele respirou.
— Estou dizendo que quando isso acabar...
Sarah sentiu o medo.
Não dele.
Daquilo que aquelas palavras significavam.
— Quando isso acabar — continuou — eu não quero que você simplesmente faça as malas porque o contrato terminou.
Sarah tocou seu rosto.
— Você está me pedindo para ficar?
— Estou dizendo que quero poder pedir.
Ela sorriu.
— Isso é muito complicado.
— Sou um homem complicado.
— Percebi.
Jacob aproximou a testa.
— Não precisa responder hoje.
— Ainda bem.
— Mas pense.
Sarah passou os braços pelo pescoço dele.
— Vou pensar.
Jacob a beijou.
Lentamente.
Sem passado.
Sem culpa.
Sem Isabella entre eles.
Apenas Sarah.
Quando se afastaram, ela sorriu.
— Só para constar...
— Hum?
— Minha tendência é dizer sim.
Jacob ficou imóvel.
Sarah saiu dos braços dele.
— Boa noite.
Ele segurou sua mão.
— Você não vai a lugar nenhum depois de dizer isso.
Ela começou a rir.
— Jacob...
Ele a puxou de volta.
— Absolutamente não.
E a beijou outra vez.
Do outro lado da ilha, um homem observava as luzes da casa.
O cabelo grisalho estava mais curto do que na fotografia antiga.
A cicatriz no pescoço, mais funda.
Quil guardou os binóculos.
Atrás dele, outro homem perguntou:
— Ele encontrou a carta?
Quil não se virou.
— Encontrou.
— Então amanhã vai ao porão.
— Sim.
— Devemos impedir?
Quil ficou olhando para a casa.
— Não.
— Billy não queria que Jacob entrasse nisso.
— Billy está morto.
— E você prometeu proteger o filho dele.
Quil finalmente se virou.
— É exatamente o que estou fazendo.
O outro homem permaneceu nas sombras.
— E Sarah Clearwater?
Quil endureceu.
— Não toque nela.
— Ela é uma fraqueza.
— Não.
Quil voltou a olhar para a casa.
Na varanda, ao longe, Jacob ainda segurava Sarah.
— Ela é a primeira razão que aquele garoto encontrou em anos para querer sair vivo disso.
O homem nas sombras sorriu.
— Você está sentimental.
Quil não respondeu.
— E Edward Cullen?
A expressão dele mudou.
— Edward ainda não sabe a pior parte.
— Sobre Isabella?
Quil fechou os olhos.
— Sobre Charlie.
O outro homem ficou em silêncio.
Quil pegou o telefone.
Na tela havia uma fotografia antiga.
Charlie Swan.
Isabella ainda adolescente ao lado dele.
E, atrás dos dois, Billy Black.
— Amanhã Jacob vai encontrar a caixa — disse Quil.
— E depois?
Quil guardou o telefone.
— Depois vai descobrir por que Charlie Swan tinha mais medo da própria filha do que de qualquer homem naquela fotografia.
As luzes da casa permaneceram acesas ao longe.
E, pela primeira vez desde que aquela história começara a se abrir, a maior pergunta já não era quem matara Isabella Swan.
Era o que Isabella descobrira sobre o próprio pai antes de morrer.
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